Quem procura livros portugueses de romance encontra quase sempre as mesmas listas: Eça, Saramago, Vergílio Ferreira. São leituras obrigatórias, mas não respondem a uma pergunta mais simples. O que andam a escrever os autores portugueses de agora?
Esta lista reúne seis romances de autores portugueses contemporâneos, todos lidos e criticados n’O Informador entre 2020 e 2023. Para cada um tens a editora, o número de páginas e a classificação que o livro recebeu na crítica publicada.
Resposta rápida: seis livros portugueses de romance contemporâneo com boa nota n’O Informador são Apneia, de Tânia Ganho (5 em 5), Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto, As Coisas Que Faltam, de Rita da Nova, Amor Estragado, de Ana Bárbara Pedrosa, Enquanto o Fim Não Vem, de Mafalda Santos, e Corações de Papel, de Fábio Ventura (todos 4 em 5).
Romance quer dizer romance: o que procuras nesta lista
Em Portugal, “romance” é a palavra para uma obra de ficção narrativa longa, seja ela policial, histórica ou familiar. As próprias pesquisas mostram isso: quem escreve “romances portugueses” procura também romances policiais, históricos e clássicos. A história de amor é só uma das possibilidades.
Por isso, esta seleção usa o sentido português da palavra. Onde há uma relação amorosa ou familiar no centro do livro, a lista diz-to, para que saibas o que vais encontrar antes de abrir a primeira página.
| Livro | Autor | Editora | Páginas | Classificação n’O Informador |
|---|---|---|---|---|
| Apneia | Tânia Ganho | Casa das Letras | 696 | 5 em 5 |
| Almoço de Domingo | José Luís Peixoto | Quetzal Editores | 264 | 4 em 5 |
| As Coisas Que Faltam | Rita da Nova | Manuscrito | 256 | 4 em 5 |
| Amor Estragado | Ana Bárbara Pedrosa | Bertrand Editora | 208 | 4 em 5 |
| Enquanto o Fim Não Vem | Mafalda Santos | Suma de Letras | 256 | 4 em 5 |
| Corações de Papel | Fábio Ventura | Minotauro Editora | 400 | 4 em 5 |
Seis romances de autores portugueses contemporâneos
Apneia, de Tânia Ganho

Adriana sai de casa com o filho de cinco anos e põe fim ao casamento com Alessandro, que não aceita o divórcio. O romance acompanha a violência conjugal e parental e a luta nos tribunais pela guarda da criança. São 696 páginas, o livro mais longo desta lista.
Foi o único a receber 5 em 5. Na crítica de Apneia, de Tânia Ganho, lê-se: “Apneia é um dos meus livros de 2020”. A mesma crítica fala de capítulos pequenos e de rápida leitura, apesar da extensão.
Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto

Um romance que é também biografia: acompanha a vida de um homem entre 1931 e 2021, no Alentejo da raia, em paralelo com a história do país. A crítica identifica o protagonista como Rui Nabeiro, fundador da Delta, e Campo Maior como o centro desta geografia.

Classificação: 4 em 5. A crítica de Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto resume assim: “Almoço de Domingo não é apenas uma biografia de Rui Nabeiro, é um retrato real de Portugal.”
As Coisas Que Faltam, de Rita da Nova

O romance de estreia de Rita da Nova segue Ana Luís, que cresce com uma mãe fria e dominadora e deposita no pai que não conhece todas as esperanças. É um livro sobre identidade, família e histórias que se repetem de geração em geração.
Recebeu 4 em 5. Na crítica de As Coisas Que Faltam, de Rita da Nova, a frase de fecho é clara: “A Rita da Nova surpreendeu-me pela positiva”.
Amor Estragado, de Ana Bárbara Pedrosa

Apesar do título, não é uma história de amor. Dois irmãos, Manel e Zé, contam a dissolução de uma família marcada pelo álcool e pela violência doméstica, numa linguagem crua.
Classificação: 4 em 5. A crítica de Amor Estragado, de Ana Bárbara Pedrosa chama-lhe “Um romance cruel e que incomoda”, e é esse o aviso certo para quem pega nele.
Enquanto o Fim Não Vem, de Mafalda Santos

Afonso é um escritor preso a um contrato e a uma personagem de sucesso, o inspetor Lobo. Quando a namorada morre num acidente, vê no luto a desculpa para deixar de escrever, mas Laura continua morta e alguém tem de encontrar o culpado. É um policial que brinca com a fronteira entre autor e personagem.
Recebeu 4 em 5. Segundo a crítica de Enquanto o Fim Não Vem, de Mafalda Santos, o livro foi lido “em menos de vinte e quatro horas”.
Corações de Papel, de Fábio Ventura

Num futuro próximo, depois de uma pandemia e de uma guerra, seis escritores entram em Ash Falls, um programa residencial que promete três meses de escrita isolada. Afinal, estão a ser filmados e são atirados para jogos de estratégia e sobrevivência.
Classificação: 4 em 5. A crítica de Corações de Papel, de Fábio Ventura chama-lhe “Um bom thriller nacional” e nota o “suspense com laivos de romance pelo meio”.
Qual destes livros portugueses de romance escolher
Os seis livros são muito diferentes entre si. A tabela ajuda-te a escolher pelo tipo de leitura que procuras agora, com base no tema de cada livro e na extensão.
| Se procuras | Livro | Tipo de romance | Páginas |
|---|---|---|---|
| Um livro longo e intenso | Apneia | Drama familiar e judicial | 696 |
| História de Portugal através de uma vida | Almoço de Domingo | Romance biográfico | 264 |
| Uma estreia sobre família e identidade | As Coisas Que Faltam | Romance familiar | 256 |
| Um livro curto e duro | Amor Estragado | Drama familiar | 208 |
| Um policial para ler depressa | Enquanto o Fim Não Vem | Policial | 256 |
| Thriller com uma linha amorosa | Corações de Papel | Thriller | 400 |
E se procuras mesmo uma história de amor?
Nenhum destes seis é um romance cor-de-rosa. O mais próximo é Corações de Papel, onde o amor surge pelo meio do suspense, e Almoço de Domingo, que a crítica descreve como tendo no casamento do protagonista com Alice um “verdadeiro conto de fadas”. Para histórias de amor no sentido estrito, vale a pena explorar a lista de géneros literários d’O Informador.
Mais autores portugueses contemporâneos para descobrir
Se gostaste de algum destes livros, há outros romances portugueses recentes com crítica publicada. A Profeta é um retrato social em que cada capítulo é um encontro de Mariana com um desconhecido, e Em Todas as Ruas Te Encontro parte da pandemia para falar de memória e perda.
- A Profeta, romance de Maria Francisca Gama: Suma de Letras, 152 páginas, 4 em 5.
- Em Todas as Ruas Te Encontro, de Paulo Faria: Minotauro, 136 páginas, 2 em 5.
- A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez: Bertrand Editora, 176 páginas, 3 em 5.
Para ver todos os escritores com livros criticados no blogue, consulta o índice de autores d’O Informador, com nomes portugueses e estrangeiros.
Onde encontrar estes livros sem os comprar
As bibliotecas municipais são uma boa forma de experimentar um autor novo antes de investir num livro de 400 ou 700 páginas. A rede de bibliotecas públicas e as políticas do livro em Portugal estão a cargo da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. Pergunta na biblioteca da tua zona se tem estes títulos ou se os pode pedir.
Perguntas frequentes sobre romances portugueses
Quais são os melhores livros de romance de autores portugueses contemporâneos?
Entre os romances portugueses recentes criticados n’O Informador, Apneia, de Tânia Ganho, foi o único com 5 em 5. Almoço de Domingo, As Coisas Que Faltam, Amor Estragado, Enquanto o Fim Não Vem e Corações de Papel receberam 4 em 5.
Em Portugal, romance quer dizer história de amor?
Não necessariamente. Em português de Portugal, romance é a obra de ficção narrativa longa, e por isso se fala em romances policiais, históricos ou familiares. A história de amor é apenas um dos tipos possíveis.
Há romances policiais portugueses recentes?
Sim. Enquanto o Fim Não Vem, de Mafalda Santos, é um policial com o inspetor Lobo, e Corações de Papel, de Fábio Ventura, é um thriller passado num programa residencial para escritores. Ambos receberam 4 em 5 n’O Informador.
Que romance histórico português contemporâneo ler?
Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto, acompanha a vida de um homem e a história de Portugal entre 1931 e 2021. É um romance com forte base biográfica, publicado pela Quetzal Editores, com 264 páginas.
Qual é o romance português mais curto desta lista?
Amor Estragado, de Ana Bárbara Pedrosa, com 208 páginas, publicado pela Bertrand Editora. O mais longo é Apneia, de Tânia Ganho, com 696 páginas.




