Toda a gente que gosta de livros já passou por uma fase em que a pilha cresce e as páginas lidas encolhem. N’O Informador isso também aconteceu, e ficou escrito no texto Fraco nas leituras, sobre a pilha de livros por ler na mesa de cabeceira: «Os livros vão-se acumulando pela mesa de cabeceira, poucas são as páginas que vou lendo por dia».
A boa notícia é que ler mais raramente depende de força de vontade heroica. Depende de pequenos hábitos, de escolher bem o próximo livro e de tirar obstáculos do caminho. Este guia sobre como ler mais livros junta o que funciona, compara formatos e sugere leituras para ganhar ritmo.
Resposta rápida: para ler mais livros, marca um momento fixo e curto todos os dias, anda sempre com um livro (em papel, no leitor digital ou em áudio), afasta o telemóvel enquanto lês, alterna livros leves com outros mais exigentes e não tenhas medo de pausar uma leitura que não te prende.
Porque vale a pena ler mais
Ler é prazer antes de ser obrigação, mas há investigação que dá argumentos extra. Um estudo publicado em 2016 na revista Social Science & Medicine, «A Chapter a Day: Association of Book Reading with Longevity», de Bavishi, Slade e Levy, acompanhou 3635 participantes do Health and Retirement Study, nos Estados Unidos, durante até 12 anos.
Quem lia livros teve uma redução de 20% no risco de mortalidade face a quem não lia, e os autores associam essa vantagem ao envolvimento cognitivo que a leitura de livros exige. A diferença foi maior para livros do que para jornais e revistas. É um estudo observacional, por isso mostra uma associação e não uma prova de causa.

Como ler mais livros: 7 hábitos que funcionam
1. Marca uma hora fixa, mesmo que curta
Dez ou quinze minutos todos os dias valem mais do que uma tarde inteira prometida para o fim de semana. Escolhe um momento que já existe na tua rotina, como o pequeno-almoço, a viagem de comboio ou os minutos antes de dormir. Quando o hábito pega, o tempo cresce sozinho.
2. Anda sempre com um livro
Filas, salas de espera e transportes somam muito tempo ao fim da semana. Um livro de bolso na mochila, um leitor digital ou uma aplicação de audiolivros transformam esses minutos perdidos em páginas. O formato importa menos do que ter sempre uma leitura à mão.
3. Afasta o telemóvel enquanto lês
O mesmo texto d’O Informador descreve o inimigo com precisão: acabar «entretido entre o pequeno ecrã e o telemóvel». Deixa o telemóvel noutra divisão, ativa o modo de foco ou, no mínimo, desliga as notificações durante a leitura. A concentração regressa mais depressa do que parece.
4. Alterna livros leves com livros exigentes
Ter um romance leve ao lado de um ensaio mais denso ajuda a não parar quando o cansaço aperta. Muitos leitores mantêm dois livros abertos ao mesmo tempo, um para o dia e outro para a noite. Se precisas de ideias por estilo, a página de géneros literários com críticas d’O Informador é um bom ponto de partida.

5. Usa a biblioteca municipal
Comprar todos os livros que se quer ler pesa na carteira. A biblioteca da tua zona deixa-te experimentar autores sem compromisso, e o prazo de devolução funciona como um pequeno incentivo para terminar a leitura a tempo.
6. Dá-te autorização para pausar ou desistir
Um livro que não te prende pode travar meses de leitura. Na crítica de A Voz na Sua Cabeça, de Ethan Kross, O Informador conta como a falta de ligação acabou por arrastar a leitura, que «teve uma paragem por várias semanas». O livro recebeu 2 em 5, e o aviso serve para todos: se não estás a gostar, troca.

7. Lê com outras pessoas
Um prazo partilhado e uma conversa marcada são excelentes motores. O Informador estreou-se assim no texto sobre a entrada num clube de leitura com A Vida no Céu, de José Eduardo Agualusa. Um amigo, um grupo online ou a biblioteca do bairro chegam para começar.
Papel, leitor digital ou audiolivro?
Não existe um formato certo, existe o formato que cabe no teu dia. A tabela resume as vantagens e os limites de cada opção para quem quer aumentar o número de livros lidos.
| Formato | Vantagens | Limites | Melhor momento |
|---|---|---|---|
| Livro em papel | Sem ecrã nem notificações, fácil de emprestar | Pesa na mala, ocupa espaço | Casa, café, antes de dormir |
| Leitor digital | Leve, guarda muitos livros, letra ajustável | Custo inicial do aparelho | Transportes, viagens, férias |
| Audiolivro | Permite ler enquanto caminhas ou conduzes | Exige atenção para não perder o fio | Trajetos, tarefas da casa, exercício |
| Livro da biblioteca | Gratuito, permite arriscar autores novos | Prazos de devolução, listas de espera | Para testar géneros sem gastar |
Livros para ganhar ritmo de leitura
Para retomar o hábito, ajuda escolher livros com menos páginas ou com uma escrita que se lê depressa. Todos os títulos abaixo foram criticados n’O Informador, com a classificação publicada na respetiva crítica.
| Livro | Autor | Editora | Páginas | Classificação n’O Informador |
|---|---|---|---|---|
| Da Janela Vejo o Sandokan | Rosária Casquinha da Silva | Intelectual Editora | 128 | 4 em 5 |
| Esta Ferida Cheia de Peixes | Lorena Salazar Masso | Guerra e Paz Editores | 144 | 5 em 5 |
| A Lanterna das Memórias Perdidas | Sanaka Hiiragi | Porto Editora | 196 | 4 em 5 |
| Escrever, Memórias de um Ofício | Stephen King | Bertrand Editora | 288 | 3 em 5 |
| A Bibliotecária | Salley Vickers | Cultura Editora | 312 | 3 em 5 |
Curtos e intensos
Os contos de Da Janela Vejo o Sandokan, de Rosária Casquinha da Silva, leem-se aos poucos, em pausas curtas. Esta Ferida Cheia de Peixes, de Lorena Salazar Masso, tem 144 páginas e a nota máxima. A Lanterna das Memórias Perdidas, de Sanaka Hiiragi, fica abaixo das 200 páginas.
Livros sobre livros
Ler sobre leitores e escritores também abre o apetite. A crítica de A Bibliotecária, de Salley Vickers, descreve-o como «Uma leitura rápida e bastante acessível», sobre uma bibliotecária que quer levar livros às crianças da vila de East Mole, em 1958.

Já a crítica de Escrever, Memórias de um Ofício, de Stephen King, chama-lhe «um bom manual para quem gosta de adquirir novas dicas e técnicas». É a escolha certa para quem lê e sonha escrever.

Como manter o hábito quando a vida aperta
Haverá semanas de cansaço, trabalho a mais ou simplesmente pouca vontade. Nessas alturas, baixa a fasquia em vez de desistir: dez páginas contam, um conto conta, um capítulo ouvido no autocarro conta. O objetivo é não perder o fio.
As férias também ajudam a recuperar o ritmo, como se lê no texto sobre férias, escrita e leitura n’O Informador. Aproveita esses dias para ler sem relógio e voltar à rotina com um livro já começado.
Por fim, regista o que lês. Um caderno, uma folha de cálculo ou uma aplicação de leitura mostram o progresso e ajudam a escolher o próximo livro. Se procuras novos nomes, a lista de autores com críticas publicadas n’O Informador tem muito por onde começar.
Perguntas frequentes
Como começar a ler mais livros?
Começa com pouco: dez a quinze minutos por dia, sempre no mesmo momento, e um livro curto ou de leitura fácil. Quando o hábito estiver criado, aumenta o tempo e arrisca livros mais longos.
Como ler mais livros em menos tempo?
Mais do que ler depressa, ganha quem lê mais vezes. Aproveita tempos mortos com um livro de bolso, um leitor digital ou um audiolivro, e afasta o telemóvel enquanto lês.
Quais são as melhores dicas para ler mais livros?
Ter uma hora fixa, andar sempre com um livro, alternar leituras leves e exigentes, usar a biblioteca e não ter medo de pausar um livro que não te prende. Ler com outras pessoas, num clube de leitura, também ajuda a manter o ritmo.
Como ler livros mais rápido e entender?
Lê sem distrações, em sessões curtas e regulares, e faz uma pausa no fim de cada capítulo para lembrar o que aconteceu. A compreensão melhora com a prática, por isso a regularidade conta mais do que a velocidade.





