O policial português não nasceu ontem. Num artigo do Diário de Notícias sobre histórias de polícias e ladrões à portuguesa, João Céu e Silva recorda que Matai-vos Uns aos Outros, de Jorge Reis, valeu ao autor o Prémio Camilo Castelo Branco e foi proibido pela censura.
Hoje há uma geração de autores que escreve crime passado em Coimbra, Lisboa, Sintra ou no Porto, com inspetores da Polícia Judiciária e séries que se acompanham livro a livro. Muitos chegaram às livrarias pela Cultura Editora.
Este guia reúne os livros policiais portugueses criticados n’O Informador, organizados por autor. Em cada um tens a série, o cenário, as páginas e a classificação publicada.
Resposta rápida: os autores portugueses de policiais mais presentes n’O Informador são Lourenço Seruya (série do inspetor Bruno Saraiva), Bruno M. Franco (série Mortal), Nuno Nepomuceno (série Afonso Catalão) e Carlos M. Queirós. As notas mais altas, 5 em 5, foram para Fúria Mortal e A Morte do Papa.
Lourenço Seruya e o inspetor Bruno Saraiva
É o autor mais próximo do policial clássico: um crime, um grupo fechado de suspeitos e um inspetor que tem de descobrir quem foi. A série começou com A Mão Que Mata, passada na serra de Sintra.
Na crítica de A Mão Que Mata, de Lourenço Seruya, o primeiro livro recebeu 4 em 5. A família Ávila junta-se para as partilhas e uma tia aparece morta na sala.
A Maldição

O segundo caso de Bruno Saraiva decorre no Teatro da Passagem, em Lisboa, durante a estreia de uma peça que já matou duas protagonistas. São 384 páginas, na Cultura Editora.
A crítica de A Maldição, de Lourenço Seruya deu-lhe 4 em 5 e chamou-lhe “um thriller bem gerido”. Os capítulos curtos são um dos pontos destacados.
Crime na Quinta das Lágrimas

Um casamento na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, com o hotel reservado só para noivos e convidados, termina em morte. São 352 páginas, também na Cultura Editora, com 4 em 5.

Na crítica de Crime na Quinta das Lágrimas, de Lourenço Seruya, a ideia central é que o autor “cresceu com esta história”. Se quiseres ler a série toda, começa por A Mão Que Mata e segue a ordem.
Bruno M. Franco e a série Mortal

Fúria Mortal é o terceiro volume da série, depois de Segredo Mortal e Jogo Mortal. Tem 544 páginas, na Suma de Letras.
A premissa parte de um assassino em série que aterrorizou o país nos anos 90 e nunca foi identificado pela Polícia Judiciária. Trinta anos depois, os inspetores Marta Mateus e Leonardo Rosa investigam um novo homicídio.

Foi um dos dois livros desta lista com 5 em 5. A crítica de Fúria Mortal resume-o numa frase: “Fúria Mortal vem com tudo”. O tamanho não assusta, porque os capítulos são curtos.
Nuno Nepomuceno: thriller religioso, arte e espionagem
Nuno Nepomuceno mistura policial, thriller e investigação histórica. A série Afonso Catalão tem seis livros, por esta ordem: A Célula Adormecida, Pecados Santos, A Última Ceia, A Morte do Papa, O Cardeal e A Noiva Judia.
A Morte do Papa

Um Papa é encontrado morto na cama, com um livro nas mãos, e a jornalista Diana desconfia da versão oficial. São 352 páginas, na Cultura Editora.
Teve 5 em 5, e a crítica de A Morte do Papa, de Nuno Nepomuceno termina sem meias palavras: “Quem não ficar tentado a ler A Morte do Papa está a pecar!”
Os outros livros de Nepomuceno n’O Informador
- A Célula Adormecida, primeiro livro da série Afonso Catalão (Topbooks, 592 páginas, 4 em 5): terrorismo e política nacional.
- A Última Ceia, o thriller de Nepomuceno sobre o mundo da arte (Cultura Editora, 360 páginas, 4 em 5): roubos de cópias do fresco de Leonardo da Vinci.
- A Noiva Judia, o livro que fecha a série Afonso Catalão (Cultura Editora, 392 páginas, 4 em 5).
- A Espia do Oriente, segundo volume da trilogia Freelancer (Cultura Editora, 784 páginas, 3 em 5): espionagem, não policial.
Carlos M. Queirós e um policial com o paranormal

A Rapariga Invisível começa no Hospital de São João, no Porto, onde Rafael é operado a um tumor cerebral. Uma criança que só ele vê pede-lhe que salve uma mulher do seu passado.
São 288 páginas, na Cultura Editora, com 3 em 5. Na crítica de A Rapariga Invisível, uma decisão médica na história causou desconforto, mas o final traz uma reviravolta.
O que estes policiais têm de português
O ponto comum é a geografia. Os crimes acontecem em lugares que o leitor português conhece, de um teatro em Lisboa a um hotel em Coimbra, e a investigação está quase sempre nas mãos da Polícia Judiciária.
Há também uma vontade de cruzar a ficção com casos reais. Na crítica de Fúria Mortal, a série é elogiada por unir “factos verídicos com personagens ficcionais”, e A Morte do Papa recria, nos tempos modernos, a morte do Papa João Paulo I.
Por fim, estes autores apostam em capítulos curtos e num ritmo rápido, mesmo em livros com mais de quinhentas páginas. Se tens receio de um policial longo, este é um bom sinal. Para quem procura um thriller psicológico estrangeiro em vez de um policial português, a crítica de A Criada, de Freida McFadden é um ponto de partida.
Comparação dos livros policiais portugueses
| Livro | Autor | Editora | Páginas | Classificação n’O Informador |
|---|---|---|---|---|
| Fúria Mortal | Bruno M. Franco | Suma de Letras | 544 | 5 em 5 |
| A Morte do Papa | Nuno Nepomuceno | Cultura Editora | 352 | 5 em 5 |
| Crime na Quinta das Lágrimas | Lourenço Seruya | Cultura Editora | 352 | 4 em 5 |
| A Maldição | Lourenço Seruya | Cultura Editora | 384 | 4 em 5 |
| A Mão Que Mata | Lourenço Seruya | Cultura Editora | 320 | 4 em 5 |
| A Rapariga Invisível | Carlos M. Queirós | Cultura Editora | 288 | 3 em 5 |
Por onde começar: autor, série e cenário
A escolha depende do tipo de policial que preferes. Quem gosta de enigmas fechados vai dar-se bem com Seruya, e quem gosta de conspirações e viagens tem mais em Nepomuceno.
| Autor | Série e investigador | Cenário | Começa por |
|---|---|---|---|
| Lourenço Seruya | Inspetor Bruno Saraiva | Sintra, Lisboa, Coimbra | A Mão Que Mata |
| Bruno M. Franco | Série Mortal, Marta Mateus e Leonardo Rosa | Lisboa | Segredo Mortal |
| Nuno Nepomuceno | Série Afonso Catalão | Lisboa, Roma, Milão, Londres | A Célula Adormecida |
| Carlos M. Queirós | Livro isolado | Porto | A Rapariga Invisível |
Para veres todos os escritores criticados, há o índice de autores portugueses e estrangeiros d’O Informador. A página de géneros literários, incluindo policial e thriller, mostra o resto.
Perguntas frequentes sobre policiais portugueses
Quais são os melhores livros policiais portugueses?
Entre os criticados n’O Informador, Fúria Mortal, de Bruno M. Franco, e A Morte do Papa, de Nuno Nepomuceno, tiveram 5 em 5. A série de Lourenço Seruya teve 4 em 5 nos três livros.
Que autores portugueses escrevem policiais?
Nesta lista estão Lourenço Seruya, Bruno M. Franco, Nuno Nepomuceno e Carlos M. Queirós. Há outros nomes no género, mas aqui só entram livros que O Informador criticou.
Os livros de Lourenço Seruya devem ser lidos por ordem?
É o mais aconselhável. Cada livro resolve o seu crime, mas a vida pessoal do inspetor Bruno Saraiva continua de livro para livro: A Mão Que Mata, A Maldição e Crime na Quinta das Lágrimas.
Há romances policiais portugueses passados em Portugal?
Sim. Seruya passa os seus crimes em Sintra, Lisboa e Coimbra, Bruno M. Franco em Lisboa e Carlos M. Queirós no Porto.




