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06
Nov18

Worst Of | Teatro Nacional D. Maria II

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Não é incomum, ao longo dos tempos, escutar-se a opinião de um atraso crónico do teatro português, por comparação com as outras artes. Worst of propõe-se a passar os olhos pela história do teatro nacional à sombra desta impressão. Para isso, um "best of" de atores nacionais dará voz às lamurias com a ajuda de exemplos que confirmam o desalento. Worst of não é uma celebração.

Worst Of chegou à Sala Garrett do Teatro Nacional Dona Maria II para fazer uma visita à história do teatro em Portugal, com oportunidade para que a opinião nos tempos que correm seja dada de forma feroz e impactante, mostrando como existe uma falha sobre tudo o que foi feito, parecendo faltar evolução no que é feito e que chega, como é bem reforçado em palco, a ser uma «merda» pela falta de vontade em fazer mais, em ser diferente, arriscar e não continuar a ser mais do mesmo, poupando esforços e não procurando alterar ou fazer em condições um bom espetáculo cultural.

Esta criação do Teatro Praga e que conta com a interpretação de Rogério Samora, São José Correia, Márcia Breia, Vítor Silva Costa, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Patrícia da Silva e Pedro Penim, divide-se em dois palcos, onde o passado é representado para ser comentado pelo presente. Recorrendo a textos de André Brun, Júlio Dantas, Gil Vicente, Luís de Sttau Monteiro, J.M. Vieira Mendes, Francisco Gomes de Amorim e Almeida Garrett, Worst Of une assim o passado histórico do teatro, dos primórdios sucessos aos grandes fracassos, a um texto debatido e que já havia sido recusado pela direção do Teatro Nacional Dona Maria II em 2006, ganhando agora vida em 2018. 

Worst Of promete continuar a colocar o dedo na ferida, apontando o dedo à mediocridade do que já foi feito e a forma como nos dias que correm tudo ainda acontece, com muitos a levarem o seu trabalho em diante por necessidade e não por gosto, tal como em todas as áreas profissionais e culturais, não sendo só um ponto exclusivo da vida artística. Esta peça é assim uma critica social marcada e associada ao gosto pelo que se faz que fica muitas vezes para trás quando outros fatores se adensam e existe necessidade de continuar no ativo, de aparecer, fazer e tentar contrariar o que já está viciado quando as condições estão impostas e se sabe que ao continuar é só mesmo sujeitar o corpo a seguir o que a mente rejeita. 

Em cena até 18 de Novembro com sessões que às Quartas-feiras e Sábados se realizam às 19h00 e às Quintas e Sextas-feiras são pelas 21h00 com os Domingos às 16h00 com preços entre os 10 e os 17 euros, Worst Of toca na ferida sobre os problemas do teatro em Portugal, colocando em cena uma realidade que muitas vezes continua transvestida.

 

 Imagens de Filipe Ferreira

 

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