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Vencedor de Os Maias

As aulas já começaram há algumas semanas e com isso alguns bons alunos terão de ler Os Maias, a excelente obra de Eça de Queiroz. Estudantes ou não, certo é que várias dezenas de participações estiverem em jogo no passatempo que terminou há poucas horas aqui pelo blog. Agora é chegada a altura de revelar o nome da vencedora que irá receber esta renovada edição de uma das obras nacionais mais lidas!

Quem irá receber pelos próximos dias o exemplar de Os Maias em sua casa será a Helena Bracieira, de Beja, que foi seleccionada através do sistema random.org. Parabéns à vencedora e obrigado à Guerra e Paz pela oportunidade!

A todos os que tentaram a sua sorte agradeço, ficando a promessa que um próximo passatempo irá surgir dentro em breve!

os maias.png

«A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um colégio de Jesuítas. O nome de Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data. 

Longos anos o Ramalhete permanecera desabitado, com teias de aranha pelas grades dos postigos térreos, e cobrindo-se de tons de ruína. Em 1858 monsenhor Buccarini, núncio de S. Santidade, visitara-o com ideia de instalar lá a Nunciatura, seduzido pela gravidade clerical do edifício e pela paz dormente do bairro: e o interior do casarão agradara-lhe também, com a sua disposição apalaçada, os tectos apainelados, as paredes cobertas de frescos onde já desmaiavam as rosas das grinaldas e as faces dos cupidinhos.»