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O Informador

Nem sei...

Vazio

 

A verdade destes tempos é que existem horas do dia tão vagas que a expressão "nem sei" parece fazer todo o sentido para descrever os diversos momentos em que me podem questionar sobre o que estive a fazer e a resposta é tão vaga que simplesmente consigo afirma "não sei", sendo de facto isto que me ocorre.

O que sei é que as horas do dia em sistema de lay-off passam e quando dou por isso o dia anoitece e ao refletir sobre o que fiz ao longo do período em que estive acordado reflete, em termos de proporção, no mesmo tempo de ocupação como se estivesse a trabalhar e chegasse a casa e conseguisse fazer tudo e mais alguma coisa. 

 

Silêncios confinados

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21/11/2020, pelas 16h25

 

Esta tarde, de pijama vestido, o que vai contra as minhas regras pessoais de ficar em casa com um aspeto sociável e não com aspeto de quem vou dormir a qualquer momento, estou com a televisão ligada como dama de companhia, o computador também ele em espera que as palavras surjam pelo teclado para um texto que será publicado logo no dia seguinte, com o bulldog deitado aos pés da cama, meio adoentado e a ressonar no seu sono de prazer por poder estar na cama do dono a fazer a sua sesta durante horas. Cá dentro tudo está em modo quase pausado, sem grandes movimentações e também sem qualquer vontade para tal.

Já lá fora o silêncio impera. A janela está aberta, o sol aquele o quarto e se não soubesse que vivo numa das principais ruas da aldeia, por onde até costumam passar pessoas e carros, diria que estava isolado no campo, já que o som é inexistente durante as últimas horas. Nada acontece nas proximidades lá por fora, praticamente como aqui, estando como que parecendo isolado do mundo.

Silêncio total num dia que se fosse normal todos poderíamos aproveitar para um passeio pela natureza ou pelas calçadas de ruelas e avenidas. O sol brilha quente por este fim-de-semana de Outono em que não podemos aproveitar o ar livre, ficando toda uma sociedade suspensa dentro de quatro paredes onde nos sujeitamos a ver cada hora passar para que o dia seguinte inicie como mais um dos muitos que ainda esperamos dentro de um estado de emergência que parece longe de findar para o bem de todos. 

Não sejamos ingénuos...

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A quarentena quase obrigatória invadiu Portugal em Março para ficar por uns meses e muitas vozes se levantaram com a esperança de uma mudança social, para melhor, por tudo o que estávamos a passar. Agora, com o retomar da vida com a nova normalidade percebemos que continuamos a ser ingénuos por acreditar numa mudança social que na generalidade não aconteceu. 

Claro que nada mudou para melhor, talvez até bem pelo contrário. Neste tempo de confinamento o que se ganhou bastante foi uma individualidade egoísta, um afastamento recheado de insensibilidade e aquela indisponibilidade para com os outros com a desculpa que agora não nos podemos encontrar, como tal cada um tem que se desenrascar sozinho e à sua maneira individual. 

Modo off

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Nunca te aconteceu dares por ti sentado na cama, deitado no sofá ou encostado à parede a olhar para um vazio que não existe durante minutos em modo off? Claro que sim, sei que não sou o único a ficar momentaneamente especado com olhar oco, sem pensar absolutamente em nada e ao mesmo tempo sem entender que estou focado em coisa nenhuma e com o pensamento completamente desligado.

Existem os momentos ocupados, em que o tempo parece passar num ápice sem que nos demos conta e depois existe aquela pausa perante a qual nem demos conta e quando acabamos por acordar da lassidão percebemos que entretanto já passou um bom conjunto de minutos em que nem percebemos o que fizemos e em que pensamos sobre a razão de não estarmos a ocupar o tempo de forma positiva. 

Vazio

Vazio é a palavra que consegue descrever situações e estados de alma imperfeitos através de várias perspectivas. Os Vazios que se cruzam e dão trabalho conseguem sempre deixar uma mensagem, mesmo sendo ela imperfeita e vã.

Acreditar que existe sempre algo melhor para cada um. Perceber o quanto os que nos fazem mal conseguem pagar para serem seres inúteis na sociedade. Pensar no tempo perdido passado em redor de um Vazio sem nexo e lugar certo. Acreditar na mentira de quem não consegue existir por si só. O Vazio, tudo isto ronda o Vazio!

O Vazio, o ser que não consegue ter objetivos e pensamentos capazes de raciocinar sobre o que está a preparar a pensar no amanhã. O Vazio, aquele que nada tem e também nada teme por não conseguir estar na vida e acreditar na felicidade e na convivência para com os outros. O Vazio não interessa a ninguém, nem mesmo a si próprio por acabar por ser algo inexistente onde nem a curiosidade tem lugar e causa transtorno. Ele, o buraco negro de cérebro não tem razão, não tem bom senso e muito menos consegue ter atitude para assumir o quanto mal anda a fazer à sociedade.

O mundo é composto por peças compactas, puzzles imperfeitos e Vazios mal nascidos, onde cada humano encaixa neste trio de portas é sempre a luta que irá definir cada qual ao longo da sua curta ou longa permanência enquanto ser que habita fisicamente o planeta ou algum local inexistente para muitos.