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O Informador

01
Abr20

Literatura alterada pela realidade

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O ciclo em que todos vivemos atualmente, devido ao surto de Coronavírus, tem feito com que o isolamento social aconteça e com isso a nossa vida levou uma grande alteração de rotinas e hábitos que tiveram de ser bastante ajustados à nova realidade que parece tardar em passar. Com esta quarentena forçada com que quase todos temos de viver, começou a existir tempo para serem feitas outras coisas ou alterando o que já acontecia. Num certo ponto, na literatura, a maneira como olho para as histórias contadas até se tornou diferente. 

Pessoalmente, o que notei é que não só mudei a forma de estar como também alterei, em termos literários, a criação mental de lugares e personagens. Confuso? Passo a explicar e quem lê correntemente irá talvez identificar-se com este ponto com que me apercebi pela minha atual leitura. 

Quando determinada personagem é descrita a correr por uma avenida ou praça conhecida geralmente a imaginação enche esses espaços de figuração literária, tal como acontece normalmente na nossa realidade. As visitas a um museu consistem também no cruzamento com outras pessoas, neste caso, figurantes, que dão assim vida aos espaços que estão a ser idealizados mentalmente. Com a atual leitura e porque as nossas cidades, vilas e aldeias estão desertas, dei por mim a imaginar praças e ruas vazias quando as personagens circulam fora de casa, num autêntico estado de quarentena literário.

Aqui se prova o poder da influência das nossas vidas nas criações mentais que idealizamos. Se andamos numa boa fase também as histórias parecem seguir o nosso lema atual, mas se passamos por momentos mais ácidos também isso será refletido na forma como se olha para as histórias que se atravessam pelo caminho. Por exemplo, se andamos a ver o mar constantemente decerto que iremos imaginar um determinado romance numa vila perto da praia mesmo que tal não seja referido, já se andamos e adoramos o campo será de forma mais rústica que as ruas de calçada serão descritas. Neste momento imagino uma cidade deserta onde há mês e meio teria imaginado aquelas personagens a circularem entre moradores e turistas nas suas vidas corridas. 

01
Mai19

Sem sonhar

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Geralmente quando as conversas partem para o mundo dos sonhos ao longo do sono, não os sonhos por realizar, deixo-me ficar ausente e tenho mesmo de assumir que sou um ser que raramente consegue que as noites sejam abençoadas com histórias imaginadas. 

As pessoas com quem falo sobre sonhos acham bem estranho a minha ausência destes bons momentos e por vezes questionam mesmo sobre a felicidade que existe ao passarem as horas de sono a saltar por mundos imaginários e com a criação de peripécias e situações que no dia-a-dia não acontecem.

Deverei ser uma pessoa triste por não conseguir ter sonhos ao longo das minhas horas de sono? É mesmo muito raro acordar de manhã e lembrar-me do que foi acontecendo na minha mente ao longo do tempo em que me mantive ausente, em descanso e onde não flutuei, viajei ou conheci novos espaços porque a minha mente não flui enquanto está parada.

24
Jul18

Citações | 31 | (Des)acreditar

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Quando os que amas não acreditam em ti, perdes o teu mundo. Tens de encontrar duas forças: continuar a amá-los e continuar a sonhar. Os seus risos de incredulidade e descrença são piores que a mesquinhez dos escorpiões. No fim, pedem-te perdão. Dizem que sentem orgulho em ti. 

Catarina Rodrigues, no livro 1001 Coisas que Nunca Te Disse, lançado pela Oficina do Livro

21
Jan18

Divagações

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Hoje apetece-me iniciar o dia a divagar! Divagando sobre tudo e mais alguma coisa porque se o pensamento se deixa levar por outros caminhos acabamos por vaguear por aí, percorrendo territórios e imaginações que nos ajudam a transportar a mente para outros locais onde não marcamos presença física mas conseguimos fantasiar e acreditar que nem todos os momentos reais que acontecem tenham que ser vividos sem uma pitada de esquecimento em momentos onde a mente se deixa levar e ignora situações menos positivas ou que nos deixam menos bem ao longo do dia. 

Divago tanta vez através da criação de histórias mentais que logo terminam e ficam deixadas onde foram criadas, deixando-me levar por longos minutos onde parece que o tempo para quando faço pequenas pausas e me deixo ficar, sem querer pensar em algo de concreto, mas deixando a mente livre para entrar numa realidade existente mas onde não estou naquele momento. Deixo-me facilmente levar para além da realidade, viajando por locais conhecidos, recordando situações e criando vontades que na maioria dos casos não se tornam possíveis no futuro mas que naquele momento me conseguem deixar um pouco mais completo.

É tão bom divagar sem ter um tema em concreto, deixar que a mente flutue e nos leve por ai, caminhando ao acaso e onde a verdade real do momento acaba por ficar num campo afastado e quase fora do contexto que na verdade queríamos estar a viver naquele exato minuto. Divagar é acrescentar um ponto ao ponto fulcral da história, encontrar um rumo desnecessário mas que para cada um, de forma individual, faz sentido. Entrar num caminho distante onde a vontade de criação é um bem necessário para saltarmos fora de um barco que nem sempre nos convém e é aí que tantas vezes somos levados pela nuvem onde o som real desaparece, a visão parece ficar turva e a realidade acaba por ser a que não está no nosso presente físico mas sim no consciente de cada um, tal e qual como é criada de forma individual.

17
Mar13

Sonhos, não os tenho!

Todos dizem que quando dormem sonham bastante e depois lembram-se de tudo. Eu raramente sonho e mesmo que isso aconteça todos os dias, então eu nunca me lembro de nada.

É muito raro, e quando digo muito raro, é mesmo porque só de longe a longe acordo e me lembro do que se passou na minha mente durante as horas em que estive a descansar. Eu não sonho, digo isto e ninguém acredita, mas é verdade. Na minha mente existe algo que me bloqueia e não me deixa partir para outras bandas através do pensamento durante o tempo em que estou a descansar. Porque razão isto acontece, não sei, mas o que é certo é que é mesmo verdade... Eu não sonho!

O que acontece por vezes é que nas últimas horas de sono, naquelas em que estamos prestes a acordar, estou a viver um pesadelo terrível e aí quando acordo lembro-me do que sonhei. Esses pesadelos geralmente retratam os meus medos do dia-a-dia fazendo também com que tenha umas horas com algum mau feitio porque estou sobre o efeito do que andou pela minha mente, e como são coisas de que não gosto, só piora a situação com o meu mau feitio.

É raro eu acordar e lembrar-me dos meus sonhos e quando me lembro é porque estive num pesadelo e não num sonho onde tudo é belo e idílico.