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O Informador

Vem aí... A Espia do Oriente

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A série Freelancer de Nuno Nepomuceno foi lançada originalmente em 2012 através de uma trilogia bem sucedida mas que agora, após o sucesso que o autor obteve com a sua outra série, Afonso Catalão - A Célula AdormecidaPecados Santos, A Última Ceia, A Morte do PapaO Cardeal e A Noiva Judia -, esta primeira obra do autor volta a ser relançada numa edição especial de coleccionador.

No ano passado foi editado pela Cultura Editora o Livro 1 desta série Freelancer, O Espião Português, e agora chega, para gáudeo dos fãs da escrita de Nuno Nepomuceno, o Livro 2, A Espia do Oriente, que trás de volta a dupla maravilha à investigação perante um atentado iminente. Este relançamento já se encontra em pré-venda - AQUI - e podes desde já fazer a tua reserva para que no dia 13 de Outubro, data de lançamento, tenhas o teu exemplar a chegar em condições e sem saíres de casa.

A Profeta | Maria Francisca Gama

Suma de Letras

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Título: A Profeta

Autor: Maria Fransica Gama

Editora: Suma de Letras

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2022

Páginas: 152

ISBN: 978-989-7846-07-6

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Mariana é uma jovem mulher solitária. Tem um emprego do qual não gosta, passa os dias e as noites sozinha a ler um livro misterioso.

Sente um profundo desprezo pela Humanidade, mas não consegue evitar ajudar quem precisa, mesmo que a ajuda venha na forma de um frasquinho de veneno indetetável.

Através das pessoas com quem se vai cruzando, todas vítimas de alguém, Mariana vai eliminando o mal do mundo e, ao fazê-lo, junta uma legião que jura segui-la para sempre, como a uma profeta.

Neste livro, Maria Francisca Gama faz uma reflexão sobre a religião, o certo e o errado, e a aleatoriedade de acontecimentos que em segundos destroem uma vida. É a incapacidade de aceitação e a busca por uma justiça divina que, não chegando, é feita pelas próprias mãos.

 

Opinião: A história contada em A Profeta leva o leitor a acompanhar Mariana, uma jovem solitária, infeliz e sem pilares familiares que a sustentem por um preâmbulo de encontros com desconhecidos a quem espalha a palavra como uma missão que sente como salvamento do próximo. O poder da palavra como a verdade acima de qualquer controlo para dar voz a vidas que caminham com a dor e perante as quais procura discípulos para passar a mensagem que acredita ser a correta, a de que todos devem pagar pelos males cometidos. 

Nesta história cada capítulo é um cruzamento de Mariana com uma pessoa que lhe parece à primeira vista distante mas que com quem tem algo em comum, um passado de dor que resultou num pesado presente. Para ajudar os mais sensíveis, esta mulher tem do seu lado um ingrediente secreto que acaba com a causa do sofrimento dos que lhe contam as suas vivências por estarem mais suscetíveis ao poder da influência. Os conselhos de Mariana para que os outros se consigam libertar das suas lutas interiores levam a momentos de causa efeito perante o poder da vingança feita pelas próprias mãos, levando os aconselhados a seguirem os seus ideais como uma profeta dos nossos dias. 

 

Prisioneira do Tempo | Livro I - Recife | Patrícia Madeira

Cultura Editora

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Título: Prisioneira do Tempo | Livro I - Recife

Autor: Patrícia Madeira

Editora: Cultura Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2021

Páginas: 864

ISBN: 978-989-9039-55-1

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Um momento de dor extrema conduz Manuela, sem que o compreenda, a uma viagem no tempo. Chega ao Brasil de 1813, um território sob domínio português, onde na sombra cresce a Revolução Pernambucana, o primeiro movimento a ultrapassar a fase conspiratória, um passo inspirador para a independência do Brasil da coroa portuguesa, que anos antes fugira de Lisboa para o Rio de Janeiro.

Enquanto tenta adaptar-se a um mar de adversidades e preconceitos que resultam da diferença entre séculos, o inesperado acontece-lhe... apaixona-se por um militar e acaba rendida às emoções de uma vibrante história de amor. Manuela revive episódios históricos e cruza-se com personagens verídicas. Convive com a realeza e choca-se com o mais hediondo negócio de todos os tempos… a escravatura.

Uma mulher entre dois territórios, uma alma que se procura a ela própria. Pelos olhos desta viajante assistiremos às origens, tão apaixonadas quanto violentas, de uma nação. Tal como um centelha provoca um incêndio, há um primórdio para toda uma existência. Será possível alterar o passado? Valerá a pena lutar contra o destino ou será o próprio sofrimento o passaporte para o futuro?

 

Opinião: Em Portugal encontrei Manuela em pleno século XXI, a viver um casamento com Henrique quando sofre com a perda da mãe. Do nada, aparentemente sem explicação, Manuela acaba por ser arrastada no tempo e dá por si a viver no ano de 1813 na cidade de Pernambuco, no Brasil. A premissa está lançada e com ela surge um bombom adicional, é que nesta união entre ficção e factos históricos, a portuguesa vive numa época diferente da sua, com todas as condicionantes que tal mudança leva consigo, mas a memória e o conhecimento continuam consigo, ajudando a saber o que poderá acontecer como uma antecipação dos factos perante o seu novo dia-a-dia.

Uma mulher dos nossos tempos que do nada se vê perante comportamentos inaceitáveis de outra época e que percebe que ao estar, sem saber como, sujeita a permanecer num espaço e tempo onde não pertence, da resignação passa à aceitação e com esse modo de estar transforma-se na apelidada por Mulher do Povo, diferente das da época e incapaz de ficar de braços traçados enquanto as injustiças e desigualdades desfilam ao seu redor.

De novo apaixonada por um homem de outra época, o coronel Francisco, que percebeu a sua diferença e rapidamente ficou rendido ao seu modo de estar e olhar para a sociedade, Manuela é a grande opositora dos costumes e ainda hábitos vividos, transformando-se num forte rosto da oposição civil, enfrentando os tempos da escravatura, a fragilidade das mulheres que são mantidas longe das grandes decisões da família e por consequência da comunidade, servindo como um ser reprodutor e cuidador. Com Manuela a interferir e ao se tornar um símbolo de obstinação, o debate perante o preconceito e a mudança para uma sociedade feita de bastantes desigualdades acontece perante esta mulher que não se deixa abater e enfrenta quem se colocar pela frente, desbravando caminhos sem medos, indo de encontro ao que nos tempos de hoje é a normalidade e que no passado histórico aconteceu como um mal maior entre as várias faixas sociais que se usavam e rebaixam como forma de progressão.

A História de uma Serva | Margaret Atwood

Bertrand Editora

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Título: A História de uma Serva

Título Original: The Handmaid's Tale

Autor: Margaret Atwood

Editora: Bertrand Editora

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Junho de 2021

Páginas: 352

ISBN: 978-972-25-2577-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo.

Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.

Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.

 

Opinião: A História de uma Serva é a distopia que Margaret Atwood excelentemente criou para dar vida a várias personagens pela voz de Defred, uma serva que fica ao dispor de um Comandante e perante todas as regras que a sua nova casa lhe ditam. 

Nesta história encontramos uma jovem mulher, no ano de 1985, a contar a sua história de vida ao longo de três tempos diferentes, o antes de ser recolhida para o seu novo estado de vida, o durante o tempo em que esteve sujeita a condições desumanas e o depois, aquele sonho do que poderia estar por detrás das portas. Nesta história Margaret consegue levar o leitor pela vida de uma serva que fica ao serviço de um homem, o Comandante, cuja ciumenta mulher não lhe consegue dar filhos. Esta esposa não consegue engravidar e dar assim continuidade à família, como tal as servas são colocadas ao dispor das famílias com tais dificuldades para terem filhos no lugar das esposas inférteis. Nesta distopia a par das servas existem as Tias, mulheres mais velhas que controlam e ditam as regras perante as novatas que entregam de forma forçada o seu corpo e ainda as Martas, cujas funções passam pela cozinha e limpeza das casas. Todas estão presas dentro de vidas que não desejaram, todas têm no seu Comandante o tutor, e as regras são para serem levadas a sério, onde cada qual tem a sua função bem implementada sem que possam existir extravios e somente com uma finalidade, a procriação para dar continuidade ao nome de família do Comandante, procriação essa que é feita entre o próprio e uma das servas, na presença da sua esposa e com os conselhos das Tias sempre atentas. 

A História de uma Serva é uma história onde o medo e todos os condicionantes que por si só surgem existem. As mulheres vivem perante uma sociedade controlada pelo autoritarismo masculino e se não seguirem o caminho que lhes é destinado acabam por sofrer graves consequências. Neste mundo o controlo é um facto, a reprodução uma obrigação e a liberdade uma proibição.

A Trama | Jean Hanff Korelitz

Editorial Presença

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Título: A Trama

Título Original: The Plot

Autor: Jean Hanff Korelitz

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2022

Páginas: 344

ISBN: 978-972-23-6934-3

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Jacob Finch Bonner era um promissor romancista com um primeiro livro acima da média. Hoje, é professor de Escrita Criativa e tenta manter a sua já pequena autoestima viva. Não publica nem escreve há anos.

Quando Evan Parker, o seu aluno mais arrogante, anuncia aos quatro ventos que não precisa da ajuda do professor para nada, porque a trama do livro que está a escrever é extraordinária, Jake olha para ele como mais um aluno narcisista, presunçoso e com ego enorme, mas depois… ouve Evan contar a história do livro.

Jake fica ainda mais deprimido e antecipa a estreia meteórica de Evan, no entanto, a publicação do livro não acontece. Jake acaba por descobrir que Evan morreu e, supõe-se, não terminou de o escrever. Que fazer? O que qualquer autor faria com uma história assim tão boa: tem de a contar.

Passam alguns anos, e Jake é agora o autor do livro. Tem a fama, tem o proveito e a sua carreira está no pico. Até ao dia em que recebe um e-mail: «És um ladrão.» Enquanto Jake tenta perceber quem está por detrás da primeira de muitas mensagens ameaçadoras e procura esconder a verdade dos leitores e da imprensa, o antigo professor descobre mais sobre Evan - e isso espanta-o e assusta-o brutalmente. Quem é - ou quem foi - Evan? Quem escreveu realmente aquele livro?

 

Opinião: Jacob Finch Bonner é atualmente professor de escrita criativa, após ter lançado um grande sucesso literário há uns anos que não conseguiu suplantar, estando com incapacidade para criar um novo enredo envolvente para voltar a surpreender os seus leitores. Ao mesmo tempo que as ideias de Jacob se mostram congeladas, na sua turma enquanto professor encontra Evan Parker, um aluno com forte acreditação num romance que criou, tendo o jovem todas as certezas de que a sua ideia irá ser um autêntico sucesso de vendas. Cético numa primeira fase perante esta certeza do jovem, Jacob ignora as ideias de Evan, desacreditando o seu enredo. A partir daqui, o que irá acontecer quando o escritor e professor sem ideias para um novo romance descobre que o promissor aluno está desaparecido? A surpresa é uma constante em A Trama, o livro dentro do livro que me conquistou. 

Criando um enredo dentro de um outro enredo é um dos pontos fortes desta narrativa de Jean Hanff Korelitz, onde ambas as histórias unidas conseguem cativar o leitor que é convidado a recolher informações para perceber até onde ambas as histórias se conseguem cruzar. Aqui é possível encontrar um livro dentro do livro, seguindo os contratempos que os seus criadores têm, acabando ao mesmo tempo esta narrativa completa por ter um toque de paródia critica para com o mundo dos escritores e toda a industria editorial, onde autores, tradutores, editores e até leitores acabam por ter o seu destaque nesta forma de contar a história picando o estado atual da literatura. 

Nadar no Escuro | Tomasz Jedrowski

Clube do Autor

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Título: Nadar no Escuro

Título Original: Swimming in the dark

Autor: Tomasz Jedrowski

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2022

Páginas: 240

ISBN: 978-989-724-632-6

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Do outro lado da Cortina de Ferro, nos anos 80, Ludwik é um universitário desiludido e um leitor voraz que segue com a sua turma para um campo de trabalho agrícola. Aqui conhece um jovem atraente e despreocupado por quem se começa a sentir fascinado. Juntos, passam um verão idílico, nadando em lagos isolados, lendo livros proibidos e apaixonando-se irremediavelmente.

Com o final do Verão, ambos regressam à dura realidade de um país católico e comunista. Exilados do seu paraíso, têm de escolher como sobreviverão sob o escrutínio público e quais os desejos mais profundos que podem viver.

Nadar no Escuro é um romance inesquecível sobre juventude, amor e perda e os sacrifícios que fazemos em prol de uma vida com significado.

 

Opinião: Nadar no Escuro remota a tempos turbulentos vividos na Polónia. Nesta altura o leitor é convidado a conhecer Lidzio, um jovem que após os estudos inicia a temporada de Verão nos campos agrícolas impostos pelo regime comunista, como se fossem uma oportunidade, para todos os jovens. Semanas de trabalho forçado com vários jovens a serem divididos entre grupos que se dedicam à terra com horas exatas de descanso para dormirem e comerem e é perante este período que Lidzio conhece Janusz, também ele jovem.

Entre olhares, atrações e uma leitura proibida partilhada de um romance, os dois jovens até então desconhecidos aproximam-se, descobrem novos mundos e entre si começam a partilhar o Amor que achavam não poder ser possível. Após as semanas de trabalho, os dois iniciam uma viagem em conjunto onde acabam por acampar e experiênciar novas linhas de liberdade e descoberta até então desconhecidas. No entanto, estarão os dois preparados a assumirem os seus sentimentos com o regresso perante a sociedade discriminatória com o passar do tempo ou estará o sonho de uma temporada de Verão condenado a se ficar por ai mesmo, por um sonho real que é vivido mas sem final feliz idealizado?! Estará Janusz capacitado para viver o amor em detrimento da ascendência social que um casamento por amizade e interesse lhe poderá dar no futuro? E Lidzio conseguirá voltar a viver a paixão quando o seu coração acaba por ser magoado por quem julgava que lhe iria ajudar a ter um final feliz? As questões, as dúvidas e o amor entre dois jovens que encontram na paixão e sedução a verdade que não foi possível concretizar.

Nadar no Escuro tem na sua escrita poética, real e sensual a presença de um amor proibido vivido com silêncios e omissões, refletindo crescimento e conhecimento pessoal de cada elemento envolvido numa sociedade condenatória. Esta é uma de muitas histórias de amor que nos tempos que correm podem ser lidas e vividas sem que para muitos seja motivo recriminatório, o que não acontecia quando Lidzio e Janusz se apaixonaram e deixaram as suas magoadas e ao mesmo tempo sonhadoras memórias. 

Um romance comovente e envolvente recomendado de um amor outrora erradamente proibido!

 

Se ficaste curioso, encomenda já o teu exemplar de Nadar no Escuro, de Tomasz Jedrowski

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Delparaíso | Juan del Val

Planeta de Livros

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Título: Delparaíso

Título Original: Delparaíso

Autor: Juan del Val

Editora: Planeta de Livros

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2022

Páginas: 248

ISBN: 978-989-777-575-8

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Em Delparaíso tudo parecia idílico e perfeito, mas as aparências enganam. Juan del Val abre-nos as portas. Entrem e vejam.

Delparaíso é um lugar seguro, vigiado 24 horas por dia, luxuoso e impenetrável. Contudo, os seus muros não protegem do medo, do amor, da tristeza, do desejo e da morte. Fará sentido protegermo-nos da vida?

O escritor Juan del Val dirige o seu olhar, lúcido e implacável, ao microcosmos de uma urbanização de luxo nos arredores de Madrid. Mergulha neste mundo tão fechado quanto inacessível para construir uma história absorvente, às vezes divertida e frequentemente incómoda.

A cada página, o leitor vê-se confrontado com um dilema moral que o fará ler este livro com o coração apertado.

 

Opinião: Delparaíso retrata a vida gerada num condomínio de luxo em Madrid. Rapidamente o leitor é convidado a conhecer alguns dos residentes de Delparaíso percebendo facilmente que esta história revela vidas feitas de aparências onde o dinheiro, os interesses e os segredos vão sendo contados com o passar do tempo e perante a ocorrência de situações inesperadas, como um suicídio inesperado e um roubo que coloca a segurança do condomínio em causa. O que é até então um bairro tranquilo acaba por levar uma certa reviravolta quando um novo casal chega para se tentar entrosar junto da aparente pacifica comunidade. O que existe a esconder do interior de cada família para manter as aparências, quem poderá andar a enganar o próximo para ficar bem perante os outros?

 

Último Olhar | Miguel Sousa Tavares

Porto Editora

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Título: Último Olhar

Autor: Miguel Sousa Tavares

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2021

Páginas: 312

ISBN: 978-972-0-03477-9

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Pablo tem 93 anos, viveu a Guerra Civil Espanhola, viveu os campos de refugiados da guerra em França, viveu quatro anos no campo de extermínio nazi de Mauthausen. E depois viveu 75 anos tão feliz quanto possível, entre os campos de Landes, em França, e os da Andaluzia espanhola. Inez tem 37 anos, é médica e vive um casamento e uma carreira de sucesso com Martín, em Madrid, até ao dia em que conhece Paolo, um médico italiano que está mergulhado no olho do furacão do combate a uma doença provocada por um vírus novo e devastador, chegado da China: o SARS-CoV-2. Essa nova doença, transformada numa pandemia sem fim, vai mudar a vida de todos eles, aproximando-os ou afastando-os, e a cada um convocando para enfrentar dilemas éticos a que se julgavam imunes.

 

Opinião: Último Olhar, de Miguel Sousa Tavares, aborda duas vidas, duas gerações diferentes e entre elas também duas realidades distantes que se encontram perante um tema bem atual pelo qual todos passamos, o Covid19. 

Pablo tem 93 anos, vive atualmente num lar de idosos mas a sua vida foi pautada por vários acontecimentos que marcaram não só o seu percurso como a História do Mundo. Passando pela Guerra Civil Espanhola onde ficou em jovem durante quatro anos num campo de concentração nazi afastado dos seus pais e irmãs, que acabou por perder com o tempo, este homem é feito de memórias pesadas, de perdas e derrotas pessoais mas ao mesmo tempo de conhecimentos. De outro prisma o leitor é convidado a conhecer Inez, uma médica que percebe que com a chegada do vírus se sente inativa no serviço onde está destacada e que decide, após a perda de um grande amor para o Covid19 alterar o seu rumo e enfrentar a pandemia de frente, querendo ser útil e responsável. É aqui que Pablo e Inez se encontram, ele enquanto utente da casa de acolhimento onde reside, ela enquanto nova médica residente. Os dois enfrentam o vírus, cada um com perspetivas de futuro diferentes perante o que foram passando ao longo dos seus trajetos de vida oscilantes e onde o amor, sempre o amor, nem sempre lhes deu boas perspetivas. 

Amor de Pechisbeque | Pedro Rodrigues

Cultura Editora

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Título: Amor de Pechisbeque

Autor: Pedro Rodrigues

Editora: Cultura Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2022

Páginas: 144

ISBN: 978-989-9096-69-1

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: «Como é que alguém se apaixona? Abrindo os olhos.»

Quando alguém termina um relacionamento amoroso, a vida parece um verdadeiro fim do mundo. O desnorte nos sentimentos baralha-nos em tudo o resto, desde a simples ocupação dos tempos livres com os amigos à própria estabilidade pessoal e familiar. Amor de Pechisbeque é um romance escrito à flor da pele, que nos faz descobrir vírgulas onde só vemos pontos finais.

«Por momentos, e disto não tenho a certeza absoluta, creio que os nossos corações se sincronizaram, tornando-se num só.»

 

Opinião: Pedro Rodrigues avançou com o seu novo romance e com este Amor de Pechisbeque deu a conhecer um pouco da vida do escritor num misto entre realidade e ficção onde consegue deixar o leitor sem pé perante a história que vai sendo contada ser a do próprio autor ou não.

Amor de Pechisbeque percorre a vida deste escritor após o final de um namoro duradouro que outrora acreditou ser para a vida. Com Ana no pensamento, com os amigos por perto sempre como forma de espicaçar, o nosso escritor partilha as suas batalhas para esquecer a relação defraudada, tudo ao mesmo tempo que as suas capacidades de concentração para se dedicar à escrita de um novo romance se tornam tempestuosas. O amor consegue quebrar estados de alma a ponto de paralisar várias áreas pessoais que ficam assim constrangidas emocionalmente, como que congeladas sem capacidade de reação. As relações com os amigos e família, a incapacidade de criação na escrita e a falta de fé para seguir em frente num novo futuro a dois revelam o poder do amor quando fracassado na forma como abala a vida de cada um, neste caso a de um escritor que se deixa ficar incapacitado. 

Sete Dias em Junho | Tia Williams

Topseller

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Título: Sete Dias em Junho 

Título Original: Seve Days In June

Autor: Tia Williams

Editora: Topseller

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2022

Páginas: 368

ISBN: 978-989-6234-29-4

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Quando Eva Mercy e Shane Hall se cruzam num evento literário em Nova Iorque, a faísca entre os dois é inegável, deixando toda a comunidade de autores negros em polvorosa. À primeira vista, Eva e Shane nada têm em comum. Ela é uma famosa autora de fantasia erótica que vive com a filha de 12 anos. Ele é um enigmático autor de ficção literária que se esquiva às luzes da ribalta.

O que ninguém sabe é que, quinze anos antes, quando eram adolescentes, Eva e Shane passaram uma intensa semana juntos, sete dias que lhes mudaram a vida para sempre. Agora, além de não conseguirem negar a química que ainda os une, começam a ter dificuldade em continuar a esconder um passado partilhado que influenciou a escrita de ambos.

Durante uma quente semana de Junho, Eva e Shane reaproximam-se, mas ela não tem a certeza de poder confiar no homem que lhe partiu o coração e só quer que ele se vá embora rapidamente, para conseguir recuperar o equilíbrio da sua vida. Mas antes que Shane volte a desaparecer, Eva precisa que ele lhe responda a algumas das perguntas que ficaram tantos anos sem resposta.

 

Opinião: Sete Dias em Junho é a representação bem conseguida de que existe sempre espaço para uma segunda oportunidade perante uma grande história de amor. Neste romance excelentemente elaborado de Tia Williams o amor acontece quando conhecemos a história que juntou Eva e Shane quinze anos atrás perante o tempo atual. Dois jovens na altura que acreditaram que toda a euforia da paixão os levava a serem felizes para sempre. Já no presente encontramos os mesmos dois protagonistas, em novas fases da vida, com percursos diferentes no passado, mas prontos para se reencontrarem e perceberem o que esteve por detrás de todo o tempo em que os vários mal entendidos os fizeram estar distantes. 

Nos dias que correm Eva e Shane são autores negros de sucesso, com carreiras dispares, mas que ao se voltarem a encontrarem percebem que sempre permanecerem no pensamento e na escrita um do outro por imprimirem nas suas personagens centrais dos livros que foram editando muito do que o outro representou para si, mesmo perante o desgosto que o afastamento provocou a ambos. Agora Eva e Shane têm sete dias para perceberem o que correu mal e poderem assim entregar uma nova hipótese ao destino de ambos perante esta segunda chance para se unirem ao amor. 

Com temas como o uso de drogas e o alcoolismo, o feminismo, a marginalidade, pedofilia e prostituição a terem espaço neste romance que transpira amor, alegria, sonhos e redenção numa história onde os protagonistas vivem de forma instável entre processos de cura para com o amor próprio e também por sofrerem de algumas maleitas para com a saúde, muito fruto de passados pesados e de sofrimento, é, contudo, o debate sobre o racismo que conseguiu ganhar vários pontos ao longo da leitura. Num debate público onde ambos os autores são convidados a participarem com outros rostos negros conhecidos, a literatura negra é tema central por ser constantemente relegada dos destaques e sugestões, existindo uma grande distância dos grandes sucessos literários de atores brancos que escrevem através de personagens brancas e a diferença para com os autores negros que escrevem com o recurso a personagens com o seu tom de pele. Quando o leitor idealiza personagens nas várias histórias lidas sem descrição do tom de pele de forma automática sempre surge o tom claro, estando neste livro o tema em destaque, também porque na história Eva é autora de literatura erótica a um passo de ver as suas criações serem adaptadas para a grande tela, só que para existir orçamento e produtoras interessadas é necessário alterar os protagonistas para atores ditos brancos por serem teoricamente mais apelativos junto do mercado do audiovisual. Esta é para mim a grande questão fulcral deste livro que desde logo me conseguiu cativar por reforçar o debate do racismo perante os diversos prismas sociais.