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O Informador

16
Jan20

Eu, o chorão!

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Um Escorpião com emoções à flor da pele existe e caso provado é que aqui estou, uma pessoa bastante emocional e com a lágrima fácil a despoletar com pouca coisa. Sou muito dramático no bom sentido da palavra e a comoção surge quando os sentimentos tocam naquele ponto da saudade, das lembranças, onde as memórias ganham lugar e as despedidas se tornam em momentos pesados. 

Com a idade tenho percebido que a pieguice tem vindo a piorar, trazendo a lágrima fácil em situações por vezes inesperadas e onde não consigo controlar o peso de histórias que são contadas de desconhecidos e despedidas de quem me toca particularmente em diversos tempos da passagem por esta vida. Não posso saber algo mais sensível que viro logo um Manel Madalena de lágrima fácil, chegando a sentir uma certa ridicularizarão pela sensibilidade que deixo escapar de forma tão rápida. 

Choro quando me contam uma história de vida pesada. Não me aguento se chego a casa e na televisão estão a falar de situações superadas e de sobrevivência ou de vidas que precisam de ajuda. Se tenho de me despedir de alguém que me faz falta por saber que os tempos de convivência vão ser alterados, não me contenho com receio de que a perda temporária seja permanente. Vejo uma produção cinematográfica que me faz lembrar alguém próximo e comovo-me com as semelhanças. Os anúncios televisivos que contam histórias reais são um transtorno que me faz refletir. As reportagens de informação que tanto me provocam a dor por perceber a impossibilidade e a força que por vezes existe em quem aparentemente tem uma vida feita em cacos. 

Sou um chorão inegável! Fico cada vez mais com a sensibilidade à flor da pele e todas as vidas com histórias de dor e sofrimento me deixam abananado, percebendo que a idade tem feito comigo o oposto do que geralmente acontece. Com os anos a passarem as pessoas tendem a ficar mais frias e isso tem acontecido comigo, no entanto quando surge o momento em que a ficha cai e percebo que existem vidas mais complicadas e situações que não consigo controlar a sensibilidade vem ao de cima ao mesmo tempo em que penso que por vezes dou destaque e faço dramas quando existem pessoas que merecem ter apoio por sofrerem e mesmo assim seguirem com as suas vidas e boa disposição onde a luta é um contraste de emoções.

08
Out19

Desabafo

 

De há umas semanas para cá que percebo que não tenho andado bem. Sinto-me como um boneco que aparenta o que realmente não sente. Na realidade sinto-me triste, cansado e a necessidade é somente a de chegar a casa e ficar bem quieto no meu canto, sem que tenha de pensar ou dirigir a palavra a quem quer que seja, uma verdadeira falta de vontade de reação, numa apatia do tanto me faz se vou por ali ou por outro sentido. 

Neste momento tudo me faz confusão, a rotina, as paragens e muito mais a confusão que me deixa impaciente, nervoso e meio bloqueado. Já passei em tempos por estas fases e neste momento pareço estar naqueles momentos em que nem de mim próprio consigo gostar, magoando-me, ficando sem capacidade de ação e com uma certa ansiedade quando tento reagir, parecendo que tudo se complica, como se estivesse numa tombola que não me dá espaço no momento em que tento crescer. 

Onde está a minha alegria de sempre? Simplesmente não está, não a consigo ter, parecendo que várias pedras me puxam por um caminho de arrasto onde não me consigo rever e encontrar porque não sou o que tenho atualmente. O que represento neste momento não é o Ricardo cheio de ação, vivo e bem disposto, nem conseguindo disfarçar este mau processo que enfrento. 

24
Mai19

Oferta de Tempo

«Eu sei que o tempo que não para, o tempo é coisa rara e a gente só repara quando ele já passou», esta é parte da letra que Miguel Gameiro escreveu para ser interpretada por Mariza. E a verdade é que o tempo é mesmo coisa rara que deve ser aproveitado em todos os momentos e com os sentidos no máximo.

No dia-a-dia da nova forma de estar na vida, tempo é preciosidade, vontade e ambição. Quem não pede para tudo acontecer sem pressa ou com uma pitada de verdade por perto? Oferecer tempo, dedicação e boa vontade a quem nos é querido é uma grande preciosidade. O tempo não estanca, não recua e não consegue ser substituído, sendo necessário dar valor a cada segundo que nos é dado para retribuir o que de bom esta vida contém. 

A necessidade é de agradecer a quem nos rodeia, quem nos dedica a sua atenção sem pedir nada em troca e nos mostra como é de bem com tudo que se está nas melhores condições para seguir em frente, vencer e sonhar, podendo estar sempre presente como o melhor estado de gratidão que pode ser oferecido. 

26
Ago18

Saudade sem presença

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Hoje ainda existe saudade de quem já não está e que nos deixou sem avisar. Existiam pontos sobre os quais não tinha percebido sobre as suas últimas horas, mas agora percebi que num dia tudo estava bem e na manhã seguinte o saco do pão continuou pendurado na porta sem ser recolhido como todos os dias acontecia. Nas vésperas os telefonemas habituais aconteceram mas os da manhã já não foram atendidos. Poderia ter saído mais cedo de casa sem avisar, mas o pão que ficou por recolher deu o alerta de que algo se passava. E passou.

Em menos de um ano os dois juntaram-se de novo fora do raio de vida que vamos continuando de forma física. Viveram um para o outro, ela a cuidar dele, ele a olhar por ela e assim continuam juntos, a olharem por nós que por cá ficamos, que acompanhamos os últimos momentos dele que acabou por a chamar de forma súbita para a sua companhia. Duas dores dispares, a do sofrimento pelo tempo de doença entre corridas para o hospital e regressos, em meses de dor e confusão e depois com a partida inicial, quem cá ficou parecia estar a voltar a viver, mas não, de forma rápida ela partiu sem nos deixar qualquer aviso.

Situações tão diferentes. Primeiro ele, em que já estávamos à espera e supostamente melhor preparados e doeu, magoou e o cansaço do tempo fez-se sentir nos momentos finais, pesando imenso, deixando na memória o último olhar e um corredor hospitalar em que percebi que tinha sido a última vez. Depois, no caso dela, foi a forma repentina onde nem deu para pensar que poderia ser a última vez que a víamos.

11
Jun18

Sentimentos com um bom livro

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«O que um livro bom te faz sentir?»

Esta foi uma questão que me foi colocada há dias sobre os livros que tenho lido ao longo dos últimos anos. Bons livros, obras menos bem conseguidas e narrativas que podem ser das melhores mas que não me conseguem cativar do início ao fim. Afinal de contas, o que sinto com um bom livro?

Uma boa história leva-me a apagar por momentos do local onde estou, abrindo as portas a viagens sem sair do mesmo local, conhecendo seres que adorava que estivessem tantas vezes ao meu alcance por me transmitirem tranquilidade e paz natural. Sei que existem pessoas boas nesta vida, aquelas personagens que encontramos em determinadas obras sempre acabam por ter um toque real de alguém que um dia se cruzou com o seu autor. Encontrar paz, querendo percorrer por vezes aquelas aventuras desenfreadas que nos levam até um porto seguro descrito em várias páginas como forma de sonhar acordado com o olhar pregado a cada palavra que no final acaba por demonstrar que cada pormenor faz sentido perante uma história que acolhemos e que por vezes somos levados a vive-la como se estivéssemos no local, com cada objeto e interagindo com as personagens, como se fossemos um dos elementos da intriga que está a ser contada através da imaginação do seu criador. 

Um livro bom leva-me a entrar, torcendo geralmente por um dos peões em jogo, olhando para cada história e colocando por vezes o real no imaginário, percebendo que as semelhanças são visíveis. Existem mesmo livros que já me passaram pela vida que refletiram pessoas que conheço, imaginando passagens protagonizadas e olhando para situações onde já acabei por sentir dor por pensar que podia ser alguém próximo a estar a viver num cenário menos bom, mesmo que tenha gostado desse livro, talvez por mostrar uma possibilidade, mesmo que má, da realidade. 

Um livro pode ser mau para mim e um dos melhores para outra pessoa, não fazendo uma história que não me cative uma má história porque cada um tem o seu modo e método de escolha com gostos tão dispares a favor da diversidade cultural. O que não faltaria se todos gostássemos de um romance croquete ou de um cenário de terror extremo. Cada qual tem as suas opções literárias mesmo dentro do mesmo estilo, levando cada leitor a seguir determinados autores ao longo do tempo por perceberem que aquela escrita e forma de transmissão façam sentido, criando bons livros que tenham algo a dar a cada leitor individual e complexo.