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O Informador

18
Nov20

The Crown | T4 | Temporada no feminino

Netflix

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A quarta temporada de The Crown chegou, vi e venceu pelo quarto ano seguido, arriscando mesmo a dizer que este foi o melhor lote de episódios da série que tem conquistado os seus seguidores na plataforma de streaming Netflix.

Nesta continuação da série que retrata o reinado de Isabel II, os tempos chegaram na atual temporada a outros rostos, sendo esta quarta temporada muito disputada entre três figuras femininas marcantes, a rainha, a princesa Diana e Margaret Thatcher. Numa temporada que destaca bastante o poder da mulher na sociedade e o ganho de forças num universo político marcadamente masculino, Margaret Thatcher, excelentemente interpretada por Gillian Anderson consegue puxar para si toda a atenção quando surge em cena, impõe-se como Primeira-Ministra, asfixiando e concentrando em si muito do poder, mesmo quando vozes sonantes se impõem contra o seu modo de atuar. Ao mesmo tempo Isabel II, Olivia Colman, continua em sentido a comandar todas as tropas e uma família cada vez mais desgovernada numa desorientação que não passa somente pela base e continuação. Ao mesmo tempo o príncipe Carlos, Josh O'Connor deixa passar para fora o seu romance proibido com Camila, Emerald Fennell, mas é com a jovem Diana, tão bem representada e cuidada pela atriz Emma Corrin, com quem casa e segue a sua vida com bastantes desaires no que se pretende ser um casamento feliz e representativo dentro da família real no sentido de continuação do reinado.

A história criada por Peter Morgan é conhecida de todos nós, com momentos a ganharem um maior destaque perante outros, por exemplo, achei que parte da cerimónia do casamento de Carlos com Diana seria destaque mas ficamos somente com os preparativos da festa e com a princesa a sair do seu quarto para o grande dia, ficando com um certo sentimento de que faltou ali aquele grande episódio, mas totalmente compreensível já que esta série retrata o reinado de Isabel II que será sempre o centro da ação de The Crown, embora exista um certo interesse nesta quarta temporada em valorizar os episódios dedicados a Diana.

24
Out20

Alguém Tem de Morrer | Minissérie

Netflix

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Alguém Tem de Morrer é a minissérie espanhola da Netflix que nos faz recuar aos anos 50. Do criador de A Casa das Flores, Manolo Caro, esta produção conta somente com três episódios, deixando muito por desenvolver por falta de espaço para deixar história e personagens ganharem tempo para mostrarem e conseguirem chegar junto do espetador. 

Com um elenco central composto por rostos conhecidos de outras séries da plataforma, como é o caso de Cecilia Suárez, de A Casa das Flores, Ester Expósito de Elite, das que vi, e também pelos atores Carlos Cuevas, Alejandro Speitzer, Isaac Hernández, Ernesto Alterio e Carmen Maura, esta série pretende mostrar a sociedade conservadora espanhola dos anos 50, tendo como base duas famílias de negócios, com costumes e combinações entre si e com pensamentos bem retrógrados.

Alguém Tem de Morrer reflete o regresso do México de Gabino, protagonizado por Alejandro Speitzer, um jovem que em pequeno foi enviado pela família para junto dos avós maternos, tendo levado consigo um segredo que todos queriam omitir. Este regresso a Espanha acontece e este jovem trás consigo um amigo, Lázaro, interpretado por Isaac Hernández, um bailarino, levantando rumores sobre esta amizade, para mais numa sociedade tão conservadora, recheada de aparências e interesses. Com uma avó, Amparo Falcón, desempenhada pela atriz Carman Maura, controladora e como centro de todas as decisões, a chegada dos jovens é logo vista como um mau presságio para a família, começando o controlo, as perseguições e afastamentos a acontecerem entre esta matriarca, o filho Gregorio, Ernesto Alterio, e a nora Mina, Cecilia Suárez, e o neto que parece seguir orientações que não lhe são bem vistas. Se as decisões não seguirem o rumo pretendido por Amparo, tudo vai correr mal e não é que as coisas correm mesmo contra a vontade desta maquiavélica matriarca que de tudo consegue fazer para não ver a sua família mal vista junto dos próximos?

 

 

20
Out20

Ratched, uma vilã com história

Netflix

Ratched Netflix

 

1975 assinalava a estreia cinematográfica do filme de Milos Forman, o clássico Um Estranho no Ninho, onde a enfermeira Mildred Ratched se tornou célebre como uma das grandes vilãs do cinema. Em 2020 a Netflix voltou a recuperar esta história para nos abrilhantar com a presença de uma mulher calculista, fria, vingativa e preparada para abater quem se cruza no seu caminho, um enredo que mostra quem é esta mulher mesmo antes da história contada no filme. 

Acompanhando os primeiros dias de Ratched num hospital psiquiátrico como enfermeira, a série com o nome da personagem central acompanha o percurso desta mulher dentro da instituição, até ao atingir dos lugares cimeiros, numa ascencão bem rápida, estando numa luta constante entre as suas ambições e opções, tudo porque existe uma real causa por detrás de todas as mentiras, omissões, persuações e crimes que vão sendo cometidos, um passado que pesa no presente e pelo qual Ratched luta por um bem estar que não é só seu. Não quero contar muito desta história, podendo simplesmente revelar que esta primeira temporada da série protagonizada brilhantemente pela atriz Sarah Paulson, conta com um enredo que vive muito dos planos centrais numa conjugação entre um puzzle mental para mexer com todos os que a rodeiam de forma cordial e de forma a atingir os seus próprios fins com saídas quase perfeitas.

Num enredo que une suspense com toques de terror através dos métodos macabros dos tratamentos psiquiátricos feitos na altura e toques de romance, Ratched é aquela série em crescimento nestes primeiros episódios, sendo apresentada a história pesada para que aos poucos a forma mais humana e os próprios problemas pessoais passem para o ecrã, levando a uma ligeira alteração perante a forma como se vê a primeira versão desta mulher que pretende vingança e ao mesmo tempo salvação. 

Se gostei desta série? Gostei e percebi que a cada episódio queria saber um pouco mais sobre o que iria ser feito a seguir, já que a cada passo as motivações ganham novos e amplos contornos, principalmente quando as preparações não resultam no pretendido e tudo tem de ser registado de forma rápida para que não existam falhas nos planos delineados para que a salvação do passado, que congestiona o presente, seja feita de forma rápida e com sentido. 

09
Out20

Modern Family ainda não acabou...

Netflix

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Modern Family, que é como quem diz em português, Uma Família Muito Moderna, conta com onze temporadas, no entanto meti na cabeça que só existiam dez e que tudo terminava por aí. Esta semana cheguei ao que presumi ser o último episódio desta divertida série familiar, eis quando hoje, no momento em que ia fazer um texto todo piriri sobre esta produção, que me acompanhou ao longo dos últimos anos por ver aos poucos e devagar para render e como que ajuda a desanuviar no intervalo de séries mais pesadas, percebo que afinal são onze temporadas e não as dez que já vi.

Para quem não conhece Modern Family, e assim de forma rápida, esta série está centrada na família de Jay Pritchett, que divorciado reencontra o amor com Gloria Delgado, uma colombiana mais nova e que trás consigo um filho, Manny. A partir disto Jay tem dois filhos adultos e já com as suas vidas, Claire, casada com Phil, e que têm três filhos, Haley, Alex e Luke. Do outro lado existe Mitchell, casado com Cameron, que decidem adotar uma menina vietnamita, Lily. Aqui está o arranque desta divertida série que toca entre outros, em temas como a homossexualidade, o amor entre idades, os dramas dentro das famílias, a adolescência, a adoção e o divórcio. Dez anos passam e o núcleo familiar é mantido entre diversas situações inesperadas como na vida real acontece. Mantendo o ritmo e a base, esta série passa por diversas fases, acompanhando o desenvolvimento e o aparecimento de novas personagens no que aparentemente é simplesmente mais uma família normal entre tantas outras. 

Ao arrastar os últimos episódios da décima temporada para não me ter de despedir da série tão cedo e ao deitar pequenas lágrimas no que achei ser o final, fiquei mesmo a pensar que o último episódio, recheado de memórias de aniversários, ditava mesmo o fim desta que foi já considerada a melhor série, com inúmeros prémios e nomeações pelo caminho. Afinal a despedida aconteceu somente de forma provisória, já que existe toda uma nova fornada de episódios, ainda não disponível na Netflix, para ser vista em breve. Achei a décima temporada muito boa, comparada com as anteriores, talvez com um maior cuidado com o argumento ou então por pensar que seriam mesmo os últimos episódios e por ter visto assim piada em demasia, mas agora que percebo que ainda tenho mais Modern Family pela frente tudo fica mais composto, embora tenha de esperar uns tempos até a plataforma de streaming nos disponibilizar o que resta desta série familiar que todos deveriam acompanhar. 

 

08
Out20

Emily in Paris, dos estereótipos à ficção

Netflix

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Estreada nos primeiros dias de Outubro e em Portugal a série Emily in Paris, da Netflix, logo alcançou o primeiro lugar dos lançamentos mais vistos da plataforma. Quanto a mim vi e percebo o sucesso da produção que não tem muito de original mas conta com uma protagonista muito bem defendida por parte da atriz Lily Collins, que só por sim já ajuda a prender o espetador nos minutos iniciais desta romântica e sonhadora série. 

Podem afirmar que o modelo do argumento é básico, estereotipado e já muito usado em outros formatos, no entanto quem não gosta de passar uma tarde a ver uma série sem se andar a questionar sobre o que irá acontecer dentro de uma pesada história de mistério, desavenças e complicações? Emily in Paris é daquelas comédias românticas mesmo ao estilo francês, retratando o sonho de uma jovem de Chicago formada em marketing que vê Paris ao seu alcance quando é convidada a integrar a equipa de uma empresa adquirida pela sua. Deixando família, namorado e todas as conquistas em Chicago para trás, Emily inicia a sua inesperada montanha russa de emoções em Paris e os primeiros sonhos e também inúmeros imprevistos acontecem.

Com argumento e produção a cargo de Darren Star, mentor dos sucessos O Sexo e a Cidade e Younger, a primeira temporada de Emily in Paris conta com dez episódios de aproximadamente trinta minutos cada, mas tudo acontece de forma tão natural e despropositada na vida desta jovem que cada episódio passa num ápice para quem se deixar levar pelas trapalhadas no trabalho, no amor e mesmo com os afazeres diários desta jovem que tudo quer, alguns enfrenta e parece conseguir levar as suas ideias em diante. Já no amor, será que com tantas cartas a serem atiradas consegue chegar a um fim que tenta evitar?

É mais que sabido que este estilo de produções, pensadas e idealizadas para serem consumidas de forma rápida têm sempre os seus entraves junto do público. Eu, enquanto espetador que apanhei Emily in Paris para me entreter de forma leve, adorei, mas percebo que muitas das mensagens que são passadas não sejam as reais sobre as relações em França, por exemplo. Quem se apaixona e deixa levar em poucos dias por sucessivos encontros que podem resultar em futuras relações? Quem entra numa nova equipa de trabalho, ainda para mais tão jovem, a querer impor as suas regras logo nos primeiros dias e seguir contra a liderança mesmo sem conhecer os hábitos e costumes do país e sem falar minimamente a língua francesa? Será que em França não se respeitam horários de trabalho, anarquias laborais, amizades e relações amorosas? Todos falhamos é certo, mas esta série vai muito aos problemas que um pequena parte dos parisienses possa ter, não demonstrando certamente a realidade.