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O Informador

Maro | Saudade, Saudade

2022 foi o ano em que não acompanhei o Festival da Canção e não ouvi nenhum dos temas que estavam a concurso para representarem o nosso país na Eurovision. No entanto em noite de final resolvi procurar a canção vencedora e deparei-me com Saudade, Saudade, um tema com canção, letra, música e interpretada por Maro que se fez acompanhar com quatro vozes no que foi a atuação que lhe deu a passagem para o espetáculo europeu. 

Primeiro é necessário ouvir mais que uma vez o tema. Na terceira ou quarta repetição começa a fazer sentido pela harmonia criada entre a letra e a forma suave com que a mesma é interpretada numa alusão ao passado que marcou cada um de nós. Numa quinta vez percebe-se que o refrão fica no ouvido, seja cantado por uma mas melhor ainda por várias vozes em simultâneo. Para finalizar e já com esta vitória aceite e percetível como a escolha certa, é bom refletir perante a singulariedade sobre a palavra tão portuguesa Saudade. 

Maro vai levar Saudade, Saudade ao grande palco da Eurovision e desta vez acredito que poderemos conseguir um bom lugar de destaque se as questões políticas e da atualidade que estão a marcar a Europa não se voltarem a intrometer nos resultados finais. 

Boa noite, Vitinho!

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Corria o ano de 1986 e o Vitinho surgiu nos ecrãs da RTP através de uma pequena película de animação com o nome Boa noite, Vitinho! para que após o anúncio de que estava na hora dos mais novos se irem deitar se iniciasse a programação noturna da estação pública de televisão. Nesse mesmo ano nasci e em pequeno sempre me lembro do Vitinho, tendo tido inclusive uma almofada com o famoso boneco estampado. Muito se criou em torno deste amigo animado, de livros a discos, peluches e cromos, sendo um autêntico sucesso de marketing entre miúdos e graúdos. O célebre Vitinho nasceu para desejar as boas noites a todas as crianças, anunciando a hora de seguir para o descanso, e o que é certo é que vingou e ficou na memória de todos.

Hoje, trinta e cinco anos depois, falei sobre esta memória com colegas de trabalho, percebendo que cada geração tem os seus heróis animados, e chegado a casa resolvi rever a memorável canção, a que chamo de original, da primeira temporada do Boa noite, Vitinho!, não me lembrando sequer que tinham existido outras três versões pelos anos seguintes, uma vez que a primeira me ficou para sempre marcada.

Resolvi, após ouvir várias vezes os quatro temas do Boa noite, Vitinho! deixar para quem quiser viajar pela sua memória, os temas, apresentando também a quem vem de gerações mais recentes o que para nós, acima da casa dos trinta, foi um amigo televisivo que todos os dias nos visitava e fazia por um breve minuto companhia. 

Legislativas televisivas

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Hoje é dia de eleger o futuro do país e por isso os canais informativos estão dedicados em exclusivo ao momento, estando também os generalistas associados em horário nobre à decisão de todos nós. O que acho engraçado, dado os inúmeros mini programas com que os privados nos têm brindado nos últimos meses com a divisão dos formatos de entretenimento que apresentam ao Domingo com vários sub-títulos para parecer que exibem vários programas na mesma noite é perceber que até em noite eleitoral esses mesmos pequenos cortes e divisões do mesmo formato existem para poderem dizer que tiveram a faixa horária mais vista do dia da primeira decisão do país. 

Eis a programação que a TVI revelou e que será seguida, mais minuto menos minuto para dividirem a emissão a que apelidam por Decisão 22. Primeiramente surge pelas 19h45 a Contagem Decrescente onde irão começar a prender o público com a espera pelos resultados da sondagem. Pelas 20h00 iniciam O Vencedor onde com os valores da mesma sondagem fazem a previsão, que este ano está tudo muito renhido, sobre quem irá governar o país e parece formar governo. Pelas 21h00 abrem novo espaço, Os Eleitos, onde se começam a apresentar os rostos que irão formar o Governo e ocupar os lugares na Assembleia por parte de cada partido. Pelas 22h00 surge o Governo já com quase todos os dados do país apurados deverá ficar definido, ou não, para que após as 00h00 se façam as Contas Finais. Ou seja, entre as 19h45 e talvez as 01h00 o especial informação Decisão 22 será dividido em cinco partes, surgindo no dia seguinte na tabela de audiências gerais como se tivessem apresentado cinco programas distintos que na verdade não passam da continuação de uma noite eleitoral que promete ser longa. 

Vitinho, o êxito dos anos 80

Ao longo dos últimos anos tenho recebido a newsletter da Nivea com as últimas novidades e conselhos dentro da gama de produtos da marca. Por estes dias, para me ajudarem a celebrar o aniversário a mensagem enviada foi especial e resolveram lembrar os grandes sucessos da década de 80, à qual pertenço.

Entre esses êxitos que ficam para sempre na memória de quem os conheceu e sobre os quais falarei mais para a frente, está o famoso Vitinho, o boneco animado que todas as noites aparecia no ecrã da televisão pública portuguesa, sempre no mesmo horário, para nos relembrar, a nós mais pequenos, que estava na hora de deitar. O Vitinho funcionava como um despertador ao contrário, dando o sinal de que estava no momento de ir para a cama descansar. O famoso Vitinho chegou no mesmo ano em que eu nasci, em 1986 e ficou em antena até 1997 nos ecrãs da RTP com o famoso tema iniciado por "Está na hora, da caminha...".

Detox televisivo

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Quem me conhece ou segue por aqui há mais tempo já deve saber que sou um amante televisivo, daqueles que adora ver estreias, finais, especiais, estar a par das últimas novidades, das contratações inesperadas e do que está para acontecer no mercado televisivo nacional. Só que em pleno período de férias o inesperado acontece!

Vim de férias e percebi logo na primeira hora que o que parecia certo, perante a possibilidade de ficar com os canais de TDT disponíveis por duas semanas, passou, ao que para já tudo indica, a ser bem incerto. O sistema de Televisão Digital Terrestre não apresenta o seu sinal nas perfeitas condições. Foi sintonizado de novo, com várias, mesmo muitas, procuras automáticas e manuais dos canais que pareceram ter desaparecido perante a última estadia, e as imagens tardaram a surgir no primeiro dia, só aparecendo mesmo ao final da noite e com inúmeras falhas de som, já para não falar da qualidade de imagem apresentada quando esta ganha espaço.

Måneskin | Zitti E Buoni

Eurovision 2021

2021 não foi um ano em que tenha acompanhado os preparativos para o Eurovision, ao contrário de outros anos, no entanto consegui perceber que na reta final vários eram os países com intérpretes que se podiam destacar por existirem boas candidaturas, ao contrário do que já aconteceu num passado recente. Com Portugal a conquistar o décimo segundo lugar com os The Black Mamba a interpretarem o tema Love Is On My Side, num dos melhores resultados do nosso país no evento, foi a Itália com Måneskinn e com a música Ziite  E Buoni que alcançou o primeiro lugar na grande noite do Eurovision, após um ano sem a realização do evento acontecer. 

Maria João Abreu

1964-2021

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Morreu a atriz Maria João Abreu, aos 57 anos de idade, após sofrer um aneurisma cerebral que a fez lutar pela vida ao longo de dias no Hospital Garcia da Orta, em Almada. 

Após se sentir indisposta ao longo das gravações da telenovela A Serra, da SIC, a atriz foi levada e internada de urgência com o diagnóstico com bastantes reservas sobre o seu futuro. Os dias passaram, as máquinas seguraram a vida de Maria João Abreu, a rainha, como Filipe la Féria a apelida por ter protagonizado no teatro A Rainha do Ferro Velho, até que o fim de vida aconteceu. 

Com uma vida dedicada ao teatro com dezenas de espetáculos de sucesso ao longo da carreira, com o cinema e a televisão a darem-lhe o grande destaque dos últimos anos, Maria João Abreu é das figuras de maior consenso entre a sua classe, deixando o vazio onde as palavras com quem se cruzou no seu caminho não podem ser mais explicitas. A amizade, o amor, a boa disposição, o profissionalismo... A unanimidade de todos para com a atriz parece ser visível na hora da sua partida para outra vida, para junto de outros grandes talentos que nos deixaram nos últimos anos.

Somando sucessos no teatro e ganhando grande notoriedade em televisão com séries como, por exemplo, Médico de Família (SIC), Bons Vizinhos (TVI), e Aqui Não Há Quem Viva (SIC) e novelas como Feitiço de Amor (TVI), Morangos com Açúcar (TVI), Os Nossos Dias (RTP), Golpe de Sorte (SIC), Mar Salgado (SIC) e atualmente em A Serra (SIC), a atriz também marcou presença em grandes filmes portugueses, como é o caso de Call Girl, de António-Pedro Vasconcelos, Florbela de Vicente Alves do Ó, A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha, e Submissão, de Leonardo António.

Glória, a primeira série portuguesa na Netflix

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As gravações ainda estão a decorrer na região do Ribatejo e em Lisboa, mas a Netflix já fez saber, através das redes sociais, que daqui a uns meses chegará à plataforma a primeira série original portuguesa. Glória, de seu nome, será assim a primeira produção nacional a chegar à Netflix. Vem tarde mas finalmente chegamos lá!

Esta produção da SPi e com coprodução da RTP consiste num thriller que decorre nos anos 60, durante a Guerra Fria, cuja história se desenrola maioritariamente na aldeia de Glória do Ribatejo, onde fica situado um centro de transmissões norte-americano destinado a emitir propaganda do país para a Europa de Leste. Com um engeneiro português a ser recrutado pela KGB, a polícia secreta de Moscovo, para assumir os comandos da espionagem em Portugal, a aldeia ribatejana transforma-se num palco para a passagem de informação entre os vários pontos estratégicos da Europa em plena Guerra Fria. 

Com realização de Tiago Guedes e argumento de Pedro Lopes, Glória conta com os atores Miguel Nunes, Victoria Guerra, Afonso Pimentel, Gonçalo Waddington, Carolina Amaral e Adriano Luz nos papéis centrais, a quem se juntam Carloto Cotta, Inês Castel-Branco, Leonor Silveira, Maria João Pinho, Sandra Faleiro, Marcelo Urgeghe, Joana Ribeiro e Rafael Morais.

 

Passa Por Mim no Rossio, uma Memória na RTP1

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03 de Maio de 2020, tarde de Domingo, tempos de quarentena, momento de zapping pela televisão e eis que numa paragem pela RTP1 percebo que estão a passar o espetáculo de 1991, Passa Por Mim no Rossio, uma retrospetiva da revista à portuguesa recheada de memórias entre 1851 até ao 25 de Abril de 1974 e que encheu a sala do Teatro Nacional D. Maria II numa temporada de grande sucesso e com direito a tournée nacional. Sei que esta produção teatral marcou a história dos palcos nacionais, mas a questão que aqui coloco é só uma... Uma gravação de 1991 a passar em plena tarde de Domingo na RTP1 quando existe um canal apelidado por RTP Memória?

Algo parece não bater certo nas decisões que o diretor do canal, José Fragoso de seu nome, parece andar a fazer para ocupar os tempos livres da RTP em tempos de pandemia e sem novos programas para lançar neste momento. Será que não existe cinema nacional, formatos que passaram despercebidos em outros horários e mesmo entrevistas e reportagens mais recentes para poderem ser transmitidas? Passar um espetáculo histórico de 1991 num canal principal quando existe uma haste com Memória onde estas recordações fazem sentido passar também para chamar público para o que parece ser um dos irmãos bastardos do canal público de televisão não faz de todo sentido. 

Sabemos que agora é tempo de #EstudoEmCasa pela RTP Memória ao longo da semana de manhã e até meio da tarde, mas todos os outros horários estão livres e estas gravações com história e algum bolor podem bem fazer parte da programação selecionada para horas livres, em detrimento de passarem formatos internacionais comprados somente porque são antigos. Nacional é bom e recomenda-se, mas tudo no seu devido lugar e espaço!

Cunhas e pedidos nacionais

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Vivemos claramente num país onde a cunha é um ponto forte dentro de variadíssimas áreas e as coisas são feitas de forma tão descarada em certos casos que nem é possível disfarçar. Hoje apetece-me falar de um caso tornado público pela própria protagonista e que em poucas semanas se transformou de um desabafo a um pedido de cunha com resultado.

Lembram-se da fadista Raquel Tavares que foi para a televisão dar uma entrevista emocionante e que na altura foi aplaudida por dizer que estava cansada da profissão que tinha e que queria mudar? Dando até a dica que podia ficar a trabalhar nos bastidores ou a fazer qualquer outra coisa para não estar em destaque nos palcos pelo cansaço de cantar e pelo mundo envolvente da fama. Pois é, quem uns dias depois logo fez participação especial como atriz numa série de outro canal televisivo para logo ser chamada pela direção onde a partilha aconteceu para também integrar a ficção do canal? Como se não bastasse agora virou repórter de um programa semanal. 

Vamos lá ver então o que aconteceu... Senti na altura que tudo era um desabafo mas um claro pedido de ajuda para uma pequena cunha dentro de outro campo, sem que deixasse a fama pelo estatuto, embora tenha sido revelado o contrário. A entrevista foi bem vista mas poucos suspeitaram que aquele disfarçado pedido desse frutos. Não é que agora o choradinho funcionou mesmo e o cansaço demonstrado pelo que fazia abriu-lhe outras portas graças a uma choradeira comovente e grandes cunhas que lhe deram a mão pela amizade?