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O Informador

05
Set20

O Caderno dos Sonhos | Julien Sandrel

Porto Editora

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Título: O Caderno dos Sonhos

Título original: La Chambre des Merveilles

Autor: Julien Sandrel

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2020

Páginas: 240

ISBN: 978-972-0-03260-7

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Thelma é mãe solteira de Louis, um adolescente de 12 anos. Como todas as mães, faria tudo pelo seu filho, mas as solicitações de uma vida profissional exigente sobrepõem-se mais vezes do que seria desejável aos pedidos de atenção do jovem.

Numa fatídica manhã, tudo muda: irritado com a falta de atenção da mãe, zangado e desiludido, Louis acelera no seu skate e, poucos metros adiante, é colhido por um camião. No hospital, o prognóstico é pouco animador. Louis está em coma e não há sinais de recuperação. Thelma enfrenta o seu pior pesadelo. Em casa, enquanto reúne algumas coisas do filho, Thelma encontra um caderno onde Louis tem vindo a registar os sonhos que gostaria de concretizar. A mãe decide, então, viver por ele cada um desses sonhos.

Talvez recupere. Talvez volte para ela. E, se não voltar, Louis terá pelo menos vivido pelas histórias da mãe a vida com que sempre sonhou.

 

Opinião: Não estava preparado para a história de O Caderno dos Sonhos. Uma capa toda florida e cheia de cor e umas primeiras páginas pesadas, bastante pesadas, para o que prometia ser uma boa história entre mãe e filho. E não é que no fim a capa feliz resume o conteúdo desta narrativa tão bem elaborada onde os sonhos, o amor, a família e acima de tudo a esperança são traduzidos por palavras simples através de uma história que nos faz seguir cada passo de uma mulher, Thelma, que luta pelo bem do filho, Louis, até ao final. 

Numa mistura de drama e recompensa, O Caderno dos Sonhos é a realização pessoal de uma pessoa perante o desafio que a vida lhe impôs. Uma mãe, que ao ver o seu filho ser violentamente atropelado e ao ficar em coma durante meses, começa a percorrer os caminhos idealizados pelo filho, os seus sonhos e objetivos que tinha apontado para realizar mais tarde. Filho numa cama de hospital, uma mãe a percorrer o Mundo para concretizar os sonhos do seu menino, e uma equipa médica a colaborar para que a mensagem de superação entre os dois fosse possível. Esta é uma bela história de amor familiar, entre uma mulher que vivia para o trabalho e que por motivos maiores percebeu forçosamente que existe vida para além da profissão que sempre valorizou para poder manter uma boa comunhão com o filho, e o tempo em família onde ficou? Não existia, até que foi necessário parar, perceber o que era necessário após o acidente e lutar pela recuperação.

29
Ago20

Pégaso | Danielle Steel

Bertrand Editora

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Título: Pégaso

Título original: Pegasus

Autor: Danielle Steel

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Agosto de 2020

Páginas: 360

ISBN: 978-972-25-3590-8

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: No auge da Segunda Guerra Mundial, na Europa, Nicolas e Alex são dois homens viúvos que criam os filhos sozinhos. Levam uma vida pacata e feliz, até que um segredo há muito enterrado sobre os antepassados de Nicolas ameaça a segurança da sua família...

Para sobreviver, têm de fugir para a América. Os únicos bens que Nicolas e os filhos podem levar são oito cavalos de raça pura, dois deles deslumbrantes Lipizanos oferecidos por Alex. Essas criaturas magníficas permitem o acesso a uma nova vida, garantindo a Nicolas um emprego no famoso circo Ringling Brothers. Ele e o seu famoso cavalo branco, Pégaso, tornam-se a peça central do espetáculo e não tarda a que uma jovem e graciosa trapezista lhe roube o coração.

Com o passar dos anos de guerra, Nicolas esforça-se por se adaptar à sua nova vida, ao passo que Alex e a filha enfrentam um perigo crescente na Europa. Enquanto a tragédia se alastra, o que acontecerá a cada família quando a sua felicidade estiver nas mãos do destino?

Uma belíssima história sobre o destino de duas famílias que nunca deviam ter-se separado e cujo poderoso vínculo as manterá unidas para sempre.

 

Opinião: Iniciado pela época de 1930 num seio aristocrático na Alemanha, o leitor de Pégaso é convidado a conhecer os amigos Alex e Nick, que vivem em duas belas propriedades vizinhas e onde a criação e ensino de cavalos é um dos fortes de Alex, principalmente de lipizzan, a raça de cavalos que nasce preta e se torna magnificamente branca como flocos de neve. 

Tudo corre bem quando Nick descobre que em plena época em que Hitler começa a liderar a Alemanha, a sua mãe, que não conheceu e que pensou ter falecido no parto, tem origem judia, o que faz com que este jovem com dois pequenos filhos, órfãos, tenha de deixar o seu pai e amigos e as suas terras para não correr o risco de ser enviado pelos nazis para um campo de concentração. Sem futuro certo e sem capacidade de reação por também não saber fazer nada, é Alex que ajuda o seu amigo de vida a definir o futuro e fuga do país. Com a excelente e bem vistosa raça de cavalos lipizzan com bons exemplares na sua propriedade, Alex decide encaminhar e organizar a partida de Nick, dos seus dois filhos e de dois dos seus lipizzan para um circo nos EUA. 

14
Jul20

A Bibliotecária | Salley Vickers

Cultura Editora

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Título: A Bibliotecária

Título original: The Librarian

Autor: Salley Vickers

Editora: Cultura Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Abril de 2020

Páginas: 312

ISBN: 978-989-8979-48-3

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Em 1958, Sylvia Blackwell, recém-licenciada de uma das novas escolas de bibliotecários do pós-guerra, assume um emprego como bibliotecária infantil numa biblioteca degradada na vila de East Mole.

A sua missão é despertar o entusiasmo das crianças de East Mole pela leitura. Mas o caso amoroso de Sylvia com o médico da vila casado e a amizade com a sua filha precoce, o filho do vizinho e a neta negligenciada da senhoria acendem os preconceitos da comunidade, ameaçando-lhe o emprego e a própria existência da biblioteca, com consequências dramáticas para todos.

A Bibliotecária é um testemunho comovente da alegria de ler e do poder dos livros em mudar e inspirar todos nós.

 

Opinião: A Bibliotecária é um livro sobre livros, mais especificamente de livros infantis, onde o degradado núcleo de uma biblioteca infantil se torna o centro da ação quando Sylvia chega a East Mole com novas ideias e partilhas para fazer chegar a literatura aos mais novos. 

Numa história que envolve companheirismo, amor, amizade, vontade de ajudar e partilha nos anos 50, Sylvia é apresentada como uma jovem formada com um novo mundo para ser explorado e perante o qual quer valorizar o seu conceito entre a união entre os livros e os pequenos leitores. Na vila onde é acolhida rapidamente acaba por encontrar uma sociedade bem diversificada onde tanto consegue ser aceite como a nova vizinha bibliotecária como consegue gerar olhares menos positivos pela resistência perante a mudança e os receios das tomadas de lugar.

Sylvia desce cedo consegue apelar à visita ao espaço infantil da biblioteca da vila aos seus vizinhos mais novos do lado e consequentemente consegue abranger o serviço escolar, conhecendo novos rostos que chegam à localidade também com novos horizontes perante o futuro numa vila fechada e com costumes bem vincados. O carinho pelas crianças, o amor impossível por um homem casado que a leva a idealizar uma mudança de vida pessoal, o contraste nas relações para com os vizinhos, as incompatibilidades com a senhoria e um chefe altruísta. Acima de tudo relações que surgem e que se vão transformando com o tempo em que Sylvia convive, transforma e deixa que cada um entre na sua vida com espaço, alterando a forma de estar e enfrentando os vários problemas que se vão colocando pelo caminho com os entraves que os opositores lhe vão colocando e o apoio de quem lhe quer bem. 

27
Jun20

Lisboa Reykjavík | Yrsa Sigurdardóttir

Quetzal Editores

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Título: Lisboa Reikjavík

Título original: Brakio

Autor: Yrsa Sigurdardóttir

Editora: Quetzal Editores

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2020

Páginas: 448

ISBN: 978-989-722-630-4

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: «Ægir e a família falaram com a Islândia quando o iate estava a deixar o porto em Lisboa, mas nunca mais se soube deles desde então.»

Um iate de luxo abandona o porto de Lisboa tendo como destino Reykjavík, na Islândia. Despedindo-se das temperaturas agradáveis da capital portuguesa, a bordo seguem sete pessoas que enfrentarão o frio mar daquele inverno, a caminho do norte. Porém, daí a alguns dias, quando o barco entra no porto de Reykjavík, ninguém é encontrado a bordo. O que aconteceu à tripulação e à jovem família que seguia nele ao zarpar de Lisboa? O que se teria passado em Lisboa, ou durante a viagem, que possa explicar o desaparecimento?

Este é o cenário do melhor e mais assustador romance escrito até hoje pela rainha do policial nórdico, antes publicado com o título O Silêncio do Mar — um mistério sobre a escuridão do oceano, Lisboa, a família, a fama, negócios obscuros e, como sempre, o mal e a conspiração do ódio.

 

Opinião: Um iate de luxo deixa Lisboa com destino a Reykjavík, levando consigo a tripulação e uma família composta por um casal e duas meninas gémeas. Na cidade da Islândia a embarcação chega sem pessoas, sem corpos e sem pistas sobre o que terá acontecido ao longo da viagem para que as sete pessoas que embarcaram na cidade portuguesa não desembarquem no seu destino.

Numa história contada entre um passado recente, onde se consegue acompanhar a vida no iate para se perceberem os vários passos que vão sendo dados ao longo da viagem e os momentos em que os vários incidentes vão acontecendo, e o presente, onde na cidade o leitor acompanha Thóra, a advogada contratada pelos pais do elemento masculino do casal, numa procura intensa perante todos estes estranhos desaparecimentos. Sete pessoas embarcaram em Lisboa, nenhuma chegou a Reykjavík, chegando o iate vazio numa paragem conturbada e automática ao porto. Tudo vai sendo contado ao mesmo tempo e a verdade é conhecida mesmo no final num mútuo conhecimento entre o que aconteceu no iate e o relatório a ser feito aos familiares que ficaram sem filho, nora e netas. 

18
Mai20

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão | Martha Batalha

Porto Editora

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Título: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2016

Páginas: 216

ISBN: 978-972-0-04859-2

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Rio de Janeiro, anos 40.

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.

A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

 

Opinião: Charme, poder e luta interior são três descrições com que posso definir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, o romance da brasileira Martha Batalha que me conseguiu cativar desde os primeiros contactos com Eurídice, para mais editado em Portugal com o português do Brasil. 

Numa escrita despretensiosa e recheada de momentos de humor ao mesmo tempo que descreve as épocas de 50 e 60 dentro do ambiente familiar, o leitor é convidado a seguir as pisadas desta jovem mulher após o desaparecimento da sua irmã Guida, que procurou a liberdade que os pais não lhe deram. Mais nova e a viver para a casa, Eurídice acabou por acompanhar os pais até ao dia em que decidiu casar, um sonho e quase uma obrigação para com a idade que ia avançando. Era necessário ser mãe, muitos homens disponíveis para casar, a família desejava-lhe uma boa vida, mas a jovem pensava de maneira dispare, embora seguisse os planos para que estava destinada como qualquer cidadã brasileira daquele tempo com uma educação feita a pensar no casamento perfeito. 

Acompanhando os primeiros anos de casamento, como esposa, mãe e dona de casa, Eurídice sentiu estar presa dentro de quatro paredes, sendo a mulher perfeita numa família com um certo poder e com empregada de casa para que patroa e ajudante tivessem tudo pronto para António, o marido que chegado do emprego queria tudo feito e à sua disposição. As vontades de mudar o rumo imposto foram suscitando e o grito de liberdade vai acontecendo quando o leitor é convidado a seguir os atos e opções desta mulher solitária e com vontade de triunfar numa sociedade machista.