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O Informador

Nini, de Ticas Graciosa

Cultura Editora

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Título: Nini

Autor: Ticas Graciosa

Editora: Cultura Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Março de 2024

Páginas: 224

ISBN: 978-989-577-011-3

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Quando Nini era criança, o pai, atormentado por um transtorno obsessivo, matou-lhe a mãe e suicidou-se — ou, como a mulher em que Nini se tornou viria a aprender, «morreu de suicídio».

Inspirado num único acontecimento real da vida da autora, justamente a morte dos pais, Nini é um romance que mergulha na construção literária de uma criança que cresce num ambiente preconceituoso e violento, e no esforço que faz para o compreender e superar ao longo da vida.

Um entusiasmante romance de estreia de Ticas Graciosa, que, com espantosa riqueza de imaginação e surpreendente habilidade, ficciona uma dor talvez há muito esquecida, mas que lhe tem imposto uma constante aprendizagem, quase uma luminosa missão para a vida: alertar.

E Nini? Terá ela compreendido, terá ela perdoado?

 

Opinião: Nini não é um romance que faça companhia ao leitor sem o questionar. Esta narrativa de estreia de Ticas Graciosa é um verdadeiro alerta sobre o peso que a saúde mental tem na sociedade, perante quem somos e quem nos rodeia representa. Esta é uma história onde a ficção se mistura com factos reais, de onde a autora partiu da sua própria história de vida pela perda dos seus pais, para criar uma realidade que tantas vezes é ignorada e negada por quem está mesmo em confronto com a mesma. Acrescentando ao debate da saúde mental oprimida pelos mais próximos pela vergonha, existem ainda aqui vários pontos de preconceito a serem comentados e revelados, como se tudo tivesse de ser abafado por seguir contra as normas da sociedade do politicamente correto. 

Em Nini acompanhamos a história de uma criança que desde cedo convive com contrastes sociais, onde se auto questiona sobre a instabilidade e dureza com que os pais se confrontam e como os mesmos são tratados pela restante família que parece ter tudo mas pouco gosta de partilhar. Numa estrutura familiar frágil e instável, onde os receios e o constante medo que algo aconteça existem, Nini é a criança que vai crescendo e que perde os pais por culpa de vários adultos que sempre tentam não dar valor ao drama de um casal que precisa de ajuda para sair do vazio com que se encontra e perante o qual não consegue pedir «socorro».

Uma Noite na Livraria Morisaki | Satoshi Yagisawa

Editorial Presença

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Título: Uma Noite na Livraria Morisaki

Título Original: Zoku - Morisaki Shoten  No Hibi

Autor: Satoshi Yagisawa

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Feveiro de 2024

Páginas: 160

ISBN: 978-972-23-7292-3

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Sim, devemos regressar onde fomos felizes.E à livraria Morisaki, lugar de histórias únicas, voltamos com Takako, para descobrir um dos romances japoneses mais mágicos do ano.

Estamos novamente em Tóquio, mais concretamente em Jimbocho, o bairro das livrarias, onde os leitores encontram o paraíso. Entre elas está a livraria Morisaki, um negócio familiar cuja especialidade é literatura japonesa contemporânea, há anos gerida por Satoru, e mais recentemente com a ajuda da mulher, Momoko. Além do casal, a sobrinha Takako é presença regular na Morisaki, e é ela quem vai tomar conta da livraria quando os tios seguem numa viagem romantic oferecida pela jovem, por ocasião do aniversário de casamento.

Como já tinha acontecido, Takako instala-se no primeiro andar da livraria e mergulha, instantaneamente, naquele ambiente mágico, onde os clientes são especiais e as pilhas de livros formam uma espécie de barreira contra as coisas menos boas do mundo. Takako está entusiasmada, como há muito não se sentia, mas… porque está o tio, Satoru, a agir de forma tão estranha? E quem é aquela mulher que continua a ver, repetidamente, no café ao lado da livraria?

Regressemos à livraria Morisaki, onde a beleza, a simplicidade e as surpresas estão longe, bem longe de acabar.

 

Opinião: Se tinha ficado rendido quando fiz a leitura de Os Meus Dias na Livraria Morisaki, posso agora dizer que com Uma Noite na Livraria Morisaki acabei por encontrar o bombom literário tão especial que ao longo de toda a leitura senti vontade de entrar naquele espaço, dar o braço a Takako, a sobrinha cuidadora de Satoru, o dono da livraria Morisaki, e da sua esposa, Momoko, e conhecer cada recanto desde espaço mágico e tão acolhedor.

Neste romance encontrei carinho e muita ternura numa mensagem de amor perante o cuidado e a preocupação que cada um tem de sentir para com o próximo e por quem sempre nos quer bem. Nesta história a jovem sobrinha ganha espaço dentro da livraria que tanto estima e que vem sendo passada entre gerações, conhecendo um pouco mais os clientes habituais, o que cada um procura entre as edições disponíveis e também podendo perceber que por vezes só precisamos de dar atenção a quem nos chega para tornar o dia de alguém bem melhor. Olhar para o seu próprio interior, encontrar a paz tão desejada, e poder depois transmitir aos outros o bem que existe para ser partilhado. Este livro é amor, aconchego e crescimento pessoal!

Quem Está Aí? | Teresa Driscoll

Editorial Presença

Título: Quem Está Aí?

Título Original: I Will Make You Pay

Autor: Teresa Driscoll

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2024

Páginas: 336

ISBN: 978-972-23-737-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Todas as quartas-feiras, Alice recebe uma chamada. Todas as quartas-feiras, as ameaças adensam-se. E aquela voz distorcida torna-se o seu maior pesadelo.

É apenas mais uma quarta-feira na redação… até o telefone começar a tocar. A jornalista Alice Henderson atende uma chamada, e o que ouve, do outro lado da linha, é uma voz distorcida a fazer uma ameaça aterradora. Alice desliga e pensa que aquilo não passou de uma brincadeira de mau gosto, mas… na quarta-feira seguinte, volta a receber uma chamada, e desta vez é claro que a ameaça é destinada a si.

Alguém quer fazê-la sofrer, mas porquê? Quem está do outro lado? Os artigos de Alice no jornal local tornaram-na uma figura popular e reconhecida… Será o seu passado, e não o seu trabalho, que a está a pôr em risco? Alice não quer ceder ao medo que começa a tomar conta dela, mas quando a investigação da polícia não apresenta resultados, o namorado da jornalista insiste em contratar Matthew Hill, um investigador privado.

A cada quarta-feira, as ameaças adensam-se, e agora não é apenas Alice a visada, mas também a sua família. Enquanto a perseguição se torna cada vez mais feroz, e antes que as terríveis ameaças se tornem realidade, conseguirá Alice descobrir por que razão tudo isto lhe está a acontecer?

 

Opinião: Hoje é Quarta-feira e se recebesses uma chamada anónima com ameaças perante o teu futuro? Alice recebeu esta dita estranha chamada e mesmo que tivesse ficado com a pulga atrás da orelha, seguiu a sua vida, até que na Quarta-feira seguinte uma nova chamada de atenção lhe é feita com dados que a podem colocar em perigo. A partir daqui a jornalista começa a viver numa autêntica espiral de mistério onde o medo e a curiosidade se aliam uma vez que não sente que tenha feito algo para estar a ser colocada à prova, relembrando os seus últimos anos e também colocando o seu trabalho de investigação para o jornal local para que trabalha em causa por poder ter publicado algum artigo que não foi aceite por quem está por detrás do anonimato das ameaças.

O leitor é convidado a mexer no passado desta mulher, percebendo que a própria Alice não é quem mostra ser de início, tudo ao mesmo tempo que se vai acompanhando o passado da pessoa que está envolvida neste mistério, sem se conseguir perceber quem é "ele", existindo sempre a velha questão das suspeitas que o leitor vai tendo sobre quem possa ser, mistério só revelado mesmo perto do fim e que a autora consegue, sem necessitar de recorrer a muitas personagens ao longo da narrativa, surpreender por poder ser qualquer um dos mencionados ao longo da história de vida de Alice. Um passado com várias nuances, um presente de omissões e lutas, esta é a luta de uma mulher que de um dia para o outro se vê num ajuste de contas por algo que não pensava ser possível.

A Livraria Perdida, de Evie Woods

Singular Editora

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Título: A Livraria Perdida

Título Original: The Lost Bookshop

Autor: Evie Woods

Editora: Singular Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2024

Páginas: 368

ISBN: 978-989-789-036-9

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Numa rua tranquila de Dublin, uma livraria perdida está à espera de ser encontrada.

Opaline, Martha e Henry parecem não ter nada em comum além de terem sido, durante demasiado tempo, personagens secundárias nas suas próprias vidas. Opaline tem de fugir de Londres para não ser obrigada a casar-se, Martha parece inevitavelmente presa numa relação tóxica, e Henry está noivo de uma mulher que não ama.

É em Ha’penny Lane, uma pacata rua de Dublin, que os caminhos destas personagens se cruzam. Era ali que devia estar a livraria fundada por Opaline, onde Henry entrou uma noite, pouco depois de chegar à Irlanda… mas não só não está, como também não há registos capazes de provar que alguma vez tenha existido.

Seguindo o pouco que sabem sobre a incrível vida desta misteriosa mulher, Henry e Martha tudo farão para encontrar a livraria perdida e descobrir os seus segredos. Por entre os ramos de uma árvore que teima em crescer numa cave da capital irlandesa, páginas que sussurram, mistérios literários desvendados e livros que aparecem em prateleiras sem que alguém os tenha posto lá, as histórias destas três personagens que o destino põe à prova serão reveladas, mostrando que até a vida mais banal pode tornar-se tão fascinante como as que se encontram nas páginas dos melhores livros.

 

Opinião: Opaline encontra-se no início do século XX e Martha e Henry são dois desconhecidos nos dias correntes. O que têm estas três personagens em comum a ponto de deixarem o leitor agarrado à narrativa de A Livraria Perdida? Uma autêntica viagem pela literatura vista perante o olhar de três pessoas distintas e onde todos somos convidados a perceber que cada um é sempre fruto do que vai vivendo, ajudando o passado a moldar cada ser perante o presente.

Nesta história encontramos o passado com Opaline, uma mulher sonhadora que ambiciona ser uma comerciante de livros mas presa a nível familiar como forma de castração por estar a lutar pelo que os outros acreditam ser contra as normas da sociedade. Já nos tempos atuais Martha é a esposa em fuga de um marido sem escrúpulos e Henry é um noivo pouco confiante no seu futuro. Os dois cruzam-se quando Henry decide procurar um raro manuscrito numa livraria que parece não existir na rua Ha'penny Lane, na Irlanda, mesmo ao lado da casa onde Martha encontrou o seu refúgio quando procurou a libertação.

O Nome Que a Cidade Esqueceu | João Tordo

Companhia das Letras

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Título: O Nome Que a Cidade Esqueceu

Autor: João Tordo

Editora: Companhia das Letras

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2023

Páginas: 376

ISBN: 978-989-784-927-5

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Nova Iorque, 1991.

Ao aterrar na América, Natasha, refugiada de um país da ex-União Soviética, está longe de imaginar que o seu exílio se transformará numa aventura labiríntica pela grande cidade e pela alma humana. O caminho desta rapariga cheia de medos e sonhos cruza-se com o de George B., homem marcado por um passado misterioso, que vive em total isolamento em plena cidade, barricado num apartamento apinhado de objectos inúteis.

George oferece a Natasha um emprego bizarro: ler-lhe em voz alta a lista telefónica de Nova Iorque. Enquanto a rapariga aprende a suportar as saudades da sua família e do seu país, esboçando uma nova vida na metrópole vibrante e crua, George, por seu lado, procura obsessivamente um nome entre os milhões de nomes que a cidade esqueceu; um nome que poderá salvá-lo, ou ser a sua danação.

Tomando como inspiração uma história verdadeira publicada no New York Times, João Tordo constrói um romance enigmático, impulsionado pelo acaso e pela memória. O resultado é uma narrativa que disseca a solidão, grande doença dos nossos tempos, confrontando as suas personagens e os leitores com o passado com que todos tentamos reconciliar-nos. O nome que a cidade esqueceu marca o regresso de um dos escritores mais estimados do público a um lugar que lhe é familiar, numa história plena de imaginação, arrojo, candura e compaixão.

 

Opinião: Natasha chega sozinha a Nova Iorque como refugiada da União Soviética e sem nada nem ninguém a quem se amparar, tem de arregaçar as mangas para sobreviver perante as exigências que a sua nova condição lhe exigem. Esta nova vida leva-a a conhecer George, um homem entre tantos, que vive sozinho, isolado dentro de quatro paredes, e que recorre a jovens mulheres que precisam de dinheiro para lhe lerem a extensa lista telefónica em busca de nomes que lhe são familiares e que estão envoltos em segredos. Assim se juntam duas pessoas que vivem perante a solidão numa sociedade em movimento e que levam o leitor a percorrer caminhos que vão para lá da ligação que os une de início. Através de Natasha e George encontramos muito Mundo por vezes sem sairmos de casa pelo recurso da memória, encontramos um pouco de cada um de nós nos momentos em que por vezes só necessitamos de respirar com calma para se seguir em frente por caminhos translúcidos marcados pelas dores de percurso.

João Tordo coloca em O Nome Que a Cidade Esqueceu a sua escrita emotiva e poética onde o poder da descrição das personagens muito bem retratadas e desenvolvidas levam o leitor a sentar-se e a percorrer caminhos ao seu lado para se perceber como cada um irá conseguir dar a volta para seguir em frente perante os presságios que os acompanham do início ao fim.

O Meu Nome é Lucy Barton | Elizabeth Strout

Alfaguara

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Título: O Meu Nome é Lucy Barton

Título Original: My Name Is Lucy Barton

Autor: Elizabeth Strout

Editora: Alfaguara

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Setembro de 2016

Páginas: 176

ISBN: 978-989-665-117-6

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Lucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A branca monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas.

Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos da infância de Lucy, mas, por baixo da superfície plácida da conversa de circunstância, pulsam a tensão e a carência que enformaram todos os aspectos da vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a fuga para Nova Iorque (a única dos três filhos que o fez) e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé.

Mais ainda do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar muito próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta poderosa narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.

 

Opinião: Lucy Barton é uma sonhadora escritora que se encontra presa numa cama hospitalar onde poucas visitas recebe do marido e das filhas, no entanto existe uma pessoa de quem tem estado afastada que a vai acompanhar neste percurso solitário e de luta. A mãe de Lucy regressa após vários anos de afastamento e as horas que começam a partilhar no quarto do centro hospitalar traduz-se num duro embate de sentimentos de situações mal resolvidas onde as memórias de ambas acabam por ainda no tempo presente magoar. 

O Meu Nome é Lucy Barton traduz-se num romance onde o debate entre a comunhão entre mães e filhas acontece e se na maioria dos casos essa união significa paz, amor e cumplicidade, neste caso e também como retrato de várias famílias, por aqui existe a mágoa, os temas tabu do passado e agora a vontade de ambas em recuperarem o tempo perdido mas sempre com muito receio por não existir confiança mútua. 

Dom Camilo e o Seu Pequeno Mundo | Giovannino Guareschi

Bertrand Editora

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Título: Dom Camilo e o Seu Pequeno Mundo

Título Original: Mondo Piccolo - Don Camillo

Autor: Giovannino Guareschi

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Outubro de 2023

Páginas: 264

ISBN: 978-972-25-468-9

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Uma viagem através da leitura à planície italiana «onde não há palmo despido de verdura», com uma cultura e história únicas, na companhia de um conjunto de personagens que fazem prova do humor refinado e da sensibilidade humana do seu autor.

Estamos no mundo da Bassa italiana, impetuoso e sanguíneo, e perante os seus dois protagonistas: o padre Dom Camilo - por vezes intempestivo na sua missão pastoral - e Peppone, o presidente de Câmara comunista, sempre pronto a ignorar - quando se trate de casos de consciência - as diretivas do partido.

Um livro que tem início no período do pós-guerra, e onde, entre rivalidades e ressentimentos persistentes, dilemas éticos e proclamações de ultimatos que nunca se concretizam, Giovannino Guareschi pinta, com grande sensibilidade, um retrato dos conflitos entre o Estado e a Igreja, as paixões políticas e culturais, e a vida de todos os dias numa pequena vila italiana «da planície paduana que está entre o Pó e os Apeninos».

Publicado pela primeira vez em livro há 75 anos, este é um «pequeno mundo» como um conjunto de episódios maravilhosos, lições sábias e não menos comovedoras, nos quais Dom Camilo e Peppone encarnam dois seres humanos de alma pura, que apenas desejam a salvação e o bem-estar dos seus concidadãos. Porque o respeito, a empatia e a amizade nada têm que ver com a cor da bandeira ou da batina.

 

Opinião: Um livro que une uma coleção de histórias divertidas e de leitura fácil mas que não são para mim no sentido de ser um leitor de gostar de ter um fio condutor do início ao fim sem andar em modo salta pocinhas com pequenos apontamentos sobre peripécias que se passam no convívio diário entre um padre (Dom Camilo), um comunista (Peppone) e uma personagem que dispensa apresentações mas que nesta narrativa conta com um bom toque de ironia, Cristo. 

A Lanterna das Memórias Perdidas | Sanaka Hiiragi

Porto Editora

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Título: A Lanterna das Memórias Perdidas

Título Original: Jinsei Shansinkan No Kiseki

Autor: Sanaka Hiiragi

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Outubro de 2023

Páginas: 196

ISBN: 978-972-0-03727-5

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Esta é a história de Hirasaka e do peculiar estúdio fotográfico onde trabalha, um local que é um ponto de transição entre a vida e a morte.

Os «visitantes» de Hirasaka acordam no estúdio, onde são recebidos com uma chávena de chá, a par de uma inesperada novidade: acabaram de falecer. Antes de partirem para o Céu, terão de cumprir uma última tarefa: selecionar, de entre uma pilha de fotografias – testemunhos de toda a sua existência –, uma por cada ano de vida. Para além disso, têm a possibilidade de viajar no tempo, na companhia de Hirasaka, para capturar uma nova fotografia da memória mais especial, aquela que mais os marcou.

No fim, o visitante assiste ao filme da sua vida, projetado por uma lanterna rotativa, cuidadosamente montada por Hirasaka.

Completa-se assim o ciclo, antes da passagem em definitivo para a eternidade.

Um elegante e comovente romance, que nos traz à memória histórias marcantes como A vida é bela ou After Life. Com a simplicidade dos mestres, Sanaka Hiiragi oferece-nos uma narrativa inspiradora, que nos leva a questionar o que é realmente importante na vida.

 

Opinião: Sabes aquelas histórias quentinhas e aconchegantes que te ajudam a recuperar memórias e aproximar de quem nos fez bem e já não está entre nós? A Lanterna das Memórias Perdidas é esse romance, relatando a chegada de três pessoas de forma individual, Hatsue, Waniguchi e Mitsuru, a um estúdio fotográfico, onde são recebidos por Hirasaka com um chá de boas vindas e onde percebem que acabaram de falecer e estão a fazer a sua passagem para uma nova vida. 

Os "visitantes" deste estúdio são convidados a escolherem uma fotografia por cada ano em que viveram para construirem a sua lanterna para a entrada no céu e além disso podem voltar atrás no tempo e acompanhar um momento que lhes foi especial como se estivessem a assistir a uma curta película da sua vida. Com o processo realizado, cada falecido parte assim para o que dizem ser a passagem eterna e deixa o leitor com aquele momento quentinho e reconfortante sobre o poder das boas memórias. 

Amor Estragado | Ana Bárbara Pedrosa

Bertrand Editora

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Título: Romance Estragado

Autor: Ana Bárbara Pedrosa

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2023

Páginas: 208

ISBN: 978-972-25-4531-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Dois irmãos contam a dissolução de uma família. Manel casou com Ema, e foi até que a morte os separasse como enfim os separou - pelas mãos dele. Habituado ao álcool e incapaz de lidar com as frustrações, não era a ele que mãe e irmãos deviam o amor sem reservas? Zé, casado, agora com três filhos, não vê no sangue uma desculpa para a vida do irmão. Pela mão da violência, que é pedra de toque, assistimos a uma família cujos laços se desfazem. E à vida transformada noutra coisa.

Com uma linguagem crua e destemida, que não raras vezes desarma o leitor, Amor Estragado é um romance sobre a família enquanto território a proteger, a traição da vida adulta face às certezas da infância, a inveja, o desgosto, a degradação que o vício impõe e o que custa perder um lugar de honra. E inevitavelmente sobre a culpa - do homem que mata e de quem não o impede.

 

Opinião: Amor Estragado retratada pelas vozes distintas de dois irmãos a quebra dos laços familiares que se colocam em causa através do vício do alcoolismo e violência doméstica.

Se por um lado o leitor percebe desde o primeiro instante que está perante um homem violento e sem escrúpulos, Manel , por outro tem em Zé a vergonha e a tentativa de remendar a situação que vê a sua família enfrentar e que não consegue ajudar. Manel é o revoltado, o culpado que se vitimiza e que acaba por dar uma visão da história de que a culpa é de quem está contra si e não do seu mau génio agressivo e do vício. Já Zé é a sensatez da vida normalizada e que acaba por sofrer com os desaires do destino quando tudo parecia correr no bom sentido dentro da família que criou. 

Quantos Manéis não existem por este Mundo fora a tratarem as suas companhias de vida como objetos e peões para cuidarem das suas casas e filhos à custa de maus tratos e pancada? Quantos homens, e cada vez mais mulheres, frustrados não se cruzam com o nosso dia a dia e são autênticas nódoas da sociedade que muitas vezes estão a poucos passos de matar? E quantas crianças não crescem com a frustração das agressões e se tornam adultos também eles transtornados? Os números da violência doméstica e dos homicídios estão à vista de todos e em Amor Estragado a realidade de uma família comum que pode viver mesmo ao nosso lado é retratada.

O Vento Conhece o Meu Nome | Isabel Allende

Porto Editora

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Título: O Vento Conhece o Meu Nome

Título Original: El Viento Conoce Mi Nombre

Autor: Isabel Allende

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2023

Páginas: 272

ISBN: 978-972-0-03693-3

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Viena, 1938. Samuel Adler tem apenas 5 anos quando o pai desaparece, na infame Noite de Cristal – a noite em que a sua família perde tudo. Procurando garantir a segurança do filho, a mãe consegue-lhe lugar num comboio que transporta crianças judias para fora do país, agora ocupado pelo regime nazi. Samuel embarca sozinho, deixando a família para trás, tendo o seu violino como única companhia.

Arizona, 2019. Anita Díaz e a mãe tentam entrar nos EUA, fugindo à violência que reina no seu país, El Salvador. No entanto, são separadas na fronteira, ao abrigo de uma nova lei que regulamenta a imigração, forçando à separação das famílias. A mãe desaparece sem deixar rasto, e Anita é colocada em sombrias instituições de acolhimento. O caso desperta a atenção de Selena Durán, uma californiana de ascendência latina, e de Frank Angileri, um promissor advogado, que tudo farão para reunir de novo mãe e filha. Juntos, vão conhecer de perto a violência que muitas mulheres sofrem em silêncio, sem que dela consigam escapar.

Entrelaçando passado e presente, O Vento Conhece o Meu Nome conta-nos a história destas duas personagens inesquecíveis, ambas em busca da família e de um lar. É uma sentida homenagem aos sacrifícios que fazemos em nome dos filhos e uma carta de amor às crianças que sobrevivem a perigos inimagináveis – sem nunca deixarem de sonhar.

 

Opinião: A imigração forçada de crianças é o ponto de embarque deste romance que retrata duas épocas distintas mas onde a história se volta a repetir, de outro modo, mas perante a mesma premissa, a ingenuidade dos mais novos que são envolvidos nos problemas mundiais sem terem culpa alguma e que acabam por pagar bem caro o preço da guerra.

Primeiramente conheci Samuel Adler em 1938. Uma criança judia que após ver o seu pai ser retirado para um campo de concentração nazi, segue com a sua mãe que o embarca para Inglaterra somente com o seu violino. Perdendo a sua família e ganhando uma família de acolhimento em terras distantes, Samuel nunca mais será a mesma criança.