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O Informador

04
Abr20

Messiah, nem bom, nem mau...

Netflix

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Messiah é desde logo uma série que pode atrair muitos mas afastar uns outros quantos somente pelo tema que retrata. Como seria a reação social se em pleno século XXI surgisse uma figura misteriosa que rapidamente se apelidaria como sendo o novo Messiah? Quem iria acreditar? Que desunião surgiria a partir desse ponto? Quem investigaria factos, mistérios e credos? As questões são levantadas nesta série Netflix que a mim muito pouco conseguiu conquistar.

Não tendo começado a ver esta produção por motivos religiosos, por ser um não praticante, Messiah é daquelas séries que poderia ter muito para prender quem está do outro lado do ecrã, mas isso não acontece. Primeiramemte pelo fraco protagonista, interpretado por Mehdi Dehbi, que não aquece nem arrefece ao longo dos dez episódios, talvez pela fraca capacidade do ator de se fazer notar. Com fracas expressões faciais, estático e um ar bem notório de típica personagem "pão sem sal", este Messiah como está representado tem tudo menos a capacidade de conquistar quem o segue, o que também tem o apoio da fraca capacidade dos argumentistas em agarrarem esta personagem com convicção para chocar de forma interventiva e de modo a levar os discípulos atrás para conseguirem ao mesmo tempo baralhar sobre a verdade e mentira dos acontecimentos.

Entrando no campo do cristianismo, islamismo e judaísmo numa reunião de crenças que têm sobre si o ceticismo da investigação de núcleos fortes, como é o caso da CIA, e também onde a comunicação social tem interesse em mostrar e procurar todos os pontos, tal como os explicadores políticos para todos os mistérios que envolvem esta figura desconhecida.

O que encontrarão os convictos seguidores de Messiah? Quem se tenta aproveitar deste fenómeno? Existirão enganados e também conquistados após a negação inicial? Muitas são as questões lançadas nesta série onde em cada episódio novas revelações são feitas, no entanto não existe suspense em qualquer ponto sobre o final que acontece, não surpreendendo por nem fazer sentido esta série ser feita para que o seu término fosse diferente do escolhido.

10
Out19

Évora diz adeus aos Cartuxos

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Terça-feira, 08 de Outubro de 2019, assinala o dia em que o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido como Convento da Cartuxa, viu os quatro monges Cartuxos que restavam a viver no local partirem para Barcelona. As causas da mudança são simples e devem-se essencialmente às idades avançadas dos mesmos, dois octagenários e dois nonagenários, e também à falta de vocações para os ajudar a suportar a vivência dentro do mosteiro. Os quatro restantes Cartuxos que residiam em Portugal deixaram assim as suas vidas dentro do Convento da Cartuxa com cerimónias que se realizaram ao longo de três dias para que tudo fosse feito dentro dos parâmetros e os momentos finais acontecessem na celebração da solenidade do fundador, S. Bruno.

É bom lembrar que a vida cartusiana teve início em Portugal em 1587 pela mão do Arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança que fundou neste mesmo local a comunidade cartusiana eborense. Mais tarde, já em 1597, foi em Lisboa que se abriu um segundo mosteiro, Nossa Senhora do Vale da Misericórdia. Em 1834 ambos os mosteiros foram encerrados através do decreto que extinguia Portugal da vida religiosa. 1960 chega, os tempos mudaram e o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli volta a receber os Cartuxos de novas gerações que foram perdurando até que a idade os levasse para outras paragens para que a ajuda mútua seja possível.

 

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Bom lembrar que a Ordem Cartusiana tem uma total orientação, dia e noite, a Deus. Solidão, comunidade e liturgia são os três pontos fundamentais dos monges cartuxos que vivem como no deserto e dentro da sua pequena comunidade, colocando-se ao serviço da vida contemplativa cartusiana. Isolados do Mundo como forma de união profunda a Deus, as orações, devoções e vocações são todas num só sentido numa vida com horários habituais que se prolongam numa autêntica rotina religiosa.  

23
Out17

Capela das Conchas, em Alcáçovas

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Situada no centro de Alcáçovas, vila alentejana, encontramos a Capela das Conchas, fundada em 1622 por D. Henrique Henriques.

Com uma decoração fora do comum, para mais num local distante do mar, esta capela tem as suas paredes e tetos recheados de conchas. Segundo a história, estes elementos foram recolhidos ao longo dos caminhos que os portugueses navegaram e colocados assim, por pessoas dedicadas e verdadeiros artistas, neste espaço que ainda hoje contém vestígios da beleza implantada. Fazendo jus pela tradição marítima nacional, esta capela e seus jardins adjacentes estão adornados com verdadeiras obras de arte com desenhos pormenorizados sobre o tema religioso, como é o caso das pombas que se encontram nos cantos do teto e os anjos junto de uma das entradas exteriores. No jardim também os canteiros e fontes estão embelezados com coloridos trabalhos de conchas de diferentes cores e tamanhos.

13
Mai17

Fátima

Contei-vos que ia até Fátima por convite e vontade de tentar perceber tudo o que era vivido naqueles momentos de fé e crença. Não sou católico praticante, não afirmando que não possa existir algo, mas também não podendo dizer que tudo o que é relatado é a pura das verdades. Mas fui, de mente aberta e com vontade de viver o momento, as horas, o cansaço, o companheirismo e a união e não é que até que não desgostei?!

Não vos vou dizer que as horas passadas no Santuário de Fátima me alteraram a forma de pensar e perceber a religião porque isso não aconteceu, mas senti um pouco da magia que só o momento de passar horas sentado no recinto já sem posição para estar, assistir e posteriormente ver ao vivo a chegada do Papa Francisco a Fátima, acompanhar as orações como um leigo que ouve e que vai tentando apanhar alguma coisa e finalizar o dia de vela na mão a assistir à procissão foi para mim o momento alto do dia 12. Tantas horas de espera, ouvindo histórias, criando conversa com quem estava connosco e perceber que aos poucos os vizinhos de chão também interagem por qualquer motivo para que tudo seja uma comunidade que partilha vontades, crenças e ideias religiosas em comum. 

A Procissão das Velas é daqueles momentos altos das celebrações de Fátima, para mais este ano com a presença do Papa Francisco para celebrar o Centenário das Aparições da Virgem aos pastorinhos. Sinceramente não acredito na história que foi sendo passada ao longo dos anos sobre o acontecimento, mas naquele momento e com o que senti com o que se passou no recinto esqueci-me por momentos, horas até, que não tenho a história como verdadeira. Deixei-me levar pela ação social e o que se vive naquele local em dias festivos é algo de especial mesmo. Todos estão com o mesmo objetivo, centrados em algo em que acreditam ou que procuram acreditar por lhes fazer um pouco, como a mim, de sentido. Pode não ser uma coisa em que acredito, mas no fundo sei que existe algo que não consigo explicar e que entendo que não acontece como a caracterizam, uma ideia que ainda me transcende e que sinto que assim continuará a ser pelos próximos tempos. Emocionei-me um pouco na noite pelo ambiente que foi criado ao longo do dia e que colmatou nas três horas fortes da noite onde as pessoas acabam por deixar que os sentimentos e a fé que as conduziu até ao local passem para fora e levam a que todos refletiam sobre o sentido da vida e a comunhão com os outros. 

Primeiro dia feito e o 13 de Maio começou cedo, após uma noite praticamente sem dormir. As comemorações foram retomadas bem cedo e já lá estávamos quando o Papa Francisco regressou ao recinto para santificar Francisco e Jacinta Marta que são a partir de agora os mais jovens Santos da igreja católica. Uma celebração duradoura, sem dúvida, que me causou algum cansaço pelas dores que já tinha no corpo devido ao dia e noite anteriores e chegou a um momento em que acredito que devo ter bloqueado, só voltando a reagir quando chegou a altura do texto dedicatório e de resumo da vida dos dois irmãos onde se seguiu um momento que não me passou despercebido. O tempo entre o sol presente e ausente quando tapado por nuvens deu lugar por um minuto a um sopro de ar fresco onde pareceu que o dia iria mudar. Não sei o que poderá ter acontecido naquele momento, mas senti que aquele vento fresco não apareceu por acaso após Francisco e Jacinta Marto terem sido tornados Santos. Algo aconteceu no recinto naquela passagem e aquele sopro tocou-me de certo modo. Mais uma vez é daquelas sensações que não consigo explicar de todo mas que para mim, na minha ignorância, não aconteceu em vão.