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O Informador

28
Jun20

Não sejamos ingénuos...

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A quarentena quase obrigatória invadiu Portugal em Março para ficar por uns meses e muitas vozes se levantaram com a esperança de uma mudança social, para melhor, por tudo o que estávamos a passar. Agora, com o retomar da vida com a nova normalidade percebemos que continuamos a ser ingénuos por acreditar numa mudança social que na generalidade não aconteceu. 

Claro que nada mudou para melhor, talvez até bem pelo contrário. Neste tempo de confinamento o que se ganhou bastante foi uma individualidade egoísta, um afastamento recheado de insensibilidade e aquela indisponibilidade para com os outros com a desculpa que agora não nos podemos encontrar, como tal cada um tem que se desenrascar sozinho e à sua maneira individual. 

28
Mai20

Cansaço no final da quarentena

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Os meus últimos dias de quarentena têm sido tão animados que quase nem me atrevia a contar.

De forma resumida... Passo a maioria dos dias em casa, sem praticamente colocar os pés na rua, nem na varanda, e quando vou a algum lado é tudo feito de forma rápida para que não me demore. Geralmente acordo uma ou duas vezes de noite, logo após adormecer e depois um pouco antes do sol nascer, parecendo que já dormi o suficiente e que o dia não amanhece para mais um dia igual ao anterior. Deito cedo e cedo ergo, pouco saio de casa e quando o faço é de forma rápida, que final de quarentena é este?

As próprias rotinas em casa estão a passar ao lado. Pensei que por ter mais tempo livre iria ver mais séries, o que não tem acontecido, depois os livros a que não tenho dedicado tantas horas como pensava. Existem alterações em casa e várias situações para serem resolvidas e na verdade não apetece despachar nada. Na verdade sinto peso e cansaço, de forma a quebrar a capacidade de reação neste momento, querendo, mesmo com receio, voltar ao trabalho. 

21
Mai20

Sempre a comer na quarentena

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Os tempos são de pausa forçada e esse ponto obriga quase automaticamente a que a despensa e o frigorifico estejam com lotação quase esgotada. Aqui por casa as prateleiras de comida estão constantemente a serem observadas com o pensamento secreto sobre "o que vou comer agora?". 

Estando acordado acabo por detetar que praticamente de hora a hora estou a comer alguma coisa. Antes era raro comer pão, agora faço-o algumas três vezes, no mínimo, ao longo do dia. De manhã tomo o pequeno-almoço mas já com o pensamento que daí a uma hora irei voltar a comer alguma coisa, repartindo assim a primeira refeição do dia em duas. Almoço normalmente por volta das treze horas mas nem passadas duas horas já estou a comer alguma coisa de novo num primeiro momento de lanche que será repartido de novo um pouco depois porque a fome parece imperar agora sempre por aqui. De tarde sou capaz de comer três vezes e continuando a petiscar pelo meio por existir sempre espaço para mais um pouco. O jantar chega mas não assinala o último momento para comer do dia porque antes de dormir ainda existe permissão para voltar a invadir a cozinha para perceber o que apetece enfardar antes mesmo de ir dormir.

 

 

10
Mai20

Desconfinamento a mais...

Imagem retirada do portal da Renascença

 

O dia 03 de Maio representou o início do desconfinamento em Portugal após o estado de emergência, passando o país a viver perante o estado de calamidade que pelo nome parece mais grave que o primeiro mas não é. As portas de lojas de rua de pequenas dimensões começaram a abrir, centros de saúde e hospitalares reiniciaram consultas adiadas, transportes públicos voltaram a ser pagos e «Portugal e o Mundo» parece ter ressuscitado de um estado inanimado e muitos dos peões resolveram sair à rua para recomeçarem a fazer as suas vidas sem qualquer noção que esta suposta liberdade tem muitos apontamentos pelo meio e os cuidados pedidos em situação de emergência têm de ser mantidos pela calamidade. O pior é que a maioria parece não ter percebido essa parte!

Vamos ao supermercado e as pessoas não respeitam o espaço físico por quem está em espera. Passamos perto de um café que estava fechado e somente servia os seus produtos através de um pequeno espaço na porta e os clientes já se encontram em grupo encostados ao balcão, hospitais com auxiliares em pânico a tentarem controlar utentes e as ruas começam a encher, com conversas entre vizinhos que já não se viam durante semanas e que agora afiam a língua bem de perto uns dos outros, como se não conseguissem falar das novidades com algum afastamento. 

Para muitos este desconfinamento tem sido levado como um touro a sair da jaula para o trágico e que muitos veneram espetáculo das arenas. Pessoas, tenham calma e mantenham o cuidado. Podemos voltar ao nosso novo normal mas com mil e uma restrições e sem a liberdade de outros tempos. Sair de casa após tantas semanas de quarentena não é sinónimo de andar a festejar aos abraços, procurando o colo dos desconhecidos nos supermercados e brindando com uma chávena de café nos estabelecimentos mais perto de casa. 

04
Mai20

Livrarias reabertas

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Pessoal dos livros, hoje, Segunda-feira, 04 de Maio, reabrem as livrarias de rua, mês e meio após terem sido encerradas, como a maioria do comércio. Estivemos ao longo destas semanas com acesso físico limitado em termos literários às estantes dos supermercados, onde geralmente estão presentes as novidades e os mais vendidos, existindo também sempre a possibilidade de compra online em lojas como a Wook e a Bertrand, entre outras, mas agora os serviços das lojas de rua voltam a estar disponíveis. 

Com a abertura das livrarias, vamos prometer que voltaremos, com tempo e calma para não corrermos riscos desnecessários, a frequentar os espaços e efetuar nem que seja uma compra para que estes locais, muitos com história, não corram o risco de fechar portas pelos próximos tempos. O país está a retomar aos poucos, o comércio e empresas a encaminhar colaboradores e serviços com todos os ajustes necessários para que tudo corra bem e nós, enquanto clientes e neste caso leitores, respeitemos o espaço de cada um para também poder exigir dos outros o respeito que merecemos neste caso tão incomum com que teremos de lidar durante algum tempo ainda.