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O Informador

23
Out20

Dias de Outono | José Rodrigues

Porto Editora

Dias de Outono

 

Título: Dias de Outono

Autor: José Rodrigues

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2020

Páginas: 304

ISBN: 978-972-0-03339-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Os dias de Miguel são divididos entre a intensa atividade profissional e o apoio a Teresa, a sua tia, institucionalizada com uma doença irreversível. Na família encontra o conforto dos seus dias agitados, com Catarina e os filhos André e Tiago.

As alterações recentes na administração do banco onde trabalha, a degradação do casamento e os problemas vividos pelo filho adolescente levam Miguel a questionar as opções de vida. Ao mesmo tempo, retoma as memórias mais antigas, incluindo a sua vila no interior e a casa onde nasceu e viveu, criado por Teresa, num ambiente de permanente felicidade.

Quando o mundo de Miguel parece desabar, passado e presente unem-se numa longa jornada de salvação e de mudança de prioridades, onde o amor se transforma no principal caminho para a reconstrução da felicidade, mesmo quando a perda e a saudade pareciam não querer dar tréguas…

 

Opinião: A escrita de José Rodrigues fascina pela sua simplicidade com que descreve cada personagem e momento pelo qual estão a passar. Chamando temas bem atuais da sociedade, o autor não falha no aproximar as suas criações de forma emotiva ao leitor que se deixa facilmente conquistar por cada um sem criar embaraços porque na verdade todos têm pontos positivos a transmitir a quem pega num livro e simplesmente quer viajar por uma história simples e neste caso com as raízes nacionais como pano de fundo. 

Após ter lido e ter ficado rendido aos romances O Tempo nos Teus Olhos e O Rio de Esmeralda, desta vez foi a vez de Dias de Outono de me acompanhar por uns dias através de uma história tão real como qualquer outra, contada de forma emotiva e focando temas como o álcool e as drogas entre as influências na adolescência, a balança que tanto pesa entre um casamento perfeito e o foco total na carreira, a perda e as conquistas, fundamentando bem perto do final a perceção de que nem tudo vale a pena se não existe felicidade por trás dos sacrifícios que são gerados pela ambição. 

De forma rápida posso revelar que este romance nos dá a conhecer a vida de um casal, Miguel, um banqueiro de sucesso, e Catarina, a médica em ascensão entre os seus pares profissionais, e dos seus dois filhos, André e Tiago, ambos a sair da adolescência. Tudo parece bem na forma como os conhecemos primeiramente, mas a situação não é bem essa. Entre problemas de Tiago perante más influências e o afastamento pelo trabalho do casal a rotura acontece, as preocupações aumentam e a vida da cidade deixa de fazer sentido para Miguel que recupera o seu passado para ao mesmo tempo ajudar a salvar o filho de um futuro menos bom. Quatro vidas feitas de mudança necessária para que todos entendam que casamentos não são eternos quando não se dá o devido valor ao outro e a atenção necessária aos filhos. Tudo muda, o leitor é convidado a conhecer a ruralidade do nosso país, o que o autor tem feito brilhantemente em todos os seus romances, e a deixar-se levar pelos encantos de uma aldeia tão tradicional, com gente boa a circular em torno da nova vida deste homem que percebe a bom tempo de que é necessária uma mudança na sua vida para se voltar a ser feliz.

05
Set20

O Caderno dos Sonhos | Julien Sandrel

Porto Editora

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Título: O Caderno dos Sonhos

Título original: La Chambre des Merveilles

Autor: Julien Sandrel

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2020

Páginas: 240

ISBN: 978-972-0-03260-7

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Thelma é mãe solteira de Louis, um adolescente de 12 anos. Como todas as mães, faria tudo pelo seu filho, mas as solicitações de uma vida profissional exigente sobrepõem-se mais vezes do que seria desejável aos pedidos de atenção do jovem.

Numa fatídica manhã, tudo muda: irritado com a falta de atenção da mãe, zangado e desiludido, Louis acelera no seu skate e, poucos metros adiante, é colhido por um camião. No hospital, o prognóstico é pouco animador. Louis está em coma e não há sinais de recuperação. Thelma enfrenta o seu pior pesadelo. Em casa, enquanto reúne algumas coisas do filho, Thelma encontra um caderno onde Louis tem vindo a registar os sonhos que gostaria de concretizar. A mãe decide, então, viver por ele cada um desses sonhos.

Talvez recupere. Talvez volte para ela. E, se não voltar, Louis terá pelo menos vivido pelas histórias da mãe a vida com que sempre sonhou.

 

Opinião: Não estava preparado para a história de O Caderno dos Sonhos. Uma capa toda florida e cheia de cor e umas primeiras páginas pesadas, bastante pesadas, para o que prometia ser uma boa história entre mãe e filho. E não é que no fim a capa feliz resume o conteúdo desta narrativa tão bem elaborada onde os sonhos, o amor, a família e acima de tudo a esperança são traduzidos por palavras simples através de uma história que nos faz seguir cada passo de uma mulher, Thelma, que luta pelo bem do filho, Louis, até ao final. 

Numa mistura de drama e recompensa, O Caderno dos Sonhos é a realização pessoal de uma pessoa perante o desafio que a vida lhe impôs. Uma mãe, que ao ver o seu filho ser violentamente atropelado e ao ficar em coma durante meses, começa a percorrer os caminhos idealizados pelo filho, os seus sonhos e objetivos que tinha apontado para realizar mais tarde. Filho numa cama de hospital, uma mãe a percorrer o Mundo para concretizar os sonhos do seu menino, e uma equipa médica a colaborar para que a mensagem de superação entre os dois fosse possível. Esta é uma bela história de amor familiar, entre uma mulher que vivia para o trabalho e que por motivos maiores percebeu forçosamente que existe vida para além da profissão que sempre valorizou para poder manter uma boa comunhão com o filho, e o tempo em família onde ficou? Não existia, até que foi necessário parar, perceber o que era necessário após o acidente e lutar pela recuperação.

03
Set20

As compras na Feira do Livro

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Ontem já vos revelei a ida à edição de 2020 à Feira do Livro de Lisboa, hoje conto-vos o que comprei. Sem esperar pela Hora H, comprei alguns livros que estavam como destaque do dia, com 50% de desconto, e também uma novidade, o que não iria baixar se esperasse pela última hora do evento e onde a confusão parece ficar instalada no recinto do Parque Eduardo VII.

No espaço do Grupo da Porto Editora comprei Goa ou o Guardião da Aurora, de Richard Zimler, da Porto Editora, As Aventuras de Augie March, de Saul Bellow, da Quetzal Editores e Não te deixarei morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares, numa edição da Clube do Autor, mas que está disponível no espaço da Porto Editora, uma vez que o autor mudou recentemente de editora e os livros publicados pela Clube do Autor com edições ainda com exemplares passaram a fazer parte do catálogo da Porto Editora, o que, pelo menos que me lembre, parece ser inédito em Portugal, uma vez que mesmo quando autores assinam por outras editoras, as edições já impressas continuam disponíveis através da editora antiga até ficarem com todos os exemplares vendidos. 

Já no espaço Leya, optei pela mais recente narrativa de Rodrigo Guedes de Carvalho, o seu Margarida Espantada, lançado através da chancela D. Quixote. Este será o primeiro romance do autor e jornalista da SIC que irei ler, mas pelos positivos comentários e recomendações, acredito que venha para conquistar para ser a primeira de várias leituras.

17
Jun20

A Educação de Eleanor | Gail Honeyman

Porto Editora

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Título: A Educação de Eleanor

Título original: Eleanor Oliphant is completely fine

Autor: Gail Honeyman 

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2017

Páginas: 328

ISBN: 978-972-0-04898-1

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.

Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.

A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá, por fim, abrir o coração.

 

Opinião: Um primeiro romance de Gail Honeyman como A Educação de Eleanor jamais pode passar ao lado das boas críticas. Foram anos com este livro em espera para que quando lhe peguei perceber que mais um erro cometi pela espera e por outros lhe terem passado à frente. Comovente, divertido e humano são três dos pontos chave desta narrativa lúcida, transformadora e real que é contada de forma quente e aconchegante para não se perder o entusiasmo pela mudança de vida de Eleanor.

Convidado a conhecer o presente e partes da infância conturbada de Eleanor, o leitor entra num mundo complexo mas despreocupado onde a alegria se mistura com a crueldade de vidas que nos passam muitas vezes despercebidas. Num encadeamento suave e revelador, a autora consegue mostrar que os traumas e penas do passado conseguem pesar nas marcas presentes de qualquer um de nós. Inicialmente somos convidados a conhecer uma jovem secretária, solitária e desconectada do mundo até que os seus atos vão sendo descortinados com as memórias do seu passado através de conversas que pesam e reconforto atuais que transportam momentos bons para mágoas identificadas do que já lá vai e não volta mais. 

A história de Eleanor é feita na solidão de quem enfrenta um emprego de oito horas de trabalho quase por obrigação, faz as suas compras básicas no supermercado e recolhe-se sozinha em casa nos tempos livres. Sentindo que passa ao lado de uma equipa ajustada mas onde não se sente integrada e que ainda é colocada de parte pela sua forma de estar, não se apercebendo que os seus comportamentos a levam a ficar de lado, tal como os outros não procuram explicações. Isto acontece, muitas vezes devido a medos, receios e traumas que acabam por sustentar depressões com isolamentos, transtornos e derrotas. No entanto Eleanor, sem esperar, consegue ver a sua vida transformada sem procurar e de forma totalmente inusitada. Um incidente que acaba em conhecimento que a ajuda a saber gerir a partilha e o espaço sem se dar conta e a responsabilidade e a oportunidade de procurar a sua própria identidade numa sociedade em movimento surgem aos poucos. O espelho torna-se num bom amigo desta solitária mas responsável mulher, a presença de quem lhe quer bem só a ajuda e em pouco tempo o que de mau parece existir numa vida com todos os critérios para ruir é transformada para se dar a volta, como que uma planta no escuro e mal regada voltasse a ver a luz do dia e as vitaminas a ajudassem a rejuvenescer.  

A tristeza e a dor com que são vividos muitos momentos de Eleanor para depois se sobressair e conquistar são como uma autêntica chapada ao leitor que com pequenos problemas cria um abismo de onde parece não ser possível sair assim tão facilmente.

Conheci a Eleanor com poucas expectativas e rapidamente me rendi, primeiramente pela sua boa disposição e peripécias iniciais que unem dramatismo e desatenção no que parece ser um ciclo de momentos inusitados para que depois perceba que todos esses momentos que me agarraram com algumas gargalhadas se transformam numa perceção de uma vida pesada e com alguma lamuria. Eleanor conquista logo de início mas é quando se percebe tudo o que está para trás que se entende cada pormenor dos seus comportamentos que passam assim de merecer gargalhadas para surgir a vontade de acarinhar e ajudar a procurar um novo rumo que a própria consegue conquistar sem que tenha procurado mas perante a oportunidade não se deixou ficar. 

18
Mai20

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão | Martha Batalha

Porto Editora

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Título: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2016

Páginas: 216

ISBN: 978-972-0-04859-2

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Rio de Janeiro, anos 40.

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.

A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

 

Opinião: Charme, poder e luta interior são três descrições com que posso definir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, o romance da brasileira Martha Batalha que me conseguiu cativar desde os primeiros contactos com Eurídice, para mais editado em Portugal com o português do Brasil. 

Numa escrita despretensiosa e recheada de momentos de humor ao mesmo tempo que descreve as épocas de 50 e 60 dentro do ambiente familiar, o leitor é convidado a seguir as pisadas desta jovem mulher após o desaparecimento da sua irmã Guida, que procurou a liberdade que os pais não lhe deram. Mais nova e a viver para a casa, Eurídice acabou por acompanhar os pais até ao dia em que decidiu casar, um sonho e quase uma obrigação para com a idade que ia avançando. Era necessário ser mãe, muitos homens disponíveis para casar, a família desejava-lhe uma boa vida, mas a jovem pensava de maneira dispare, embora seguisse os planos para que estava destinada como qualquer cidadã brasileira daquele tempo com uma educação feita a pensar no casamento perfeito. 

Acompanhando os primeiros anos de casamento, como esposa, mãe e dona de casa, Eurídice sentiu estar presa dentro de quatro paredes, sendo a mulher perfeita numa família com um certo poder e com empregada de casa para que patroa e ajudante tivessem tudo pronto para António, o marido que chegado do emprego queria tudo feito e à sua disposição. As vontades de mudar o rumo imposto foram suscitando e o grito de liberdade vai acontecendo quando o leitor é convidado a seguir os atos e opções desta mulher solitária e com vontade de triunfar numa sociedade machista.