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O Informador

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18
Mai20

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão | Martha Batalha

Porto Editora

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Título: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2016

Páginas: 216

ISBN: 978-972-0-04859-2

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Rio de Janeiro, anos 40.

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.

A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

 

Opinião: Charme, poder e luta interior são três descrições com que posso definir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, o romance da brasileira Martha Batalha que me conseguiu cativar desde os primeiros contactos com Eurídice, para mais editado em Portugal com o português do Brasil. 

Numa escrita despretensiosa e recheada de momentos de humor ao mesmo tempo que descreve as épocas de 50 e 60 dentro do ambiente familiar, o leitor é convidado a seguir as pisadas desta jovem mulher após o desaparecimento da sua irmã Guida, que procurou a liberdade que os pais não lhe deram. Mais nova e a viver para a casa, Eurídice acabou por acompanhar os pais até ao dia em que decidiu casar, um sonho e quase uma obrigação para com a idade que ia avançando. Era necessário ser mãe, muitos homens disponíveis para casar, a família desejava-lhe uma boa vida, mas a jovem pensava de maneira dispare, embora seguisse os planos para que estava destinada como qualquer cidadã brasileira daquele tempo com uma educação feita a pensar no casamento perfeito. 

Acompanhando os primeiros anos de casamento, como esposa, mãe e dona de casa, Eurídice sentiu estar presa dentro de quatro paredes, sendo a mulher perfeita numa família com um certo poder e com empregada de casa para que patroa e ajudante tivessem tudo pronto para António, o marido que chegado do emprego queria tudo feito e à sua disposição. As vontades de mudar o rumo imposto foram suscitando e o grito de liberdade vai acontecendo quando o leitor é convidado a seguir os atos e opções desta mulher solitária e com vontade de triunfar numa sociedade machista.  

06
Fev20

As Aves Não Têm Céu | Ricardo Fonseca Mota

Porto Editora

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Título: As Aves Não Têm Céu

Autor: Ricardo Fonseca Mota

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2020

Páginas: 184

ISBN: 978-972-0-03192-1

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Um homem vagueia pelas noites insones, revisitando o passado e a culpa que lhe vai consumindo os dias. A mulher trocou-o por outro e levou consigo a sua única filha, ainda pequena. Na semana de férias em que finalmente pode estar com ela, sofrem um acidente de viação que resulta na morte da filha.

A culpa e o passado cruzam-se neste romance feito de gente que vive no escuro, como o taxista que várias vezes apanha este pai e o transporta pela cidade silenciosa, e os dois companheiros com quem desde a morte da filha partilha o espaço.

Vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2015, Ricardo Fonseca Mota regressa à ficção com As aves não têm céu, um romance lírico que vem dar voz às sombras que se escondem nos recantos mais obscuros da alma humana.

 

Opinião: A sinopse promete pelo tema central girar em torno da morte de uma filha. Leto, um homem que se deixa levar pela solidão e abandono após a perda do que parecia ser uma família feliz, num dos dias em que tinha a companhia da sua filha acaba por a perder num acidente de viação. A viver com dois companheiros de casa e viajando de táxi pelas ruas da cidade, este homem já não tinha vida antes do acidente, ficando ainda mais devastado quando percebeu que já nada restava do seu passado.

Refletindo sobre a tragédia de forma constante, sem querer ser mas sobrevivendo, Leto é a demonstração degradada de um pai que vê a sua filha falecer mesmo à sua frente, num caminho para a morte sem volta a dar. Procurando encontrar quem jamais regressará à sua presença, este ser perdido e amargurado tem em si todas as falhas e angústias de quem vai vivendo sem a real vontade para o fazer, sendo um sobrevivente de uma vida bastante fragilizada.

05
Out19

Ganha Livros | Suite 405, de Sveva Casati Modignani

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Um automóvel de luxo avança velozmente a meio da noite pela autoestrada que liga Roma a Milão. A bordo segue o conde Lamberto Rissotto, proprietário de uma importante indústria metalúrgica que gere com sensatez, apesar das dificuldades inerentes à crise económica do país. Lamberto tem pressa de chegar a casa: acabou de descobrir a última e embaraçosa loucura da sua lindíssima mas impulsiva mulher e quer terminar definitivamente a relação com Armanda. Para mitigar a desilusão leva na memória a imagem do recente e fugaz encontro com uma desconhecida “muito jovem, muito bonita, com muita classe”.

No meio da noite, outro homem viaja na mesma autoestrada de sul para norte, num carro utilitário coberto de pó: é Giovanni Rancati, sindicalista, que regressa de um encontro com operários. Em Milão espera-o a companheira, Bruna, cabeleireira que, após anos de muitos sacrifícios, conseguiu abrir um salão só seu. Vivem juntos num bairro popular, um daqueles em que as casas que partilham a mesma varanda deixam a descoberto as alegrias e as dores de cada um, uma realidade em que é difícil aguentar até ao fim do mês e em que um sonho pode custar as economias de uma vida. Lamberto e Giovanni representam dois mundos opostos e distantes, mas os seus caminhos vão acabar por se encontrar, um pouco por necessidade e um pouco por acaso. Desse encontro nasce um fascinante cruzamento de destinos em que se reflete a Itália de hoje, ainda dividida por contradições e lutas sociais, mas unida por uma profunda e absoluta necessidade de justiça e de amor.

Suite 405, o novo romance de Sveva Casati Modignani chega às livrarias no dia 10 de Outubro através da Porto Editora. E tal como toda a obra da autora, este novo lançamento promete conquistar os leitores! Com o inconfundível estilo de Sveva, que a tornou num dos nomes mais conhecidos da literatura atual, em Suite 405 a autora mostra um país de grandes contrastes sociais, com destinos que se unem pela necessidade de justiça e de amor.

Em pleno Outono e com o tempo frio a começar a surgir, o tempo convida a ficar mais por casa, enroscado nas mantas, pegar num chá e num bom livro e ficar a desfrutar de bons romances que nos levam para outras paragens, conhecendo vidas e lugares distantes com histórias que nos conquistam. Para te ajudar a abrir o apetite para leres Suite 405, tenho um exemplar desta obra para oferecer!

23
Jun19

Literatura em pausa

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Eu, Ricardo Trindade, conhecido na blogosfera como O Informador, venho publicamente assumir que sensivelmente entre o início da segunda quinzena de Maio e o final da quinzena inicial de Junho me portei um pouco mal como leitor assíduo. 

Reconheço aqui que férias além fronteiras - Paris -, trabalho, séries, afazeres diários e a preparação para o Clube de Leitura na Feira do Livro de Lisboa no espaço do grupo Porto Editora sobre a obra de Danielle Steel, deixei um pouco de lado os meus novos amigos literários de lado. Agora que tudo parece estar mais calmo prometo retomar o fio condutor como um bem comportado leitor que muito respeita os momentos dedicados às histórias de ficção e não ficção que são escritas por todo o mundo.

Eu, O Informador, reconhecido somente por quem aqui passa, prometo que a partir de hoje a história irá continuar a ser contada como estava a acontecer até meio de Maio. O objetivo está lançado, como tal vou começar desde já a cumprir com a palavra dada. 

19
Jun19

Clube de Leitura | A Obra de Danielle Steel

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No passado dia 15 de Junho estreei-me na Feira do Livro de Lisboa como orador num encontro entre leitores de Danielle Steel que pelas 21h00 se juntaram no espaço do grupo Porto Editora para se falar, questionar e comentar a obra da reconhecida autora. Com a editora de Ficção da Bertrand Editora como moderadora e como colega a Maria João Diogo, do blog A Biblioteca da João, lá me a perder os meus receios e vergonhas de falar em público sobre um tema de que gosto, a literatura.

Começando perante o mote do último livro publicado em Portugal de Danielle Steel, À Primeira Vista, a conversa começou e rapidamente os nervos ficaram para trás das costas. Os microfones foram ligados, a câmara ficou a filmar e estava dado o arranque de uma hora de conversa onde a partilha foi e é sempre fundamental. O livro foi comentado, a obra em geral falada e os temas em destaque tocados perante as diferentes perspetivas que cada um de nós tem sobre a leitura dos romances de Steel. 

Recebi o convite, sabia que o tinha de aceitar, segui com receio e no momento só percebi que não existiram motivos para ter hesitado porque acredito que tenha corrido bem, perdi a vergonha e agora estou pronto para mais. Gostei mesmo desta primeira experiência pública a falar de livros que já quero repetir.