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O Informador

16
Out20

Literatura recheada de Covid19

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Por estes dias, ao ler uma romance de autor nacional e com características bem rurais do nosso país, dei por mim a perceber que enquanto lia estava a visualizar cada cena, mas a colocar as personagens de máscara de proteção para com o querido Covid19 no rosto quando não estavam entre familiares em casa, existindo mesmo momentos em que por esquecimento achei estranho, de forma inconsciente, personagens estarem num bar após um jantar bem animado de grupo, com o espaço cheio e sem quaisquer problemas. 

Detetei naquele momento, e já não foi um acontecimento isolado ao longo desta leitura e de outras, que o meu inconsciente começa a estranhar ler e seguir histórias de ficção onde a nossa atual realidade não é descrita. Isto é mau psicologicamente, eu sei, mas estas ideias surgem enquanto estou calmamente no meu canto a ler e a tentar desfrutar dos momentos que tenho para me dedicar aos livros, não me conseguindo assim abstrair deste caos que nos veio atormentar. Será de mim ou alguém já deu por si a criar o cenário das histórias que está a ler em ambiente de pandemia e a perceber que cada cena não é possível por existir demasiada proximidade entre desconhecidos e colegas de trabalho e sem qualquer tipo de proteção para com o Covid19?

12
Out19

Jovem ou «Cota»?!

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Vinha pela estrada a ouvir rádio quando chegou o momento das notícias. As mesmas informavam que tinha existido um acidente de automóvel numa autoestrada do país em que um jovem de vinte e poucos anos tinha falecido logo no local. A minha mente, como qualquer outra de um ser humano que nos momentos a solo se deixa flutuar por outros mundos e criações, logo começou a pensar e quando dei por isso estava com um pensamento sobre um situação semelhante e em que ponto deixarão de noticiar que um jovem sofreu um acidente fatal para substituírem a palavra jovem por homem?

A situação em que questionei este tema não é a melhor, no entanto fiquei com a ideia sobre o ponto em que deixamos de ser jovens para ser tratados por homens e mulheres, adultos, «cotas»... Pensei naquele momento, «e se fosse eu...» diria que um jovem sofreu um acidente fatal ou davam a notícia como um homem que terá falecido num acidente de viação? Considero-me jovem aos 32 anos caramba, será que deverei pensar de forma diferente e olhar para o espelho e perceber que afinal já não sou um jovem homem mas somente uma pessoa que já não pode ter o jovem do seu lado por circunstânciais sociais?

Fiquei a pensar no fator idade e sobre como os tempos passam e o peso dos anos se começa a fazer sentir, levando com que sejamos olhados com outros olhos pelo que já vivemos e por fazermos parte de uma geração já mais velha com algumas, e já não são assim tão poucas, a seguirem-nos as pisadas. Constatei naquele momento, perante uma má situação, que aos trinta já não somos tratados por jovens, para minha infelicidade.

19
Jun18

Negativismo diário

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Um dia que começa com o pensamento de que valho pouco ou nada nesta vida dificilmente consegue terminar com um raciocínio correto, uma vez que a disposição predefinida para as horas em que me encontro acordado não altera de ânimo leve.

Há dias e dias e quando acordo com os pés de fora, de mal com o Mundo e acima de tudo contra o ego que habita por aqui é o desastre total. Abrir os olhos após uma má noite de sono, pensar no que de mau sou, deixando para trás as coisas boas que sei que possuo e assim começa um dia que ao ser iniciado com pensamentos negativos por esse modo continua.

Sair de casa de mau humor, disfarçando porque não sou de deixar que os outros detetem assim tão facilmente o meu mau estado de espírito e ficar a remoer no quanto mau eu sou, talvez mesmo um espantalho, daqueles mal cheiroso que não valem um tusto e que deambulam por ai como quem não quer a coisa. Duvido que seja o único a ter maus dias onde tudo parece tão horrível na vida que a vontade é desaparecer, terminar com tudo e recomeçar algo novo, num outro ponto e longe de tudo o que conquistamos e temos ao nosso redor. A maldade interior é real e embora existam seres que se achem imaculados, quem não tem os seus podres e não tem dias de merda na sua história de vida?

09
Mai15

Quem sou eu?!

Sim, quem sou eu no meio de um mundo recheado de estrelas e abismados sonhadores que sabem que caminhos seguir e que trilhos percorrer? Sou eu, sei o que significo como pessoa para comigo, no entanto também sei que não tenho terreno marcado para deixar marcas sobre a minha presença entre vós. Deixar um trabalho para a posteridade e poder ser recordado por muitos e bons anos é o objetivo de alguns, aqueles que pensam e lutam para o conseguirem, atingindo tais objetivos a longo prazo. Eu sei que não consigo lutar e também não tenho tais intenções para o fazer porque não existem razões nem objetivos. 

Estou feliz, estável e a viver quase um dia de cada vez, não pensando que sou aquele piolho único a bailar na cabeça de um careca. Não me sinto a última bolacha da terra e não consigo matar a fome pelo mundo que vive de terror e tormento pela guerra insana do Homem.

Quem consegue mudar o Mundo e deixa que a devastião permaneça com tantos erros políticos e democráticos não tem vida e muito menos sentido para continuar em frente com a consciência tranquila. Não consigo mudar o pensamento de outrem, no entanto há muitos que conseguem alterar o percurso de milhares de vidas e que nada fazem para ficar na História como os especiais heróis.

18
Abr15

Vazio

Vazio é a palavra que consegue descrever situações e estados de alma imperfeitos através de várias perspectivas. Os Vazios que se cruzam e dão trabalho conseguem sempre deixar uma mensagem, mesmo sendo ela imperfeita e vã.

Acreditar que existe sempre algo melhor para cada um. Perceber o quanto os que nos fazem mal conseguem pagar para serem seres inúteis na sociedade. Pensar no tempo perdido passado em redor de um Vazio sem nexo e lugar certo. Acreditar na mentira de quem não consegue existir por si só. O Vazio, tudo isto ronda o Vazio!

O Vazio, o ser que não consegue ter objetivos e pensamentos capazes de raciocinar sobre o que está a preparar a pensar no amanhã. O Vazio, aquele que nada tem e também nada teme por não conseguir estar na vida e acreditar na felicidade e na convivência para com os outros. O Vazio não interessa a ninguém, nem mesmo a si próprio por acabar por ser algo inexistente onde nem a curiosidade tem lugar e causa transtorno. Ele, o buraco negro de cérebro não tem razão, não tem bom senso e muito menos consegue ter atitude para assumir o quanto mal anda a fazer à sociedade.

O mundo é composto por peças compactas, puzzles imperfeitos e Vazios mal nascidos, onde cada humano encaixa neste trio de portas é sempre a luta que irá definir cada qual ao longo da sua curta ou longa permanência enquanto ser que habita fisicamente o planeta ou algum local inexistente para muitos.