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O Informador

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24
Nov19

Pensamentos guardados

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Criação e elaboração nem sempre andam de mãos dadas por este espaço só meu mas disponível para todos.

Sentado, vários dias, ecrã ligado, som de fundo, e as lembranças não aparecem, a fonte para desenvolver uma nova escrita não surge e os dedos parecem bloqueados para começarem a criar texto atrás de texto. Existem toques, ligeiros pensamentos, e o depois não aparece, como se a mente estive bloqueada pelo cansaço de dias corridos, sem tempo para parar, pensar e guardar para que depois tudo seja possível passar para palavras escritas. 

Na verdade existe vontade de escrever, não existe é conteúdo para se colocar em prática essa vontade que parece vazia aquando do momento de se colocar os pontos nos iiis. 

Os pensamentos não querem serem transmitidos e as desculpas são as mais variadas e nem sempre contadas por não existir necessidade de revelar tudo. Somos livres, liberais e lutamos pela liberdade individual e coletiva num todo em que tudo se pode saber mas onde também existem entraves que devem ser moderados. 

04
Out19

Figuras cansativas

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Nunca vos aconteceu chegarem ao vosso email ou entrarem na página de gestão do blog e encontrarem um certo número, algo elevado até, de comentários de pessoas que se auto intitulam com nomes deveras estranhos, bizarros ou mesmo de forma anónima?

A ideia com que fico em certas ocasiões quando estas figuras mistério surgem é que andam a visitar todos os blogs e mais alguns que encontrarem no ativo, comentam, lançam o pânico e depois se respondermos vão tentando manter a conversa para deixarem os seus links com a finalidade de levarem os outros leitores a seguirem para sites onde devem ganhar como afiliados através de cliques. Não sei o que passará pela cabeça destas pessoas que acredito passarem horas só a espalharem comentários e a responder a tudo e nada para que os seus lindos nicks sejam vistos um cem número de vezes dentro da comunidade, até que acabam por cansar e viram frangos assados e bem queimados entre os mais assertivos a detetarem os fraudulentos que andam por aí.

As figuras mistério são cansativas, ao início ainda dá um certo gozo responder mas com o tempo acabamos por só querer enviar um comentário de resposta com um «vai passear grilos de madrugada», para não dar pior exemplo. Se querem dar nas vistas inscrevam-se nos reality show low cost que andam por aí, conheçam futuros noivos, perdão, companheiros de cama para aparecerem na televisão, façam o que bem entenderem mas não nos chateiem.

17
Ago19

Aplaudo as aparências

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«Cala-te Ricardo! Cala-te Ricardo! É melhor estares calado e deixar o barco andar! Sim, a verdade surge ao virar da esquina, mesmo que já seja tarde! Cala-te Ricardo! Cala-te!»

Esta podia ser uma das sequências do meu pensamento em diversas alturas da vida em que preciso muito de abrir a boca para dizer as verdades a alguns seres que habitam por aí mas onde o lado apaziguador me diz que é melhor estar calado que mais cedo ou mais tarde a verdade sobre a falsidade surge na tona de um copo cheio que rapidamente pode ficar vazio. Não gosto de deixar passar as situações que me causam algum desconforto e é por isso que por vezes deixo escapar alguma dica menos boa sobre o que vou vendo e que não aplaudo, mas tento sempre, ou na maior parte das vezes, conter-me para não exaltar emoções de quem acredita que consegue enganar meio mundo para atingir os seus fins. Não, nem todos caímos em jogos e manipulações, não, não preciso que se aproximem por interesse, e não, não vale a pena alterarem os vossos comportamentos de um dia para o outro porque deste lado está um lobo velho que desconfia simplesmente da queda de uma pestana no prato da sopa. 

20
Jul19

Página em branco ou (sem título)

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O que escrever numa página branca quando se tem um espaço vazio como título? O que surge primeiro num texto de blog, tal como a questão do ovo e da galinha, o título ou o texto? Como iniciar o primeiro parágrafo quando nos apetece escrever e não sabemos qual o ponto de arranque para transformar um vazio num texto que será partilhado e disponível para ser lido por quem visita o blog?

Sinceramente, e falo muito em termos pessoais e no que fui aprendendo ao longo do tempo, quando abro uma página vazia para a começar a encher com um novo testemunho gosto de ter a ideia base já na mente, mesmo sem ter por vezes o desenvolvimento do texto já pré composto no pensamento para o deixar fluir depois pelas teclas do portátil. Isto é o que faço habitualmente. Ao longo do dia penso, idealizo quando tenho tempo e disponibilidade mental, e quando estou em sossego deixo passar através das teclas o texto que será publicado nas horas seguintes ou quando não tem urgência permanece no lote de agendados para ficar disponível uns dias mais tarde. O texto é escrito, vagueando pelas palavras, conjugando parágrafos corridos com imagens que vão de encontro ao que está a ser partilhado e comentado. Depois deste passo e com o texto feito é que surge o título que será definitivo. Não posso dizer que sempre é assim, isto porque por vezes o título surge e será a partir deste que o texto ganha autonomia, mas são casos mais raros de acontecer. A razão de preferir escrever e só no fim lhe dar um título é óbvia, é que nem sempre as palavras escritas seguem a linha que estava destinada no pensamento e cada ponto pode virar, retirar e necessitar de novo destaque no mote de apresentação inicial.

26
Jun19

Noite de escrita

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As próximas linhas estão a ser escritas à noite, naquele momento em que o sono já devia ter aparecido mas parece distante. A luz da mesa-de-cabeceira mantém-se ligada, dando a pouca claridade existente no quarto. A televisão também está ativa, mas praticamente sem som, somente para existir alguma imagem neste quarto. Eu, entre o sentado e o deitado na cama tenho o livro ao meu lado e o portátil ao colo, onde escrevo mais um texto que podia falar de mais um dia, de mais uma leitura, da vida dos famosos, daquela série do momento ou simplesmente publicar uma linha vazia que poucos iriam ver, muitos menos iriam pensar em comentar e ninguém pensaria em partilhar. Mas não, este texto reflete a noite, mais precisamente o momento antes de adormecer, quando o corpo já cansado pretende descansar mas o cérebro ainda não deixa. Assim escrevo umas linhas, palavra após palavra, seguindo esta lengalenga sem saber onde quero chegar com este texto que irá ser partilhado daqui a pouco, quando o sol começar a nascer lá longe, espreitando pela janela e perspetivando um novo dia, quando muitos já estão a sair de casa na sua correria matinal. Na verdade e como já deves ter reparado esta partilha começou a falar na minha situação atual, a de estar sentado na cama antes de ir dormir e já estava a caminhar para o início de mais um dia. Afinal de contas esta não é a rotina de cada um? Agora preparado para dormir, daqui a pouco acordar para trabalhar e voltar a casa para volta e meia voltar para a cama. Que vida esta feita de rotinas que são quebradas de quando em vez mas que acabam sempre por voltar ao local habitual, à cama que nos acolhe para os momentos de pausa que servem como reforço para voltar ao ativo logo depois. 

Este texto foi escrito ontem à noite, ou melhor, já era hoje, mas antes de adormecer, e está a ser publicado de manhã bem cedo, quando ainda me encontro a dormir mas no momento em que muitos já circulam de comboio para chegarem ao seu local de trabalho a tempo e horas, outros estão a deixar as crianças nas escolas e existe até quem esteja sentado a tomar o pequeno almoço no café do bairro antes de se meter a caminho do emprego. Todos já teremos descansado um pouco e agora que lês este texto estás prestes a terminar mais um capítulo desta vida.