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O Informador

01
Ago20

Detesto despedidas!

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Existem despedidas que nos tocam e mesmo quando as pessoas não nos são ou estão próximas acabamos por perceber que a vida sempre acontece e se transforma para novas fases, onde cada despedida de um local e grupo dá lugar a um novo alento de cada um para começar de novo e apostar no que acredita.

Há uns dias, e mais uma vez entre os vários Adeus! dentro do género, uma das pessoas que "conheço" e com quem falo há anos devido às parcerias do blog decidiu deixar o seu lugar numa empresa com quem costumo colaborar. Um email inesperado que ditava o fim de uma etapa que acaba por marcar um novo recomeço. Tudo começava com um «Boa tarde! Hoje é o meu último dia...» e somente estas palavras já começavam a causar algum desconforto deste lado, do recetor e leitor de cada frase. Custa, sempre se torna num momento pesado cada despedida, para mais de pessoas que sempre se lembram de nós, que de certa forma nos reservam um pequeno canto nas suas memórias e lembranças e que de um momento para o outro deixam de estar em determinado local para abraçar outros horizontes, que talvez poderão voltar a cruzar caminhos, como por vezes tem acontecido. 

Confesso que ao abrir o email e perceber do que se tratava fiquei simplesmente sensibilizado por esta partida de quem de longe sempre mostrou interesse em comunicar, falar, partilhar e acarinhar quem segue a sua linha de raciocínio e gosta essencialmente de estar numa sintonização de harmonia e comunhão. Nenhum destes «Adeus!» tem de ser definitivo e sei que mais cedo ou mais tarde existe um novo regresso, num outro local, como novos pontos de destaque e um «Voltei a uma nova casa!». Sim, quando se acredita em quem está do outro lado e se percebe que é com empenho e dedicação que os ciclos profissionais são feitos, tudo se torna possível, uma vez que abraçando uma vez uniões que dão resultado com as pessoas certas, para sempre esses momentos se tornam eternos, lembrados e memorizados para que assim que possível se descubram novos caminhos onde os que ficaram congelados no passado são convidados a entrar. 

14
Abr20

Vida minha dos novos dias...

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Vida minha dos novos dias, o que me está a acontecer?

Fechado em casa todo o dia estaria, se não tivesse ganho algum ânimo para começar a mexer o corpo com andamentos e corridas de forma diária. Acordo bem cedo e o pequeno almoço espreita após a higiene matinal. Logo me despacho e não me deixo arrefecer, trocando de roupa e deixando que o corpo me guie para uma viagem caminhante que vai ganhando alento ao longo de quase hora e meia pela mata ao lado da aldeia virada ao sol e com ventos fronteiriços. 

Oh que bem que este momento fora de casa cai bem para logo depois as quatro paredes me voltarem a receber para que hora após hora o dia seja passado entre comidas, conversas, leituras, televisão, arrumações e escritos. Tanto que parece ter para fazer e ao final do dia dou por mim a pensar que o tempo foi passando e a desconcentração foi total, sem estar orientado num só sentido. A minha mente e a vontade de estar a par de tudo tornam-me num frenesim constante que não me deixa assentar para começar, seguir e terminar um só objetivo de cada vez. 

25
Mar20

Foi Necessário (o Covid19), por Augusto Cury

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Fizeram-me chegar pelas redes sociais uma suposta mensagem que Augusto Cury partilhou publicamente sobre a atual situação que o Mundo. Tentei procurar se Cury é mesmo o autor do texto que passo a transcrever, mas sem conseguir perceber se é mesmo verdade. Na dúvida decide partilhar cada frase, cada ponto e todos os significados que este desabajo sentido tem consigo por ser um real abanão que toda a sociedade precisa de sentir para nos podermos tornar num todo melhor que além de si tem de pensar nos outros. 

 

Foi Necessário

 

Foi necessário um vírus para desacelerar o planeta. E ele veio por uma bofetada na nossa cara.

Foi necessário um vírus para olharmos com cuidado, zelo e percebermos a fragilidade dos nossos idosos.

Foi necessário um vírus para os pais ficarem com seus filhos e não atribuírem essa responsabilidade aos avós.

Foi necessário um vírus para lembrarmos de conversar com Deus, pois isso andava meio fora de moda.

Foi necessário um vírus para fazer a gente rezar, para fazermos orações para o mundo e não só para nós.

Foi necessário um vírus para voltarmos a ter fé.

Foi necessário um vírus para mostrar que classe social, raça, crença, orientação sexual não tem diferença diante de uma epidemia.

O vírus fez a gente perceber que somos um, que o individualismo não resolve nada, que precisamos de todos.

O vírus deu uma trégua na polaridade, afinal estamos todos no mesmo barco, olhando na mesma direção.

O vírus nos privou do abraço para percebermos o quanto ele é valioso.

O vírus fez a gente perceber o quanto nossas mãos precisam ser higienizadas e que com esse hábito evitaríamos muitas doenças.

O vírus desacelerou até o consumismo, pois as pessoas não vão sair por aí comprando, comprando e comprando! Sairemos de casa para comprar apenas o necessário.

O vírus fez cair os pedidos de fast-foof delivery pois percebemos que cozinhar para nossa família é a forma mais segura de alimentá-los (isso andava meio fora de moda).

O vírus veio nos mostrar que o ar pode ficar mais puro com a diminuição de carros circulando, e mostrar que as pessoas podem caminhar mais (estão evitando o transporte público).

O vírus veio nos ensinar a agradecer todos os dias por estarmos saudáveis.

O vírus veio nos lembrar o quanto a vida é frágil e que precisamos cuidar do nosso corpo e da nossa alma.

O vírus veio nos mostrar que não devemos subestimar as coisas pequenas. Afinal ele é tão pequeno, invisível aos olhos e está mudando o comportamento do mundo.

Foi necessário um vírus para a gente acordar.

E aquele tempo que sempre dizíamos que não tínhamos? Então, o vírus nos mostrou que ele existe.

Augusto Cury

07
Jun19

Lidar com a Morte

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A morte é sempre um peso que surge na vida de quem fica e se vê confrontado primeiramente com o sofrimento, depois com a dor da perda. Existindo vários estados que antecedem a morte onde o sofrimento lento e devastador magoam, causando bastante dor a quem mal está e a quem trata, mas existindo também a perda rápida em que de forma quase súbita tudo termina. Onde o choque é maior?

Mais uma vez e não de forma familiar, fiquei confrontado com a morte de quem me viu praticamente nascer e crescer. Andou comigo ao colo, praticamente todos os dias me dava os bons dias quando ia para o trabalho e passava junto ao seu quintal. Há menos de uma semana fiquei sem o sorriso fácil, a disposição diária e senti essa falta. A doença levou-a para o interior de casa, descaindo de dia para dia, até que a escuridão surgiu numa madrugada.

Fui acordado quando o sol ainda mal espreitava, o INEM já estava na rua, percebi o fim, fiquei sentado na cama a refletir no que naquele momento parece não estar a existir. Aconteceu, de forma rápida, a queda vertiginosa para um poço sem fundo e onde o regresso já não acontece. Um dia começou mais cedo que o habitual, já não consegui dar a volta ao peso que logo senti e a perceção que a rua ficou mais pobre foi incrível. Quem me dá agora os bons dias quando saio do meu espaço e entro na rua? Não existe agora a vizinha, tudo se altera, ficamos mais pobres, vazios e sós. 

31
Ago17

Ocupação tranquilizante

As pessoas não se apercebem mas os factos são verídicos. Quanto mais se estiver ocupado no dia-a-dia melhor nos conseguimos sentir connosco e com os outros, não causando tantos problemas e complicações pessoais e para com quem nos é mais próximo. 

Como é sabido estive mais de dois meses desocupado e sem conseguir dar a volta para ocupar as horas que antes estavam ocupadas e que passaram a estar livres. E agora percebo que nessa altura, sem que me desse conta, tudo me começava a fazer confusão. O que poderia ser uma questão que nem ligaria em tempos normais daria logo para gerar uma conversa menos boa e causar ligeiros conflitos com quem me é mais próximo. O cérebro ao estar demasiado desocupado começa a criar problemas onde eles não existem e isso acaba por não ser benéfico para ninguém, acima de tudo para o próprio, que entra numa espiral de onde pode ser complicado sair por se criar um hábito. A pessoa sente-se vazia, inútil e ao ver os outros com os seus afazeres diários acaba por se auto magoar e também por arrastar quem não tem culpa de nada para os seus problemas que ganham proporções acima do normal porque alguém que passa um dia em vão não compreende que quem está ocupado simplesmente quer descansar quando chega e não está para aturar os dramas que deixam de ser relativizados, ganhando sim outros contornos que vão adensando devido ao tempo que é passado sem nada fazer.

Percebi isso ao longo daquelas semanas em que me senti a ficar ainda mais chato e maçador para com quem me é mais próximo, tornando-me implicativo com mínimas coisas e só depois, uns tempos após ter retomado a vida normal, é que percebo que isso aconteceu verdadeiramente. Não é que não me tenham alertado e que não veja tais comportamentos nos outros, mas passei pelo mesmo sem me ter dado conta, ao contrário do que afirma o velho ditado, «só quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro». E é verdade, hoje tenho capacidade para perceber que além de ter ficado mais sensível e carente naquela altura, a paciência esgotava-se com uma maior facilidade.