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O Informador

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27
Jun20

Lisboa Reykjavík | Yrsa Sigurdardóttir

Quetzal Editores

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Título: Lisboa Reikjavík

Título original: Brakio

Autor: Yrsa Sigurdardóttir

Editora: Quetzal Editores

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2020

Páginas: 448

ISBN: 978-989-722-630-4

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: «Ægir e a família falaram com a Islândia quando o iate estava a deixar o porto em Lisboa, mas nunca mais se soube deles desde então.»

Um iate de luxo abandona o porto de Lisboa tendo como destino Reykjavík, na Islândia. Despedindo-se das temperaturas agradáveis da capital portuguesa, a bordo seguem sete pessoas que enfrentarão o frio mar daquele inverno, a caminho do norte. Porém, daí a alguns dias, quando o barco entra no porto de Reykjavík, ninguém é encontrado a bordo. O que aconteceu à tripulação e à jovem família que seguia nele ao zarpar de Lisboa? O que se teria passado em Lisboa, ou durante a viagem, que possa explicar o desaparecimento?

Este é o cenário do melhor e mais assustador romance escrito até hoje pela rainha do policial nórdico, antes publicado com o título O Silêncio do Mar — um mistério sobre a escuridão do oceano, Lisboa, a família, a fama, negócios obscuros e, como sempre, o mal e a conspiração do ódio.

 

Opinião: Um iate de luxo deixa Lisboa com destino a Reykjavík, levando consigo a tripulação e uma família composta por um casal e duas meninas gémeas. Na cidade da Islândia a embarcação chega sem pessoas, sem corpos e sem pistas sobre o que terá acontecido ao longo da viagem para que as sete pessoas que embarcaram na cidade portuguesa não desembarquem no seu destino.

Numa história contada entre um passado recente, onde se consegue acompanhar a vida no iate para se perceberem os vários passos que vão sendo dados ao longo da viagem e os momentos em que os vários incidentes vão acontecendo, e o presente, onde na cidade o leitor acompanha Thóra, a advogada contratada pelos pais do elemento masculino do casal, numa procura intensa perante todos estes estranhos desaparecimentos. Sete pessoas embarcaram em Lisboa, nenhuma chegou a Reykjavík, chegando o iate vazio numa paragem conturbada e automática ao porto. Tudo vai sendo contado ao mesmo tempo e a verdade é conhecida mesmo no final num mútuo conhecimento entre o que aconteceu no iate e o relatório a ser feito aos familiares que ficaram sem filho, nora e netas. 

17
Jun20

A Educação de Eleanor | Gail Honeyman

Porto Editora

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Título: A Educação de Eleanor

Título original: Eleanor Oliphant is completely fine

Autor: Gail Honeyman 

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2017

Páginas: 328

ISBN: 978-972-0-04898-1

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.

Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.

A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá, por fim, abrir o coração.

 

Opinião: Um primeiro romance de Gail Honeyman como A Educação de Eleanor jamais pode passar ao lado das boas críticas. Foram anos com este livro em espera para que quando lhe peguei perceber que mais um erro cometi pela espera e por outros lhe terem passado à frente. Comovente, divertido e humano são três dos pontos chave desta narrativa lúcida, transformadora e real que é contada de forma quente e aconchegante para não se perder o entusiasmo pela mudança de vida de Eleanor.

Convidado a conhecer o presente e partes da infância conturbada de Eleanor, o leitor entra num mundo complexo mas despreocupado onde a alegria se mistura com a crueldade de vidas que nos passam muitas vezes despercebidas. Num encadeamento suave e revelador, a autora consegue mostrar que os traumas e penas do passado conseguem pesar nas marcas presentes de qualquer um de nós. Inicialmente somos convidados a conhecer uma jovem secretária, solitária e desconectada do mundo até que os seus atos vão sendo descortinados com as memórias do seu passado através de conversas que pesam e reconforto atuais que transportam momentos bons para mágoas identificadas do que já lá vai e não volta mais. 

A história de Eleanor é feita na solidão de quem enfrenta um emprego de oito horas de trabalho quase por obrigação, faz as suas compras básicas no supermercado e recolhe-se sozinha em casa nos tempos livres. Sentindo que passa ao lado de uma equipa ajustada mas onde não se sente integrada e que ainda é colocada de parte pela sua forma de estar, não se apercebendo que os seus comportamentos a levam a ficar de lado, tal como os outros não procuram explicações. Isto acontece, muitas vezes devido a medos, receios e traumas que acabam por sustentar depressões com isolamentos, transtornos e derrotas. No entanto Eleanor, sem esperar, consegue ver a sua vida transformada sem procurar e de forma totalmente inusitada. Um incidente que acaba em conhecimento que a ajuda a saber gerir a partilha e o espaço sem se dar conta e a responsabilidade e a oportunidade de procurar a sua própria identidade numa sociedade em movimento surgem aos poucos. O espelho torna-se num bom amigo desta solitária mas responsável mulher, a presença de quem lhe quer bem só a ajuda e em pouco tempo o que de mau parece existir numa vida com todos os critérios para ruir é transformada para se dar a volta, como que uma planta no escuro e mal regada voltasse a ver a luz do dia e as vitaminas a ajudassem a rejuvenescer.  

A tristeza e a dor com que são vividos muitos momentos de Eleanor para depois se sobressair e conquistar são como uma autêntica chapada ao leitor que com pequenos problemas cria um abismo de onde parece não ser possível sair assim tão facilmente.

Conheci a Eleanor com poucas expectativas e rapidamente me rendi, primeiramente pela sua boa disposição e peripécias iniciais que unem dramatismo e desatenção no que parece ser um ciclo de momentos inusitados para que depois perceba que todos esses momentos que me agarraram com algumas gargalhadas se transformam numa perceção de uma vida pesada e com alguma lamuria. Eleanor conquista logo de início mas é quando se percebe tudo o que está para trás que se entende cada pormenor dos seus comportamentos que passam assim de merecer gargalhadas para surgir a vontade de acarinhar e ajudar a procurar um novo rumo que a própria consegue conquistar sem que tenha procurado mas perante a oportunidade não se deixou ficar. 

07
Jun20

As Raparigas Perdidas | Simone Sr. James

Topseller

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Título: As Raparigas Perdidas

Título original: The Broken Girls

Autor: Simone Sr. James

Editora: Topseller

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2018

Páginas: 352

ISBN: 978-989-8917-14-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Há um lugar para onde vão as raparigas que ninguém quer. As raparigas problemáticas, as filhas ilegítimas, aquelas que são demasiado espertas para o seu próprio bem. É uma escola chamada Idlewild Hall, que na vila se diz estar assombrada. Quatro colegas tornam-se amigas, sussurrando sobre os seus medos.
Até que uma desaparece…

Vermont, 2014

Por muito que tente, a jornalista Fiona Sheridan não consegue deixar de revisitar os eventos que, há 20 anos, levaram à morte da sua irmã, cujo corpo foi encontrado nos jardins da abandonada Idlewild Hall. Apesar de o namorado da irmã ter sido julgado e condenado pela sua morte, Fiona tem a certeza de que algo ficou por contar…

Quando descobre que Idlewild Hall vai ser recuperada por um investidor anónimo, Fiona decide que é hora de escrever um artigo sobre a história, e desenterrar todos os seus segredos.

E, com eles, uma voz que se ouvia pelos corredores…

 

Opinião: Num presente que procura respostas no passado, Fiona procura justificações para a morte da irmã há 20 anos atrás. Encontrado o corpo na altura abandonado nos jardins do outrora colégio de Idlewild Hall e sem que a verdade sobre a morte tenha convencido Fiona, a agora jovem mulher quer saber como tudo aconteceu, quem foi o verdadeiro culpado e a razão de tudo ter sido alterado em tribunal. Assim começa As Raparigas Perdidas, numa fusão entre três épocas que acabam por dar ao presente todas as respostas que ficaram por esclarecer em dois momentos diferentes, uma vez que antes da irmã de Fiona outras raparigas morreram e foram deixadas pelos jardins e poços de Idlewild. 

Um thriller com ritmo mas ao mesmo tempo leve que se cruza entre presente e passado num desvendar sucessivo de pistas sobre crimes que aconteceram em épocas diferentes mas com muito em comum num local com algum misticismo pelo meio e onde vozes e figuras do além se cruzam ou não com os vivos que circulam pelos arredores deste antigo colégio interno de raparigas que não eram bem-vindas nas suas famílias pelos mais variados motivos.

Esta ė uma narrativa que une suspense, mistério e romance e onde a intriga se junta à omissão, vontade e cobardia, As Raparigas Perdidas consegue surpreender sem deixar para trás qualquer personagem e tempo, uma vez que entre 1950 e 2014 todas as raparigas sofreram, de maneiras diferentes e procurando ajuda dentro do que em cada altura lhes era permitido para descobrirem o que ia acontecendo com as companheiras de quarto e estudo. 

 

 

29
Mai20

Em 2020 vamos ter Feira do Livro de Lisboa

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A tradição dita que a Feira do Livro de Lisboa aconteça nas últimas semanas de Maio e início de Junho. Este ano com o Coronavírus a atacar o país muitos eventos foram adiados e outros cancelados. No caso do maior evento literário da capital o adiamento aconteceu e agora já se sabe que o mesmo se irá realizar em simultâneo com a Feira do Livro do Porto. 

Em Lisboa a feira literária irá ter o seu início a 27 de Agosto e no Porto a 28, ambas ficando até ao dia 13 de Setembro, exigindo uma organização mais complexa por parte de expositores, autores e até mesmo de leitores que por vezes visitam os dois eventos, mesmo com a distância territorial. 

Como habitualmente, a nossa Feira do Livro de Lisboa irá receber todos os visitantes no Parque Eduardo VII para a sua 90ª edição, desta vez com todas as medidas necessárias de distanciamento e precauções para com as novas regras para com a pandemia. Neste momento as inscrições para as participações já estão a decorrer, mas não me parece que se consiga suplantar os números dos últimos anos para se obter de novo a maior Feira do Livro de sempre. A conjuntura atual deverá fazer com que editoras mais pequenas acabem por perder espaço e não tenham capacidade para se afirmarem, infelizmente. O mercado está complicado, todos nós estamos a sofrer alterações nas vidas privadas e profissionais e muito não será como antes.

18
Mai20

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão | Martha Batalha

Porto Editora

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Título: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2016

Páginas: 216

ISBN: 978-972-0-04859-2

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Rio de Janeiro, anos 40.

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.

A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

 

Opinião: Charme, poder e luta interior são três descrições com que posso definir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, o romance da brasileira Martha Batalha que me conseguiu cativar desde os primeiros contactos com Eurídice, para mais editado em Portugal com o português do Brasil. 

Numa escrita despretensiosa e recheada de momentos de humor ao mesmo tempo que descreve as épocas de 50 e 60 dentro do ambiente familiar, o leitor é convidado a seguir as pisadas desta jovem mulher após o desaparecimento da sua irmã Guida, que procurou a liberdade que os pais não lhe deram. Mais nova e a viver para a casa, Eurídice acabou por acompanhar os pais até ao dia em que decidiu casar, um sonho e quase uma obrigação para com a idade que ia avançando. Era necessário ser mãe, muitos homens disponíveis para casar, a família desejava-lhe uma boa vida, mas a jovem pensava de maneira dispare, embora seguisse os planos para que estava destinada como qualquer cidadã brasileira daquele tempo com uma educação feita a pensar no casamento perfeito. 

Acompanhando os primeiros anos de casamento, como esposa, mãe e dona de casa, Eurídice sentiu estar presa dentro de quatro paredes, sendo a mulher perfeita numa família com um certo poder e com empregada de casa para que patroa e ajudante tivessem tudo pronto para António, o marido que chegado do emprego queria tudo feito e à sua disposição. As vontades de mudar o rumo imposto foram suscitando e o grito de liberdade vai acontecendo quando o leitor é convidado a seguir os atos e opções desta mulher solitária e com vontade de triunfar numa sociedade machista.