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O Informador

Irmãs | Daisy Johnson

Euforia Editora

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Título: Irmãs

Título Original: Sisters

Autor: Daisy Johnson

Editora: Euforia

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Fevereiro de 2024

Páginas: 184

ISBN: 978-989-35291-3-3

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Nascidas com apenas dez meses de diferença, July e September não precisam de mais ninguém a não ser uma da outra. Depois de um grave incidente na escola, as adolescentes mudam-se com a mãe para uma casa de família perto da costa, há muito abandonada. Na sua nova e isolada vida, as irmãs parecem testar todos os limites da sua relação, numa série de encontros chocantes que vão pôr à prova a sua experiência partilhada e forçar revelações sobre o passado, o presente e o futuro das jovens.

Irmãs é uma história assombrosa sobre duas raparigas apanhadas numa poderosa teia emocional, que lutam para perceber onde acaba uma e começa a outra, num relato tenso, poderoso e profundamente comovente do amor fraterno e do que acontece quando duas irmãs têm de enfrentar os impulsos mais sombrios uma da outra.

 

Opinião: July e September são irmãs que nasceram com dez meses de diferença e que após sofrerem um grave problema são levadas pela mãe para outro local, tendo de recomeçar tudo de novo perante uma forte componente emocional retratada numa balança entre o perceber e saber onde termina o espaço de uma e começa o da outra. Esta é uma história contada em três partes, relatadas pelas suas três protagonistas, as irmãs e a própria mãe, numa mistura entre o presente e o passado de forma a baralhar o leitor sobre o poder que cada uma tem perante a outra. Se por um lado existe uma September, a irmã mais velha, como a autoritária que orienta o rumo da irmã e da própria mãe, por outro ponto encontramos uma July subserviente. A dado momento o leitor é notoriamente baralhado e fica sem saber quem é quem, se ambas existem e  fiquei com a perceção da dúvida sobre se estava a conseguir entender o que estava a ser contado ou se afinal tinha as ideias todas baralhadas sobre este relacionamento entre irmãs tão vincado que leva mesmo a pontos de alucinação. Esta é uma história sobre a sanidade mental em que o leitor coloca muito em causa sobre o que está perante os seus olhos sem ficar indiferente ao julgamento que vai fazendo sobre comportamentos obsessivos demonstrados ao longo do que vai sendo relatado. Se me senti baralhado com a narrativa de Irmãs? Bastante mesmo e tenho a confessar que ainda tenho dúvidas sobre como o final chegou e se chegou da forma como o entendi ou se tudo não passou de uma ilusão bem vincada. Uma leitura rápida, desconcertante e que me deixou tão baralhado que deveria voltar a ler do início para tentar apanhar alguma ponta solta que me tenha escapado.

 

O Recluso | Freida McFadden

Alma dos Livros

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Título: O Recluso

Título Original: The Inmate

Autor: Freida McFadden

Editora: Alma dos Livros

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2024

Páginas: 320

ISBN: 978-989-570-196-4

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Há três regras capitais que Brooke deve seguir quando é contratada como técnica de enfermagem de um estabelecimento prisional masculino de segurança máxima: 1.ª Tratar todos os prisioneiros com respeito. 2.ª Não partilhar quaisquer informações pessoais. 3.ª Nunca desenvolver intimidade com nenhum dos reclusos.

O que ninguém na prisão sabe é que Brooke já quebrou as regras. Um dos reclusos mais perigosos é um ex-namorado seu: Shane Nelson, a estrela de futebol americano do tempo da escola e o autor de uma série de assassínios horríveis. Ele foi condenado a passar a vida atrás das grades. Ela foi quem testemunhou para que isso acontecesse. Shane sabe disso. E nunca se irá esquecer. 

 

Opinião: Brooke é contratada para ser uma das enfermeiras responsáveis de um estabelecimento prisional quando regressa para a sua cidade natal, onde cresceu e de onde saiu quando levou consigo um segredo bem guardado, um filho a ser gerado, Josh. Ao regressar às suas origens e de forma um pouco propositada, começa a mexer com o seu passado ao saber que um dos reclusos é o seu ex-namorado, Shane, que ajudou a colocar na prisão, isto ao mesmo tempo que se deixa conquistar por um dos seus antigos melhores amigos, Tim, que pode saber mais do que o esperado sobre o que levou a toda a reviravolta nas suas vidas. 

Quem Está Aí? | Teresa Driscoll

Editorial Presença

Título: Quem Está Aí?

Título Original: I Will Make You Pay

Autor: Teresa Driscoll

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2024

Páginas: 336

ISBN: 978-972-23-737-0

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Todas as quartas-feiras, Alice recebe uma chamada. Todas as quartas-feiras, as ameaças adensam-se. E aquela voz distorcida torna-se o seu maior pesadelo.

É apenas mais uma quarta-feira na redação… até o telefone começar a tocar. A jornalista Alice Henderson atende uma chamada, e o que ouve, do outro lado da linha, é uma voz distorcida a fazer uma ameaça aterradora. Alice desliga e pensa que aquilo não passou de uma brincadeira de mau gosto, mas… na quarta-feira seguinte, volta a receber uma chamada, e desta vez é claro que a ameaça é destinada a si.

Alguém quer fazê-la sofrer, mas porquê? Quem está do outro lado? Os artigos de Alice no jornal local tornaram-na uma figura popular e reconhecida… Será o seu passado, e não o seu trabalho, que a está a pôr em risco? Alice não quer ceder ao medo que começa a tomar conta dela, mas quando a investigação da polícia não apresenta resultados, o namorado da jornalista insiste em contratar Matthew Hill, um investigador privado.

A cada quarta-feira, as ameaças adensam-se, e agora não é apenas Alice a visada, mas também a sua família. Enquanto a perseguição se torna cada vez mais feroz, e antes que as terríveis ameaças se tornem realidade, conseguirá Alice descobrir por que razão tudo isto lhe está a acontecer?

 

Opinião: Hoje é Quarta-feira e se recebesses uma chamada anónima com ameaças perante o teu futuro? Alice recebeu esta dita estranha chamada e mesmo que tivesse ficado com a pulga atrás da orelha, seguiu a sua vida, até que na Quarta-feira seguinte uma nova chamada de atenção lhe é feita com dados que a podem colocar em perigo. A partir daqui a jornalista começa a viver numa autêntica espiral de mistério onde o medo e a curiosidade se aliam uma vez que não sente que tenha feito algo para estar a ser colocada à prova, relembrando os seus últimos anos e também colocando o seu trabalho de investigação para o jornal local para que trabalha em causa por poder ter publicado algum artigo que não foi aceite por quem está por detrás do anonimato das ameaças.

O leitor é convidado a mexer no passado desta mulher, percebendo que a própria Alice não é quem mostra ser de início, tudo ao mesmo tempo que se vai acompanhando o passado da pessoa que está envolvida neste mistério, sem se conseguir perceber quem é "ele", existindo sempre a velha questão das suspeitas que o leitor vai tendo sobre quem possa ser, mistério só revelado mesmo perto do fim e que a autora consegue, sem necessitar de recorrer a muitas personagens ao longo da narrativa, surpreender por poder ser qualquer um dos mencionados ao longo da história de vida de Alice. Um passado com várias nuances, um presente de omissões e lutas, esta é a luta de uma mulher que de um dia para o outro se vê num ajuste de contas por algo que não pensava ser possível.

A Livraria Perdida, de Evie Woods

Singular Editora

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Título: A Livraria Perdida

Título Original: The Lost Bookshop

Autor: Evie Woods

Editora: Singular Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2024

Páginas: 368

ISBN: 978-989-789-036-9

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Numa rua tranquila de Dublin, uma livraria perdida está à espera de ser encontrada.

Opaline, Martha e Henry parecem não ter nada em comum além de terem sido, durante demasiado tempo, personagens secundárias nas suas próprias vidas. Opaline tem de fugir de Londres para não ser obrigada a casar-se, Martha parece inevitavelmente presa numa relação tóxica, e Henry está noivo de uma mulher que não ama.

É em Ha’penny Lane, uma pacata rua de Dublin, que os caminhos destas personagens se cruzam. Era ali que devia estar a livraria fundada por Opaline, onde Henry entrou uma noite, pouco depois de chegar à Irlanda… mas não só não está, como também não há registos capazes de provar que alguma vez tenha existido.

Seguindo o pouco que sabem sobre a incrível vida desta misteriosa mulher, Henry e Martha tudo farão para encontrar a livraria perdida e descobrir os seus segredos. Por entre os ramos de uma árvore que teima em crescer numa cave da capital irlandesa, páginas que sussurram, mistérios literários desvendados e livros que aparecem em prateleiras sem que alguém os tenha posto lá, as histórias destas três personagens que o destino põe à prova serão reveladas, mostrando que até a vida mais banal pode tornar-se tão fascinante como as que se encontram nas páginas dos melhores livros.

 

Opinião: Opaline encontra-se no início do século XX e Martha e Henry são dois desconhecidos nos dias correntes. O que têm estas três personagens em comum a ponto de deixarem o leitor agarrado à narrativa de A Livraria Perdida? Uma autêntica viagem pela literatura vista perante o olhar de três pessoas distintas e onde todos somos convidados a perceber que cada um é sempre fruto do que vai vivendo, ajudando o passado a moldar cada ser perante o presente.

Nesta história encontramos o passado com Opaline, uma mulher sonhadora que ambiciona ser uma comerciante de livros mas presa a nível familiar como forma de castração por estar a lutar pelo que os outros acreditam ser contra as normas da sociedade. Já nos tempos atuais Martha é a esposa em fuga de um marido sem escrúpulos e Henry é um noivo pouco confiante no seu futuro. Os dois cruzam-se quando Henry decide procurar um raro manuscrito numa livraria que parece não existir na rua Ha'penny Lane, na Irlanda, mesmo ao lado da casa onde Martha encontrou o seu refúgio quando procurou a libertação.

O Nome Que a Cidade Esqueceu | João Tordo

Companhia das Letras

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Título: O Nome Que a Cidade Esqueceu

Autor: João Tordo

Editora: Companhia das Letras

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2023

Páginas: 376

ISBN: 978-989-784-927-5

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Nova Iorque, 1991.

Ao aterrar na América, Natasha, refugiada de um país da ex-União Soviética, está longe de imaginar que o seu exílio se transformará numa aventura labiríntica pela grande cidade e pela alma humana. O caminho desta rapariga cheia de medos e sonhos cruza-se com o de George B., homem marcado por um passado misterioso, que vive em total isolamento em plena cidade, barricado num apartamento apinhado de objectos inúteis.

George oferece a Natasha um emprego bizarro: ler-lhe em voz alta a lista telefónica de Nova Iorque. Enquanto a rapariga aprende a suportar as saudades da sua família e do seu país, esboçando uma nova vida na metrópole vibrante e crua, George, por seu lado, procura obsessivamente um nome entre os milhões de nomes que a cidade esqueceu; um nome que poderá salvá-lo, ou ser a sua danação.

Tomando como inspiração uma história verdadeira publicada no New York Times, João Tordo constrói um romance enigmático, impulsionado pelo acaso e pela memória. O resultado é uma narrativa que disseca a solidão, grande doença dos nossos tempos, confrontando as suas personagens e os leitores com o passado com que todos tentamos reconciliar-nos. O nome que a cidade esqueceu marca o regresso de um dos escritores mais estimados do público a um lugar que lhe é familiar, numa história plena de imaginação, arrojo, candura e compaixão.

 

Opinião: Natasha chega sozinha a Nova Iorque como refugiada da União Soviética e sem nada nem ninguém a quem se amparar, tem de arregaçar as mangas para sobreviver perante as exigências que a sua nova condição lhe exigem. Esta nova vida leva-a a conhecer George, um homem entre tantos, que vive sozinho, isolado dentro de quatro paredes, e que recorre a jovens mulheres que precisam de dinheiro para lhe lerem a extensa lista telefónica em busca de nomes que lhe são familiares e que estão envoltos em segredos. Assim se juntam duas pessoas que vivem perante a solidão numa sociedade em movimento e que levam o leitor a percorrer caminhos que vão para lá da ligação que os une de início. Através de Natasha e George encontramos muito Mundo por vezes sem sairmos de casa pelo recurso da memória, encontramos um pouco de cada um de nós nos momentos em que por vezes só necessitamos de respirar com calma para se seguir em frente por caminhos translúcidos marcados pelas dores de percurso.

João Tordo coloca em O Nome Que a Cidade Esqueceu a sua escrita emotiva e poética onde o poder da descrição das personagens muito bem retratadas e desenvolvidas levam o leitor a sentar-se e a percorrer caminhos ao seu lado para se perceber como cada um irá conseguir dar a volta para seguir em frente perante os presságios que os acompanham do início ao fim.

Os Crimes do Verão de 1985 | Miguel D'Alte

Suma de Letras

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Título: Os Crimes do Verão de 1985

Autor: Miguel D'Alte

Editora: Suma de Letras

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Outubro de 2023

Páginas: 384

ISBN: 978-989-787-069-9

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Uma ilha fustigada por uma tempestade durante a noite. Três desaparecidos. Um culpado. Onde estão os corpos?

Verão. 27 de agosto de 1985. Numa noite de tempestade, duas crianças e a sua cuidadora, Beatriz - uma adolescente de dezasseis anos -, desaparecem da casa de férias dos Mariz, uma família abastada de Lisboa, ligada à banca, na pequena Ilha do Poço Negro.

Quando os pais regressam depois de jantar, encontram a casa vazia e sinais de luta e sangue. Em pânico, e com a ajuda de Ademar Lear - um jovem jornalista que passava na rua a caminho de casa -, contactam as autoridades. A ilha está isolada devido à tempestade, as buscas decorrem toda à noite, sem sucesso. De manhã, após a tempestade passar, uma dupla de inspetores da Polícia Judiciária chega à ilha para investigar. A população acorda em choque e acolhe as forças da autoridade com desconfiança; jornalistas invadem a ilha: o caso torna-se mediático.

Dias depois, o violento namorado de Beatriz é preso. Todas as provas apontam para ele, mas são circunstanciais. É então que confessa os crimes e é condenado.

Até que, em 2012, um documentarista estrangeiro chega à ilha com novas provas sobre o caso e entra em contato com Ademar Leal - jornalista caído em desgraça, atormentado pela investigação que o tornou famoso -, entretanto regressado à ilha.

O que se passou no Verão de 1985?

 

Opinião: Numa noite de Verão em 1985, uma jovem e duas crianças que estavam ao seu encargo desaparecem de forma misteriosa na pequena Ilha do Poço Negro. A família abastada Matiz passava os seus períodos de férias fora de Lisboa e partia para descanso neste paraíso nacional, recorrendo quando era necessário a Beatriz Lessa para tomar conta dos seus filhos sempre que se tinham de ausentar por algumas horas da sua casa de férias para eventos com a população local. No entanto numa noite de tempestade, quando o casal regressa a casa nem sinal da babysitter e dos seus filhos.

A partir daqui o leitor é convidado a conhecer os dias que antecederam estes desaparecimentos, o pós perante a investigação decorrida e o período de 2012, onde o conhecido jornalista Ademar Leal, que acompanhou o caso na altura, é convidado a recuperar este tema por um documentarista internacional, também ele misterioso, e juntos pretendem descobrir, com a ajuda do responsável da GNR, o chefe Pratas, o que na altura dos acontecimentos parece ter ficado mal esclarecido e resolvido pela investigação a cargo de José Gonçalves.

Da Janela Vejo o Sandokan, de Rosária Casquinha da Silva

Intelectual Editora

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Título: Da Janela Vejo o Sandokan

Autor: Rosária Casquinha da Silva

Editora: Intelectual Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Dezembro de 2016

Páginas: 128

ISBN: 978-989-35283-5-8

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: «Da janela vejo o Sandokan» resume-se a 52 short stories cheias de vida e de curiosidade pelo que rodeia a autora. Ela, que adora "observar da sua janela" as pessoas, a natureza, o milagre da vida, cria estórias e cenários para lá do que observa; diverte-se enquanto absorve a vida real e a possibilidade do imaginário; entrega-se às pequenas coisas que passam despercebidas ao olhar de quem corre, sem saber muito bem para onde; perde-se em pensamentos e observa-se intensamente; contempla a revelação daquilo que é e aspira a ser.

Ela vê o Sandokan da sua janela, e você?

 

Opinião: Da Janela Vejo o Sandokan e tudo o que nos é permitido perceber através do olhar ou pelo poder da imaginação e dos sentimentos. E foi assim que Rosária Casquinha da Silva nos brindou com este seu compêndio de contos onde abre o seu coração perante uma escrita poética mexendo nas suas próprias memórias e histórias e em momentos que vão sendo desfiados perante si e que acabam por ficar de alguma forma como recordação para mais tarde lembrar.

Sabes aqueles pequenos diários que algumas pessoas vão mantendo ao longo da vida e que raramente são partilhados com os outros? Aqui senti que a Rosária deixou que nós, leitores, descobríssemos um pouco do que vai apontando sobre o que lhe tem acontecido ao longo da vida e também perante o que vai sentindo sobre cada situação, mostrando as suas ideias originais sobre os temas que se atravessam na sua caminhada sem perder a sua sensibilidade e ao mesmo tempo colocando uma boa pitada de critica social e sabedoria nos seus pensamentos agora revelados. 

O Meu Nome é Lucy Barton | Elizabeth Strout

Alfaguara

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Título: O Meu Nome é Lucy Barton

Título Original: My Name Is Lucy Barton

Autor: Elizabeth Strout

Editora: Alfaguara

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Setembro de 2016

Páginas: 176

ISBN: 978-989-665-117-6

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Lucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A branca monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas.

Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos da infância de Lucy, mas, por baixo da superfície plácida da conversa de circunstância, pulsam a tensão e a carência que enformaram todos os aspectos da vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a fuga para Nova Iorque (a única dos três filhos que o fez) e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé.

Mais ainda do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar muito próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta poderosa narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.

 

Opinião: Lucy Barton é uma sonhadora escritora que se encontra presa numa cama hospitalar onde poucas visitas recebe do marido e das filhas, no entanto existe uma pessoa de quem tem estado afastada que a vai acompanhar neste percurso solitário e de luta. A mãe de Lucy regressa após vários anos de afastamento e as horas que começam a partilhar no quarto do centro hospitalar traduz-se num duro embate de sentimentos de situações mal resolvidas onde as memórias de ambas acabam por ainda no tempo presente magoar. 

O Meu Nome é Lucy Barton traduz-se num romance onde o debate entre a comunhão entre mães e filhas acontece e se na maioria dos casos essa união significa paz, amor e cumplicidade, neste caso e também como retrato de várias famílias, por aqui existe a mágoa, os temas tabu do passado e agora a vontade de ambas em recuperarem o tempo perdido mas sempre com muito receio por não existir confiança mútua. 

Crime no Expresso de Natal | Alexandra Benedict

Guerra e Paz

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Título: Crime no Expresso de Natal

Título Original: Murder on the Christmas Express

Autor: Alexandra Benedict

Editora: Guerra e Paz

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2023

Páginas: 264

ISBN: 978-989-702-960-8

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Na véspera de Natal, o comboio noturno para as Terras Altas da Escócia descarrila, juntamente com os planos festivos dos seus passageiros. O comboio está preso na neve no meio do nada e há um assassino em série à solta entre as carruagens. Quem dorme no comboio nocturno pode nunca mais acordar.

Conseguirá Roz Parker, uma antiga inspectora da Polícia Metropolitana de Londres, encontrar o assassino antes que ele ataque de novo?

Todos a bordo para um… Crime no Expresso de Natal.

 

Opinião: Oh! Oh! Oh! É Natal e existe um crime no comboio noturno que tem como destino as Terras Altas da Escócia. Tudo parecia correr como planeado na vida de Roz Parker, uma recente reformada da Polícia Metropolitana de Londres. A sua filha está prestes a ser mãe, o Natal aproxima-se e a inspetora está de malas feitas para partir para a sua reunião familiar. Primeiramente o adiamento da partida do comboio devido às más condições climatéricas logo a começar a causar algum transtorno na agenda de Roz, seria esse um mal maior se depois na viagem não tivesse acontecido um descarrilamento de uma carruagem e um crime que foi o ponto de arranque para outros que se seguiram. Ou seja, a ex-inspetora Roz ficou com uma investigação em curso porque dentro do comboio que já seguia atrasado algumas pessoas apareceram mortas e um culpado estava entre os passageiros, tudo isto ao mesmo tempo que a sua filha se torna mãe e lhe dá o poder familiar de ser avó pela primeira vez. 

Crime no Expresso de Natal é aquele comboio a alta velocidade entre a ternura e o crime onde várias personagens com pouco em comum se unem num entre carruagens com destino aos seus dias natalícios em família e de um momento para o outro são surpreendidos por crimes que levam a investigações e um rol bem forte de cenas inesperadas que os fazem passar a noite de Natal juntos mas com bastantes receios porque não podem confiar nos desconhecidos que os acompanham. 

Que Pouca Vergonha | Guilherme Fonseca

Manuscrito Editora

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Título: Que Pouca Vergonha

Autor: Guilherme Fonseca

Editora: Manuscrito Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2023

Páginas: 184

ISBN: 978-989-9078-98-9

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Guilherme Fonseca não tem um pingo de vergonha. Ora repare: nem sempre se lava dos joelhos para baixo por preguiça, trata os gatos por «filhos», tem pavor a quem dobra sacos em triângulos e nojo de banhos de imersão.

Mas não comece já a apontar-lhe o dedo, que o leitor também é um sem-vergonha: é bem provável que circule na faixa do meio, seja viciado em true crime ou publique 34 stories seguidas quando a sua amiga faz anos. Porquê? Não bastava uma?

Há filósofos, pensadores e comentadores preparados para responder às grandes questões da Humanidade. Guilherme Fonseca prefere as pequenas e insignificantes:

- COMO É QUE O PUTIN FAZ COCÓ?

- PORQUE É QUE OS DENTISTAS INSISTEM EM FALAR CONNOSCO QUANDO ESTAMOS DE BOCA ABERTA?

- QUANDO É QUE PARAMOS COM OS TRIGGER WARNINGS?

- PORQUE É QUE NÃO SABEMOS FAZER «BICHAS»?

Depois do sucesso de Deve Ser, Deve, dedicado à estupidez dos chalupas negacionistas, o humorista vira a atenção para a sua própria estupidez. E para a do leitor. E para a de toda a Humanidade, no fundo. Uma pouca-vergonha, é o que é.

 

Opinião: Que Pouca Vergonha vem a ser esta? Guilherme Fonseca revela neste seu compêndio do humor que o próprio não tem um pingo de vergonha quando faz ou deixa por fazer determinadas coisas. O autor deste manual bem disposto do reconhecimento humano revela vários factos sobre a sua pessoa onde a higiene e os hábitos alimentares estão em destaque em parceria com o facto de ser um anti social no que toca a atender chamadas telefónicas e como eu o entendo.

Numa segunda fase desta obra aplaudida pela sua esposa, Rita da Nova, Guilherme Fonseca fala dos leitores, ou melhor, dos indivíduos indisciplinados que circulam na faixa do meio da auto estrada e que não sabem fazer bichas em Portugal, sendo por outro lado viciados em true crime nas plataformas de streaming e na partilha de várias stories para felicitarem alguém do seu aniversário ou quando não publicam um post sobre um falecimento de alguém famoso. 

Guilherme Fonseca fala sobre os seus podres e o que lhe causa comichão nos outros e depois existe todo um "nós" sobre as questões sociais que estão na atualidade e que acabam por inquietar todos e mais alguns, até os mais conservadores e com zero pingo de humor a correr pelo seu lindo e esbelto corpo de Verão.