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O Informador

05
Jun19

Sainte Chapelle, a capela inesperada

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A viagem a Paris teve dentro do previsto algumas surpresas, entre elas a capela gótica Sainte-Chapelle que não estava nos planos de visita iniciais mas que ao surgir pelo caminho acabou por nos convidar a entrar e que surpresa. 

Situada na Île de la Cité e construída na época de Luís IX no século XIII, esta capela serviu o palácio real que nos dias que correm serve de Palácio da Justiça. Com dois pisos e duas capelas que se sobrepõem é a superior, a que serviu a família real, que me conquistou por completo pelos seus vitrais ao longo de praticamente todas as paredes. Pequena mas robusta, vazia dos recheios de outrora, somente as paredes e uma réstia do altar se mantém no local mas serviram para me conquistar e deixar deliciado pela maravilha com que fui presenteado sem planear pela magnifica edificação de imagens históricas ao longo de cada vitral emoldurado e pelo teto representativo dos símbolos francesas. 

09
Abr18

Crucifixo público

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Os católicos que me perdoem, se assim o entenderem, mas há uns dias a memória trouxe a imagem do crucifixo presente em plena sala de aula, em cima do quadro, que há época ainda era para ser usado com giz. A religião, com imagens obrigatórias para serem traduzidas muito pelo catolicismo. Em criança, miúdo de primária, confesso que aquela cruz já me fazia alguma espécie, e hoje, olhando para trás e sabendo que existem muitos lugares onde a presença do crucifixo ainda é notória no interior das salas de aulas, impondo o que não tem de ser imposto, mostrando falta de coragem para cortar com um poder de outras décadas. 

Tenho uma relação a meio gás com a religião e defendo que nada nesse sentido tem de ser feito como uma obrigação. O que acontecia há umas décadas atrás era quase a permanente pressão para se perceber que a imagem da cruz era importante no crescimento e desenvolvimento de qualquer um. Tenho noção que enquanto aluno de primária não fui pressionado verbalmente por qualquer professor para seguir determinados caminhos dentro da religião, mas a presença daquela imagem, feita em madeira, existia, como uma nuvem que pairava sobre as nossas cabeças. Talvez quem tivesse uma família mais religiosa sentisse uma certa proteção quando olhava para o cimo da parede, o que não acontecia comigo, que ainda hoje sou meio cético em relação à imposição em certos locais públicos de elementos religiosos, não se respeitando o espaço de cada um, que não tem de seguir obrigatoriamente o caminho da maioria e a vontade de um poder que passa para além da política pela sua influência social. 

Nos espaços modernos e renovados de ensino o crucifixo caiu em desuso, no entanto em meios mais pequenos, onde as escolas pouco mudaram ainda, a antiga tradição, imposta em tempos, continua a persistir, como se fosse uma obrigação entrar na sala de aula e rezar diariamente. 

08
Fev18

Recasados em abstinência

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Papa Francisco lançou a ideia e D. Manuel Clemente proferiu as declarações que já estão a deixar a igreja a pensar. O cardeal-patriarca de Lisboa propõe, com base em textos do Papa, a todos os católicos divorciados e que voltem a casar pelo civil para que pratiquem a abstinência sexual com a finalidade de poderem continuar a aceder aos sacramentos da confissão e da comunhão. 

Foi com base na orientação do Papa Francisco, Amoris Laetitia, que D. Manuel Clemente decidiu orientar divorciados e recasados para os ideais católicos, apelando ao convívio e partilha mas nada de vida sexual entre o novo casal. Assim sendo e pela ideia tornada pública pelo responsável da igreja católica em Portugal, casar pela segunda vez tem de ser com uma pessoa que aceite viver junto sim, mas como amigos ou irmãos, sem pensamentos e práticas sexuais.

Estas normas pretendem servir para, segundo o cardeal-patriarca, «acompanhar e integrar as pessoas na vida comunitária», não aceitando o divórcio e o refazer de uma nova vida conjugal. Para a figura nacional da igreja cada caso é um caso e tem de ser visto como tal, existindo assim exceções para os segundos casamentos com e sem abstinência. Novas uniões após um recente divórcio, falhas no anterior casamento e injustiças para com o anterior par são três dos exemplos de quem deve ficar em abstinência na nova relação. 

23
Out17

Capela das Conchas, em Alcáçovas

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Situada no centro de Alcáçovas, vila alentejana, encontramos a Capela das Conchas, fundada em 1622 por D. Henrique Henriques.

Com uma decoração fora do comum, para mais num local distante do mar, esta capela tem as suas paredes e tetos recheados de conchas. Segundo a história, estes elementos foram recolhidos ao longo dos caminhos que os portugueses navegaram e colocados assim, por pessoas dedicadas e verdadeiros artistas, neste espaço que ainda hoje contém vestígios da beleza implantada. Fazendo jus pela tradição marítima nacional, esta capela e seus jardins adjacentes estão adornados com verdadeiras obras de arte com desenhos pormenorizados sobre o tema religioso, como é o caso das pombas que se encontram nos cantos do teto e os anjos junto de uma das entradas exteriores. No jardim também os canteiros e fontes estão embelezados com coloridos trabalhos de conchas de diferentes cores e tamanhos.