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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Chicago | Teatro da Trindade

Força de Produção

Publicado por O Informador, 18.01.20

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Finalmente e muito graças ao prolongamento de temporada, fui ver o musical Chicago ao Teatro da Trindade, em Lisboa. Como a ocasião é que permite a opinião, tenho a dizer que o sucesso deste espetáculo é merecido, percebendo assim as sessões esgotadas e a necessidade de prolongarem por mais uns meses esta produção encenada por Diogo Infante. 

Com o elenco composto por Gabriela Barros, Soraia Tavares, Miguel Raposo, José Raposo, Catarina Guerreiro, Ana Cloe, Carlota Carreira, Catarina Alves, Filipa Peraltinha, Leonor Rolla, Mariana da Silva, Sofia Loureiro, David Bernardino, Gonçalo Cabral, João Lopes, JP Costa, Pedro Gomes e Ricardo Lima, Chicago é mesmo um dos espetáculo de 2019 com direito a prolongamento em 2020. Numa história conhecida há anos através do filme e das várias representações pelos palcos mundiais, finalmente chegou a Portugal Chicago, onde a história de duas rivais de vaudeville, que são acusadas de assassínio, nos anos 20, é contada. Velma, interpretada por Soraia Tavares, e Roxia, ao encargo de Gabriela Barros, são as heroinas desta história que envolve sexo, crime, prostituição, ambição e bastante persuação pelas influências numa cidade que vive de enganos perante a grandeza e com todo o mundo obscuro a viver mesmo ao lado da grandeza. 

Bem encenado e com um bom modelo de palco que permite rápidas passagens entre cenas, Chicago no Teatro da Trindade pode não ter a grandiosidade de outros palcos mundiais, no entanto consegue surpreender. Com uma Gabriela Barros em grande destaque que vai para além da sua personagem pelo bom desempenho da atriz, uma Soraia Tavares que vai atrás mas que para mim deixou algo a desejar perante o que já a vi fazer, um José Raposo com uma personagem que só um grande ator podia interpretar para sair bem e ter algum impacto junto do público e um Miguel Raposo, sim o filho, a ser a surpresa que desconhecia dos palcos por agarrar a atenção e pela boa dicção e interpretação que vai para além das expressões verbais, Chicago segue bem e recomenda-se por mais uns tempos, sem mexidas e sem paragens!

Salvador herói! Sobral esquecido!

Publicado por O Informador, 27.11.19

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Salvador Sobral, o vencedor do Festival da Canção 2017 e que venceu o Eurovisão no mesmo ano em Kiev, na Ucrânia, com o tema Amar Pelos Dois, seguiu o seu percurso no panorama musical e entre os vários projetos onde tem marcado presença, continua a pertencer ao grupo Alma Nuestra, cuja fundação dependeu de si a quem se juntou Victor Zamora, no piano, e mais tarde André Sousa Machado, na bateria, e Nelson Cascais, no contrabaixo. Numa mistura entre o jazz e os sons cubanos e sul-americanos, os Alma Nuestra estão a lançar o seu primeiro trabalho discográfico e tive o privilégio de assistir a um dos espetáculos onde tenho a dizer que fiquei convencido com o trabalho feito e principalmente com o talento de todos, inclusive de Sobral que além de cantor e interprete, tem um bom à-vontade para o entretenimento ligado à comédia. 

No espetáculo de apresentação do trabalho realizado pelos Alma Nuestra o que não entendi foi mesmo a adesão do público, que numa sala mais pequena do que os grandes centros de espetáculos, conseguiu mesmo assim deixar várias fileiras de lugares vazios. O Salvador Sobral não foi o nosso representante que mais longe ficou na competição europeia Eurovisão? Na altura o país não parou para assistir ao grande momento em que era mais que esperada uma vitória? Dois anos e uns meses depois de todo o sucesso, o cantor promoveu o espetáculo com os restantes elementos da banda que atuou no Teatro Villaret com o apoio da Força de Produção e o público que o venerou parece ter desaparecido. 

Com a minha honesta opinião tenho a confessar que senti um pouco de desilusão por não ver uma sala esgotada num momento em que uma boa voz que todos ficaram a conhecer pelo seu sucesso rápido ter lançado um trabalho e não conseguir cativar o seu público ao longo deste tão pouco espaço de tempo. Será que todos esqueceram o quanto o tema Amar Pelos Dois andou a viajar por aí? Então o Salvador agora que já passaram mais de dois anos já não é o melhor, o que venceu e que mereceu o seu lugar de destaque?

Portugal no apoio dos bons trabalhos parece não existir. Concordo talvez que o facto dos Alma Nuestra seguirem a linha do jazz que afaste algum, muito até, público. Não sou apreciador deste estilo, confesso, mas na verdade gostei do espetáculo, via de novo e acho que as estrelas rápidas merecem sempre continuar a brilhar quando têm o talento do seu lado e o Salvador têm muito talento e mérito consigo.

Alma Nuestra no Teatro Sá da Bandeira | 03.12.2019

Convites duplos

Publicado por O Informador, 23.11.19

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Após o lançamento do primeiro disco dos Alma Nuestra em Lisboa, eis que o grupo vai rumar ao Porto onde irá apresentar ao público o seu trabalho. Os Alma Nuestra é o projeto encabeçado por Salvador Sobral, na voz, que se juntou a Victor Zamora no piano, onde mais tarde se juntaram André Sousa Machado, na bateria, e Nelson Cascais, no contrabaixo. Formado em 2016, este grupo de amigos revisita os grandes clássicos da música cubana e sul-americana com uma sonoridade jazzística.

Três anos juntos e agora, em 2019, chega o primeiro registo discográfico da banda que conta com nove temas dos compositores Benny Moré, Jose Antonio Méndez, Ignacio Villa, Frank Domínguez, César Portillo de la Luz, María Grever, Rafael Hernández Marín e Juan Carlos Lobían. O disco já se encontra disponível para compra física e online em todo o território nacional, sendo que o lançamento internacional está previsto para o primeiro quadrimestre de 2020, pela Warner Espanha.

Para a apresentação do álbum foram realizados dois concertos em Lisboa e agora um no Porto e com o apoio da Força de Produção, tenho convites duplos para oferecer destinados à sessão de 03 de Dezembro, pelas 21h30, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto. Este passatempo irá estar disponível até às 20h00 de dia 01 de Dezembro, Domingo, e nesse dia serão revelados os nomes dos vencedores nesta mesma publicação, sendo o sorteio feito através do sistema automático random.org. Os premiados serão contactados via email com as recomendações para o levantamento dos bilhetes acontecer nas melhores condições. Para a participação ser válida tens de seguir os passos que se seguem.

Alma Nuestra no Teatro Villaret | 25/26.11.2019

Convites duplos

Publicado por O Informador, 14.11.19

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Conheces os Alma Nuestra? Não? Então deixa-me apresentar este projeto! Com a voz de Salvador Sobral, que se juntou a Victor Zamora no piano, onde mais tarde se juntaram André Sousa Machado, na bateria, e Nelson Cascais, no contrabaixo, eis a composição do quarteto que forma os Alma Nuestro. Formado em 2016, este grupo de amigos revisita os grandes clássicos da música cubana e sul-americana com uma sonoridade jazzística.

Três anos juntos e agora, em 2019, chega o primeiro registo discográfico da banda que conta com nove temas dos compositores Benny Moré, Jose Antonio Méndez, Ignacio Villa, Frank Domínguez, César Portillo de la Luz, María Grever, Rafael Hernández Marín e Juan Carlos Lobían. O disco já se encontra disponível para compra física e online em todo o território nacional, sendo que o lançamento internacional está previsto para o primeiro quadrimestre de 2020, pela Warner Espanha.

Para a apresentação do álbum estão marcados dois concertos em Lisboa e um no Porto e com o apoio da Força de Produção, tenho convites duplos para oferecer destinados às sessões de 25 e 26 de Novembro, pelas 21h30, no Teatro Villaret, em Lisboa. Este passatempo irá estar disponível até às 18h00 de dia 23 de Novembro, Sábado, e nesse dia serão revelados os nomes dos vencedores nesta mesma publicação, sendo o sorteio feito através do sistema automático random.org. Os premiados serão contactados via email com as recomendações para o levantamento dos bilhetes acontecer nas melhores condições. Para a participação ser válida tens de seguir os passos que se seguem.

Casal da Treta | Força de Produção

Publicado por O Informador, 07.05.19

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A igualdade de género é uma treta, mas isso vai mudar! Ou será que não? Se até agora isto era um “clube de cavalheiros” bem-falantes, CASAL DA TRETA marca a estreia de Détinha (Ana Bola), a mítica mulher de Zezé (José Pedro Gomes). Décadas de vida em comum recordadas na medida do possível: os estafermos dos filhos, o bairro onde sempre despejaram o lixo, o casamento que só quem foi lá é que o esqueceu. Do poliamor ao fitness, da "prótese" da próstata ao “forno” uterino, este casal não tem tabus. Mas Zezé e Détinha têm alguns segredos um do outro.... Lamentavelmente (ou lamentavelmentemestes, diria Zezé), os portugueses vão ter de os saber. Que treta.

José Pedro Gomes celebrou ao lado de António Feio o espetáculo Conversas da Treta. Anos mais tarde e após a partida do companheiro dos palcos, José Pedro Gomes pegou no formato e criou com António Machado o espetáculo O Filho da Treta. Agora e porque o sucesso que surge em torno deste fenómeno assim o pede, eis que Ana Bola entrou no mundo da Treta e ao lado de José Pedro Gomes protagoniza Casal da Treta, a comédia que pode ser vista no Teatro Villaret desde o dia 25 de Abril. 

Numa divertida comédia que reúne dois grandes atores, Casal da Treta dá a conhecer Détinha ao público que tem seguido o sucesso da Treta. A já bem mítica mas desconhecida mulher de Zezé, José Pedro Gomes, ganha assim rosto e corpo, através de Ana Bola, para ao longo de cada sessão provar que as conversas machistas e de cavalheiros podem ser partilhadas num seio familiar onde variados temas são debatidos entre dois seres que se amam mas que também se atrapalham. Num divertido espetáculo, o despejo dos grandes centros urbanos a favor do turismo, os filhos, o casamento em falência, as dívidas, o bairrismo, o corpo perfeito, o sexo e o mal dizer são alguns dos temas que de forma bem conseguida são debatidos nesta comédia que segue em crescendo e de forma atualizada. 

A Pior Comédia do Mundo | Força de Produção

Publicado por O Informador, 24.09.18

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E se de repente a porta dos bastidores se abrisse e o espetador tivesse acesso ao que por lá se passa?

Um olhaalucinante sobre o teatro e as loucuras e devaneios dos que o fazem, cujas tendências para crises descontroladas de ego, falhas de memória e alguma promiscuidade transformam cada atuação numa verdadeira aventura de alto risco. A Pior Comédia do Mundo não é só uma peça, mas, simultaneamente, um espetáculo de comédia e o drama de bastidores que se desenvolve durante a sua preparação. Através de três momentos chave - o ensaio geral, a noite de estreia e um espetáculo no fim de uma atribuladdigressão - acompanhamos a crescente tensão entre os membros de um elenco à beira de um colapso nervoso coletivo.

A Pior Comédia do Mundo poderia ter como nome Tudo Nu, porque de facto é assim que o que está por detrás do espetáculo é apresentado ao público. O nome deste trabalho da autoria de Michael Frayn é um bom predicado sobre o que acontece por detrás do que está a ser representado em palco perante uma plateia que quer ser entretida. Nesta aposta da Força de Produção acompanhamos um grupo de teatro que entre ensaios e estreias mostra que atrás do bom ambiente perante as luzes do palco, o convívio não é assim tão convidativo e de cumplicidade. Em A Pior Comédia do Mundo está Tudo Nu porque os disfarces perante os aplausos são colocados em destaque, numa comédia tão divertida que leva à gargalhada geral da sala do início ao último minuto. 

Com encenação de Fernando Gomes, um especialista na matéria que me tem dado boas surpresas pelos últimos anos com o seu trabalho, e com Ana Cloe, Cristovão Campos, Elsa Galvão, Fernando Gomes, Inês Aires Pereira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Paula Só e Samuel Alves no elenco, A Pior Comédia do Mundo é dos melhores trabalhos dentro da área que vi pelos últimos tempos. 

Num texto nada fácil onde a mesma cena é representada praticamente três vezes e sempre de forma diferente com percalços pelo caminho e posições distintas com uma movimentação incrível de palco, esta produção é o verdadeiro sinónimo de bom entretenimento. Conhecemos as personagens de forma calma e quando tudo parece estar controlado por um encenador que quer perfeição quando o próprio tem erros de percurso pelo caminho, a preparação de Tudo Nu, antes mesmo da estreia, começa a correr mal. Em poucos minutos as falhas começam a surgir e com o tempo só têm tendência a serem adensadas com o convívio entre personalidades distintas que entre o ciúme, a inveja e os problemas pessoais conseguem fazer da preparação de Tudo Nu a melhor comédia em palco. 

Uma autêntica caixa recheada de cromos nada repetidos, com um cenário simples mas completo onde os dramas de bastidores são refletidos antes, no decorrer e após cada sessão de representação. Os atores que estão encarregues dos ensaios e da apresentação de Tudo Nu esquecem falas, trocam adereços, levam os seus conflitos para o palco e a peça continua a ser representada com bastantes imprevistos enquanto o entra e sai com bater de portas continua perante uma azafama de complicações que tomam conta do espetáculo que segue desgovernado, como sempre esteve, logo a partir do que seria suposto ser o ensaio geral. 

Ñaque | Força de Produção

Publicado por O Informador, 04.04.18

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Força de Produção convidou os veteranos atores José Pedro Gomes e José Raposo para, numa experiência que ambos já haviam mostrado vontade há algum tempo, se encontrarem em palco. Em cena no Teatro Villaret, Ñaque, mostra a vivência de uma companhia teatral itinerante do século XVII que com dois atores vai percorrendo o país, refletindo sobre o dia-a-dia dos homens que dão vida a várias personagens e que vão acabando por revelar ao longo da interpretação o seu percurso de vida profissional que se acaba por confundir com o campo pessoal.

Da autoria de José Sanchis Sinisterra e estreado em 1980, Ñaque chegou a Portugal em 2018, mostrando ser um texto intemporal. Além de mostrar dois atores que lutam pelo seu ganha pão através de uma acreditação sobre a sua função de se apresentarem perante um público que os espera no teatro, estes homens acabam por viver os altos e baixos que qualquer artista enfrenta na sua viagem de vida. Os objetivos e vontades que acabam por não conseguirem chegar a bom termo, a mudança para dar a volta a uma situação sem rumo e a crença que sempre se conseguirá fazer mais e melhor, lembrando um passado por vezes duro, de saltimbancos mas com a esperança sempre presente porque o sonho comanda a vida e o público pede sempre mais com a presença de cada artista a dar o melhor que sabe de si perante a exigência de um todo complexo.

A vida ingrata de um ator que sofre com os seus altos e baixos é retratada em Ñaque, onde dois excelentes atores contracenam como se tivessem numa amena cavaqueira pessoal e particular, num ambiente descontraído. O estatuto e profissionalismo de José Raposo e José Pedro Gomes já mostra ao público um à-vontade em palco único, fazendo mesmo com que o texto consiga ser valorizado pela forma como a naturalidade da dupla impera no espetáculo que é apresentado.