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O Informador

A Rapariga Que Ficou Para Trás | Charlie Donlea

Editorial Presença

A Rapariga Que ficou para trás

Título: A Rapariga Que Ficou Para Trás

Título Original: The Girl Who Was Taken

Autor: Charlie Donlea

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Fevereiro de 2022

Páginas: 408

ISBN: 978-972-23-6844-5

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Duas raparigas são raptadas. Uma delas, Megan, consegue escapar. Um ano depois, escreve um livro que se torna um sucesso. Há só um pormenor, bastante inconveniente: Nicole continua desaparecida. 

Alunas da mesma escola, no último ano do ensino secundário, Nicole e Megan vivem em Emerson Bay, uma pequena cidade da Carolina do Norte. Numa noite de verão, há uma festa à beira do lago e ambas desaparecem, sem deixar rasto, apesar de a polícia fazer buscas e mais buscas. Mas eis que, sem ninguém esperar, Megan reaparece, passadas duas semanas, depois de conseguir escapar de um esconderijo no meio da mata.

Um ano mais tarde, Megan escreve um livro, que conta a sua história de cativeiro e se torna um bestseller imediato, fazendo dela uma heroína nacional. Mas, entretanto, Nicole continua desaparecida.

Livia, irmã mais velha de Nicole e patologista forense, crê que ela está morta e tem esperança de que o corpo apareça, de modo que possa ser ela uma das pessoas a desvendar o mistério e a conseguir justiça. No entanto, é de outro corpo que dá entrada na morgue que surge a primeira pista, o corpo de alguém que faz parte do passado de Nicole. Entusiasmada com a possibilidade da pista, Livia conta a Megan, pede-lhe mais pormenores do cativeiro e começa a relacionar o caso com os de outras raparigas desaparecidas. E é então que percebemos que Megan sabe mais do que contou no seu livro. Começa a ter flashes arrepiantes, a possibilidade de algo muito mais terrível começa a ganhar forma e… elas percebem que talvez o pior pesadelo se esteja a tornar real.

 

Opinião: Uma festa perto da praia numa noite de Verão. Jovens que se divertem numa pequena cidade da Carolina do Norte. Megan McDonald e Nicole Cutty desaparecem de forma misteriosa. Logo de seguida o leitor é confrontado com as palavras de Megan, que de forma suspeita consegue fugir do seu captor para contar a história. Mas será que a história que a jovem passou para a escrita revela toda a verdade?

Livia, jovem especialista em criminologia forense, percebe que o desaparecimento da sua irmã Nicole tem ainda algo para ser contado, uma vez que os meses foram passando e pouco foi feito para a encontrarem viva ou morta. Sempre espera que numa das suas autópsias apareça o cadáver da irmã e o tempo leva-a a procurar e falar com Megan sobre o que a jovem contou após fugir do bunker onde ficou presa. As duas decidem fazer investigação por conta própria e a partir desse momento o passado, as memórias e o presente organizam-se nesta narrativa onde acabam por perceber que Megan e Nicole não foram as únicas vitimas de um predador que rapta, prende e olha para as jovens como suas apaixonadas.

O Livro dos Dois Caminhos | Jodi Picoult

Editorial Presença

o Livro dos Dois Caminhos

Título: O Livro dos Dois Caminhos

Título Original: The Book of Two Ways

Autor: Jodi Picoult

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Abril de 2021

Páginas: 472

ISBN: 978-972-23-6695-3

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Como seríamos se não nos tivéssemos tornado na pessoa que somos agora?

Dawn é um anjo da morte: a sua vida é ajudar pessoas a fazerem a transição final em paz. Mas quando o avião em que se encontra se despenha, ela dá por si a pensar não na vida perfeita que tem, mas na vida que foi forçada a abandonar quinze anos antes, quando deixou para trás uma carreira em Egiptologia e um homem que amava.

Contra todas as probabilidades, Dawn sobrevive, e a companhia aérea oferece-lhe um bilhete para onde ela queira ir - mas a resposta a essa pergunta parece-lhe de súbito incerta. Dawn enfrenta agora questões que nunca se fez: O que é uma vida bem vivida? O que deixamos para trás quando partimos? E somos nós que fazemos as nossas escolhas, ou são as nossas escolhas que nos fazem?

Dawn tem pela frente dois futuros possíveis e uma escolha… impossível.

 

Opinião: A vida é levada consoante determinadas escolhas, no entanto em certos momentos surgem sempre as dúvidas sobre o "e se" tivesse optado por seguir outro caminho em determinada altura. "E se" não tivesse virado naquela esquina e não me tivesse cruzado com determinada pessoa. "E se" tivesse mesmo viajado quando tudo estava planeado e acabei por desistir. As dúvidas surgem geralmente em momentos menos bons de cada vida e as questões sobre determinadas decisões surgem ao de cima numa balança onde o rumo tomado nem sempre pesa mais perante a ideia do que se poderia ter escolhido e ficou para trás. 

 

Não Fujas Mais | Harlan Coben

Editorial Presença

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Título: Não Fujas Mais

Título Original: Run Away

Autor: Harlan Coben

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2020

Páginas: 360

ISBN: 978-972-23-6497-3

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Um thriller entusiasmante de um dos mais apreciados mestres do suspense da atualidade.

Ele perdeu a filha. Ela está agarrada às drogas e a um namorado abusivo. E deixou bem claro que não quer ser encontrada. Um dia, por acaso, o pai vê-a a tocar guitarra em Central Park, Nova Iorque. Mas já não é a menina de quem se lembra. Esta mulher vive à beira do abismo, está assustada e claramente metida em apuros. Sem qualquer hesitação, ele não para sequer para pensar. Aborda-a e pede-lhe que regresse a casa.

Ela foge. E só há uma coisa que um pai pode fazer: segue-a por um mundo negro e perigoso cuja existência desconhecia. Quando dá por si, tanto a vida dele como a da sua família estão em risco. E para proteger a filha dos males desse mundo, ele tem de os encarar de frente.

 

Opinião: A minha primeira leitura de Harlan Coben aconteceu com Não Fujas Mais, um thriller que une suspense e relações familiares numa só história fluída, rápida e com várias surpresas do início ao fim. Como num bom livro nem tudo o que parece é, nesta narrativa é precisamente esse ponto que prende, por se perceber rapidamente que cada personagem tem os seus segredos. 

De início logo conhecemos Simon, um pai que descobre o paradeiro da filha que tem andado afastada. Viciada em drogas e andando pelas ruas do Central Park, Paige abandonou a família para viver com o namorado que nada de bom tem para lhe dar. Procurando a filha, Simon e Ingrid deslocam-se ao local onde tudo aponta que possam encontrar Paige, mas a situação acaba por fugir do controlo do casal e o inesperado acontece, sem que consigam triunfar com as suas buscas, bem pelo contrário. 

Sem poder revelar mais, para que não percam o interesse nesta leitura, Não Fujas Mais é uma história envolta em mistério e locais impróprios onde o crime pode estar mesmo ao virar de cada parede através de personagens que se odeiam devido a cada negócio e situações do passado. Inesperado, corrido e comovente, esta narrativa engana o próprio leitor numa fase inicial com as apresentações bem descritas de personagens e locais que parecem nada esconder até que se entende que dentro dos mais próximos existem segredos que nem devem ser comentados quando pertencem a um passado que pode prejudicar o presente de forma bem grave.

Conclave | Robert Harris

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Autor: Robert Harris

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2018

Páginas: 272

ISBN: 978-972-23-6148-4

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: O Papa morreu.

Por detrás das portas trancadas da Capela Sistina, cento e dezoito cardeais vindos de todo o planeta preparam-se para votar na eleição mais secreta do mundo.

São homens santos. Mas têm ambições. E têm rivais.

Ao fim das próximas setenta e duas horas, um deles tornar-se-á a figura espiritual mais poderosa da Terra.

 

Opinião: Robert Harris não para e com cada obra que lança surpreende pela sua fantástica capacidade de criação e elaboração de histórias que cativam pelo seu conteúdo mas também através da forma como são contadas. É assim que do início ao fim me senti rendido a Conclave, a surpresa que o autor me fez numa narrativa que explora o ato da escolha do próximo Papa após a morte de outro. 

A Igreja na literatura, geralmente, é um dos temas que não me consegue atrair, no entanto todo o mistério criado através dos olhos de Lomeli após a morte do Papa e perante a organização do próximo conclave onde a eleição do próximo responsável pela Igreja será feita cativou-me de forma total, não existindo margem para dúvidas sobre esta excelente obra de Harris. 

O cardeal Lomeli, próximo do agora anterior Papa é surpreendido pela notícia de que o ciclo terminou e o próximo Conclave terá de ser marcado. Assim começa esta narrativa que junta cento e dezoito cardeais, de todo o Mundo, na Casa de Santa Marta para que ao longo de três dias seja eleito, por votação sigilosa, pessoal e segundo as regras, o próximo responsável da Igreja. Lomeli com esta repentina notícia fica encarregue de tomar as rédeas sobre a preparação do Conclave, fazendo as convocatórias necessárias e recebendo na véspera do primeiro dia de votação os nomes que irão eleger e entrar na disputa pelo lugar. Um a um ou acompanhados, os cardeais chegam para descansarem, conversarem e reunirem ideias para que pela primeira vez que tenham de escolher um nome tenham a certeza sobre em quem vão votar. Uma votação feita, duas votações e a eleição tarda em acontecer e será a partir daí que as intrigas ocorridas ao longo do período de isolamento surgem, ficando segredos do passado a descoberto com mistérios revelados e vidas paralelas a serem colocadas em questão, gerando várias mudanças súbitas nas votações seguintes onde é necessário eleger um nome. 

Este é daqueles livros onde apetece contar tudo o que se vai passando, desde a chegada de um nome desconhecido para todos os restantes que acreditam que o elenco está completo e reunido até à descoberta de um pecado físico que se acaba por juntar a várias listas de dinheiro passado de mão em mão para que os votos num momento importante como o de um Conclave sejam dirigidos a determinado nome. Os pecados da Igreja vão passando de século em século e nem num dos momentos mais importantes os factos obscuros de alguns são deixados de lado, já que a intriga e a verdade deve andar de mão dada para que o lugar seja ocupado pelo melhor, o que realmente merece e tem poderes para honrar o que deverá ser a Igreja perante os fiéis. 

Uma Vida Muito Boa | J. K. Rowling

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Autor: J. K. Rowling

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Dezembro de 2017

Páginas: 80

ISBN: 978-972-23-6135-4

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Em 2008, J.K. Rowling proferiu um discurso profundamente marcante na Universidade de Harvard perante uma audiência de jovens recém-formados. Uma Vida Muito Boa, agora publicado pela primeira vez em língua portuguesa, contém palavras sábias de J.K. Rowling, proporcionando orientações a todos os leitores que se encontrem num momento de viragem decisivo das suas vidas, colocando questões profundas e estimulantes: como aceitar o fracasso? Como podemos usar a nossa imaginação em benefício não só de nós próprios mas também dos outros?

Partindo das suas vivências enquanto jovem recém-formada, a mundialmente famosa escritora trata neste pequeno livro de algumas das questões mais importantes da vida com inteligência e força emocional. Abordando temas como o fracasso, as adversidades, a imaginação e a inspiração, este livro permanece tão relevante hoje como da primeira vez que J.K. Rowling proferiu estas palavras, há 9 anos.

A Presidente da Universidade de Harvard, Drew Gilpin Faust, afirmou: «O percurso de J.K. Rowling constitui um poderoso exemplo. O discurso que a autora de Harry Potter proferiu constitui uma dádiva extraordinária para todos nós que tivemos o privilégio de a ouvir e agora de a ler.»

J.K. Rowling doará as receitas provenientes das vendas deste livro à Lumos Foundation, instituição de solidariedade a que preside.

 

Opinião: J. K. Rowling foi convidada para fazer o discurso de abertura da cerimónia de formatura na Universidade de Harvard em 2008 e a autora de Harry Potter através do seus momentos únicos e palavras sinceras conseguiu, embora de início reticente, chegar ao coração dos seus ouvintes numa cerimónia que todos os que a presenciaram deverão manter nas suas recordações para a vida. 

De leitura rápida, para as páginas de Uma Vida Muito Boa foi transcrito todo o discurso que J. K. Rowling proferiu, fazendo-o acompanhar neste pequeno volume por imagens descritivas sobre cada momento que é contado ao longo do texto que mostra que do insucesso à glória, todos poderemos conquistar algo mais para as nossas vidas. O que a autora acabou por fazer foi uma simples mas grande demonstração da mudança que cada um pode implementar em si, bastando deixar que os seus sonhos se tornem realidade, lutado para que tal aconteça sem deixar que quem sempre esteve do seu lado ficasse para trás. 

Dando conselhos sobre os pontos de vista pessoais para atingir o sucesso e usando a imaginação para alcançar novos patamares, em Uma Vida Muito Boa os fãs de Harry Potter não são esquecidos porque ter Rowling a discursar sem dar um toque do seu mundo mágico não seria a mesma coisa e numa tentativa de orientação para os alunos formatos em Harvard a comparação com o sucesso da sua saga é inevitável, mostrando que é lutando pelo desejo que se conseguem atingir os objetivos, mesmo que pelo caminho o fracasso apareça para ajudar a reforçar a força perante o futuro. 

Lustrum [Robert Harris]

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Autor: Robert Harris

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2011

Páginas: 448

ISBN: 978-972-23-6044-9

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Lustrum é o segundo volume da soberba trilogia sobre a vida de Cícero, o político e orador brilhante que viveu durante um dos períodos mais conturbados da história de Roma. 

Corre o ano de 63 a. C. e Cícero acaba de ser eleito cônsul, mas muitos são aqueles que cobiçam o poder - César, o seu rival implacável; Pompeu, o general mais importante da república; Crasso, o homem mais rico; Catão, um político fanático; Clódia, um playboy movido pela ambição; e Catilina, um psicopata que conspira contra Cícero e contra a própria república de Roma. O narrador é Tirão, secretário pessoal de Cícero ao longo de quase quatro décadas, e é através do seu olhar astuto que entramos nos meandros políticos da Roma Antiga, na finíssima e labiríntica teia de traições, intrigas, sedução e crueldade que a envolve. 

Com uma fundamentação histórica irrepreensível e um virtuosismo literário exuberante, Lustrum evoca a Roma de Cícero com uma vivacidade raramente conseguida.

 

Opinião: Lustrum é o segundo volume da trilogia sobre a vida de Cícero na sociedade romana e se a leitura de Imperium foi ganhando alento ao longo de cada etapa que ia sendo descrita pelo fiel escravo e amigo Tirão, com esta continuação o gosto pela vida do herói romano ganhou outro destaque. 

Em Lustrum o leitor é convidado a conhecer um Cícero numa nova fase da sua vida. Após o grande e excelente desempenho como orador, a ascensão política vai acontecendo até à conquista do Senado onde triunfou graças aos certeiros discursos onde conseguiu levar as votações para o lado que bem entendia, conseguindo com o seu método de persuasão através das palavras encaminhar quem seguia os seus ideais e quem também andava indeciso entre o caminho a seguir. Cícero conquistou multidões, enfrentou nomes bem sonantes de Roma, como é o caso de Catilina que foi um dos primeiros derrotados numa história real. Caminhando entre armadilhas e amaldiçoado por quem queria o seu lugar, Cícero é descrito nesta narrativa como um dos heróis de todos os tempos, um dos responsáveis por algumas mudanças políticas que o Mundo foi conhecendo ao longo dos tempos. 

Se numa primeira fase de Lustrum conhecemos o grande e todo poderoso Cícero que a maioria quer seguir, aos poucos o poder transforma as suas ideias e é ai que alguns dos que lhe são próximos conseguem virar o jogo, tendo o leitor a visão do tirano que este homem se transformou ao longo dos anos de poder. Robert Harris, o autor, sempre mostra um Cícero herói e mesmo quando o trajeto deste líder começa a entrar numa fase menos boa e descente, o leitor é convidado a continuar a ter uma noção de um Cícero frágil mas graças à capacidade de influência do autor não consegui ter qualquer pensamento menos bom sobre os atores deste romano em algum momento ao longo da leitura. Cícero pode ter feito muita coisa boa mas também conseguiu trilhar socialmente maus caminhos, tendo seguido um rumo de ditador para com os seus opositores onde a maldade aliada ao poder mostraram um ser sem escrúpulos que em Lustrum é bem embrulhado por Harris a favor da imagem de um herói. Do grande orador, ao grande cônsul e até chegar à queda correram poucos anos porque Júlio César, Pompeu e Crasso não se deixaram abater por este líder que tudo teve para tudo perder. 

Atual leitura... Lustrum [Robert Harris]

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A história de Roma é única e a trilogia sobre a vida de Cícero da autoria de Robert Harris também, como tal e porque gosto de levar em modo de continuidade as narrativas de maior duração que me proponho a ler, após Imperium já iniciei a leitura de Lustrum e tenho Ditactor preparado para se seguir. 

Lustrum começa no momento em que Cícero se torna cônsul e é pela voz do seu fiel escravo e cada vez mais amigo, Tirão, que tudo é narrado através dos escritos que o mesmo foi fazendo ao longo do seu percurso pelos meandros da política.

 

Imperium [Robert Harris]

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Autor: Robert Harris

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Dezembro de 2006

Páginas: 320

ISBN: 978-972-23-6011-1

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Imperium transporta-nos até aos últimos quarenta anos da Roma republicana, seguindo as carreiras e as vidas dos homens que lutaram por a governar, entre eles Pompeu, Crasso, César e sobretudo Cícero. Através dos olhos de Tirão, secretário pessoal de Cícero, materializa-se diante de nós um retrato vivo e repleto de suspense do mundo violento, traiçoeiro, corrupto e labiríntico da cena política romana, e em especial do homem que conquistou Roma apenas com o poder da própria voz, sem apoio militar, sem descender de uma grande família aristocrata e sem dispor de uma enorme riqueza. 

Ao longo das batalhas que trava no Senado, nos tribunais e nas eleições e das intrigas nos bastidores, assistimos à sua ascensão determinada, implacável e feroz até obter imperium - o mais alto cargo da república romana, o sumo poder estatal. Com o esplendor e a sordidez de Roma como pano de fundo, esta é uma obra sobre a natureza intemporal do poder: a forma discutível como é adquirido, manipulado e exercido.

Este é o primeiro volume da trilogia dedicada à vida de Cícero, ao qual se segue Lustrum e Dictator, a conclusão magistral desta trilogia.

 

Opinião: A trilogia iniciada com Imperium e que continua através de Lustrum e Dictator acompanha a vida política de Cícero através do labirinto dos conflitos, interesses, crenças e vontades de uma época de ouro do Império Romano. 

Escrita por Robert Harris, este primeiro volume da trilogia mostra ao leitor um Cícero a iniciar os seus estudos em filosofia para se tornar advogado, o jovem que sonha mais que uma carreira. O leitor é convidado a acompanhar a ascensão deste herói através das memórias de Tirão, o escravo que se tornou assessor e amigo de Cícero com quem partilhou muitos momentos memoráveis, de festa e ingratidão, e que poucos puderem presenciar em certas ocasiões onde somente os mais próximos, como Tirão estiveram presentes. Através desta personagem que existiu e que deixou vários escritos sobre o seu senhor, Robert Harris relata momentos históricos do império ao mesmo tempo que a ficção se faz sentir em momentos narrativos necessários para criar um romance histórico mais leve e com conteúdo que não passou ao longo dos tempos até aos conhecimentos atuais. O autor criou assim em Tirão o seu escriba que marca presença em muitos dos momentos fulcrais de Cícero ao longo do percurso deste até alcançar o lugar de cônsul. 

Com uma escrita que começa pesada mas vai ganhando leveza, em Imperium além de acompanharmos o desenlace político de Cícero somos levados também a perceber as ideias de Tirão e a forma inovadora como desenvolveu a sua técnica de taquigrafia, baseada em símbolos, para substituir as palavras por símbolos que ainda hoje são utilizados em certas comunicações. 

Atual leitura... Imperium [Robert Harris]

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Os próximos dias literários serão dedicados à trilogia sobre a vida de Cícero, narrada por Robert Harris. Iniciando em Imperium, onde os últimos quarenta anos da república em Roma são relatados, entrarei logo de seguida no segundo volume, Lustrum, para terminar em Dictator, lançado recentemente. Optei por esperar que os três volumes estivessem disponíveis para levar esta leitura de seguida e sem pausas para que não existam hipóteses de certas partes da história ficarem no esquecimento. 

A trilogia já se encontra toda disponível em Portugal na coleção Grandes Narrativas da Editorial Presença e agora é tempo de ler para depois vos contar tudo!

A Pérola Que Partiu a Concha [Nadia Hashimi]

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Autor: Nadia Hashimi

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Abril de 2017

Páginas: 432

ISBN: 978-972-23-6002-9

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Cabul, 2007. Com um pai toxicodependente e sem um único irmão, Rahima e as irmãs só podem frequentar a escola esporadicamente e mal lhes é permitido sair de casa. 

A Rahima, resta a esperança proporcionada pela bacha posh, uma prática antiga através da qual as raparigas podem ser tratadas como rapazes, e adotar o seu comportamento, até terem idade para casar. Como filho, ela pode ir à escola, ao mercado e sair à rua para acompanhar as irmãs mais velhas. Rahima não é a primeira da família a seguir esta prática pouco comum. Shekiba, sua trisavó, já o fizera um século antes para tentar salvar-se. 

Os destinos das duas cruzam-se numa história, ao mesmo tempo, bela e triste que nos fala da condição feminina num ambiente hostil. O que acontecerá a Rahima quando tiver idade para se casar? Como sobreviverá? E Shekiba, terá ela conseguido construir uma vida nova e mais digna? A Pérola que Partiu a Concha é a história de duas mulheres que lutam para sobreviver no Afeganistão.

 

Opinião: Conhecer as vidas de Rahima e Shekiba foi como viajar para o Afeganistão e perceber a realidade de uma sociedade tão distinta da minha. Com décadas a separar as vidas destas duas personagens tão reais, o que é certo é que a realidade não se alterou assim tanto numa zona territorial em guerra e onde as mulheres continuam a ser tratadas como seres nulos e onde em zonas afastadas dos grandes centros urbanos são vistas como seres procriadores e pouco mais. 

Um romance bem escrito e verdadeiro que pode ser confundido tão facilmente com a realidade de tantas mulheres que enfrentam o poder dos seus maridos e da sua família em locais onde não têm uma palavra a dizer. Estas duas mulheres pertencem, em gerações diferentes, à mesma família e é através de Rahima que vamos conhecendo a sua história atual e a realidade vivida pela sua trisavó Shekiba. Ambas enfrentam vários processos de solidão, massacre, obrigações e violência até encontrarem um caminho que só é possível pelo que passaram ao longo dos seus primeiros anos de vida. Praticamente cem anos separam estas duas figuras femininas que em momentos diferentes vivem situações semelhantes mostrando assim a autora o pouco que foi alterado nos direitos da mulher afegã ao longo do tempo. 

A Pérola Que Partiu a Concha é um romance que pode muito bem ser considerado a biografia de alguém, de uma mulher que tenha sobrevivido à dor ao longo de situações controversas aos nossos olhos. A figura feminina sem direitos e somente com deveres existe e é infelizmente retratada de forma exemplar nesta narrativa onde os maus tratos, a obediência, a dor e a rejeição são mostrados de forma tão verossímil quanto possível. 

O nascimento logo manchado quando se nasce mulher traça o rumo de uma vida que desde logo fica riscada. Uma filha é vendida e trocada por bens materiais para que seja mais uma esposa, muitas vezes quando ainda criança, de um homem que somente quer ter filhos homens para lhe seguirem o legado e ficar bem visto junto dos seus semelhantes. Uma mulher, transformada em esposa por obrigação e que tenha somente filhas é deixada de lado, muitas vezes morta porque não cumpriu com o seu papel de procriadora de um varão.

Na sociedade afegã ter somente filhas também poderá querer dizer que uma ou mais poderão ser transformadas em bacha posh, o que desconhecia por completo, mas que é uma situação bem real. Uma bacha posh é uma rapariga que antes de atingir a puberdade e mesmo em alguns casos após se tornar mulher, é transformada num rapaz para poder estudar, sair à rua livremente e dar ao seu pai algum alento durante um tempo por ter a companhia de um filho masculino. Uma situação complicada de explicar mas que em A Pérola Que Partiu a Concha está tão percetível que mostra a quanta dedicação foi atribuída pela autora a este tema.