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O Informador

18
Set20

Ainda a Feira do Livro de Lisboa...

 

Em 2020 a edição da Feira do Livro de Lisboa aconteceu mais tarde devido à pandemia mas não foi isso que impediu que todos os amantes literários fossem até ao Parque Eduardo VII para trocar as suas listas de compras pelos exemplares tão desejados. Este ano fui à Feira somente uma vez mas consegui detetar que a escolha de várias editoras dos jovens que recrutaram para fazerem o atendimento no evento foi um pouco diferente do habitual, destacando a falta de formação de vários atendedores sobre os livros das editoras e mesmo sobre os autores que publicam no grupo ou que já foram à sua vida para outras paragens.

Percebi que existia alguma hesitação por parte dos jovens sobre a existência de determinados títulos na editora e mesmo se os autores faziam parte do lote da editora ou não, sendo feitas várias vezes questões entre os jovens contratados somente para o evento e os responsáveis de cada pavilhão. Será que não existiu tempo para uma pequena formação de dias para que todos estivessem esclarecidos, principalmente nas editoras pequenas que não têm ao seu cargo tantos autores, sendo mais fácil controlar um pequeno estudo sobre o que estava disponível ou não no pavilhão pelo qual estavam a dar a cara e o corpo em dia de trabalho. 

15
Jul20

O livro E Se Fosses Tu? pode ser teu...

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O livro E Se Fosses Tu?, da autoria de Tristão de Andrade, lançado pela Matéria-Prima Edições no início deste Verão conta com paixão, ternura, devoção, erotismo, bem-querer e todo o processo que envolve o amor num leque de memórias narradas para acompanharem o leitor através de uma leitura certa, destinada também ela ao momento certo. E Se Fosses Tu? é aquele livro envolvente, destinado muito para conquistar corações e fazer sonhar apaixonados e mesmo quem se encontre em busca de si próprio. 

Para que todos possam ter a oportunidade de ter do seu lado E Se Fosses Tu?, tenho três exemplares da obra a serem sorteados, de forma exclusiva, no Instagram, de 13 a 23 de Julho e nem mais um dia. Como tal, se não quiseres perder esta tripla oportunidade aparece na minha conta da rede social, começa a seguir, caso ainda não o faças, e segue as regras do jogo que estão muito bem explicadas para que nada falhe. 

27
Jun20

Lisboa Reykjavík | Yrsa Sigurdardóttir

Quetzal Editores

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Título: Lisboa Reikjavík

Título original: Brakio

Autor: Yrsa Sigurdardóttir

Editora: Quetzal Editores

Edição: 2ª Edição

Lançamento: Janeiro de 2020

Páginas: 448

ISBN: 978-989-722-630-4

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: «Ægir e a família falaram com a Islândia quando o iate estava a deixar o porto em Lisboa, mas nunca mais se soube deles desde então.»

Um iate de luxo abandona o porto de Lisboa tendo como destino Reykjavík, na Islândia. Despedindo-se das temperaturas agradáveis da capital portuguesa, a bordo seguem sete pessoas que enfrentarão o frio mar daquele inverno, a caminho do norte. Porém, daí a alguns dias, quando o barco entra no porto de Reykjavík, ninguém é encontrado a bordo. O que aconteceu à tripulação e à jovem família que seguia nele ao zarpar de Lisboa? O que se teria passado em Lisboa, ou durante a viagem, que possa explicar o desaparecimento?

Este é o cenário do melhor e mais assustador romance escrito até hoje pela rainha do policial nórdico, antes publicado com o título O Silêncio do Mar — um mistério sobre a escuridão do oceano, Lisboa, a família, a fama, negócios obscuros e, como sempre, o mal e a conspiração do ódio.

 

Opinião: Um iate de luxo deixa Lisboa com destino a Reykjavík, levando consigo a tripulação e uma família composta por um casal e duas meninas gémeas. Na cidade da Islândia a embarcação chega sem pessoas, sem corpos e sem pistas sobre o que terá acontecido ao longo da viagem para que as sete pessoas que embarcaram na cidade portuguesa não desembarquem no seu destino.

Numa história contada entre um passado recente, onde se consegue acompanhar a vida no iate para se perceberem os vários passos que vão sendo dados ao longo da viagem e os momentos em que os vários incidentes vão acontecendo, e o presente, onde na cidade o leitor acompanha Thóra, a advogada contratada pelos pais do elemento masculino do casal, numa procura intensa perante todos estes estranhos desaparecimentos. Sete pessoas embarcaram em Lisboa, nenhuma chegou a Reykjavík, chegando o iate vazio numa paragem conturbada e automática ao porto. Tudo vai sendo contado ao mesmo tempo e a verdade é conhecida mesmo no final num mútuo conhecimento entre o que aconteceu no iate e o relatório a ser feito aos familiares que ficaram sem filho, nora e netas. 

18
Mai20

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão | Martha Batalha

Porto Editora

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Título: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha

Editora: Porto Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2016

Páginas: 216

ISBN: 978-972-0-04859-2

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Rio de Janeiro, anos 40.

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.

A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

 

Opinião: Charme, poder e luta interior são três descrições com que posso definir A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, o romance da brasileira Martha Batalha que me conseguiu cativar desde os primeiros contactos com Eurídice, para mais editado em Portugal com o português do Brasil. 

Numa escrita despretensiosa e recheada de momentos de humor ao mesmo tempo que descreve as épocas de 50 e 60 dentro do ambiente familiar, o leitor é convidado a seguir as pisadas desta jovem mulher após o desaparecimento da sua irmã Guida, que procurou a liberdade que os pais não lhe deram. Mais nova e a viver para a casa, Eurídice acabou por acompanhar os pais até ao dia em que decidiu casar, um sonho e quase uma obrigação para com a idade que ia avançando. Era necessário ser mãe, muitos homens disponíveis para casar, a família desejava-lhe uma boa vida, mas a jovem pensava de maneira dispare, embora seguisse os planos para que estava destinada como qualquer cidadã brasileira daquele tempo com uma educação feita a pensar no casamento perfeito. 

Acompanhando os primeiros anos de casamento, como esposa, mãe e dona de casa, Eurídice sentiu estar presa dentro de quatro paredes, sendo a mulher perfeita numa família com um certo poder e com empregada de casa para que patroa e ajudante tivessem tudo pronto para António, o marido que chegado do emprego queria tudo feito e à sua disposição. As vontades de mudar o rumo imposto foram suscitando e o grito de liberdade vai acontecendo quando o leitor é convidado a seguir os atos e opções desta mulher solitária e com vontade de triunfar numa sociedade machista.  

15
Mai20

Sob Céus Vermelhos | Karoline Kan

Quetzal Editores

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Título: Sob Céus Vermelhos

Título Original: Under Red Skies

Autor: Karoline Kan

Editora: Quetzal Editores

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Março de 2020

Páginas: 304

ISBN: 978-989-722-465-2

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Muito na linha de Cisnes Selvagens, de Jung Chang, mas tendo como objeto a China das novas gerações, este é um relato não ficcional e na primeira pessoa, com digressões para o passado (político e familiar) e a observação das múltiplas vertentes sociais e culturais da história moderna da China, em constante mudança. 

Karoline Kan está na vanguarda dessa mudança: nasceu em 1989, como segunda filha - ainda durante a vigência da Política do Filho Único - numa China rural. Chegou ao ensino superior e conquistou a autonomia económica sem ter de se casar e fazendo o trabalho que escolheu: escrever para revistas e jornais de prestígio internacional. As grandes referências de Karoline Kan são Jung Chang, Xinran e Xiaolu Guo - todas elas autoras publicadas pela Quetzal.

 

Opinião: Sob Céus Vermelhos é um retrato de uma jovem millennial perante a vida familiar das últimas gerações. Nascida na época do 04 de Junho, o massacre da Praça Tienanmen, e passando parte da sua infância em duas pequenas vilas até que conseguiu uma mudança para a cidade e posteriormente para Pequim, onde atingiu a sua liberdade com a entrada para a universidade. Num grande testemunho sobre a política e cultura chinesas ao longo de gerações, com todas as alterações comportamentais que se foram sucedendo. Nesta narrativa o leitor é convidado a fazer uma viagem real e intimista pela história familiar de Karoline Kan, o nome que Chaoqun adotou, enquanto viaja pelos costumes ocidentais.

Logo de início senti grande empatia com o modo como tudo é relatado. As várias questões que se foram levantando ao longo dos tempos são mencionadas nesta narrativa de forma crítica, como é o caso da política do filho único, perante a qual Chaoqun passou por ser a segunda filha do casal, para mais menina, tendo sido paga uma coima após o seu nascimento e sempre ser considerada como uma "criança negra", por não ser bem-vinda. Os abortos na segunda gravidez quando já existia um menino eram obrigatórios e tudo era vigiado através de um sistema de planeamento familiar. Com dois filhos, e sendo o mais novo uma menina, a família ficava mal vista perante a sociedade, ajudando na decisão deste núcleo a mudar-se da vila para a cidade com as perspetivas também de uma mudança económica. Chegados à cidade era considerados migrantes com vários pontos de marginalização, existindo uma grande discriminação na altura entre quem sempre viveu na cidade e quem surgia das aldeias na busca de novos lugares e empregos. 

Neste retrato social de décadas existe espaço para muitos outros temas, tal como a religião proibida porque a lei do governo é a base. A morte em que um dos pares falecendo ficar em cinzas em espera que o seu cônjuge parta para voltarem a estar juntos. O envio de dinheiro como forma de ajuda entre familiares, mesmo que distantes para a ajuda das cerimónias fúnebres. Estes são alguns dos destaques deste livro de outros tempos. Já no presente o interesse continua pelo mesmo patamar por existir o debate entre a internacionalização, os empregos, a língua e os relacionamentos intercontinentais e também geracionais.