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O Informador

Perfeição imperfeita

insatisfeito

Sou perfeccionista e gosto que tudo corra bem. Porém, por vezes, percebo que ao entregar mais de mim e exigir demais de quem não consegue acompanhar o comboio só acabo por me ajudar a massacrar por querer dar força a uma locomotiva onde nem todos conseguem dar o mesmo impacto no arranque para se seguir em frente.

Valerá a pena incentivar a que as coisas corram bem quando não existe um esforço de igual modo dos outros lados da barricada? Fico chateado quando percebo que as linhas não seguem no mesmo sentido e quando percebo que entrego mais de mim e não vejo a mesma iniciativa de quem está na carruagem começo a perder a esperança, com o tempo, de que algo mude, acabando por pensar que talvez não valha assim tanto a pena o incentivo e a força dada, já que se a mente de cada um estiver presa para não se avançar não são as vozes de fora que conseguem alterar o rumo.

Concentração e Monólogos

Concentração

Hoje vou ter de deixar um desabafo familiar perante o tema Concentração e Monólogos!

Liguei há quase duas horas o tablet e sentei-me na mesa da cozinha com a televisão ligada e a lanchar para começar a escrever uma nova publicação aqui no blog logo de seguida. O mais engraçado é que as horas passaram, a minha mãe colocou-se a passar a roupa a ferro aqui ao lado e começou a falar em género monólogo porque eu estava nem aí para o tema e a concentração que precisava acabou por nem aparecer. Ela continua a falar, já mudou de tema e eu vou respondendo "sim", "pois", "sim" e ela continua a desbravar conversa sozinha como se lhe tivesse a responder. Só apetece levantar e seguir para o quarto, fechar a porta e por lá ficar sem a ter de ouvir a tagarelar, repetir e recontar a história e os pormenores de cada situação. 

 

 

Sofrem as redes sociais

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Meses de pandemia com várias semanas de quase isolamento e em que as redes sociais ajudaram um pouco a compensar a distância e ausência. No entanto com o tempo a passar e com a saturação desta nova vida, ao mesmo tempo que a habituação acontece, as redes sociais acabam por causar algum cansaço e hoje, talvez devido aos estados constantes de confinamento sem poder usufruir daquela liberdade que tanta falta faz, a partilha acontece de forma mais espaçada e em relação ao Instagram, rede que mais utilizo, as ideias para a criação de novas imagens têm vindo a diminuir de forma um pouco estranha a par da vontade para perder uns minutos a pensar no que posso elaborar de novo sem perder a essência do que tenho feito ao longo do tempo. 

Sou defensor que existem coisas que a serem feitas têm de surgir de livre vontade e de modo espontâneo e neste momento não me deparo com essa situação, sentindo que vou muito ao sabor da maré por não existir capacidade criativa e motivação para fazer mais e melhor. Vejo que este estado de maior enclausuramento me tem tirado alguma inspiração para me conseguir dedicar a pontos dos quais gosto, seguindo agora muito uma rotina diária sem fugir de controlo e sem me lembrar que num instante rápido posso fazer o que sempre gostei para voltar a retomar de forma mais constante a ligação pelas redes sociais. 

Desabafo

 

De há umas semanas para cá que percebo que não tenho andado bem. Sinto-me como um boneco que aparenta o que realmente não sente. Na realidade sinto-me triste, cansado e a necessidade é somente a de chegar a casa e ficar bem quieto no meu canto, sem que tenha de pensar ou dirigir a palavra a quem quer que seja, uma verdadeira falta de vontade de reação, numa apatia do tanto me faz se vou por ali ou por outro sentido. 

Neste momento tudo me faz confusão, a rotina, as paragens e muito mais a confusão que me deixa impaciente, nervoso e meio bloqueado. Já passei em tempos por estas fases e neste momento pareço estar naqueles momentos em que nem de mim próprio consigo gostar, magoando-me, ficando sem capacidade de ação e com uma certa ansiedade quando tento reagir, parecendo que tudo se complica, como se estivesse numa tombola que não me dá espaço no momento em que tento crescer. 

Onde está a minha alegria de sempre? Simplesmente não está, não a consigo ter, parecendo que várias pedras me puxam por um caminho de arrasto onde não me consigo rever e encontrar porque não sou o que tenho atualmente. O que represento neste momento não é o Ricardo cheio de ação, vivo e bem disposto, nem conseguindo disfarçar este mau processo que enfrento. 

Férias pelos Santos

Recém chegado ao meu segundo emprego, eis que sou surpreendido em semana de Santos Populares com mais de metade da equipa de férias. Sim, é verdade, a maioria dos novos colegas tirou uns dias de pausa, aproveitando o feriado da próxima Quinta-feira, 15 de Junho, e estando assim por casa a 13, já que quase todos vivem pela zona de Lisboa e como onde trabalhamos hoje não é feriado, aproveitam assim um dia de férias para ficarem com a família e festejarem noite dentro estes dias de Santo António. 

Ao longo de dez anos por onde trabalhava sempre era complicado marcar férias e se dois quiséssemos um dia que fosse de pausa ao mesmo tempo que outra pessoa já era um grande problema, tendo alguém que ceder e mudar a sua opção. Agora chego a uma nova empresa e percebo que marcar férias parece não ser um problema para ninguém. Tirar dias ocasionalmente para aproveitar feriados e conseguir prolongar fins-de-semana é uma realidade, ao contrário do que estava habituado. Não podia sequer pensar porque se quisesse tirar uma Segunda por ser feriado à Terça, por exemplo, tinha de trocar folgas se alguém cedesse porque disponibilizarem dias era sempre complicado. Não podíamos ficar com dias livres quando marcávamos férias em Outubro para o ano seguinte - onde isto acontece? - para ir tirando. Nada, tínhamos de marcar os vinte e dois dias e seriam gozados nas datas marcadas, sem dar para alterar. Agora deparo-me com uma realidade que pensa nos funcionários e no seu bem-estar. Na empresa pela qual trabalho atualmente podemos marcar férias uns dias antes de nos ausentarmos, marcar os dias que queremos e sem existirem restrições de períodos obrigatórios.

Incêndio fatal

Uma empresa em falência, um assalto há poucos meses e agora um incêndio que tudo destruiu numa tarde que se prolongou pela noite com as chamas a atacarem todo o pavilhão até o telhado ruir e nada ficar para amostra do que foi vivido ao longo de quase vinte anos, dez no meu caso, por um local onde muita coisa já aconteceu.

Encontro-me de férias e não assisti no local ao ocorrido, sabendo por telefone e vendo imagens posteriormente através da comunicação social. Receber o alerta por chamada de que algo se passava, ligar a quem devia para saber realmente o que estava a acontecer, começar a ver imagens enviadas e depois de tanta informação trocada à distância ver nos noticiários e em direto que tudo está destruído. Parece que enquanto não se vê não se sente, porque uma imagem estática não consegue provocar tantos danos como em movimento e foi quando em direto vi tudo o que tinha acontecido e as chamas ainda estavam ativas que percebi que desta vez é que tudo parece ter terminado. O interior foi todo, as paredes estão um caco e o telhado já era. Resumindo, o final que se vinha a anunciar há vários meses tem vindo a ser antecipado ao longo do tempo com vários acontecimentos inesperados e agora parece que foi de vez!

É triste ver que tudo termina assim! Por muito que se esteja cansado da situação que se vive enquanto trabalhador cansado e com vontade de mudar tudo isto acaba por cair como um murro no estômago. Primeiro as contas, depois o assalto, despedimentos pelo meio por não haver trabalho e agora isto. Uma corrente que tem vindo a adensar-se com um final que parece agora definitivo e com as incógnitas perante o futuro todas em cima da mesa para serem debatidas pelos próximos dias tanto para com o futuro do projeto empresa como para o futuro pessoal que só é possível com um emprego. 

Sermão

«Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente.»

Miguel Torga

Existem alturas em que não nos conseguimos controlar e temos que desabafar junto e para os outros. Miguel Torga afirmou isso mesmo em 1993 num discurso que fez sobre o estado político do nosso país na altura. Agora não estamos numa situação nada melhor e continuamos a querer dar o sermão a quem de direito publicamente. 

Políticas à parte, nós, os seres humanos não possuímos um saco de paciência como poderia ser pretendido. Vamos acumulando tensões e mais tensões até que os nossos desabafos saltam para fora da nossa mente e afectam os outros, seja de que maneira for.

Por vezes, quem acaba por levar com os nossos desabafos não tem culpa nenhuma, mas por ter sido «apanhado na curva» leva por tabela e com as nossas reacções espontâneas onde o sermão sai, ganha proporções e afecta os nossos queridos familiares, amigos ou colegas.

Quando o acumular de stress vai aumentado no nosso interior, chega a um ponto em que não é necessário nada para nos irritar a não ser a passagem de uma mosca e aí... Puff! Rebentamos com toda a situação, desabafamos de forma arisca com quem estiver nas nossas redondezas e o sermão fica dado aos peixes.

Percebo e sei que antes era mais de acumular os meus sentimentos, agora não os consigo guardar por tanto tempo e quando dou por isso já estou a disparar nas direcções certeiras. Tau! Tau! Tau! Assim o sermão sai logo sem ter que esperar pelo público que aplaude!