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O Informador

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04
Jun18

Uma Pequena Sorte | Claudia Piñeiro

uma pequena sorte, claudia piñeiro.jpg

Autor: Claudia Piñeiro

Título original: Una Suerte Pequeña

Editora: D. Quixote

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Maio de 2018

Páginas: 256

ISBN: 978-972-20-6449-1

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Uma mulher regressa à Argentina vinte anos depois de a ter deixado para fugir de uma tragédia. Mas aquela que regressa é outra: já não tem a mesma aparência e a sua voz é diferente. Nem tem sequer o mesmo nome. Será que aqueles que a conheceram em tempos a vão reconhecer? Será que ele a vai reconhecer?

Mary Lohan, Marilé Lauría ou María Elena Pujol – a mulher que ela é, a mulher que foi e a mulher que terá sido –, volta aos arredores de Buenos Aires, ao subúrbio onde formou uma família e viveu, e onde irá enfrentar os atores do drama que a fez fugir. Ainda não compreende porque aceitou regressar ao passado que se havia proposto esquecer para sempre. Mas à medida que o vai compreendendo, entre encontros esperados e revelações inesperadas, perceberá também que às vezes a vida não é nem destino nem acaso: talvez o seu regresso mais não seja do que um pequeno golpe de sorte… uma pequena sorte.

Claudia Piñeiro surpreende e cativa com este romance incisivo e comovente, onde a realidade e a intimidade se cruzam numa densa teia urdida para prender o leitor.

 

Opinião: Pegar em Uma Pequena Sorte sem conhecer nada sobre a escrita de Claudia Piñeiro pode ser um risco, tal como percebi pelos primeiros capítulos desta obra que me assustou por me deixar perdido sem perceber onde me tinha realmente metido quando decidi iniciar a leitura desta narrativa. Senti-me desnorteado, sem encontrar o ponto onde me poder cruzar com a protagonista desta história, até que a descoberta acontece e o que parecia meio turbulento e sem rumo ganha uma linha condutora que me prendeu. 

Não percebi de forma imediata o que estava a ser contado e fiquei mesmo com a ideia que iria ser assim até ao final, só que não. A mudança acontece e a partir desse momento, que parecia tardar mas apareceu, tudo mudou e de um momento para o outro o que estava a ser maçador passou a ter conteúdo e um interesse que me levou a percorrer página a página num ápice até ao final que não me surpreendeu pelo que vai sendo contado mas que acabou por ir ao encontro do desejado. 

Contando um presente recheado de receios, angústias e ao mesmo tempo com ambições e dúvidas e regressando ao passado em determinados momentos, os alicerces estão todos bem vincados em Uma Pequena Sorte com a finalidade de aliciar o leitor que encontra a vida de uma mulher com um passado omitido e acaba por descobrir que por vezes a luta pelo parecer bem perante a sociedade acaba por desfazer uma felicidade plena. 

Alterar uma vida de forma total, deixar uma família para trás, mudar de nome e esquecer tudo o que ficou num outro país, esquecendo a felicidade do passado e apostando num presente e futuro longínquo, tão diferente quanto o inesperado porque as surpresas nem sempre estão do lado de quem opta por correr o risco de partir sem objetivos definidos pelo que está para chegar, só sabendo o que não quer levar consigo. 

Senti-me atraído pela história desta misteriosa mulher que receia regressar ao local onde já foi feliz mas que ao mesmo tempo procura nomes conhecidos, ruas por onde circulava, casas que frequentou e acima de tudo uma pessoa que sempre amou, mesmo sem nada saber sobre o que se terá passado a partir do momento em que decidiu partir após um acontecimento que gerou uma consequência bem dura não só para si. 

Valerá afinal de contas deixar tudo por resolver durante anos, décadas mesmo, sem saber o que está do outro lado? Fiquei preso, pensativo e a criar o que iria ser o desenrolar de cada situação que ia sendo contada, querendo sempre saber mais e mais porque cada página alterava o que estava a ser contado e o futuro parecia estar mesmo ali a acontecer ao lado. 

28
Mai17

Todos os Dias Morrem Deuses [António Tavares]

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Autor: António Tavares

Editora: D. Quixote

Lançamento: Abril de 2017

Edição: 1ª Edição

Páginas: 176

ISBN: 978-972-20-6247-3

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: 1953. Este é um ano rico em acontecimentos: Eisenhower é eleito Presidente dos EUA, Churchill ganha o Prémio Nobel da Literatura, os Rosenberg são acusados de espionagem e executados, Tito torna-se o timoneiro da Jugoslávia… 

E, porém, os factos que atraem o protagonista deste romance - um jovem jornalista sem dinheiro que deambula por uma Lisboa de cafés e águas-furtadas - são claramente delicados em tempo de censura, pois prendem-se com as múltiplas conspirações que rodeiam a morte e a sucessão de Estaline na União Soviética. 

Não só é preciso que escreva com pinças para fintar o regime, como a informação que lhe chega de fora é escassa e contraditória, obrigando-o a dar largas à sua imaginação…

Muitos anos depois, de regresso à aldeia onde nasceu e a que o liga a memória da mãe, sente o rasto da velhice na metáfora de uma fogueira que vai consumindo o que ainda lhe sobra desse passado e relembra as mulheres que o marcaram e os deuses que ajudou a criar na sua prosa diária.

 

Opinião: Decorre o ano de 1953 e encontramos-nos em Lisboa, na vida de um jovem jornalista responsável pela área internacional de um jornal nacional. Os acontecimentos do Mundo que marcaram a História daí em diante têm de ser relatados, nem sempre como acontecem, mas sim como convém, tendo o cuidado com o controlo da época, tal como com a criação floreada por vezes de certos temas que não chegavam com grandes bases a Portugal para serem noticiados à sociedade. Era necessário criar história dentro do que era possível fazer, nem que para isso se inventasse um pouco com o que acontecia do outro lado do planeta e que estava bem distante para se confrontar a notícia com a verdade dos factos. 

A premissa de Todos os Dias Morrem Deus é boa, no entanto não a vi com um bom desenvolvimento, tendo os factos históricos desfilados muito rapidamente e sem grande pormenorização, sendo feito algo corrido sem conseguir dar destaque à História como devia ter acontecido. O leitor fica com aquela ideia que, sim isto aconteceu, ok, talvez se fique com a noção que já se devia ter, mas não se levam os acontecimentos mais além, para as repercussões, por exemplo, que uma decisão levou junto da população. 

26
Mai17

Atual leitura... Todos os Dias Morrem Deuses [António Tavares]

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A escrita de António Tavares já não me é estranha. Em 2015 li O Coro dos Defuntos, obra vencedora do prémio Leya. Agora, ano e meio após o primeiro contacto com as criações do autor, eis que irei pegar em Todos os Dias Morrem Deuses para ver se a experiência de quatro estrelas em cinco volta a ser repetida ou ainda melhorada. 

Nesta narrativa tudo acontece a partir de 1953, ano em que vários acontecimentos importantes aconteceram em Portugal e no Mundo e onde um jovem jornalista se cruza com as conspirações da época para conseguir fugir da censura. Uns anos depois as memórias fazem-se sentir num regresso à aldeia que o viu nascer!

Um romance que espero ser inspirador sobre uma vida que enfrentou várias épocas sociais e que no final da corrida consegue fazer uma retrospetiva sobre tudo o que foi passando. 

25
Ago15

O Amor nos Tempos de Cólera

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Autor: Gabriel García Márquez

Ano: Outubro de 1987

Editora: D. Quixote

Número de páginas: 400 páginas

Classificação: 4 em 5

 

Opinião:

O Amor é a peça fundamental da obra de Gabriel García Márquez?! Sim e Não! Então? Fiquei com várias dúvidas sobre a obsessão das personagens pelas suas relações amorosas não concretizadas. Será assim o verdadeiro ato de amar? Vejo um grande romance em O Amor nos Tempos de Cólera, sendo esta uma obra que percorre várias décadas sempre com os mesmos sentimentos trocados a fazerem-se sentir por corações que estão separados por escolhas mútuas e que mais cedo ou mais tarde se sabe que ficarão juntos. Conseguirá alguém viver tanto tempo, cometer vários erros e sempre a pensar na calma que poderá alcançar quando atingir a pessoa que sempre quis ter ao seu lado?

Como dois estranhos conseguem ficar apaixonados por uma vida, seguirem rumos diferentes e sempre com o mesmo pensamento, quando não sabem ao certo o que se está a passar e pensar do outro lado? Fermina Daza e Florentino Ariza cruzam-se em jovens, vão percorrendo caminhos por vezes encostados e no final reencontram-se já velhos e tendo os últimos anos ao dispor do outro pela frente, onde a ajuda mútua acontece por necessidade e não tanto pela vontade que poderia ter acontecido por outros tempos, se tivessem ficado juntos por longos anos. Isto é amor? Não, parece-me que isto é uma obsessão por alguém, principalmente da parte de Florentino por Fermina, que mesmo percebendo que a amada refez o que não estava feito, fica suspenso, lutando contra doenças, febres, vontades e pensamentos emocionais que não o deixam desistir. 

05
Ago15

O que vou ler agora é...

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Lembram-se quando vos pedi ajuda para escolherem a minha leitura de Julho e que depois passou para este início de Agosto porque Sapatos Italianos demorou mais tempo do que devia, sabe-se lá por qual razão?

Eis que existiram dois vencedores que ficaram empatados entre os dois mais votados por vocês, leitores e seguidores do blog, que perderam um minuto para me escolherem o livro que teria como companheiro pelos próximos dias! Como tive um empate técnico de votos, estiquei a votação por mais umas horas e ambos continuaram com o mesmo número pelas vossas escolhas, acabando então por escolher um deles e deixar o outro para trás por uma simples razão.