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O Informador

Confinado mas educado

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A meio de Janeiro entrei em modo confinamento e optei por regressar ao andamento diário durante duas horas seguidas para não ficar trancado em casa dias, semanas e meses seguidos e com poucos movimentos, exercitando assim músculos e acabando por descontrair a solo, ficando com os meus pensamentos durante o período que circulo. Neste tempo de rotinas bem restritas já consegui criar um certo conhecimento para o «boa tarde» com algumas pessoas que não conheço mas com quem me costumo cruzar diariamente por circularmos pelos mesmos caminhos, com as devidas precauções e distâncias, apelidando estas passagens como «conhecimentos do passeio higiénico», afinal de contas são estas as únicas pessoas que vou vendo dia após dia nas minhas saídas de casa, já que as restantes horas são mesmo para respeitar o lema «fica em casa». Habitualmente sou muito atento a caras e expressões e é por isso que faço questão de cumprimentar quem se cruza no meu caminho, já que algumas daquelas pessoas vivem certamente sozinhas, sem um «olá» ou um «como está» durante horas a fio. Atentem para com quem se cruzam pelo vosso caminho sempre, principalmente nesta altura em que o isolamento social é maior e todos precisamos de um pouco mais de atenção, mesmo perante quem não conhecemos. Com isto, pretendo também alertar para que confinam mas não percam as boas maneiras quando têm de sair e se cruzam com quem também respeita as regras. 

Contradições de um Natal pandémico

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Os portugueses e as suas contradições nem avançam nem melhoram, mesmo em tempos de pandemia. 

Todos sabemos bem que o nosso Governo aconselhou a sociedade a ter em conta todos os cuidados nesta época festiva para não existirem grandes ajuntamentos sugerindo até a permanecermos em casa, passar o Natal cada um na sua, sem grandes festas, convívios familiares e sem que se tenha de viajar muito dentro do país. Nós que vivemos em Portugal somos aconselhados a permanecer em casa, mas depois os que vêm de fora são tão bem-vindos que até os milhares que entrarem vindos de Inglaterra chegam, fazem um teste e seguem livres e contentes, mesmo com a nova estirpe do vírus a dar que falar e sem terem de enfrentar a quarentena como por outros países.

Tanta contradição para quem cá está ao longo dos últimos tempos a viver numa inconstante e depois chegam os portugueses turistas para passarem o Natal e Ano Novo por cá e parece que são aplaudidos porque estão de regresso a casa para matarem saudades e trazerem a nova mutação do Covid19 consigo. 

Contradições a mais num só país onde quem está tem de cumprir tudo e mais alguma coisa e quem chega entra livre e de bem com a vida, abraçando e beijando com saudades, já que segundo os dados da balança os nossos comandantes acham que quem sempre cá esteve não tem saudades de andar de um lado para o outro, viajar dentro do próprio país e abraçar como os que estão a chegar internacionalmente o podem fazer. 

Retrospetiva 2020, segundo o Google

Roubado algures por ai...

 

Através das redes de conversação foi-me enviada este agendamento póstumo de 2020. Como não se conhece o autor, decidi roubar de quem roubou esta retrospetiva do ano.

Fica aqui assim o convite para visitarem comigo a... Retrospetiva 2020, segundo o Google.

Janeiro:
• Onde fica Wuhan?
• Os chineses comem morcegos?

Fevereiro:
• Como matar o vírus?
• O que é uma pandemia?
• Portugal está imune ao Coronavirus?

Março:
• O que é ‘lockdown’?
• O que é “Estado de emergência”?
• Regras básicas de Home Office.
• Promoção de pijamas.
• Como desinfectar batata doce?
• O que é um passeio higiénico?

Abril:
• Efeitos de cheirar muito álcool gel.
• Como fazer pão?
• Receita de brownie do Jamie Oliver.
• Receita de tarte de limão.
• Como treinar em casa ?
• Como gastar alegremente todo o meu dinheiro na Fnac online, no Ikea, na Wook e na Zara online sabendo que vamos entrar numa crise financeira sem precedentes?
• Como usar o Microsoft Teams?

Isto não vai ser fácil!

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Outubro está a ser um mês crítico, fazendo perceber que Novembro e Dezembro ainda serão dois conjuntos de trinta dias mais críticos no que toca ao estado da pandemia em Portugal. As coisas estão a avançar para uma situação de alguma desestabilização nacional com os cuidados de saúde a verem as ocupações hospitalares vagas a diminuírem e com os profissionais a voltarem a dar o litro para bem de todos nós. E o que teremos de fazer? O nosso rigoroso trabalho, não ficar em espera que os outros o façam por nós já que, como em várias situações da vida, se não remarmos contra a mesma maré não alcançaremos a outra margem.

Podemos instalar a StayAway Covid, sendo alertados sobre possíveis cruzamentos com casos positivos pelos últimos dias. Podemos andar de máscara e álcool gel atrás por todo o local público mas não podemos, em momento algum, esquecer que entre familiares e amigos a porcaria do vírus também se transmite. E é aqui que está um dos principais fatores para que os milhares de novos casos atuais estejam a bater recordes até de recordes a desfavor do nosso bem estar, tal como vários eventos ilegais e festividades onde a organização dos cuidados necessários é deixada de lado. 

Eu falo por mim, em casa nunca usei máscara, mas à umas semanas atrás, quando tudo parecia já andar mais calmo e com números entre os duzentos e trezentos novos casos diários, em casa de familiares e mesmo amigos já ia retirando a máscara, ora para comer, ora por me sentir à vontade, sabendo sempre que existe a possibilidade de o vírus já existir e ser passado antes dos primeiros sintomas surgirem no portador. Com o tempo e os meses de Verão a decorrerem fomos perdendo de forma negativa os cuidados inicias, por cansaço e ao se entender que os novos casos não estavam tão altos. 

Agora, em menos de um mês, a curva tem subido de forma vertiginosa e a maioria ainda não encaixou que voltamos a um nível pior do que aquele que já havíamos passado anteriormente, quando meio país ficou fechado em casa durante semanas e mesmo meses. A situação atualmente está a tomar contornos bem mais agressivos, não iremos voltar em bando para casa porque a economia não aguenta e o esforço feito antes tem de ser agora reforçado dentro e fora de portas, respeitando e com mil cuidados possíveis. Agora a ideia é viver o mais normal possível, convivendo com o vírus e tentando escapar sempre mais um dia ao seu ataque. Vamos estudar, trabalhar, conviver e mesmo celebrar, mas tudo com a máxima proteção possível para que o país não entre em rutura a nível da saúde e consequentemente económico.

Máscaras para o frio

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No início da pandemia todos nos tivemos que habituar ao uso de máscaras na entrada em estabelecimentos e em locais de maior movimentação. Agora, mais de seis meses depois, o uso de máscara parece ser um bom complemento para combater o frio que se começa a fazer avisar para visitar Portugal em força daqui em diante. 

Neste momento já se começa a prever que as nossas caras tapadas irão continuar por uns bons tempos sem verem a luz do dia perante a sociedade, mas será isso mau de todo quando as máscaras que todos queríamos ver longe servirão para nos ajudar a proteger metade da cara das aragens e ventos mais gelados que surgirão quando enfrentarmos o Outono/Inverno em pleno?

Covid19 nos festejos do Campeão

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Ah e tal, o FC Porto é campeão na época 2019/2020 e é tudo muito bonito para todos celebrarem pelo país e se esquecerem temporariamente que o Covid19 existe. Onde foi parar nesta noite quente de 15 de Julho de 2020, em que o grande clube do Norte se tornou de novo o campeão nacional, o vírus que tem atormentado o Mundo? Muitos na rua, muitos desses muitos sem máscara e sem qualquer proteção para com o vírus da moda. 

Bravo a todos os portistas que saíram à rua, principalmente os que vivem na cidade invicta, que foram até às principais avenidas celebrarem numa grande comunidade onde a bebida se juntou aos festejos para todos se esquecerem que estamos num país em alerta onde os novos casos de infetados com coronavírus não baixam há várias semanas consecutivas. Não poderiam festejar mentalmente ou nas vossas varandas e janelas com música e cânticos festivos de modo a não colocarem a saúde de muitos em risco?

Curtas e Diretas | 146 | Tranquem os irresponsáveis

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Uma palavrita rápida para os irresponsáveis que andam a circular por aí sem máscara e sem darem o espaço recomendado a quem está por perto.

Pessoas que não querem saber, o que vos tenho a dizer são somente umas coisas... Tranquem-se em casa para não nos colocarem em risco! Já que não têm cuidados próprios, pelo menos que não nos apoquentem!

Valentina sim, com atenção ao Covid19

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A morte da pequena Valentina tem feito as manchetes da imprensa pelos últimos dias. Com quatro dias de investigação, após o alerta do pai pelo seu desaparecimento, o crime foi descoberto e pai e madrasta presos preventivamente por serem alegadamente os autores confessos desta morte macabra. 

Muito se tem noticiado, comentado e divulgado, mas destaco um pormenor que todos nós deveremos ter detetado através das imagens que têm sido divulgadas pela comunicação social. Desde que a notícia começou a ganhar destaque pelos vários serviços de informação que deteto que população e autoridades que têm aparecido em grupo nas buscas e também agora nas reportagens feitas e filmadas aleatoriamente, que grande parte não se encontra com as preocupações necessárias para com a proteção perante o Covid19.

Percebo que a procura até encontrarem o corpo gerou alguma confusão e ansiedade por parte de todos, mas também nestes momentos há que precaver o vírus que tem feito com que centenas de portugueses já tenham morrido, milhares que estão neste momento infetados e que todos nós estamos vulneráveis para com esta transmissão que pode acontecer mais facilmente pela proximidade sem proteção. Falta de máscaras e proximidade física nas buscas, abraços e conversas entre populares de forma completamente normal como se não vivêssemos em estado de pandemia e até as próprias buscas entre populares, militares e bombeiros onde foi visível ver parte das pessoas sem usarem máscaras. Isto não pode acontecer!

Isto não aconteceu sempre e com todas as pessoas, mas em muitas das imagens que foram passando foi visível este descuido da sociedade, o que há que ter em conta para futuras situações do género. Nada nos pode deixar de manter a precaução, mesmo estes crimes praticados por pessoas que jamais podem ser considerados pais. 

Desconfinamento a mais...

Imagem retirada do portal da Renascença

 

O dia 03 de Maio representou o início do desconfinamento em Portugal após o estado de emergência, passando o país a viver perante o estado de calamidade que pelo nome parece mais grave que o primeiro mas não é. As portas de lojas de rua de pequenas dimensões começaram a abrir, centros de saúde e hospitalares reiniciaram consultas adiadas, transportes públicos voltaram a ser pagos e «Portugal e o Mundo» parece ter ressuscitado de um estado inanimado e muitos dos peões resolveram sair à rua para recomeçarem a fazer as suas vidas sem qualquer noção que esta suposta liberdade tem muitos apontamentos pelo meio e os cuidados pedidos em situação de emergência têm de ser mantidos pela calamidade. O pior é que a maioria parece não ter percebido essa parte!

Vamos ao supermercado e as pessoas não respeitam o espaço físico por quem está em espera. Passamos perto de um café que estava fechado e somente servia os seus produtos através de um pequeno espaço na porta e os clientes já se encontram em grupo encostados ao balcão, hospitais com auxiliares em pânico a tentarem controlar utentes e as ruas começam a encher, com conversas entre vizinhos que já não se viam durante semanas e que agora afiam a língua bem de perto uns dos outros, como se não conseguissem falar das novidades com algum afastamento. 

Para muitos este desconfinamento tem sido levado como um touro a sair da jaula para o trágico e que muitos veneram espetáculo das arenas. Pessoas, tenham calma e mantenham o cuidado. Podemos voltar ao nosso novo normal mas com mil e uma restrições e sem a liberdade de outros tempos. Sair de casa após tantas semanas de quarentena não é sinónimo de andar a festejar aos abraços, procurando o colo dos desconhecidos nos supermercados e brindando com uma chávena de café nos estabelecimentos mais perto de casa. 

Vírus de 2002 semelhante ao Covid19

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As leituras conseguem quase sempre chegar ao leitor com pontos desconhecidos e que ficamos a conhecer por vezes com alguma surpresa. Isto aconteceu com a leitura de Sob Céus Vermelhos, uma obra da autoria de Karoline Kan, lançada entre nós pela editora Quetzal. Através da reconstrução da história de três gerações da sua família e da própria China, a autora recorda e retrata os tempos e as mais variadas situações pela qual foram passando. No entanto e o que me surpreendeu foi mesmo a semelhança entre o atual Covid19 com uma doença que afetou a China na época de 2002/03.

Com o nome de SRA, que é como quem diz, síndrome respiratória aguda, esta epidemia afetou várias regiões do país, tratando-se de uma epidemia mortal. Pesquisei e confirmei os factos contados pela autora que passo a citar, «se dizia que se podia contrair a doença falando com alguém infetado. Ficava-se febril e com tosse, com dores musculares, e o sistema imunitário entrava em colapso numa questão de dias. (...) As pessoas queriam evitar ajuntamentos e contágio. A sombra da morte pairava sobre a minha cidade e muitas outras. (...) A doença parecia um monstro invisível, à espreita na sombra, que podia assomar e comer-me a qualquer momento. (...) Todos os dias era registada mais de uma centena de vitimas. (...) A saída só era permitida por razões de força maior, que tinha de ser aprovada pelo chefe. As escolas de Pequim foram encerradas, e os alunos tinham de estudar em casa através de vídeos online.».

Tenho a confessar que desconhecia que este surto tinha acontecido e quando comecei a ler e a perceber cada descrição fui de imediato pesquisar, percebendo que na verdade no início dos anos 2000 isto tinha acontecido, tendo mortalizado milhares de vidas, num surto que se ficou maioritariamente pela China na altura. Infetados através da transmissão de gotículas expelidas pela tosse e espirros, febre e dores musculares foram também os principais sintomas que levaram ao isolamento, necessidade de apoio respiratório e uma percentagem de mortes acima de uma gripe normal. De 2002 para 2020 passaram dezoito anos e a transformação do vírus voltou numa pandemia global com efeitos bem mais catastróficos. Mais uma vez nada parece ser novo e até na doença as transformações acontecem, num vai e vem, existindo alterações nos vírus que acabam por coabitar e adaptar-se aos novos comportamentos de todos nós.