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O Informador

22
Abr20

Controlador de bolsos

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Sair de casa e mesmo de qualquer local tem sempre em mim um efeito de procura corporal. Não, nada do que já poderás estar por aí a pensar. Na realidade, quando deixo algum local tenho de apalpar os bolsos para verificar se as três peças fundamentais estão comigo. E essas peças não são a cabeça, tronco e membros que só poderão fugir se algum acidente grave existir.

O que verifico sempre se transporto comigo são a carteira, as chaves e o telemóvel, as duas primeiras num bolso e o terceiro no outro, isto quando não estou com mochila para depositar tudo. Geralmente nas calças, quando estou para sair de algum local, as mãos vão sempre, praticamente de forma obrigatória, aos bolsos para verificar rapidamente se os três acompanhantes estão nos seus devidos locais. E não pensem que os mesmos podem trocar de lado alguma vez, nada disso. Telemóvel sempre no bolso direito e carteira com chaves do lado esquerdo para não ocorrer qualquer hipótese de falhas.

26
Dez12

As vizinhas olhadeiras

Elas existem por todo o lado e aparecem a qualquer hora do dia e onde calha... Falo das minhas vizinhas que estão sempre nos seus quintais, esteja eu a entrar ou a sair de casa.

Na cidade as pessoas podem-se sentir sortudas por não terem sempre a vizinha Antónia ou a Manuela com os olhos postos em si quando metem o pé fora de casa. Como vivo numa aldeia, isso não acontece e elas estão sempre prontas para controlarem os passos de uma pessoa que as vê, mas faz que não percebe que estão à sua espreita. 

As minhas vizinhas estão sempre com o seu radar em alerta quando percebem que alguém está a entrar na rua. Praticamente todos os dias as tenho que ver, seja de manhã, de tarde ou à noite, sendo que geralmente as vejo nas três fases do dia, se sair três ou mais vezes de casa.

Elas controlam mesmo tudo, a rua toda... Quem passa, com quem se passa, o que se leva vestido, se passo ao telemóvel ou a cantar... Elas sabem tudo e depois lá tenho que dizer «Bom dia!», «Boa tarde!» ou «Boa noite!», quando o que me apetece é dizer, «Não tem mais nada para fazer sem ser esperar que eu passe para me ver? Sou assim tão bonito para me ter que cumprimentar e controlar diariamente?».

Isto vai ser sempre assim enquanto viver pela aldeia... Não sou controlado pelos meus pais, mas olhem que os vizinhos estão bem atentos à minha vida! Coisas de aldeia pequena em que todos se conhecem! Irra!...