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O Informador

03
Set20

As compras na Feira do Livro

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Ontem já vos revelei a ida à edição de 2020 à Feira do Livro de Lisboa, hoje conto-vos o que comprei. Sem esperar pela Hora H, comprei alguns livros que estavam como destaque do dia, com 50% de desconto, e também uma novidade, o que não iria baixar se esperasse pela última hora do evento e onde a confusão parece ficar instalada no recinto do Parque Eduardo VII.

No espaço do Grupo da Porto Editora comprei Goa ou o Guardião da Aurora, de Richard Zimler, da Porto Editora, As Aventuras de Augie March, de Saul Bellow, da Quetzal Editores e Não te deixarei morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares, numa edição da Clube do Autor, mas que está disponível no espaço da Porto Editora, uma vez que o autor mudou recentemente de editora e os livros publicados pela Clube do Autor com edições ainda com exemplares passaram a fazer parte do catálogo da Porto Editora, o que, pelo menos que me lembre, parece ser inédito em Portugal, uma vez que mesmo quando autores assinam por outras editoras, as edições já impressas continuam disponíveis através da editora antiga até ficarem com todos os exemplares vendidos. 

Já no espaço Leya, optei pela mais recente narrativa de Rodrigo Guedes de Carvalho, o seu Margarida Espantada, lançado através da chancela D. Quixote. Este será o primeiro romance do autor e jornalista da SIC que irei ler, mas pelos positivos comentários e recomendações, acredito que venha para conquistar para ser a primeira de várias leituras.

29
Abr20

O Rinoceronte do Rei | Sérgio Luís de Carvalho

Clube do Autor

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Título: O Rinoceronte do Rei

Autor: Sérgio Luís de Carvalho

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2019

Páginas: 296

ISBN: 978-989-724-485-8

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Esta é a história do rinoceronte que chegou a Lisboa em maio de 1515 e que espantou toda a Europa. Esta é a história do seu tratador indiano e de Esperança, de Modafar, o sultão de Cambaia, do impressor morávio do rei de Portugal e do pintor alemão que se embasbacou com o dito bicho e o celebrizou. Esta é a história do capitão Rusticão, de um frade piedoso e do seu cão, de duques homicidas, de índios canibais, de mercadores e de escravos, de imperadores e de papas, de reis invejosos, poderosos e deprimidos e de médicos italianos que escreviam má poesia. Esta é a história dos lisboetas de quinhentos, dos ricos aos pobres, das viúvas alucinadas aos marinheiros, dos oficiais aos arquitetos.

No início de 1515, um rinoceronte chega a Lisboa, enviado por Modafar, sultão de Cambaia, para el-rei D. Manuel I. O bicho faz sensação no reino e em todo o continente. É a primeira vez que um rinoceronte aporta à Europa. Estamos no auge da expansão portuguesa e na cidade, particularmente na afamada Rua Nova, exibem-se todas as novidades do mundo, desde tecidos a madeiras, desde animais a joias, desde a pedra bezoar à planta do dragoeiro.

Com o rinoceronte vem um jovem tratador indiano chamado Océm, que cedo Océm se apaixona por uma escrava moura, Esperança, famosa pelas artes boticárias. Mas Esperança pertence ao mais rico nobre do reino, famoso pelo mau-feitio e pela soberba: o Duque de Bragança. 

Embasbacado pelo rinoceronte, Valentim Fernandes, o maior impressor do reino, dele dá conta ao seu amigo Durer, descrevendo-o entusiasticamente em cartas. Durer tinha acabado de perder a mãe, cujo amor pelos bichos era bem conhecido. Fascinado, o artista decide pedir mais descrições para gravar o rinoceronte e dedicar à mãe a sua nova obra.

O Rinoceronte do Rei é baseado em factos e personagens reais e narra a história da primeira imagem global que mudou a História da Europa.

 

Opinião: Se existe livro que surpreende após meses de hesitação, O Rinoceronte do Rei é um bom exemplo disso. Num romance histórico que une ficção com factos e personagens reais, esta obra de Sérgio Luís de Carvalho começa com a oferta de um rinoceronte ao Rei D. Manuel I. Ganda chegou a Portugal, causando grande burburinho e curiosidade por parte de muitos, inclusive vários Reis europeus e do Papa Pio X. Muitos ficaram a conhecer este animal de grandes portes que viajou até Portugal e não só aos cuidados de Océm, um jovem indiano que ficou destinado a cuidar de Ganda. A partir daqui a história começa a ser contada.

11
Jan20

Não Chames Noite à Noite | Amos Oz

D. Quixote

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Título: Não Chames Noite à Noite

Autor: Amos Oz

Editora: D. Quixote

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2019

Páginas: 272

ISBN: 978-972-20-6910-6

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Em Tel Keidar, uma pequena cidade situada junto ao deserto do Neguev, a morte brutal de um jovem adolescente, possivelmente por overdose, vai interferir no equilíbrio íntimo do casal Theo e Noa, fragilizado pela diferença de idades, pela ausência de filhos, pelo tédio e pela incomunicabilidade.

Com um virtuosismo inexcedível, Amos Oz faz alternar essas duas vozes narrativas, a de Theo e a de Noa, juntando-lhes ainda a do narrador, cronista anónimo que por vezes cede a palavra ao «coro» dos habitantes da cidade.

Assim, como que reunindo progressivamente todas as peças de um puzzle, o autor revela-nos a intimidade mais profunda de dois seres, ao mesmo tempo que retrata as tensões de uma pequena comunidade, recheada de personagens excessivos e pitorescos.

Não Chames Noite à Noite é uma preciosa sinfonia de humanidade em que Amos Oz explora com incomparável discernimento as possibilidades - e os limites - do amor e da tolerância.

 

Opinião: Um livro sobre o amor vivido de forma diferente entre duas pessoas que se querem, com alguma diferença de idades, que se estimam, apoiam enquanto enfrentam a realidade, as perspetivas de mudança, os objetivos de cada um sem compatibilidade com o seu par, mas onde o apoio surge, mesmo que não seja de imediato. 

Theo é um arquiteto de sessenta anos, casado com Noa, professora com praticamente menos quarenta anos. Casados por amor, sem filhos e com pouco em comum, Theo e Noa são diferentes, ele mais calmo e pacifico, ela impulsiva, teimosa e com vontade de mudar o Mundo. Nesta história a morte de um jovem aluno de Noa dá o mote para se querer investir, organizar, criar e apoiar quem vive no mundo da droga, mesmo que toda uma sociedade local se oponha à ideia. Um bom argumento mas muito mal desenvolvido e contado. 

07
Dez19

Tundavala | Paula Lobato de Faria

Clube do Autor

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Título: Tundavala

Autor: Paula Lobato de Faria

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2019

Páginas: 352

ISBN: 978-989-724-501-5

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Inspirado em acontecimentos reais, a memória de um tempo de guerra e segredos e a luta pela liberdade nos anos da ditadura.

Depois de uma muito elogiada estreia literária com Imaculada, Paula Lobato de Faria regressa às livrarias nacionais com uma narrativa ainda mais ousada. Tundavala decorre nos últimos anos da ditadura e viaja entre Angola, Lisboa e Londres.

Aí encontramos as personagens centrais deste livro, quase todas em lutas interiores contra um passado de mentiras, segredos e submissão. Cristiana e Lourença, próximas desde crianças, estão hoje separadas pelo destino, uma em Lisboa, outra na guerra em Angola.

Portugal encontra se na agonia do salazarismo; o país vive a censura e a repressão da PIDE, abafando escândalos sexuais, massacres e atentados aos direitos humanos nos territórios em guerra. E é neste fervilhar de acontecimentos políticos e sociais que as vidas de Cristiana e de Lourença sofrem inesperados encontros e reencontros capazes de transformar as suas vidas para sempre.

 

Opinião: Paula Lobato de Faria voltou a surpreender com Tundavala, embora tenha a confessar que esperava mais. Após a boa estreia com Imaculada, Tundavala veio para dar seguimento a um enredo familiar onde o amor e os desgostos ganham lugar entre vidas que afastaram mas que mantiveram sempre o pensamento sobre os «ses» que poderiam ter acontecido através de outros seguimentos ao longo dos percursos pessoais que se tornaram opções. Afastamentos por desgosto, amores destruídos por desaires familiares, riquezas que prevalecem perante a real paixão. Tundavala é a procura da recuperação de memórias em tempos de guerra e segredos bem guardados e que alteraram cada desenvolvimento dos protagonistas envolvidos em enredos complexos desenvolvidos por quem mobilizou marionetas ao longo do tempo a seu belo prazer.

Relembrando a época de 1966 e tocando em temas históricos reais, os medos e receios sobre os silêncios que eram impostos num país controlador, fechado e onde o pouco e aparentemente vulgar significava uma afronta familiar e social. A liberdade não existia, os exílios políticos eram uma realidade, os sacrifícios persistiam e as vidas ficavam moldadas com todos os problemas que iam surgindo e fundamentalmente os medos que acabavam por se bater com os conformismos impostos pela época. 

 

01
Nov19

Crime, Disse o Livro | Anthony Horowitz

Clube do Autor

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Título: Crime, Disse o Livro

Título Original: Magpie Murders

Autor: Anthony Horowitz

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2019

Páginas: 448

ISBN: 978-989-724-433-9

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Existem vários mistérios por resolver dentro das páginas deste livro. Tudo começa quando Susan Ryeland se senta para ler o manuscrito do autor mais vendido da editora onde trabalha. Porém, a narrativa termina abruptamente no ponto em que o detetive da história está prestes a revelar o assassino, levando por isso Susan a procurar os capítulos perdidos. Mas este é apenas o ponto de partida de um dos mistérios…

Extraordinariamente bem concebido e bem escrito, em Crime, disse o livro encontramos duas histórias que correm em paralelo, personagens interessantes e autênticas, tramas sólidas, inteligentes e bem estruturadas, várias reviravoltas e, por fim, um desenlace absolutamente surpreendente. 

E se um mistério dentro de outro mistério significa o dobro da adrenalina, para os fãs do género este livro traz também prazer a dobrar. Prepare-se: vai  ser difícil pousar o livro!

 

Opinião: A originalidade é um dos pontos forte de Crime, Disse o Livro, onde uma história encaixa dentro de outra numa fórmula vencedora e que conquista logo à partida. Senti que pelas primeiras páginas iria gostar do que estava para chegar, no entanto senti alguma desorientação inicial com a apresentação de várias personagens em catadupa, o que logo foi ultrapassado pela excelente forma como Anthony Horowitz consegue separar cada personalidade pelas descrições feitas ao longo de cada momento.