Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Informador

02
Jun20

Regressa a Cultura sem touros

Imagem retirada de https://sol.sapo.pt/

Imagem retirada do portal Sol

 

O início de Junho está a assinalar o retomar de atividade em várias áreas, onde se incluem as atividades culturais, podendo realizar-se a partir de agora concertos, espetáculos teatrais, estando também as salas de cinema abertas, tudo com as novas e necessárias medidas de segurança. O que não ficou com luz verde para poder recomeçar foi a tauromaquia que terá de esperar mais uns tempos para poder iniciar, o que está a gerar descontentamento por parte de cavaleiros, forcados e todos os profissionais envolvidos que na passada Segunda-feira, 01 de Junho, protestaram junto ao Campo Pequeno, com vários rostos conhecidos a acorrentarem-se aos portões da praça. 

Não sou defensor da arte do toureiro, bem pelo contrário, mas mesmo recriminando esta histórica tradição e sua continuação tenho de admitir que neste caso está a existir uma clara discriminação por parte do Ministério da Cultura. Se permitem a retoma de praticamente todas as atividades culturais, como não o fazem com os toureiros?

O que ainda piorou esta situação foi o facto de barrarem o regresso de homens, cavalos e touros à arena quando na praça do Campo Pequeno, transformada em sala de espetáculos, foi realizado o concerto humorístico Deixem o Pimba em Paz, idealizado por Bruno Nogueira, logo no primeiro dia de abertura das salas. Coincidência ou provocação pura?

19
Abr20

Não senti o Milagre na Cela 7

milagre na cela 7.jpg

 

Umas semanas após ter sido lançado na Netflix, depois de várias pessoas me terem aconselhado, eis que vi o filme que tem arrecadado bastantes elogios, Milagre na Cela 7. E o que posso dizer é que ao contrário das expectativas e de tudo o que me fizeram crer, esta história não me conseguiu conquistar!

«Vê que é comovente!», «Chorei quase todo o filme!» e «Nem parece da Netflix!» foram talvez alguns dos comentários que recebi para me aconselharem a ver esta história que relata a vida de um homem com deficiência, sendo considerado de «Maluco» e que é acusado por ter morto a filha do comandante, sendo condenado à morte, mesmo quando existem provas em contrário. Longe da pequena filha Ova, Memo conquista pela diferença os colegas de cela que percebem que aquele homem não tem culpa alguma do que é acusado. Enfrentando o preconceito e procurando a proteção da menor, as hipóteses de sobreviver são escassas, mas como num filme em que se procura um final feliz, existe sempre a reviravolta que só quem vê poderá saber, desta vez não poderia ser diferente. 

O filme no general tem uma boa premissa, só que não conseguiu conquistar. Vi esta história a necessitar de um maior desenvolvimento a todos os níveis. Talvez resultasse melhor se o tivessem transformado em mini série, onde tudo poderia ter melhores explicações, deixando as apresentações corridas e as cenas com grandes passagens no tempo para trás. Milagre na Cela 7 tem história sim, mas não é um drama assim tão forte que me tenha feito chorar e acredita que sou um grande lamechas. 

02
Mar20

O Apelo Selvagem, o filme

o apelo selvagem filme.jpg

 

Inspirado no livro de Jack London, estreou no cinema o filme O Apelo Selvagem, onde o protagonismo está do lado de Buck, um cão gigante que da vida familiar é levado para a luta diária da corrida ao ouro do Alasca, acabando por ter lutar pela sua própria sobrevivência, aprendendo a debater-se com as complicações que se atravessam pelo seu caminho, onde os humanos são os grandes culpados. Com todas estas alterações, Buck, com a passagem do tempo, torna-se num cão selvagem que protege os seus de todas as complicações sociais.

Primeiro vi o filme e depois li o livro e que contraste que encontrei, o que não faz de um melhor ou pior que o outro. Se na película senti um verdadeiro baque no coração que me fez chorar praticamente do início ao fim. Na leitura isso não aconteceu. Tendo este filme sido inspirado pelo romance literário mas com grandes diferenças, O Apelo Selvagem na grande tela revela a ingenuidade e vontade de um cão comovente, que chega facilmente junto do espetador pela sua ternura. Grande de tamanho mas pequeno no campo afetivo, Buck é um cão com um evolução extraordinária graças aos maus humanos que vai apanhando pelo caminho. Se seguirem os mesmos passos, livro e filme parece ter a mesma premissa mas desenvolvimentos distintos para chegarem ao mesmo ponto. A história cinematográfica foi transformada para melhor conquistar, mostrando todo o processo de luta e conquista de um cão que acaba por enfrentar pela força de vontade, levando a luta pessoal a sério e transformando-se num grande conquistador. Já no livro a reviravolta é dada com outras personagens que vão sendo alteradas sem grande importância na narrativa, estando o animal muito mais em foco a solo do que com os humanos com que se cruza e mesmo com os outros cães que enfrenta e defende, não existindo tanto impacto para com os seus feitos.

23
Out19

Joker, o incómodo cinematográfico

joker.jpg

 

Finalmente fui ver Joker, o filme de que todos falam à semanas e se dividisse a película em duas partes diria que do frio a ponto de quase a adormecer passou para o quente para ficar agarrado e desconfortável pelo incómodo sentido em várias cenas por não esperar um impacto tão grande na demonstração dos factos que de ficção pouco mostram. 

Olhei para grande parte de Joker como aquele filme que abana consciências, levando a pensar em cada pormenor e na capacidade que uma só pessoa tem na influência de uma sociedade. No filme de Todd Phillips o espetador é convidado a ficar sentado e sem pensar realmente no que está a assistir, deixando isso para depois porque o momento de exibição é de pura concentração esperando que o que está para acontecer numa ação em crescendo não seja pior ainda. 

Joker não é uma piada, a personagem central interpretada por Joaquin Phoenix sorri para que os outros sintam a sua dor através dos lábios alargados e ensanguentados. Afinal a intenção é mesmo a de causar dor com os sorrisos para culpar toda a sociedade que o desgastou levando à desistência de sonhos a favor da realização de outros. O bullying tem sido um dos temas em debate pelos últimos anos e em Joker esta realidade acaba por ter grande destaque quando se percebe que o atual presente se deve a todo um passado marcado pelo peso de uma vida de sofrimento e inferioridade. 

Olhando para uma história em que facilmente encontramos o vilão, o que fica após perceber todo o enredo? Afinal Arthur Fleck é assim tão mau que não nos consigamos rever em determinados dos seus comportamentos? Não existe vontade de por vezes atirar tudo para trás, seguir os impulsos e não pensar que o mal é ofensivo? Senti em vários momentos dor pelo que foi feito mas ao mesmo tempo capacidade para desculpar atos violentos por todas as justificações. Quem faz mal deve ou não sofrer da mesma moeda? Os maus devem ser desculpados ou levar a sua emenda? Como uma mente transtornada pelas mais diversas situações consegue apaziguar a sua paz anterior quando todos o enfrentam e ajudam a acalcar ainda mais? Dor, raiva, frustração e transtorno que acabam por levar a um desespero pessoal único dentro de determinados contextos incontroláveis que ajudam a desculpar este Joker. Só, abatido e enfrentando uma vida de mentiras aliada à profunda depressão, o vício e a derrota existem e leva cada espetador a pensar que esta história é sensivelmente uma história real, que foi feita para tocar em pontos fortes, causando desconforto com impacto, sem representar e iludir, sem omitir e suavizar.

14
Out19

Judy, honrada por Renée Zellweger

judy

 

Inverno de 1968: a lendária Judy Garland chega a Londres para actuar numa série de concertos esgotados. Passaram-se 30 anos desde que se tornou uma estrela global com O Feiticeiro de Oz. Ela está exausta, assombrada por memórias da infância perdida em Hollywood, agarrada à vontade de voltar para casa junto dos filhos, mas determinada a nunca desiludir os seus fãs.

Há uns anos assisti no Teatro Politeama ao musical Judy Garland - O fim do arco-íris, com interpretação de Vanessa Silva no papel de destaque, tendo ganho nesse espetáculo a percepção da força que a Vanessa tem em palco. Este ano e no filme Judy percebi o mesmo para com a interpretação da mesma personagem por parte de Renée Zellweger.

Quando vi que a biografia de Judy Garland já tinha estreado nas salas de cinema nacionais logo fiquei com vontade de assistir e assim foi. E o que vos posso dizer? Que história, que desempenho por parte de Renée que se envolveu, entregou e volta a apaixonar o público por uma mulher que se entregou aos palcos e ao seu público, entregando-se a outros dissabores que a levaram por caminhos adversos. Retratando principalmente os últimos tempos de vida de Judy e explicando com o passado alguns dos motivos pelos seus atuais comportamentos, esta biografia da artista está tão bem conseguida que me deixei levar na sala de cinema, onde só quatro pessoas estavam presentes, comigo incluído, pela emoção, pelo pensamento da vontade de lutar contra uma força que absorve parte das capacidades. Judy passou trinta anos a celebrar a sua carreira junto de fãs, admiradores e autênticos perseguidores, mas agora é tempo de reconquistar os filhos sem desiludir e com a vontade de ter uma vida estável e sem os confrontos entre os palcos e toda a pressão que os mesmos tiveram na sua vida com horários, cansaço e vontade de deixar tudo para trás.