Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Informador

13
Fev20

Leituras que prendem

livro.jpg

 

Simples perceber quando um leitor está totalmente agarrado à história que tem entre mãos!

Existem aquelas leituras que demoram, que se não lermos hoje passamos para amanhã e até ficamos por vezes alguns dias sem pegar no calhamaço para seguir em frente com o enredo, arrastando até mais não. E depois existem os bons livros que ao começarmos entendemos que vamos ter um amigo diário de levar connosco para qualquer local e ao longo dos dias. 

Ler enquanto se toma o pequeno-almoço, na pausa do trabalho, após as refeições, ao deitar, naqueles períodos em que se espera por alguém, nos transportes, em viagem como pendura... Estas são as leituras que nos prendem, agarram e não nos deixam tirar os olhos do livro, desfolhando página a página, marcando nomes e passagens, querendo conhecer cada personagem, pesquisando locais, acreditando na veracidade ou questionando situações. 

A grandeza de uma boa leitura é entendida quando o livro faz, durante horas ou dias, parte da nossa vida e não fica a grande distância das nossas mãos, para que sempre que possível possa ser aberto, ler uns parágrafos, regressar à vida além da literatura a pensar que assim que surja a oportunidade lá estamos com todas aquelas páginas na mão para sabermos mais um pouco sobre o que está e estará para acontecer. 

11
Jan20

Não Chames Noite à Noite | Amos Oz

D. Quixote

não chames noite à noite capa.jpg

 

Título: Não Chames Noite à Noite

Autor: Amos Oz

Editora: D. Quixote

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2019

Páginas: 272

ISBN: 978-972-20-6910-6

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Em Tel Keidar, uma pequena cidade situada junto ao deserto do Neguev, a morte brutal de um jovem adolescente, possivelmente por overdose, vai interferir no equilíbrio íntimo do casal Theo e Noa, fragilizado pela diferença de idades, pela ausência de filhos, pelo tédio e pela incomunicabilidade.

Com um virtuosismo inexcedível, Amos Oz faz alternar essas duas vozes narrativas, a de Theo e a de Noa, juntando-lhes ainda a do narrador, cronista anónimo que por vezes cede a palavra ao «coro» dos habitantes da cidade.

Assim, como que reunindo progressivamente todas as peças de um puzzle, o autor revela-nos a intimidade mais profunda de dois seres, ao mesmo tempo que retrata as tensões de uma pequena comunidade, recheada de personagens excessivos e pitorescos.

Não Chames Noite à Noite é uma preciosa sinfonia de humanidade em que Amos Oz explora com incomparável discernimento as possibilidades - e os limites - do amor e da tolerância.

 

Opinião: Um livro sobre o amor vivido de forma diferente entre duas pessoas que se querem, com alguma diferença de idades, que se estimam, apoiam enquanto enfrentam a realidade, as perspetivas de mudança, os objetivos de cada um sem compatibilidade com o seu par, mas onde o apoio surge, mesmo que não seja de imediato. 

Theo é um arquiteto de sessenta anos, casado com Noa, professora com praticamente menos quarenta anos. Casados por amor, sem filhos e com pouco em comum, Theo e Noa são diferentes, ele mais calmo e pacifico, ela impulsiva, teimosa e com vontade de mudar o Mundo. Nesta história a morte de um jovem aluno de Noa dá o mote para se querer investir, organizar, criar e apoiar quem vive no mundo da droga, mesmo que toda uma sociedade local se oponha à ideia. Um bom argumento mas muito mal desenvolvido e contado. 

07
Jan20

A Irmandade - Ameaça Global | Pedro F. Ribeiro

Editora Gato-Bravo

a irmandade capa.jpg

 

Título: A Irmandade - Ameaça Global

Autor: Pedro F. Ribeiro

Editora: Editora Gato-Bravo

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2019

Páginas: 240

ISBN: 978-989-8938-43-5

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: No livro A Irmandade – Ameaça Global, a aventura policial criada pelo escritor Pedro F. Ribeiro, acompanhamos a história do pequeno Lucas que, aos doze anos, sofre uma tragédia em família. Todos são mortos e ele é o único sobrevivente. Quem o acolhe é Hércules, que o leva para ser treinado e para crescer dentro do rigor militar de uma força clandestina, a Irmandade. A equipa compunha-se de Hércules, Prometeus, Atlas e o seu mais recente integrante, Lucas. Todos eles eram igualmente marcados pela violência e buscavam fazer justiça com as próprias mãos. Acompanhado, em maior parte, pelo seu mentor, Lucas lutará contra as suas emoções e a sua natureza, enquanto lida com as ameaças, neste romance de sangue, suor e lágrimas.

 

Opinião: Pedro F. Ribeiro estreia-se na literatura com este seu A Irmandade - Ameaça Global e desde já posso dizer que logo pelos primeiros e curtos capítulos, fiquei convencido com a história que me estava a ser contada sobre Lucas, ou melhor dizendo, Espectro. 

Com um início bem explicativo e onde é dado a conhecer Lucas em ambiente familiar para que fique a solo no Mundo, sem mãe e irmão. Com a morte de ambos, a criança é levada por Hércules, um completo desconhecido que o recolhe para um ponto distante onde lhe dá a conhecer outros dois jovens, Atlas e Prometeus. A partir daqui, Lucas entra na Irmandade onde a grande aventura começa com treinos, sanções, aprendizagens, dedicação e um só intuito, a defesa. 

Iniciando de forma calma e explicativa, este romance funciona na perfeição, dando a conhecer o essencial sem cansar para que a ação entre na rapidez necessária que prende o leitor por conseguir cativar pelas personagens bem construídas e apresentadas, sejam elas as que estão do lado do bem e as que parecem de tudo fazer para não deixarem saudades, mesmo com o impulso que transmitem ao desenrolar da história. 

07
Dez19

Tundavala | Paula Lobato de Faria

Clube do Autor

tundavala.jpg

 

Título: Tundavala

Autor: Paula Lobato de Faria

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Novembro de 2019

Páginas: 352

ISBN: 978-989-724-501-5

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Inspirado em acontecimentos reais, a memória de um tempo de guerra e segredos e a luta pela liberdade nos anos da ditadura.

Depois de uma muito elogiada estreia literária com Imaculada, Paula Lobato de Faria regressa às livrarias nacionais com uma narrativa ainda mais ousada. Tundavala decorre nos últimos anos da ditadura e viaja entre Angola, Lisboa e Londres.

Aí encontramos as personagens centrais deste livro, quase todas em lutas interiores contra um passado de mentiras, segredos e submissão. Cristiana e Lourença, próximas desde crianças, estão hoje separadas pelo destino, uma em Lisboa, outra na guerra em Angola.

Portugal encontra se na agonia do salazarismo; o país vive a censura e a repressão da PIDE, abafando escândalos sexuais, massacres e atentados aos direitos humanos nos territórios em guerra. E é neste fervilhar de acontecimentos políticos e sociais que as vidas de Cristiana e de Lourença sofrem inesperados encontros e reencontros capazes de transformar as suas vidas para sempre.

 

Opinião: Paula Lobato de Faria voltou a surpreender com Tundavala, embora tenha a confessar que esperava mais. Após a boa estreia com Imaculada, Tundavala veio para dar seguimento a um enredo familiar onde o amor e os desgostos ganham lugar entre vidas que afastaram mas que mantiveram sempre o pensamento sobre os «ses» que poderiam ter acontecido através de outros seguimentos ao longo dos percursos pessoais que se tornaram opções. Afastamentos por desgosto, amores destruídos por desaires familiares, riquezas que prevalecem perante a real paixão. Tundavala é a procura da recuperação de memórias em tempos de guerra e segredos bem guardados e que alteraram cada desenvolvimento dos protagonistas envolvidos em enredos complexos desenvolvidos por quem mobilizou marionetas ao longo do tempo a seu belo prazer.

Relembrando a época de 1966 e tocando em temas históricos reais, os medos e receios sobre os silêncios que eram impostos num país controlador, fechado e onde o pouco e aparentemente vulgar significava uma afronta familiar e social. A liberdade não existia, os exílios políticos eram uma realidade, os sacrifícios persistiam e as vidas ficavam moldadas com todos os problemas que iam surgindo e fundamentalmente os medos que acabavam por se bater com os conformismos impostos pela época. 

 

16
Out19

Deixa-me Mentir | Clare Mackintosh

deixa-me mentir.jpg

 

Título: Deixa-me Mentir

Título Original: Let Me Lie

Autor: Clare Mackintosh

Editora: Cultura Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2019

Páginas: 320

ISBN: 978-989-8979-03-2

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Depois do seu pai e da sua mãe terem acabado com as próprias vidas de maneira muito parecida, em dois suicídios brutais e com intervalo de apenas alguns meses, Anna está a tentar virar a página do passado trágico e recomeçar a sua vida.

O novo namorado e a filha trouxeram alguns sorrisos no meio do caos. Mas, mesmo com todo o esforço para superar os traumas e se entregar aos novos começos, o seu passado, de repente, volta à tona trazendo ainda maior dor e devastação.

No primeiro aniversário da morte da sua mãe, Anna recebe um bilhete anónimo e perturbador: Suicídio? Pensa melhor. Será possível que alguém possa fazer uma brincadeira dessas? Ou, de facto, há algo por descobrir por trás do suposto suicídio dos seus pais?

Deixa-me Mentir tem o ritmo avassalador das grandes obras primas do thriller internacional. Cheio de reviravoltas, deixa qualquer leitor em estado de alerta da primeira à última página.

 

Opinião: Após o sucesso de um grande enredo que foi Deixei-te Ir, acreditei que com Deixa-me Mentir teria também uma grande obra em mãos de Clare Mackintosh. Logo com o início da leitura percebi que estava completamente enganado e assim se confirmou até ao final. A questão que fui colocando enquanto arrastei esta obra comigo foi mesmo na ideia que a autora terá tido para alterar os temas base com que vinha a liderar anteriormente, mudando para pior, e criando desta vez uma história dececionante que em nada consegue acompanhar os sucessos anteriores. 

Com um estilo que agradou aos leitores através do suspense criminal, desta vez Clare decidiu baralhar demais, criando um thriller psicológico a que não conseguiu sequer dar um bom arranque para prender quem está do outro lado. Não consegui entrar nesta obra como desejado, não criando empatia com qualquer personagem por existir falta de capacidade para uma que fosse chegar junto do leitor. Todos pareciam peões armados, ora vai para aqui, ora aparece do outro lado porque alguém anda atrás de ti e tu já não devias existir. Entendi a ideia base, isso sim, mas a forma como tudo foi desenvolvido correu tão mal que senti pena deste livro por ser uma autêntica nódoa perante o que foi feito anteriormente.