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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

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As Três Sozinhas | Teatro Nacional D. Maria II

09
Jul19

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Três criadoras e uma multidão de mulheres dentro delas. As reais e as outras, as desejadas e as outras, as bruxas e as outras, as da ficção e as outras. A pensar, a voar, a mastigar, a lembrar, a atear. De Circe a Medeia, com Sereias, Hárpias e Górgonas. Mais as três Moiras e a madrasta da Branca de Neve, Joana D’Arc e Ana Bolena. E Capicua, Elza Soares e Patti Smith, Pussy Riot, Femen e Guerrilla Girls. Sem esquecer Maria Lamas, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Judite de Carvalho. Convocando Frida Kahlo e Agnès Varda, Virginia Woolf e Anna Akhmátova, Isadora Duncan e Marina Abramovic. Invocando Judite com a espada de Holofernes, Lorena Bobbitt com uma faca de cozinha, Valerie Solanas com uma pistola. Lembrando Eastwick, Salem e Aljezur, o Relatório Hite, o Teste Bechdel e o Ponto G. E ainda Simone de Beauvoir, Camille Paglia, Judith Butler, Angela Davis, Virginie Despentes, Betty Friedan, Maya Angelou, Rebecca Solnit, Malala Yousafzai, Gloria Steinem, Chimamanda Ngozi Adichie. A lista é interminável, uma longa espiral de mulheres a girar em torno de uma clareira na floresta à noite. Elas estão em chamas.

As mulheres ganharam espaço na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, através da peça As Três Sozinhas, onde as atriz e produtoras desta produção Anabela Almeida, Cláudia Gaiolas e Sílvia Filipe dão vida a várias mulheres ao longo de cada sessão até ao dia 14 de Julho.

Ao longo de hora e meia de espetáculo as atrizes chamam a palco várias personalidades femininas do mundo do espetáculo para mostrarem como as personalidades, vivências e contradições sociais criaram cada rosto que se tornou célebre mas com várias nuances pela sua vida privada. Ana Bolena, Angela Davis, Frida Kahlo, Joana D'Arc, Simone de Beauvoir e Virginia Woolf são apenas alguns dos nomes destacados neste espetáculo onde é mostrada a contradição das mulheres perante o que estavam pré-destinadas. Todas lutaram pelos seus direitos, pelas desigualdades e vontades para se destacarem num mundo machista e recheado de dificuldades para com a diferença.

As vulnerabilidades e instabilidades do mundo feminino são retratadas nesta peça através de conversas íntimas entre três mulheres que se conhecem há duas décadas e que partilham memórias e experiências num trabalho onde a envolvência existe. A palavra áspera e sem cortes, as intimidades, a nudez sem complexos e os sonhos de cada mulher são evocados para contrariar tanto medo, receio e falta de poder numa sociedade fechada e onde as regras tinham de ser seguidas a favor das aparências. Debatendo o feminismo, o papel da mulher na sociedade, a violência doméstica, maternidade, abuso de mulheres, o corpo e o prazer, vários são os temas em destaque nesta representação.

Montanha-Russa | Teatro Nacional D. Maria II

25
Jan19

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Entrei numa Montanha-Russa ao entrar na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, onde nem sabia bem ao que ia. Mergulhei de forma repentina num mundo de adolescentes, distribuídos entre quatro décadas diferentes.

Da autoria de Inês Barahona e Miguel Fragata, que também é o encenador deste trabalho, Montanha-Russa junta em palco os atores Anabela Almeida, Bernardo Lobo Faria, Carla Galvão e Miguel Fragata aos músicos Nuno Rafael, Miguel Ferreira, Helder Gonçalves e Manuela Azevedo, dos Clã, num trabalho onde as vivências do passado se intercalam com temas representativos do que vai sendo contado através de viagens no tempo compostas por recordações em diários, folhas e através das novas tecnologias e conceitos de partilha online. Afinal de contas o que escrevemos em diários e blogs são passagens intimas ou para serem conhecidas pelos outros? Quem é quem na intimidade e rascunhos privados de cada adolescente?

Montanha-Russa é um musical que retrata o mundo dos adolescentes e destinado aos mais diversos públicos. Com recurso a conversas em várias escolas de todo o país e com grupos de jovens, os autores desta peça entraram na privacidade dos adolescentes para darem vida a este trabalho que acaba por ser um diário secreto de cada interveniente que primeiramente partilhou na sua intimidade os seus pensamentos, objetivos e sonhos para mais tardes os comentar e querer ver as interpretações de quem está do outro lado. Num autêntico mundo vertiginoso de altos e baixos e onde tudo pode desabar a qualquer momento, a adolescência é o que o título afirma, uma autêntica Montanha-Russa que acompanha o percurso de quatro adolescentes que são acompanhados com música ao vivo para se darem a conhecer ao público. O dia-a-dia é assim recordado através de lembranças de diários escritos e onde as vivências são assim posteriormente comentadas e refletidas em palco com o acompanhamento de canções.