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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

17
Ago18

Desapego literário

| O Informador

livros e mais livros.jpg

Afirmações e questões como «Deves ter tantos livros que os tens de começar a oferecer!», «Onde arrumas todos os livros que já leste?» e pedidos para mostrar as estantes onde coloco as leituras surgem ao longo do tempo e por consequência uma outra questão se levanta sobre o desapego literário.

Confesso que até aos dias que correm tento manter todos os livros lidos comigo, bem perto por casa, e mesmo quando empresto, um pouco em contradição, faço para que o devolvam rapidamente, só quando o livro pouco me diz é que o deixo partir mas fico com a memória que emprestei e não dei, embora as pessoas por vezes façam para não o devolver e quando sinto um maior desapego acabo por me fazer de esquecido. 

O desapego para com os livros é algo que ainda não consigo fazer. Posso dar roupa, discos, sapatos e outros objetos que vão passando por mim, mas livros é daquelas coisas que uma vez lido fica comigo. Por vezes se me pedem um livro emprestado prefiro até dar a escolher entre a lista dos que estão em espera, sabendo assim que se não voltarem por falta de memória do outro lado, pelo menos não fico com o pensamento de que a história é tão boa e agora o meu exemplar, aquele com que partilhei algumas horas, partiu e está sabe-se lá onde. 

Dizer adeus fisicamente a um livro é algo que me custa e mesmo só de pensar pareço ficar com um género de urticária, sabendo de ante mão que o livro vai e que além de não poder voltar, se regressar geralmente não vem nas condições com que foi. 

30
Mai18

A despedida

| O Informador

tempo sonhar partir.jpg

As despedidas nunca foram o meu forte e hoje serei eu a deixar o projeto onde permaneci por um ano, primeiramente com vontade de agarrar o lugar e para o fim com a ideia que o final tinha de acontecer o mais rapidamente possível a favor do meu próprio bem estar.

Hoje é o dia, exatamente um ano após o primeiro, quando tudo começou, sendo necessário aprender tudo sobre uma área que não conhecia. Com um primeiro mês de aprendizagem e onde o desenrascar era necessário, as coisas foram acontecendo e hoje saio com o sentimento de missão cumprida, dando o meu melhor, esteja num bom estado de espírito ou não, aqueles momentos são para dar o que melhor tenho em termos laborais e isso não me falha, ou raramente falha. A equipa sempre me deu incentivo e no momento em que aos poucos se ficou a saber que a minha saída estava prevista por vontade própria vários foram os que tentaram fazer-me voltar atrás numa decisão já tomada. Sou de ideias exatas e quem me conhece sabe que quando tomo uma decisão que a mesma é para levar em diante e assim foi. Quase dois meses passaram após a conversa sobre a saída e hoje entrarei, subirei as escadas para mais um dia normal de trabalho, onde nem o facto de mudar de funções me fez ficar porque a vontade já foi decidida e não há quase volta a dar.

Trabalharei até à última hora do horário destinado, ensinarei quem ficará no meu lugar e deixarei o lugar com a certeza que fiz um bom trabalho. Os meus pensamentos não estão sozinhos nesse campo e quando se tem uma equipa a mostrar agrado pelo que foste fazendo e da forma como evoluíste rapidamente numa área laboral que não era a tua, é bom. Sempre é bom receber elogios e quando se tem ideia de que se está bem e se consegue perceber pelos outros que tens razão no que pensas sobre ti, perfeito.

Hoje será o Adeus, sei que irei soltar uma lágrima e que estes doze meses ficarão para sempre na lembrança. Trabalhei, conversei, brinquei, sorri e até me deixei emocionar. Muito aconteceu ao longo desta passagem com dias menos bons por me sentir sem vontade para enfrentar as horas onde já não estava bem, mas sempre disfarçando e dando o melhor que consegui. Mas também onde os bons momentos acabam por abafar os menos bem passados. 

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