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Please Like Me | T1 a T4 | Da surpresa ao cansaço

Netflix

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A Netflix juntou ao seu catálogo as quatro temporadas da série australiana Please Like Me, e no início deste complicado 2021 senti necessidade de ver uma produção com algum sentido de humor e arrisquei nesta oferta da plataforma. Se primeiramente fiquei convencido, quando segui para as duas últimas temporadas já não conseguia aguentar Josh, a personagem central, interpretada pelo ator, diretor e autor da série, Josh Thomas. 

Vivendo da experiência de Josh Tomas, esta série retrata as vivências de um jovem adulto gay, sem emprego, a partilhar casa com o melhor amigo heterossexual e com visitas regulares de amigos, conhecidos e engates de ambos, sem esquecer que os pais separados de Josh andam sempre por perto, por necessidades mútuas dentro de vários prismas familiares. Josh, após ver o seu relacionamento com Clairie terminar, por esta acreditar que o jovem é gay, decide perceber se existe algum fundo de razão nas ideias da agora amiga e tem a sua primeira experiência homossexual. A partir desta descoberta está aberta a discussão sobre sexo, drogas e poderia até acrescentar rock and roll. A descoberta dos relacionamentos gay, o debate sobre ciúmes, conflitos internos e aceitação familiar é feito através de uma personagem bastante incomum que chega a roçar o ridículo pelos seus atos e forma de estar, cansado mesmo pela sua forma de se expressar e mostrar sentimentos por quem lhe é próximo, mesmo que temporariamente. Se de início a excentricidade é aceite por quem vê e até se diverte, com o desenrolar da história o cansaço reflete-se porque a empatia vai desaparecendo pelos excessivos e demasiados gestos, gritos e caretas que este Josh transmite de forma constante mas que acaba por perder toda a piada por não existir uma evolução consciente e necessária, sendo muito mais do mesmo e criando um humor que acaba por perder o encanto inicial. 

No que toca às restantes personagens posso avançar que é neste ponto que existe alguma, não toda, normalidade, pelo menos não existe excentricidade em demasia, suportando assim a série até ao fim somente pelo destaque que uns e outros vão ganhando. Tom, o melhor amigo, que vai alterando de namorada algumas vezes, Clairie, a ex-namorada de Josh e que permanece como amiga de forma divertida e conselheira. Depois existe Rose, a mãe do jovem, que se torna hilariante em certos momentos quando necessita dos cuidados do filho e até do ex-marido Allan, que casou com uma tailandesa meio desconfiada, Mae. Isto além dos novos relacionamentos de episódios de Josh, trazendo e levando personagens que acabam por permanecer até ao final da série com finalidades diferentes. 

Num contraste de sentimentos, esta produção conquista e cansa como referi, sendo uma série fácil de ver de forma seguida sem existir uma base contínua para os episódios, já que pode saltar do drama ao humor, sem esquecer a ironia e o sarcasmo, de episódio para episódio, tendo ainda o facto de contar com pequenos capítulos de forma a oferecer uma certa leveza ao espetador que nem chega a perceber se Please Like Me se insere na categoria de drama ou como uma sitcom