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O Informador

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O Pecado da Gueixa | Susan Spann

13
Ago18

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Título: O Pecado da Gueixa

Título Original: Claws of the Cat

Autor: Susan Spann

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Junho de 2018

Páginas: 312

ISBN: 978-989-724-432-2

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Quioto, 1564. O padre Mateus, um jesuíta português, está no Japão como missionário. Quando uma gueixa convertida ao cristianismo é acusada da morte de um samurai, o padre compromete-se a ajudá-la, arrastando o seu protetor, o mestre ninja Hiro Hattori, para a investigação. Segundo o código samurai, o filho tem o direito de matar o assassino do pai para repor a honra da família. E se o padre e o ninja não conseguirem provar a inocência da jovem em dois dias, também serão mortos. 

Ao mergulhar nas perigosas águas do mundo noturno de Quioto, percebem que toda a gente – desde a esquiva proprietária da casa de chá até ao desonrado irmão do morto – tem um motivo para querer manter a morte do samurai envolta em mistério. As pistas amontoam-se e apontam para demasiados suspeitos: da rara arma do crime utilizada preferencialmente por assassinas ninjas, a uma mulher samurai, passando por uma relação amorosa, um viajante incógnito e alguns negócios obscuros. 

E tudo parece piorar quando a investigação põe a descoberto uma hoste de segredos que ameaça não só a vida deles, mas também o futuro do Japão.

 

Opinião: A cultura japonesa está em grande destaque em O Pecado da Gueixa, através da perceção das regras comportamentais de um ninja, Hiro, protetor de um padre português, Mateus, que juntos irão investigar a morte de um samurai, Akechi-san, numa casa de chá e num intervalo do seu entretenimento com a gueixa Sayuri.

Neste livro o leitor é convidado a entrar num Japão do século XVI para embarcar numa viagem onde de forma subtil vai convivendo com factos que destacaram desde sempre uma comunidade oriental. As regras culturais onde se encaixam a educação e o respeito pelo outro, a honra familiar e os procedimentos entre estatutos são dadas a conhecer de forma leve, sem cansar, neste livro bem encadeado e de forma a conseguir contar o enredo criado ao mesmo tempo que factos e costumes históricos vão sendo demonstrados com a introdução de apontamentos que vão dando a perceção mais exata de como tudo acontecia. 

Ao mesmo tempo que as aulas de história japonesa acontecem perante um leitor que se centra na procura de um assassino com Hiro e Mateus, a narrativa vai andando, sendo visitados locais por onde os principais suspeitos podem ter passado. Quem será o culpado pela morte de um homem que aparentava tudo ter e controlar quando afinal se torna o elo mais fraco de uma sociedade do querer é parecer, sempre a favor dos costumes e tradições?

Gostei da história pensada, no entanto senti que faltou ação no desenrolar da história, existindo ausência de pontos que deixam o leitor curioso com o que vai acontecer a seguir. Tudo se desenrola de forma rápida, não existindo muito espaço para se elaborarem teorias, além de que as personagens não vão dando grandes pontos sobre o que vão descobrindo acerca dos suspeitos, para que o leitor se sinta dentro da narrativa, fazendo com que existam suspeitos e ajudando a criar teorias como é pretendido num bom thriller. Senti a ausência do chamamento perante tudo o que vai sendo contado, vendo falta da revelação de pontos que me entusiasmassem a pensar que o culpado poderia ser determinada personagem para logo a seguir encontrar motivos para mudar de ideias. Certo que sempre desconfiei do verdadeiro assassino desde o início, mas as coisas podiam ser tão bem baralhadas por parte da autora. 

O que noto é que o trabalho histórico a nível dos factos marcantes da cultura japonesa são bem retratados e de forma leve, mas depois a parte central do que é contado deixa um pouco a desejar perante quem gosta de ver boa ação e sentir que os suspeitos têm motivos para serem os culpados de um crime, mesmo que no final se perceba que só um foi o verdadeiro homicida. Falta acima de tudo uma boa comunhão entre a aula histórica e a criação de cenários por onde senti a ausência de descrição mais pormenorizada, tal como a explicação de como determinadas personagens chegam perante outras ao longo do tempo, principalmente a dupla de detetives inesperada.

Existe ao mesmo tempo a introdução de um pequeno gato logo no início do que vai sendo contado, esperando-se que este apontamento ganhe destaque ao longo do tempo, que não passam de dias, mas não, dando quase a ideia que o animal foi inserido para preencher um espaço sem nexo. Qual a necessidade de ser introduzido logo como ponto chave para depois não ter grande relevância? Um ponto que não percebi e que até pode passar ao lado da maioria dos leitores. 

O Pecado da Gueixa é um livro que une thriller e história mas que não consegue baralhar de forma exemplar os dois conteúdos, destacando-se muito mais a parte descritiva da sociedade do século XVI que o enredo criado por Susan Spann perante duas personagens que podiam dar muito mais perante um leitor que gosta de seguir os pontos essenciais de um crime com tudo a que tem direito.