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O Informador

12
Abr20

O Beco da Liberdade | Álvaro Laborinho Lúcio

Quetzal Editores

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Título: O Beco da Liberdade 

Autor: Álvaro Laborinho Lúcio

Editora: Quetzal Editores

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2019

Páginas: 240

ISBN: 978-989-722-616-8

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Alguém quer escrever um romance e precisa de uma história. Floriano Antunes, velho jornalista, tem uma boa história que precisa de ser reescrita.

Há cinquenta anos, numa pacata vila do Norte Interior, foi cometido um estranho homicídio. A pena então aplicada ao réu, pela sua brandura, deixou a pairar a dúvida quanto às verdadeiras razões que a terão determinado. Cinquenta anos volvidos, o mesmo juiz, Guilherme Augusto Marreiro Lessa, agora viúvo e reformado, vai responder acusado de outro crime. Nos dias que antecedem o julgamento, Guilherme Augusto recebe em sua casa Floriano Antunes, que se deslocara propositadamente para o entrevistar. O jornalista que, enquanto muito jovem, acompanhara e escrevera toda a história do homicídio, vendo o seu artigo cortado pela censura, encontrava a oportunidade para a retomar, diante do mesmo juiz, agora nas vestes de acusado. 

O jornalista acredita saber tudo sobre os antigos factos e intervenientes: a causa da morte, o suspeitado envolvimento amoroso do juiz, a teia de personagens, como Maria Cacilda, viúva da vítima e senhora de poderes divinatórios; Joaquim Quitério, o tolo da aldeia; o subinspetor Gervásio Ventura, da Polícia Judiciária, e o agente Jacinto Correia; Hildebrando Moreira de Castro, notário na reforma e decano no reviralho; a menina Julinha, fiel representante do diálogo de sombras entre as públicas virtudes e os vícios privados; e Narcisa, a misteriosa e fiel governanta da família Marreiro Lessa. 

Porém, o encontro dos dois homens e a conversa que mantêm ao longo de dias revelarão contornos bem diversos, trama e personagens bem mais complexas, que os levarão ao mais profundo da condição humana, ao confronto de sempre entre o bem e o mal, a liberdade e a ética, a consciência e Deus. O inesperado, entretanto, não vai ficar por aí, e o dia do julgamento reserva a derradeira das surpresas.

 

Opinião: Álvaro Laborinho Lúcio convida o leitor que percorre as páginas desta obra a conhecer uma pequena povoação no interior do país onde todos os elementos são fundamentais e distintos entre si. Em O Beco da Liberdade acompanhamos dois narradores distintos na voz de um escritor que procura uma nova história para contar e do jornalista Floriano Antunes com algo para ser relatado. A narrativa começa e os pormenores vão sendo contados à medida que o leitor se sente entusiasmado para saber um pouco mais sobre a vida de Guilherme Augusto Marreiro Lessa, um juiz reformado que está agora como réu mas que no passado sentenciou uma pena bem leve perante um crime.

No passado os artigos de Floriano Antunes sobre a situação do juiz foram rasurados, mas hoje o juiz em causa pode ser inquirido para se esclarecerem verdades que todos sabiam mas que também todos omitiam. O passado mal explicado volta a ser revivido no presente entre decisões mal resolvidos que mais cedo ou mais tarde são descobertas e acabam por trair até aquele juiz que sentenciou a seu favor o caso de outro mas que uns bons anos depois é chamado à razão pela mesma justiça onde já foi o senhor da palavra final. As revelações, os equívocos, as demonstrações e acima de tudo o confronto com a verdade perante os envolvidos numa situação entre ainda vivos e mortos onde uns usaram e outros foram usados a favor da liderança e da boa imagem.

Distinguido em duas partes, com o escritor a contar o que foi sabendo das informações encontradas e a segunda com o confronto entre o jornalista e o juiz, O Beco da Liberdade é um romance que coloca em causa o poder da justiça entre julgados e quem tem o poder de decisão, tal como em muitas situações da vida. Até onde a formalidade e as aparências contam para colocar de lado os podres e as omissões que prevalecem num confronto pessoal entre a apresentação perfeita perante a sociedade e os meandros obscuros das reais vontades de cada um.

Nesta narrativa portuguesa contada de forma rápida, leve e sem enrolar, o poder da perspetiva sobre o bem parecer e o ser estão em constante destaque com os sucessivos atropelos que acabam por demostrar que nem sempre se consegue ser o que se quer parecer. 

 

 

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