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Louca | Chloé Esposito

Bertrand Editora

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Título: Louca

Título Original: Mad

Autor: Chloé Esposito

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Fevereiro de 2018

Páginas: 384

ISBN: 978-972-25-3458-1

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Louca é um thriller passado em Londres e na Sicília, no espaço de uma violenta semana de verão, e que explora os temas do ciúme e do engano, do crime e da inveja. Uma gémea não só se apodera da vida perfeita da irmã, como se dispõe a continuar a vivê-la.

Alvie Knightly está muito em baixo: sem objetivos na vida e a beber demais. A sua vida é ainda pior se comparada com a de Beth, a sua irmã gémea e perfeita. Beth casou-se com um italiano lindo e rico, tem um bebé maravilhoso e sempre foi a preferida da mãe. Há muito tempo que a única coisa que as gémeas têm em comum é a aparência.

Quando Beth envia um bilhete de avião à irmã para que a visite em Itália, Alvie mostra alguma relutância. Mas quando é despedida do emprego que detesta e os companheiros de casa a põem na rua, começa a mudar de ideias e a pensar na luxuosa villa de Taormina. Beth pede à irmã que troque de identidade com ela durante umas horas, para poder escapar à atenção do marido. Alvie agarra com unhas e dentes a oportunidade de viver a vida da irmã, ainda que temporariamente. Porém, quando a noite acaba com Beth morta no fundo da piscina, Alvie dá-se conta de que aquela é a sua oportunidade de mudar de vida.

E, afinal, o que escondia Beth do marido? E porque é que a convidou para ir a Itália? Alvie vai descobrindo segredos e mentiras à medida que mergulha mais fundo na vida da irmã morta. E terá de fazer de tudo para conseguir suportar as suas próprias mentiras.

 

Opinião: Louca é daqueles thrillers com uma forte componente de romance e erotismo à mistura que começa de forma calma e que aos poucos ganha uma posição que acaba por criar interesse para que se queira seguir a história de Alvie de forma compulsiva. 

Esta jovem mulher é apresentada pelo início da narrativa como uma pessoa desamparada, solitária, sem emprego e com algum ressentimento perante as conquistas da sua irmã gémea, Beth. Pobre, sem rumo e a viver em solidão, ao contrário da irmã com um casamento aparentemente perfeito e sólido com Ambrogio, com um filho fruto da relação e com uma vida que aos olhos de Alvie vive dentro de uma bolha de perfeição. O leitor é convidado a conhecer por longas páginas esta mulher empertigada e desorientada com o que tem, sentido ser fruto das escolhas da própria mãe no passado, quando em pequenas sempre se sentia colocada em segundo plano face a Beth.

Após se ficar preso a todas as frustrações de Alvie, eis que do nada, após meses sem comunicação, Beth apela para que a irmã a visite em Itália. Sem emprego, despejada de casa e sem rumo, Alvie acaba por ceder aos insistentes convites da irmã e de imediato parte para conhecer todas as mordomias da família que Beth constituiu nos últimos tempos. O que terá a irmã perfeita preparado para querer Alvie perto de si de forma tão repentina e inesperada?

E é a partir do momento em que a junção no mesmo espaço acontece com as gémeas que os reais problemas surgem. Alvie quer a todo o custo alcançar a vida perfeita de Beth, já esta, como se percebe desde cedo, não apelou sem interesses à deslocação da irmã e no espaço de dias o leitor fica a saber tudo o que se passa por detrás do que parecia ser um convite indefeso entre duas irmãs que perderam anos pelo distanciamento e contrastes entre si. 

Louca é aquela narrativa em que acompanhamos o vilão, o que parece de início o inocente sonhador e pelo qual nutrimos carinho pela sua história inicial para percebermos que através da sua sede de vingança e vontade de tudo consegue fazer para triunfar no que sente que deveria ser seu por direito. Cada movimentação revela segredos, cada desenlace deita abaixo a imagem da perfeição, deixando que a ambição deixe cair toda uma imagem onde o futuro deixa de ser um objetivo dado como certo, sendo necessário manter o presente onde entraves vão surgindo de forma sucessiva entre cenas de sexo, vontade de vingança, mortes, fugas e muita omissão. O importante é tirar a quem tem para se ficar bem, entrando numa catadupa de erros sucessivos e enganos espontâneos e já esperados para que no fim se entenda que de bom senso Alvie pouco tem.

Com ritmo constante e com cada capítulo a basear-se nos sete pecados capitais, Louca vive muito do mistério, dando a autora um grande destaque ao inesperado, já que a base desta história é a sobrevivência necessária para se seguir em frente, dê por onde der. A cada pecado a ideia base altera, dando destaque a outras personagens que ficam próximas de Alvie e que trazem consigo sempre duplas intenções devido às suas ligações para com Ambrogio e Beth.

Uma história bem conseguida com uma vilã no papel central mas sendo apresentada como se fosse a vítima. O leitor fica convencido e deixa-se levar pelos seus primeiros comportamentos irrefletidos até que vai percebendo que os mesmos se sucedem mas que a opinião sobre a mesma não se altera, visto a conquista ser feita de forma inicial e sem grandes possibilidades de ver Alvie como a má da fita de serviço. 

No final não fiquei com uma ideia formada em relação ao sentimento nutrido por Alvie, visto ser uma personagem inconstante do início ao fim, vivendo focada em objetivos mas sem bases concretas para os alcançar. Num excelente trabalho de criação, Chloé iniciou esta trilogia em bom, convencendo mas não chegando para que esta seja uma das leituras do ano. 

 

 

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