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O Informador

16
Out20

Literatura recheada de Covid19

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Por estes dias, ao ler uma romance de autor nacional e com características bem rurais do nosso país, dei por mim a perceber que enquanto lia estava a visualizar cada cena, mas a colocar as personagens de máscara de proteção para com o querido Covid19 no rosto quando não estavam entre familiares em casa, existindo mesmo momentos em que por esquecimento achei estranho, de forma inconsciente, personagens estarem num bar após um jantar bem animado de grupo, com o espaço cheio e sem quaisquer problemas. 

Detetei naquele momento, e já não foi um acontecimento isolado ao longo desta leitura e de outras, que o meu inconsciente começa a estranhar ler e seguir histórias de ficção onde a nossa atual realidade não é descrita. Isto é mau psicologicamente, eu sei, mas estas ideias surgem enquanto estou calmamente no meu canto a ler e a tentar desfrutar dos momentos que tenho para me dedicar aos livros, não me conseguindo assim abstrair deste caos que nos veio atormentar. Será de mim ou alguém já deu por si a criar o cenário das histórias que está a ler em ambiente de pandemia e a perceber que cada cena não é possível por existir demasiada proximidade entre desconhecidos e colegas de trabalho e sem qualquer tipo de proteção para com o Covid19?

Com isto sugiro urgentemente que um autor dos tempos modernos esteja a escrever um bom romance, daqueles dramas do amor quase à primeira vista, com os entraves do costume e ainda com todos os percalços que esta realidade de 2020 nos tem trazido ao dia-a-dia. Não necessito de thrillers orgânicos e pesados, só quero um romancezito puxado mas com álcool gel, máscaras, receios de aproximação e muito medo que um simples olhar seja o causador de tudo. Vamos então contar uma história dos tempos presentes ou recontar um sucesso com a atual verdade das nossas vidas? O primeiro que me enviem a sua obra para me ajudar a suportar este estado que já se está a entranhar em mim de transformar o normal num retrato do ano que será para esquecer. 

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