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O Informador

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Lisboa, Chão Sagrado | Ana Bárbara Pedrosa

Bertrand Editora

04
Nov19

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Título: Lisboa, Chão Sagrado

Autor: Ana Bárbara Pedrosa

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2019

Páginas: 224

ISBN: 978-972-25-3868-8

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Eduarda, Mariana, Noé, Matias e Dulcineia são os eixos desta história, numa teia que se estende de Lisboa ao Rio de Janeiro, do interior da Bahia à Palestina.

Nas ligações entre as personagens, a cama aparece como lugar de animalidade onde todos os conflitos, materiais ou emocionais, se resolvem: o amor, a falta dele, o tédio, a tristeza, o luto, a vingança, a excitação, o estímulo da decadência. De resto, são as expectativas frustradas, os desencontros, o improviso perante o novo.

 

Opinião: Se todas as estreias literárias fossem como a da Ana Bárbara Pedrosa o futuro estava mais que assegurado. Num romance livre, arrojado, natural e real, em Lisboa, Chão Sagrado um pouco da realidade social nacional é retratada através de histórias que se cruzam entre ruas, recantos, países e vários espaços íntimos e de prazer. 

Num romance que arrisca onde vários autores consagrados têm medo de tocar, Ana Bárbara Pedrosa tem nesta sua obra cinco personagens chave que se cruzam entre si e com quem apanham pelo caminho. O afeto entre Mariana e Eduarda, que com diferença de idades se atraem praticamente à primeira vista para um amor com significados distantes para cada uma. Se alguém se entrega de livre vontade, do outro lado existe o peso da idade que acaba por aleijar quem simplesmente só quer desfrutar dos sentimentos, do apoio e companheirismo. Mariana, a jovem com um Mundo para descobrir. Eduarda com muito vivido e sem querer prender a sua companheira aos anos que já lhe passaram pela frente. 

Após conhecermos estas duas mulheres com ideias diferentes sobre as relações e o que têm para dar, encontramos Nóe, que sai do Brasil para encontrar Eduarda em Lisboa, quando percebe que a sua paixão já está enamorada por outras paragens. Sozinho num país que não é o seu, procuro novas relações e o que para si seria impensável, acaba por acontecer, o encontro com Matias, um rapaz transexual que se sente homem mas ainda não fez todo o processo para alterar o órgão. Para Nóe esta relação estava praticamente condenada à partida, no entanto o facto de Matias ainda ter vagina ajudam a que tudo fluía com medos e receios perante o futuro. Ou seja, um homem apaixonado desde sempre por mulheres acaba por recuar quando se sente atraído por Matias, no entanto os sentimentos acabam por falar mais alto e o que poderia ser um conhecimento para uma ou duas noites é desenvolvido numa boa história, fluída e sem qualquer tipo de complexos com todas as descrições reais e fulcrais da relação entre os dois homens que são loucos por mulheres. 

A par destas quatro personagens existe também Dulcineia, a brasileira que fugiu para Portugal em busca do sonho de uma boa vida, mas acabando por ficar com as limpezas. A par dos dias árduos de trabalho, das saudades da família por estar longe dos seus e das contas contadas, Dulcineia adora um bom companheiro de cama e não se faz rogada quando as ofertas surgem. A dado momento também Dulcineia, que até aqui parece distante as personagens já apresentadas, cruza-se com Nóe e Matias na noite e o inevitável acontece. E mais não posso dizer!

Neste livro todas as personagens parecem andar numa autêntica corda bamba de sentimentos onde as relações se cruzam, o sexo é exposto a partir dos olhares, passando por todos os preliminares e chegando ao ponto final onde cada um tem o seu relatório único para contar. As vidas com cruzamentos, problemas, angústias, sonhos e frustrações relatadas de forma pormenorizada mas ao mesmo tempo em cenas rápidas, o que parece complicado de acontecer. Ana Bárbara Pedrosa tem um excelente ritmo narrativo, sem falhas, conjugando o português de Portugal com o português do Brasil com facilidade e criando histórias cruzadas e explicadas que não cansam, mostrando a realidade sem omissão, picando o ponto em momentos muitas vezes deixados de lado na literatura sem fugir, saltando de tempo, espaço e personagem com uma facilidade incrível. 

Uma estreia muito promissora que tem tudo para amadurecer com o tempo e num segundo romance que por mim poderá conter os mesmos ingredientes, dando-lhes mais vida com cenas longas sem maçar. Lisboa, Chão Sagrado é das melhores estreias nacionais dos últimos anos!

 

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