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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

24.04.17

Diário dos Imperfeitos [João Morgado]


O Informador

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Autor: João Morgado

Editora: Casa das Letras

Lançamento: Fevereiro de 2017

Edição: 1ª Edição

Páginas: 384

ISBN: 978-989-741-673-6

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Diário dos Imperfeitos é uma viagem à intimidade das pessoas. Vítima de um acidente, a Gaivota é uma mulher que precisa de redescobrir todas as emoções sequestradas dentro de si. Ao mesmo tempo, reaprende a conhecer o seu corpo - uma aventura refreada pela moral, pela sombra do pecado e pelo medo que pode levar à própria insanidade. Uma luta interior entre o bem e o mal, que leva a uma inevitável conclusão: todas as pessoas são imperfeitas!

Como irá reagir de novo à sua realidade? Voltará a ser quem era? E os que estão a seu lado, como vão sobreviver a esta viagem?

Uma escrita intimista, que procura descortinar os sentidos e as emoções dos diferentes personagens. Do prazer mais carnal ao amor puro, passando pela falsa moral da sociedade e da religião. Pelo meio, a filosofia simples de duas personagens inusitadas - a mulher que lê pensamentos e um pintor de sóis na parede. São eles que levam o narrador a perceber os sentimentos da Gaivota e nos ajudam a reflectir sobre temas tão controversos como o amor, o desejo, o sentimento de culpa ou o próprio nojo.

 

Opinião: Um acidente de viação dá o mote para que Gaivota e o nosso narrador se encontrem para uma viagem no tempo onde uma amnésia espontânea e a falta de rigor e vontade de uma mulher outrora desconhecida de todos se comece a desenrolar perante o olhar atento do leitor. Aos poucos o nosso herói, que não desiste de lutar pela sua companheira, percebe que poderá através da escrita ajudar Gaivota a sair do refúgio que criou para que as suas emoções sejam provocadas como forma de reação.

Uma história dentro da história começa a ser criada onde dois jovens se conhecem, conquistam, passam por conturbadas experiências de vida, mas conseguem chegar a um final que posso-vos dizer... Poderá ser previsível e quando lá cheguei pensei que seria mais que óbvio o que estava a ler, no entanto a narrativa foi tão bem embrulhada que nem coloquei a hipótese, em momento algum, que tudo se iria baralhar de uma forma sublime e bem apresentada.

Desconhecia por completo a obra e escrita de João Morgado mas bastaram os primeiros capítulos, que em Diário dos Imperfeitos são contados através do recurso a dias, para perceber que este livro é uma completa surpresa. Com um recurso fantástico às emoções que se desafiam de forma suave e verdadeira ao longo da narrativa, o autor consegue nesta obra levar as personagens ao fosso onde o isolamento toma lugar, para logo de seguida as colocar a sorrir de forma sincera e onde a perceção que aquilo pode acontecer, que tudo pode ser real, surge. Uma autêntica montanha russa onde o personagem masculino central, também narrador e escritor, acredita que consegue resgatar Gaivota do seu frágil estado com o cruzamento da sua própria história com a que lhe é contada por palavras escritas dia após dia, como se tudo se estivesse a desenrolar de forma real à sua frente, como se Laura e Santiago, as personagens fictícias, existissem. A reação de Gaivota ao sentir-se próxima do que lhe é relatado, as emoções da história que a puxam para a realidade onde existe uma vida e todo o Mundo para serem desfrutados. Um encontro de sentimentos onde os conflitos pessoais de cada um são confrontados com uma realidade nem sempre perfeita mas com a qual é necessário criar bases e alicerces para se conseguir atingir a felicidade. 

Diário dos Imperfeitos é uma surpresa, primeiramente porque nunca tinha ouvido qualquer comentário acerca do autor, desconhecendo-o por completo, estando fora dos tops nacionais, talvez porque os leitores ainda o estejam a descobrir aos poucos. Recomendo vivamente esta obra e só não a acho perfeita porque em certos momentos o encaixe da ficção criada pelo escritor e a verdade central acabam por se repetir um pouco, mas de resto, nada a apontar porque com uma, ou melhor, duas boas histórias, uma escrita bem fluida e uma simplicidade de vivências e comportamentos é fácil brincar com personagens que podem ser de carne e osso.