Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

27.04.17

Deixa-me Ir [Gayle Forman]


O Informador

deixa-me ir.jpg

Autor: Gayle Forman

Editora: Editorial Presença

Lançamento: Abril de 2017

Edição: 1ª Edição

Páginas: 304

ISBN: 978-972-23-5994-8

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Maribeth Klein é mãe de gémeos e editora de uma revista de moda. Conciliar essas duas facetas da vida tem sido um desafio quase impossível e Maribeth sente-se esgotada. A azáfama do dia a dia, cada vez mais intensa, não a deixa parar um segundo, nem para perceber que acaba de ter um ataque cardíaco. 

Durante a recuperação, dispondo finalmente de algum tempo para pensar, Maribeth decide fazer as malas e partir. Longe das obrigações familiares e apoiada por novas amizades, pode por fim lidar com os problemas que a atormentam há muito e enveredar por uma jornada de descoberta que lhe permitirá perceber o que é realmente importante.

 

Opinião: Mulher, editora numa revista de moda, esposa e mãe de gémeos com todas as responsabilidades pessoais, familiares e profissionais que tudo isto acarreta, Maribeth é a personificação de uma pessoa que não faz pausas para descansar, nem mesmo se estiver a enfrentar os sintomas de um ataque cardíaco. Continuando com a sua azáfama diária e sem dar qualquer importância ao que lhe está a acontecer, de um momento para o outro vê-se obrigada a entrar no hospital onde se vê perante uma situação que não consegue controlar, ao contrário do que está habituada a fazer na vida onde consegue visionar tudo o que está ao seu redor. 

Deixa-me Ir é a amostra que a luta do dia-a-dia desenfreado por vezes tem de acalmar porque nem tudo compensa e existem assuntos a tratar bem mais importantes que o trabalho e a tentativa de correr para tudo e todos sem parar para pensar que o próprio também tem de se sentir bem e valorizado consigo. É isto que acontece com a nossa Maribeth quando numa cama hospitalar e no pós operatório percebe que a sua vida não é a que sonhou e a que deveria ter.

Com a perceção que algo tem de mudar, faz a mala, deixa uma carta ao marido e aos pequenos filhos e parte com o objetivo de respirar e alterar o seu presente mas também em busca de resolver assuntos do passado para que consiga ajudar a resolver um futuro familiar que pode ser uma ameaça para a próxima geração perante o seu ataque cardíaco numa idade onde estes problemas de saúde geralmente não acontecem com tanta frequência. Será este um problema familiar e passado de geração em geração?

Na nova fase e longe de tudo o que é a sua normalidade, Maribeth recomeça a sua vida, recorrendo a um conforto bancário amealhado ao longo dos anos para sobreviver e conseguir aguentar-se durante o tempo em que está fora. Conhece novas pessoas que a levam a ganhar novos hábitos e a confiar no desconhecido e diferente, não estando estática como anteriormente com os seus semelhantes e que a rodeiam no seu habitual ambiente caseiro.

Maribeth é daquelas personagens que poderá levar o leitor a ter um duplo e ambíguo sentimento pelos seus atos. Que mulher deixa os seus filhos para trás para procurar o que poderá já não existir? Deixar uma vida familiar normal mas exaustiva e uma boa profissão para ir de encontro a um passado e a um sentimento de liberdade que em casa não consegue ter. Estaria Maribeth a necessitar realmente de fugir para conseguir sentir que a sua normalidade é o que lhe faz falta dia após dia?

Uma história constante, sempre em movimento e com uma escrita simplificada que leva o leitor a refletir perante as suas próprias ações. Por vezes é necessário parar, pensar e voltar a agir porque nem tudo é um mar de rosas e nem sempre corpo e mente aguentam a pressão a que são submetidos para que tudo seja conseguido a custo de uma azáfama cansativa e sobre a qual por vezes existe um sentimento de incompreensão. 

O primeiro livro para adultos de Gayle Forman, após os seus sucessos junto do público jovem adulto, a ficar aprovado pela criação de uma pessoa que pode estar ao nosso lado com uma história que precisa de mudanças. Li e vi verdade do início ao fim de Deixa-me Ir e isso conta muito para um autor conquistar o leitor.