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O Informador

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05.09.18

Curiosidade | Os casinos do Brasil


O Informador

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Tapar o sol com a peneira e fazer de conta que a realidade não existe são dois traços culturais muito típicos dos portugueses. Quando uma situação ou circunstância é desagradável, fazemos de conta que não se passa nada e seguimos para a frente. Quanto mais ação isso exigir da nossa parte, pior.  

E parece que os nossos irmãos brasileiros “herdaram” esta nossa mania. A relação dos brasileiros com os casinos e os jogos de azar não podia ser mais cómica. 

 

Uma proibição… 

Portugal foi governado, durante meio século, por um regime político “encostado” aos ideais da Igreja Católica. Goste-se ou deteste-se, ninguém põe em causa que os valores conservadores orientaram totalmente a prática política. No entanto, Salazar nunca se lembrou de proibir a atividade dos casinos; felizmente para o mundo, pois talvez James Bond não existisse se o Casino do Estoril tivesse sido fechado na década de 40. 

Ora, no Brasil, que também tinha uma indústria de casinos florescente, um presidente da República lembrou-se de proibir todos os jogos de azar e fechar os casinos, em 1946. Diz-se que por influência da sua esposa, extremamente religiosa. E assim ficou até hoje – criou-se um “tabu” no Brasil à volta do tema, sendo os jogos considerados uma fonte de pecado e de vício moral e social. Está visto que Salazar era um libertino, ao permitir tal coisa entre nós… 

…que acaba na fronteira física… 

Sucede que o Brasil é vizinho de uma série de países que, pasme-se, não acham que os casinos sejam antros de vício a proibir. O cómico desta questão não está em que os brasileiros de classe média apanhem um avião para ir a Las Vegas ou ao Uruguai; o que se passa é que, em vários pontos das fronteiras do Brasil, empresários de países vizinhos montaram casinos imediatamente à saída. Nalguns casos, é só atravessar a rua e já se está noutro país e é só entrar no casino. Não há rede de pesca mais perfeita! 

…e na fronteira virtual.

 

Com o aparecimento dos casinos online, a situação ficou ainda mais absurda. Basta fazer uma pesquisa por Cassinos Brazil (por lá diz-se “cassino”, talvez por ser mais parecido com o inglês) e qualquer cidadão encontra uma série de opções para jogar através do computador ou do telemóvel. 

Mas será que não é ilegal aceder a casinos online no Brasil? Não. A lei nunca proibiu os cidadãos de jogar no estrangeiro (seria difícil de aplicar, certo?), e o que se passa é que os casinos online modernos estão todos baseados em países com aquelas condições especiais, como Malta ou Gibraltar. O brasileiro acede mas a sua aposta, tecnicamente e para todos os efeitos legais, é registada em Malta. 

Em suma, um país com a dimensão do Brasil proíbe os casinos (é dos poucos países do mundo que o fazem) mas tem uma série de estabelecimentos a 2 metros das suas fronteiras e mais uns quantos nos bolsos e dos cidadãos. Faz sentido?

Não é de admirar que haja por lá alguns a falar em legalizar o jogo. Só que as coisas demoram. Parece que neste momento existem dois projetos de lei em debate, um mais recente (e sério) e outro que vem sendo adiado desde 1991! 

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