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Casa Portuguesa assinala o arranque da nova temporada do Teatro Nacional Dona Maria II e também a primeira criação de Pedro Penim enquanto diretor artístico da sala lisboeta.

Neste espetáculo a história de um ex-soldado da Guerra Colonial é colocada em manchete, uma vez que o debate perante a decadência e os fantasmas do passado são colocados em causa perante a representação atual do modelo ideal de casa, da família e da própria figura do pai e do homem na sociedade que vive de transformações. Num relembrar da história unido aos mais recentes acontecimentos democráticos, Casa Portuguesa é aquele retrato do que terá sido a imagem de uma casa familiar, do que é nos dias que correm e do que poderá vir a ser, com as suas alterações, vivências distintas e que vão deixando feridas abertas pela colocação de acontecimentos que transformam vidas. Recorrendo a temas bem fortes como o racismo, sexualidade, violência e traumas, Casa Portuguesa é o olhar do passado para questionar o presente perante as desigualdades que foram vividas através de opressões e injustiças.

Nos anos 40, num bar em Moçambique, três portugueses escreviam num recanto a canção Uma Casa Portuguesa, um fado representativo de uma nação e que seguia os ideias do Estado Novo. Hoje, passadas quase cinco décadas, esse mesmo fado contínua a ser cantarolado por muitos, embora a sua letra pudesse ter algumas achegas atuais como sinal de renovação a que a própria sociedade tem sido sujeita, alterando consigo assim a ideia do simbolismo da própria casa, da família e do pai. Casa Portuguesa começa com o canto critico e distinto da dupla Fado Bicha para dar lugar a uma história entre o passado e o presente.  

Este espetáculo de união entre o fado, o diário de guerra e os pensamentos filosóficos conta em cena com a representação de Carla Maciel e João Lagarto que dispensam apresentações e eleva um novo talento com Sandro Feliciano a dar cartas em palco como uma excelente revelação do teatro desta temporada. A dupla Fado Bicha, Lila Tiago e João Caçador, tem a sua estreia na representação, provando que as lides dos palcos é o seu lema de vida, unindo desta vez o canto à experiência bem conseguida na representação que acaba sempre por ser um ponto chave de qualquer cantor em frente a uma plateia. 

Casa Portuguesa, de Pedro Penim, para ver de 22 de Setembro a 16 de Outubro na Sala Garrett do Teatro Nacional Dona Maria II de Quarta-feira a Sábado pelas 19h00 e aos Domingos pelas 16h00. O Teatro é um modo de vida, espicaçando o pensamento e as vivências pessoais e com esta Casa Portuguesa não existe exceção, é para ver, aplaudir e regressar a casa na reflexão.  

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