Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Atypical | T4 | Temporada final

Netflix

atypical 4.jpg

Atypical chegou à quarta temporada e o seu final foi anunciado de forma antecipada, dando a Robia Rashid, a criadora da série, a possibilidade de criar um final digno e capacitado para dar ao público o merecido, não dando um término em suspenso. Desenvolvida de início perante a premissa do autismo, Atypical desenvolveu-se ao longo das quatro temporadas de forma simples e sensível, mostrando o dia-a-dia de Sam, Keir Gilchrist, entre a família e amigos, sempre dando destaque à sua obsessão com pinguins, fazendo com que queira viajar para a Antártica. 

Perante uma história com níveis de sensibilidade e com temas que não chamam as grandes massas, Atypical é mais uma daquelas séries que atrai quem vê e quer continuar a ver e que mesmo sendo de menores orçamentos que as produções mais caras da plataforma que enchem os tops com temporadas de mais do mesmo e que vão sendo renovadas ano após ano para fazer render o que por vezes não acrescenta nada, acabou por ver pela quarta temporada um final anunciado quem sabe por debater questões delicadas da vida comum, mostrando que, tal como outras séries canceladas, nem sempre o sistema Netflix vai de encontro ao que tanto defende sobre a diversidade de argumentos, provando cada vez mais que o diferente fica para trás para servir mais do mesmo vezes sem fim e com repetições de argumento ao longo de várias temporadas.

Atypical foi sempre levada a sério pelos seus criadores, tendo conseguindo desenvolver uma boa história e capacidade de renovação, dando história a todos os personagens e valorizando em determinados episódios determinadas situações para que outros tivessem destaque na trama. Nesta última temporada as histórias circularam, os finais foram acontecendo, os desenvolvimentos tinham tudo para dar certo se existisse continuação mas tudo teve de terminar, ficando pontas soltas que enquanto imaginativo consegui dar uma sequência positiva por perceber a proximidade entre personagens e a ligação criada entre uns e outros. Esta é daquelas séries que começou, alcançou o público mas depois não se viu apoiada pelas escolhas, talvez por não existirem cenas de sexo abundante, nudismo, crimes e afins, o que tem dado os primeiros lugares entre os mais vistos a outras produções mais caras mas que começam a provar que seguem o mesmo lote básico criativo do é isto e aquilo e assim teremos sucesso e veremos a renovação acontecer. Isto não é o correto, mas o mercado audiovisual segue sempre a mesma linha perante as vendas e pouco existe a fazer para alterar a situação.

No final, Atypical, por se saber que seria mesmo a última temporada, conseguiu ter um desfecho comovente, mas ao mesmo tempo acabando por sacrificar a liberdade que Sam foi conquistando com o tempo perante a família. O pai tira o seu longo período de férias em atraso para o acompanhar no objetivo de conhecer melhor o mundo dos pinguins no seu habitat natural, mas são as despedidas de Casey, Zahid e Paige que acabam por comover. Tudo foi feito de forma simples, dos olhares aos abraços que pareciam nas primeiras temporadas forçados e que agora no final são reais, com aquele sentimento de dever cumprido perante o amor que une as pessoas. Chegou ao fim Atypical, uma das séries que se destacou pela escrita e pela própria produção, não seguindo a linha das produções em linha de montagem, mas que não conseguiu assim continuar a ver as renovações acontecerem. Só mais uma entre outras que não têm visto a luz verde para darem lugar a séries corridas, com grandes imagens e uma menor carga de consciência social.

 

2 Comentários

Comentar post