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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

27.04.17

Até Napoleão gostava de ganhar nos dados


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Se querem que vos diga existiu uma altura em que tinha uma paixão pelo casino e suas apostas. Uma atracão que existe e aparece em muitas pessoas, não sendo somente representada em livros e filmes mas também chegando a todos na cultura popular. Os entusiastas vão até há alguns anos antes de Cristo e, ao longo da história, eram quase todos eles imperadores, escritores ou políticos, portanto este meu antigo e ultrapassado calcanhar de aquiles só pode vir do facto de eu ter uma pequena costela de cada um deles.

Deixo-vos aqui um resumo, para terem uma ideia. Tudo começou com os imperadores da Roma Antiga: Júlio (100-44 a.C.) já participava em jogos de sorte públicos e contasse que, enquanto atravessava o Rio Rubicão, disse a famosa frase 'alea iacta est' (“os dados estão lançados”). Depois Calígula (12-41 d.C.), que já apostava em corridas de carroças e jogos de dados e que chegou a transformar o palácio imperial numa casa de jogos para conseguir dinheiro para o tesouro. Por fim Nero (37-68 d.C.), que adorava todo o tipo de desportos e jogos, mas ainda mais apostar neles.

Depois, o famoso italiano Lourenço de Médici, um político renascentista, patrono de vários artistas, que era não só um excelente jogador de cartas como até acabou por ser ele a criar alguns dos jogos. Também o famoso escritor e historiador francês, Voltaire (1694-1778) era aquilo a que se pode chamar um jogador ávido. Por isso, quando o governo francês criou a lotaria e só permitia que participassem aqueles que comprassem uma determinada quantia de obrigações, Voltaire arranjou uma forma de contornar as regras: criou uma estratégia em que obtinha obrigações que permitiam o número máximo de entradas. Acabou por ganhar a maior parte do dinheiro destinado à lotaria, na época. Voltaire era especialmente fã de um jogo de cartas chamado Faro e de Biribi, um jogo similar à roleta, onde os números eram retirados de um saco.

Faro era também um dos jogos preferidos do italiano Giacomo Casanova, um mulherengo que usava o charme para convencer as mulheres a pagarem as suas dívidas de jogo. Mal era... uma vez, em Veneza, conseguiu perder 5 mil pedaços de ouro em dois dias.

Até o criador da sandes era um apostador! John Montagu era o IV Conde de Sandwich em Inglaterra. Passava vários serões a jogar em Londres e, por volta de 1765, inventou a sanduíche, ou sandwich (agora sabem de onde vem o nome), para não sujar as mãos enquanto jogava às cartas: daí os dois pedaços de pão à volta da carne. Curioso, não é? E engenhoso!

Também os famosos presidentes norte-americanos George Washington e Thomas Jefferson eram fã dos jogos! Washington adorava cartas e até tinha um diário onde apontava religiosamente tudo o que ganhava e perdia! Jefferson jogava para se distrair enquanto escrevia a Declaração da Independência, e não só cartas mas também gamão, lotarias e cara ou coroa.

Entre os escritores também havia muitos entusiastas. Entre eles, Tolstoy, Jane Austen e Dostoevsky! O primeiro alistou-se no Exército Russo para fugir das dívidas de jogo, que contraiu a jogar bilhar. Acabou por ceder e entregar o manuscrito de Cossacos como pagamento. Jane Austen não só gostava como também recorria muitas vezes aos jogos de cartas nos seus romances para revelar traços de carácter e personalidade.

Por incrível que pareça, até o grande Napoleão Bonaparte gostava de ser desafiado, vendo-se obrigado a criar e desenvolver estratégias que depois aplicava no campo de batalha. Muito inteligente! Por isso, foi um dos grandes apoiantes dos casinos em França e ajudou a popularizar o jogo vinte-e-um. O seu sobrinho Lucien acabou mesmo por tornar-se um jogador de grande sucesso. Mais tarde, também Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, tinha a mesma estratégia em casinos e na guerra: arriscar sempre. Churchill participava frequentemente em jogos de poker e mah jong.

Nos dias de hoje são muitos os exemplos, mas podemos falar por exemplo de Don Johnson, um empresário dos Estados Unidos, CEO de uma empresa que cria software para corridas de cavalos, e que entre 2010 e 2011 ganhou 15 milhões de dólares a jogar blackjack!