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O Informador

22
Fev15

Ambição

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Poder, paixão e pecado! Os três P's essenciais para o desenrolar de Ambição, o primeiro romance de Lurdes Feio, a jornalista política que tem circulado entre os meandros da liderança nacional e que agora, em tom ficcional, conta o que poderá acontecer a qualquer governante do nosso país. 

Com uma escrita bem acessível e corrida, sem grandes manobras de elaboração textual, Ambição é aquele romance que agarra do início ao fim, sempre com pontas soltas através dos mistérios que vão sendo deixados pelas vidas de várias personagens que percorrem os corredores políticos. Um casal sem já qualquer ligação de amor, uma família desamparada, um cargo importante, o sexo extra conjugal, loucuras do coração, crimes e investigação. Este poderia ser daqueles romances ao estilo Margarida Rebelo Pinto, mas não é, é muito melhor ao conseguir unir vários temas num só campo e tendo sempre algo de novo para contar sobre a vida de ministros corruptos [existem tantos por aí].

Nesta narrativa os meandros da política estão em grande foque sobre negócios fraudulentos e livres, gabinetes recheados de segredos e amores, daqueles arrebatadores e rápidos, que são vividos com intensidade mas de forma descartável. Mas será que isso é sempre assim ou em toda a vida do Homem consegue aparecer alguém que conquista de outra maneira? Uma boa história está contada em Ambição, isso é a verdade, o que para primeiro romance da sua autora é fantástico!

Este é mesmo daqueles livros que se vai lendo com um bom entendedor rápido sem maneirismo de perfeccionismo e complicações mediáticas. O luxo, a traição, a intriga política e o mediatismo de páginas com notícias sem fim sobre vidas como tantas outras. A atracção sobre esta Ambição conquistou-me talvez por todo o meio onde as coisas acontecem e por perceber que de realidade tem tudo, mesmo tudo!

Francisco Mortágua tinha finalmente conseguido: era ministro. Depois de um percurso nas juventudes partidárias, aquele que acreditava estar predes­tinado a grandes coisas no panorama político português sabia que uma das suas mais preciosas aliadas – e que facilmente poderia tornar-se inimiga – era a comunicação social. O ministro queria marcar a diferença, ser um político sério, e precisava de cair nas boas graças dos jornalistas para rentabilizar esse trabalho. Mas Francisco tinha uma enorme desvantagem: era um sedutor in­veterado.

Quando se envolve com Marta Santiago, jornalista de um dos maiores jornais diários nacionais, Francisco Mortágua está longe de imaginar que os escrúpulos de Marta e a sua verticalidade moral são exactamente o oposto de tudo e todos os que o rodeiam. Num jogo de poderes, com a facção da oposição a tirar da manga a carta da chantagem, a esposa traída cada vez mais ressentida, os colegas de governo a transpirarem inveja e o esquema vicioso das obras públicas a prosseguir apesar da sua acção, a ambição do ministro poderá não ser maior do que a sede de vingança daqueles que vai derrotando, um a um, para chegar onde tanto quer.

Entre o calor da cama e as luvas passadas debaixo da secretária, nada será simples e limpo no país onde grassa a impunidade, a chantagem e a coacção. O ministro Francisco Mortágua, mais ingénuo do que à primeira vista parece­ria, vai ser confrontado com a verdadeira face da alta política e descobrir do que é capaz esse enorme monstro chamado corrupção.