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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

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AJ and the Queen | T1

Netflix

Publicado por O Informador, 07.02.20

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O conhecido drag queen RuPaul Charles idealizou, escreveu com Michael Patrick King e protagonizou a série AJ and the Queen que se encontra disponível na plataforma Netflix. Se a série parece leve, com algum sentido mas não muito elaborada e com diversas situações inusitadas, então deixa que te diga que será como parece que esta produção se apresenta. 

Enfrentando o público com uma personagem inspirada em si, RuPaul em AJ and the Queen encarna a personagem Ruby Red, que não passa de uma cópia de si próprio mas numa história ficcional onde a sua forma de estar na vida é colocada em demonstração através de um personagem que tem tanto de si que até acredito que siga pontos de sonhos e vontades ao mesmo tempo que debate diversos temas sobre o transformismo, a comunidade LGBT, prostituição, abandono de menores, amizade e amor. Com diversos momentos em que a exuberância e o parecer bem se sobrepõem a tentar criar uma produção de ficção sem pensar no que os outros vão pensar, nesta série uma criança deixada sozinha por parte da mãe entra na auto caravana de Ruby Red e juntos partem para uma viagem de reconquistas e procuras tão distantes que acabam por se cruzar e tocar. 

Se um pretende reconquistar o seu lugar nos palcos e esquecer a desilusão amorosa que enfrentou, outro mostra toda a vulnerabilidade de uma criança que se sente sozinha no mundo, não deixando espaço para aproximações e momentos de carinho por quem aos poucos se mostra interessado em lhe querer bem. Vivendo de histórias numa viagem até bem pensada e onde os diversos temas são demonstrados e comentados, existem pretextos e personagens nesta série que estão tão fora de contexto que seriam muito bem dispensadas sem se sentir a falta. Um namorado que rouba o que Ruby Red poupa ao longo dos anos e uma vilã com uma pala no olho que vive de colocar silicone de forma clandestina na cara de quem só pensa na beleza, ambos em busca de dinheiro que não lhes pertence numa perseguição que sempre lhes corre mal, numa tentativa vã de existirem os bons e os maus da fita nesta história que não precisava de criar tanto para ser apresentada de forma agradável.

A base de AJ and the Queen é boa, não consigo ver a prestação de RuPaul como sendo um mau ator, já que o vejo a fazer de si próprio por intenção de se representar em modo ficcional, mas depois tudo falha na elaboração dos contextos em que as diversas situações são criadas. Com a jovem atriz Izzy G. no papel de AJ a brilhar muito bem e com outros nomes com algum destaque a entregarem boas cenas, o problema desta série é mesmo a falta de conteúdos que prendam, por existirem pontos menos bons na continuação do enredo. 

Leve e com um certo humor e momentos que até comovem, esta série não falha, não estando virada para atrair grande parte do público da plataforma mas criando a curiosidade de quem segue o trabalho de RuPaul com os seus formatos televisivos de talentos e reality shows. Se uns criticam o apresentador, criador de conteúdos e agora ator pela forma como se demonstra, também esta série, talvez por ser protagonizada por RuPaul, tem quem goste e odeie, estando no centro de comentários extremistas por existir mesmo um contrassenso para com a figura central ser a cópia do próprio ator. 

A mim esta produção conquistou, cumpriu os seus objetivos, não é aquela produção de grandes aplausos, no entanto conseguiu entreter, apelando aos diversos temas e onde os cuidados entre pessoas tão diferentes e que não se conhecem cativam e emocionam pela união que vai sendo criada através da relação de um adulto e uma criança e que se torna num verdadeiro amor de pai e filha. 

Até ao momento ainda não se sabe se uma segunda temporada será encomendada, o que deveria acontecer. Como disse não é uma grande produção, mas ganhou o seu lugar nas minhas escolhas dentro do género e acredito que AJ and The Queen mereça uma nova oportunidade para continuar no gancho com que tudo terminou. Uma série com um final feliz mas que deixou o suspense perante as últimas imagens. Será que uma série para assistir numa tarde livre de fim-de-semana num momento de bem com a vida não merece regressar para novos momentos de partilha, felicidade e contentamento?

Os brilhos foram lançados, as perucas estão prontas e os ecrãs já esperam pela continuação!