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O Informador

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21.05.18

A Rapariga de Auschwitz | Eva Schloss


O Informador

a rapariga de auschwitz.jpg

Autor: Eva Schloss

Título original: After Auschwitz

Editora: Marcador

Edição: 1ª Edição (Reimpressão)

Lançamento: Abril de 2018

Páginas: 284

ISBN: 978-989-754-357-9

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Milhares de leitores em todo o mundo conhecem a história de Anne Frank, a adolescente cuja vida terminou em Bergen-Belsen durante o Holocausto.

Em A Rapariga de Auschwitz, vão conhecer a sua irmã e companheira de brincadeiras: Eva Schloss. Apesar de, ter sido levada para Auschwitz com apenas quinze anos, a sua história não terminou aí. Ela conseguiu sobreviver.

Este livro incrível é a memória viva dos acontecimentos que marcaram esse período tão dramático da história mundial.

 

Opinião: A Rapariga de Auschwitz é mais do que uma história, é uma representação da triste realidade que foi o Holocausto. Através da voz de Eva Schloss é possível acompanhar uma história de coragem onde a esperança sobre a sobrevivência sempre esteve presente perante a situação de uma jovem que passa pelo campo de concentração de Auschwitz com a sua mãe, tendo sido separadas de pai e irmão na seleção sobre para onde seguiam dentro de um dos locais mais marcantes da história mundial. 

Em A Rapariga de Auschwitz, Eva relata a sua vida, iniciando a sua narrativa no período antes da guerra onde a vida familiar parecia perfeita. Os momentos de confusão onde Eva andou fugida com os seus familiares mais próximos, saltando de casa em casa pela Holanda onde a população foi ajudando os judeus a fugirem de uma morte quase certa. Só que se uns ajudavam, outros tinham mais a ganhar se estivessem do lado dos nazis a apanhar os fugitivos que evitavam os campos de concentração. 

Desde cedo me rendi à forma expressiva como Eva retrata as suas vivências de jovem adolescente, mostrando um bom ambiente de amor familiar que aos poucos se foi desvanecendo pelos contratempos que lhes foram causados. Aos 15 anos esta jovem teve de crescer de forma imediata, passando dentro dos espaços de terror a proteção de sua mãe para ser a própria a cuidadora com a esperança que tudo terminasse e que ambas conseguissem sobreviver e voltar a encontrar a restante família após o período de guerra. Da viagem em vagões transportadores de animais para Auschwitz, a chegada com a marca corporal que deixou memórias eternas, o corte de cabelo, a fraca alimentação, os trabalhos, a descuidada higiene e os maus tratos, tudo é descrito nesta fantástica obra que me conquistou do início ao fim. Esta narrativa é um retrato sobre a destruição da sociedade judaica na Europa que da perseguição ao assassinato em cadeia mostra a forma como os direitos humanos na altura eram fortemente infligidos, tal como hoje continuam a ser um flagelo em vários pontos territoriais, não em tão grande escala, sendo ainda certo que esta forma de desumanidade ainda continua a persistir em pleno século XXI. 

Ao longo de A Rapariga de Auschwitz Eva conta como sobreviveu no campo de concentração mais temido da história da humanidade, lidando com a dor, o sofrimento e tendo a morte bem perto. Viver em Auschwitz e sobreviver foi para muito poucos e esta jovem ficou para contar o que sentiu ao longo do tempo que enfrentou as forças e os mandamentos nazis numa luta desigual que felizmente para Eva acabou por ficar como marca na sua vida, ao contrário dos muitos que não restaram para contar o que viveram. Um relato impressionante onde tudo é contado de forma ficcional mas é bom lembrar que este livro é de não-ficção, tendo de antemão o leitor consciência que o retrato visível através das palavras é a verdade descritiva sobre tudo o que aconteceu antes, durante e após o período critico.

Após o término do aprisionamento e o voltar à nova vida de liberdade, sem parte de elementos importantes da família, o recomeçar do zero, lembrando e ganhando forças no passado. Conviver com a mágoa , reconstruir e seguir em frente sem tentar mexer com os negros anos. No entanto a história pessoal de cada um quando tem momentos marcantes acaba por interferir no futuro e foi isso que sempre foi acontecendo com Eva ao longo do tempo. Primeiramente por estar ligada a Anne Frank, já que Otto Frank, pai de Anne, acabou por se tornar membro da sua família. Eva viveu com o seu novo núcleo o sucesso e as criticas sobre O Diário de Anne Frank, ajudou a levar a Fundação Anne Frank, na Suíça, em frente, tal como a Casa-Museu de Anne Frank, em Amesterdão. Ligada à causa da sua quase irmã, Eva envolveu-se, primeiramente sem vontade mas depois por paixão e dedicação, neste recontar do passado doloroso, ajudando outros que sofreram com o mesmo e que viram ente-queridos partirem sem qualquer explicação.

Livros, peças de teatro, películas cinematográficas, documentários, colóquios, tudo foi e continua a ser feito em torno do flagelo que foi Auschwitz, num momento pesado da história que sempre será lembrado pela sociedade dos tempos modernos como um exemplo do pior que pode ser feito. Este é um livro cru, direto e sincero, bem com o toque holandês onde tudo o que é importante é contado sem marasmo e superficialidade. Uma obra que, tal como a sua motivação, ficará na memória de quem a lê.

 

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