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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

13.03.17

A Avó e a Neve Russa


O Informador

a avó e a neve russa.jpg

Autor: João Reis

Lançamento: Fevereiro de 2017

Editora: Elsinore

Páginas: 228

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: «As folhas caídas das árvores giram à minha volta com o vento, mas aperto mais o casaco, porque nem o vento nem as folhas-bailarinas me alegram com a melancolia, só me deixam ensopado em tristeza, como a chuva nos faz por vezes. Os homens não choram. Avanço. Os catos que vejo alinhados na rua voltam a ser árvores e a Babushka, deitada na cama de hospital, é uma criança que aumentou e encolheu.»

Babushka está doente. Esta russa idosa, emigrante no Canadá, sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl. Esconde no peito a doença que a obriga a respirar a contratempo e lhe impõe uma tosse longa e larga e comprida e sem fim — um mal que a faz viver mergulhada nas memórias do seu passado luminoso, a neve pura da Rússia, recordação sob recordação.

Na fronteira com a realidade caminha o seu neto mais novo, de dez anos, um menino que não desiste de puxar o fio à meada e de tentar devolver a avó ao presente. Para ajudar Babushka, precisa de encontrar uma solução para os seus pulmões destruídos, sacos rasgados e quase vazios — mesmo que isso o obrigue a crescer de repente e partir em busca de uma planta milagrosa, o segredo que poderá salvar a família e completar a matriosca que só ele vê.

Narrado na primeira pessoa e escrito a partir da perspetiva de uma criança, A Avó e a Neve Russa é um livro feito da inocência e da coragem com que se veste o deslumbramento das infâncias. Romance simples e emotivo sobre a força da memória e da abnegação, relata a peregrinação de um neto através da esperança, do Canadá ao México, para encontrar a possibilidade de um final feliz.

 

Opinião: A ideia com que se parte para a leitura deste livro é um pouco abstrata, podendo existir um certo receio de que a história se confunda através das palavras de uma criança que luta pelo salvamento da sua avó que se encontra doente e em estado já avançado para conseguir orientar um pequeno homem com uma visão bem alargada acerca do Mundo, dos comportamentos humanos e das causas sociais que mudaram o rumo da História. 

Ao longo do tempo, sem pais e aos cuidados da avó e do irmão mais velho, um rapazito cujo nome é desconhecido ao leitor percebe que para manter o ambiente familiar que conhece e onde é feliz tem de agir, ajudando a continuação da sua Babushka, a avó que passou pelo acidente nuclear de Chernobyl, a sobreviver no tempo e para isso é necessário que se parta numa aventura de medos, receios, riscos e onde a amizade toma lugar.

Um menino com uma perceção perfeita sobre os colegas, os vizinhos, o comércio e a humanidade parte assim à descoberta de novos cenários para que consiga encontrar a solução que acalme e ajude a combater a debilitação da sua avó. Conseguirá este pequeno conquistador chegar ao seu destino contra tropas e intempéries, loucos e culpados?

Este é um livro contado na primeira pessoa através de reflexões sinceras relatadas de forma tão simples que o leitor consegue desde cedo adotar o pequeno jovem que com os seus altos e baixos vai lutando para conquistar os ideais e crenças por uma luta desigual entre a ambição e o destino que não é possível travar quando a doença ataca de forma fatal. Estará a cura de Babushka nas mãos do neto quando finalmente consegue encontrar a sua solução para a resolução do problema? Uma questão que é desvendada no final de A Avó e a Neve Russa, o livro de João Reis, que com uma escrita agradável e sem hipótese de baralhar, consegue levar em diante um sonho onde se notam vários apontamentos de crítica social do próprio autor.

A visão de uma criança sobre o Mundo contada num livro de forma tão agradável e sincera que conquista facilmente o leitor que nem se dá conta que está a chegar ao final porque tudo passa tão suavemente que quando se dá por isso a aventura termina e o desfecho acontece.