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O Informador

A história da Ministra

Maria Luís Albuquerque anunciou, através de conferência de imprensa, as novas medidas do orçamento do estado para 2014 e enquanto a senhora falava em direto para todo o país, eu, que estava a jantar, deixei-me embalar. Comecei a dar por mim a ouvir o que era dito e a perceber que aquilo não era um comunicado, mas sim uma leitura de um conto poético!

Não ligando ao que foi anunciado e às fortes medidas de continuação da austeridade que irão ser colocadas em prática, ouvir a dona Albuquerque transportou-me para os tempos de escola primária. A professora lia a história de forma pausada como se estivesse a relatar uma beleza rara que todos deviam admirar. A ministra contou tudo o que vai ser implementado de forma histórica, contando passo a passo o que irá ser feito, mostrando que o estado tem razão e sabe o que está a fazer e tudo foi transformado num momento de beleza porque as palavras lidas saiam como se de um poema se tratasse, tal a inspiração dos seus autores.

No elaborado discurso que foi preparado só faltou mesmo a cena final em que todos os contribuintes começavam a chorar com pena da pobre senhora que era a grande protagonista e narradora desta história. A Maria Luís não fez um comunicado ao país, porque aquilo pareceu-me mais uma lamentação de quem merece o perdão e uma tentativa para que todos percebam o quanto os nossos governantes estão a sofrer com o dinheiro que nos têm tirado. Para mais com o tom como foi contado e com as pausas bem pensadas que foi tendo, tudo foi perfeito para a apresentação de um bom livro que se poderia tornar num novo best seller nacional. 

O Passos e o Portas deveriam estar naquele momento lado-a-lado com os lencinhos de papel de tão emocionados estarem com o conto que criaram para a verdadeira artista da palavra relatar! Emocionante!

Recebi o IRS

Este ano, quando entreguei a declaração de IRS nas Finanças, foi-me dito que não iria receber o valor que me estava destinado por ser um montante pequeno, 14,31€, e que até aos 25€ não pagavam, sendo que o estado ficava com o que era meu por direito. Agora apercebi-me e tenho uma surpresa na conta! Em que ficamos então? Os ministros das finanças mudaram e já alteraram também a lei dos pequenos pagamentos?

Pois, parece que o que me foi dito acabou por não se aplicar e os meus 14,31€ acabaram por vir mesmo até mim. Não é muito dinheiro e já nem contava com ele, mas é meu e se veio é bem-vindo!

O que não percebo é a razão de no ano passado não me terem pago os 7€ e pouco que me eram devidos pela mesma justificação e agora darem-me o dinheiro que me pertence quando me tinham dito que não o iriam fazer. País louco com finanças ainda mais loucas!

As faturas de 2013

E agora não nos podemos esquecer, vamos beber um café, temos que trazer a fatura, não precisamos de pedir, se os proprietários tiverem a cumprir as regras das finanças. E pronto, agora é que vou acumular ainda mais lixo na minha carteira!

A partir de agora tudo o que adquirimos tem que vir acompanhado do pequeno papel do comprovativo de compra. Acho bem que isto aconteça porque muitos dos pequenos negócios fugiam e bem aos impostos, mas por um lado, se nós nos esquecemos de pedir e as pessoas não nos entregam os talões, que culpa temos?

Estou para ver nestes primeiros tempos quantas vezes vou comprar coisas e não me vão dar a fatura comprovativa da minha compra. Estou para ver se ainda apanho um fiscal à porta de algum estabelecimento em busca de uma multa de início de ano. Estou para ver como vão controlar os negócios das feiras, dos mercados e os vendedores ambulantes. Estou para ver quanto tempo esta transição vai durar, porque isto não vai correr nada bem nestes primeiros meses.

Por mim, que no trabalho pouco muda com este sistema e que só me tenho que habituar enquanto consumidor, não deverá causar grandes problemas, a não ser o de acumular mais papéis na carteira porque me esqueço sempre que os posso deitar fora e não os tenho que guardar religiosamente.

2013 será um ano de mudanças de faturação e terei que andar a receber os papelinhos das novas máquinas registadoras, talvez tenha que arranjar um saco para acumular o lixo.